Por todo o apoio e conforto espiritual, a trilha sonora para momentos difíceis - nas batalhas vencidas ou mesmo nas que infelizmente perdemos (perdi meu pai para o covid-19 - e in memoriam (foi tambémuma das vítimas do covid-19, aos 76 anos), o melhor disco do ano vai para Rev. John Wilkins, com o disco Trouble.
Procure a playlist do FilhodoBlues-2020 no Spotify para ouvir os destaques de cada álbum.
Sem dúvida, o ano de 2015 ficará
marcado na história do blues e da música como o ano em que perdemos B.B. King,
aos 89. O luto do blues, no entanto, será inegavelmente bem mais duradouro.
Originalmente um estilo executado pela comunidade negra norte-americana e
direcionado para a própria audiência negra no início do século XX, foi somente
a partir da década de 60, especialmente impulsionado pela grande evidência dada
ao blues pelas bandas britânicas, que o blues foi apresentado a um público
mundial em escala mundial – e até certo ponto, apresentado para os brancos do
próprio Estados Unidos. A partir daí, apesar de ter sido a base para inúmeros
estilos da música popular, o blues foi perdendo tanto o público consumidor,
seduzido pelos estilos mais modernos, quanto os seus grandes expoentes. Fora os que já haviam partido até então, os
gigantes lendários do blues foram caindo um a um: Sonny Boy Williamson II
(1965), Mississippi John Hurt (1966), Little Walter (1968, Skip James
(1969), T. Bone Walker (75), Howlin’
Wolf (76), Muddy Waters (83), Lightnin’ Hopkins (82), Son House (88), Memphis
Slim (88), Willie Dixon (92), John Lee Hooker (01), sem contar, claro, com
vários outros. Então, em um cenário em que a renovação de grandes nomes no
mainstream é difícil e com a perda inevitável dos ícones remanescentes, a morte
de B. B. King foi muito sentida e lamentada, tanto pelo seu valor humano quanto
pelo seu valor simbólico.
É imerso nesse contexto que o
mundo do blues e da música em geral recebe com grande entusiasmo o novo álbum
de Buddy Guy, uma das últimas lendas vivas do blues, que acaba de completar 79
anos. Born To Play Guitar tem um duplo valor, igualmente importantes. O
primeiro é o valor musical de mais um álbum na carreira desse grande
guitarrista, que influenciou a vida de nomes como Jimi Hendrix, Eric Clapton,
Jimmy Page, Rolling Stones, etc e que mais uma vez conta com várias
participações de peso, tais como Billy Gibbons, da banda ZZ Top, Van Morrison,
Eric Clapton (olha ele aí), Kim Wilson, da banda The Fabulous Thunderbird, e
Joss Stone. O outro é o valor simbólico que pode estar contido na mensagem que
se diz por essas terras tropicais: o blues está vivinho da Silva! Buddy Guy
canta sobre o blues com a propriedade conferida de quem viveu para a música e
toda a tradição desses nomes que já se foram está presente e pode ser sentida
no disco. Além disso, ainda tem uma faixa especial para B.B. King, “Flesh &
Bone”, cantada com Van Morrison, e uma emocionante homenagem a Muddy Waters, na
música que fecha o álbum, “Come Back Muddy”. Buddy Guy já falou em entrevistas
que o último recado dado por Muddy Waters, numa conversa pouco antes de
falecer, foi um apelo bem claro: “keep the damn blues alive”. É a isso que
Buddy Guy tem se dedicado desde então e Born To Play Guitar é uma declaração
apaixonante de amor a um estilo de música, de vida, e, claro, ao instrumento a
que está mais associado.
A faixa que abre o álbum dá o tom autobiográfico
que reaparece em vários outros momentos do disco. Começa com Buddy Guy
acompanhado somente de sua guitarra, mas no decorrer da música vão sendo
acrescidos o piano e a bateria. A letra narra sua ascensão, saindo de Louisiana
para ser reconhecido no mundo todo por causa do blues e da sua guitarra. “Wear
You Out” já é bem mais agressiva, um blues-rock com solos mais vibrantes e a
voz rasgada do convidado Billy Gibbons. A parceria funcionou muito bem, Guy com
sua voz mais limpa e Gibbons apresentando o outro lado. “Back Up Mama” é outra que se destaca, com um
estilo próximo ao Delta blues eletrificado de Chicago e uma letra que mostra a
já clássica malícia sexual bastante presente na tradição do blues “i got a back
up mama, if mama number one is not around”. Puro blues. Mais uma vez, Buddy Guy
executa belos solos, que se alterna com solos de pianos. Em“Too Late” outro
instrumento se insere na equação: Kim Wilson agrega sua intensa gaita e, sem
dúvidas, torna o conjunto ainda mais compacto e poderoso, uma locomotiva a
pleno vapor. As músicas do álbum inclusive estão mais concisas e curtas,
diferentes de outros trabalhos de Guy nos quais algumas das faixas ultrapassam
os sete minutos. Em Born To Play Guitar as mais longas ultrapassam pouco os
cinco minutos, mas dá a sensação de que pouco ou quase nada deixou por dizer.
“Whiskey, Beer & Wine” é mais dançante, um
pouco funky, feita pra festejar, como o próprio nome sugere e relaxar e se ver
livre das preocupações, pois, como Guy diz: “you can fix anything with whiskey,
beer and wine”. Quem irá questionar o velho Guy nessa? Ainda dá tempo para uma homenagem ao “good
ol’ days”. Em “Kiss Me Quick”, Kim Wilson faz novamente um trabalho vigoroso na
gaita. As duas faixas que contam com sua presença são as menores do disco, mas
são talvez as mais intensas. “Crying Out of One Eye” apresenta um conjunto de
metais, que deixa o clima mais soul. A letra é muito interessante, mostrando a
falsidade do sofrimento, enquanto está rindo e saindo por aí. “when you say goodbve you were only crying out
of one eye”. Ótima imagem. “(Baby) You Got What It Takes” é a vez do dueto de Buddy Guy
e Joss Stone, com sua voz sensual.
Depois da sequência de
participações, uma série de Buddy brilhando sozinho com sua guitarra. “Turn Me
Wild” parece ter um tom biográfico em sua relação com o blues e a guitarra. “didn’t learn nothing from a book,
no I never took a leason, when it comes to the blues I do my own kinda of
messin’”. Ao invés de um garotinho que sempre andou na linha, o blues o
deixou como um cachorro vira-lata procurando a toca do coelho. Em “Crazy World”
Buddy Guy deixa um pouco de lado os temas mais tradicionais do blues,
geralmente bem mais regional, para refletir a situação meio insana do mundo na
atualidade, como violência, concentração de renda, fome, e outras das mazelas
da sociedade global. É como o blues saísse do sul norte-americano para ver o
seu reflexo também em esfera mundial. “Smarter Than I Was” tem um riff
constante e a voz de Guy um tanto distorcida e gritantes solos de guitarra.
A parte final é um tributo ao
blues, claro, e a dois gigantes do gênero. “Thick Like Mississippi Mud”, mais
um dos grandes destaques álbum, já começa atestando uma das grandes verdades do
blues: “good whiskey and women can drop you to your kness”. Os momentos mais
emocionantes sem dúvidas ficam para as duas últimas faixas. “Flesh & Bone”,
com a participação de Van Morrison, é dedicada a B. B. King, falecido em maio
desse ano. Segundo Guy, a música já havia sido gravada quando ficou sabendo da
morte do amigo. A letra, com a música no clima religioso, repleta de órgãos e
corais, fala exatamente da mortalidade. “This life is more than flesh and bone / find out now before you gone /
when you go your spirit lives on / this life is more than flesh and bone”, diz
o refrão. Por fim, “Come Back Muddy” é uma tocante e sincera música
saudosa de Muddy Waters, falecido em 1983. A delicada canção, acompanhada pelo
violão e piano, mostra a falta que Waters faz tanto artisticamente (“come back
Muddy, Lord knows you can’t be replaced”) quanto pessoalmente (“come back
Muddy, man I sure miss your face”).
Born To Play Guitar não pode ser
visto como mais um número no catálogo extenso e bem sucedido de Buddy Guy,
vencedor de vários Grammys (provavelmente ganhará mais um agora). É muito mais
do que isso; é maior do que o próprio Buddy Guy ou qualquer outro; é uma
reafirmação não só de um gênero musical, da vida de um artista ou de um
instrumento específico: é a reafirmação da contribuição e dedicação de todos os
que vieram antes e já se foram, dos que ainda estão por aí e dos que ainda
virão. Acima de tudo, é a constatação de que o blues está, sim, vivo pra
caralho, viu Muddy (e todos os outros)? Podem descansar em paz.
Diante disso, Já É pode entrar na lista de um dos melhores
trabalhos da carreira de Arnaldo Antunes. A sua já conhecida e qualidade lírica
e poética de grande compositor, que sempre esteve presente nos seus discos,
uniu-se mais uma vez com uma variedade sonora bastante interessante, que estava
ausente nos últimos dois trabalhos, que tinham uma proposta bem limitada e
definida. Então, quando eu digo e reafirmo que Arnaldo Antunes é o melhor
compositor brasileiro da atualidade, já posso ouvir a resposta: “Já É”.
O que realmente torna I Don’t Prefer No Blues um clássico
atemporal do blues é a performance e a estrela de Leo “Bud” Welch: blues é
emoção, sentimento, autenticidade, o momento; e é tudo isso que exala durante
os trinta e cinco minutos da música desse senhor que passou tocando o blues no
anonimato sua vida inteira. Ainda bem que agora ele está tendo a oportunidade
de levar sua música ao mundo.
A Mulher do Fim do Mundo é um dos
discos mais interessantes do ano em diversas esferas; musicalmente, o álbum
transita de forma muito natural e elegante entre diversos gêneros musicais,
como o samba, claro, o rock, o eletrônico, dentre outros; e, principalmente, o
âmbito lírico não fica submisso ao campo sonoro e, por isso, A Mulher do Fim do
Mundo é um excepcional fruto do seu próprio tempo, com letras bastantes
críticas sobre as transformações, desafios, problemas e retrocessos que
testemunhamos diariamente na sociedade brasileira. As temáticas são amplas e
vão desde a violência doméstica, a violência policial nas periferias, questões
de gênero como feminismo e sexualidade. Ou seja, Elza ainda tem muito o que
dizer!
05. Tobias Jesso Jr. - Goon
O estreante Tobias Jesso Jr. é a revelação do ano. As
belíssimas músicas construídas ao piano em Goon o gabaritou, por exemplo, a ser
um dos colaboradores do novo álbum de Adele, com a música “When We Were Young”.
Mas Goon prova que Tobias Jesso Jr. é um compositor versátil e craque no
quesito de melodias.
06. Johnny Hooker - Eu Vou Fazer uma Macumba Pra Te Amarrar,
Maldito!
Johnny Hooker é um artista que
transitava já há algum tempo pela cena underground de Recife, mas aos poucos
foi conquistando cada vez mais espaço com participações em trilhas sonoras,
seja de filmes, como Tatuagem, com a música “Volta”, ou novelas como Babilônia
e Geração Brasil, com as músicas “Amor Marginal” e “Alma Sebosa”. Com Eu Vou
Fazer uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!, Johnny Hooker recebeu aclamação
nacional e participou dos principais programas de auditório da televisão brasileira.
O lirismo que transborda de Hooker é impressionante.
Depois do drama vivido, Walter
Trout acaba por nos entregar o melhor álbum de sua carreira. Claro que a carga
emocional tem um impacto profundo nas músicas e as fazem ter uma conotação
ainda mais forte. Mas é a honestidade que faz com que Trout consiga nos
transportar um pouco que seja para sua vida. As cicatrizes da batalha são as
lições que ele aprendeu em sua jornada, as quais ele consegue repassar um pouco
delas para nós, ainda que não passemos pelo drama que ele passou. Um drama
pessoal não é o suficiente para um bom álbum. Pode ser mais tentador do que
parece tentar esconder profundas experiências pessoais e espirituais por trás
de clichês. E definitivamente não é isto que Walter Trout faz em Battle Scars.
Gerry Hundt’s Legendary One-Man Band é uma viagem pelo tanto
pelo universo quanto pelas habilidades musicais de Gerry Hundt, experimentando
ao máximo para levar a si mesmo até o limite. Apenas o fato de uma pessoa só
gravar ao vivo um disco já é surpreendente. No entanto, o que é incrível mesmo
é que ele consiga fazê-lo tão bom e divertido. Com certeza, Barney Stintson, da
série norte-americana How I Met Your Mother, soltaria seu jargão clássico:
legen... wait fo it... dary!
09. David Michael Miller - Same Soil
David Michael Miller está numa
trajetória crescente na sua carreira. Same Soil é o segundo disco desse
guitarrista e, desde o título, passando pela capa até às músicas propriamente
ditas, funciona como uma celebração dos estilos de raiz da música americana,
especialmente o blues, gospel e soul. Um som vibrante do início ao fim.
Inicio a
resenha declarando que Arnaldo Antunes é o melhor compositor brasileiro da
atualidade. Essa constatação pode ser óbvia para muita gente, mas caso a participação
na fase de ouro do Titãs e uma carreira de dezesseis álbuns, dentre os quais estão
clássicos como O Silêncio, de 1996, Um Som, de 1998, Paradeiro, de 2001 e
Saiba, de 2004, não seja argumento suficiente, talvez a qualidade individual de
músicas como “O Silêncio”,“Música Para Ouvir”, “As Árvores”, “Socorro”, “Atenção”,
“Essa Mulher”, “Se Tudo Pode Acontecer”, “Nossa Casa”, “Saiba”, “A Casa É Sua”
possa ajudar a reconhecer a veracidade da polêmica declaração. O estilo excêntrico de Arnaldo
Antunes, associado ao domínio completo das melodias e à sua formidável
qualidade e criatividade poética, que sempre fala das coisas mais comuns da
forma mais incomum possível, faz com que seus trabalhos sejam sempre poços
profundos nos quais deposita todo seu gênio, sua visão de arte, de poesia, da vida,
além da sua própria visão de mundo. Surge agora uma nova oportunidade para quem
ainda resiste à ideia inicial, ou seja, a de que Arnaldo Antunes seja o melhor
compositor brasileiro da atualidade. O lançamento de Já É, nome do décimo sexto
disco da carreira solo, marca um distanciamento do som apresentado nos seus
dois últimos trabalhos de estúdio, Iê, Iê, Iê, de 2009, e Disco, de 2013, nos
quais Arnaldo optou por um estilo enraizado no rock, especialmente o rock dos
anos 50 e 60. Já É pode soar, portanto, como um “retorno à raiz” para Arnaldo
Antunes, mas a questão é: qual seria a raiz para um artista que sempre
demonstrou não ter raízes? Ou seja, para Arnaldo Antunes, a raiz é flertar com
um som e um estilo em um momento, para logo em seguida experimentar outros
estilos que melhor se adaptem à sua ideia original. É exatamente essa variedade
sonora que está presente em Já É.
A
faixa que abre o disco, “Põe Fé Que Já É”, que inspira o título do trabalho e
foi escolhida para a primeira música de trabalho com um vídeo bem interessante,
é dançante e animada e mostra uma postura bem enérgica e positiva diante da
vida, afinal, “se você tá feliz, se você tá contente, se você mete a cara, se
você mete o dente, (...) se o momento é preciso, o desejo é propício (...) põe
fé que já é”. A música seguinte, “Antes”, é uma das que apresenta sonoridade mais interessante e diferente, com arranjos bem colocados. Na letra,
Arnaldo Antunes faz algo como uma hierarquia de sensações, atitudes e
sentimentos, antes de afirmar rejubilante no refrão “e depois alegria, e depois
alegria e gratidão”. “Naturalmente, naturalmente” é a primeira das várias
parcerias com Marisa Monte e Dadi Carvalho, uma canção leve, bonita e simples,
que combina perfeitamente com a naturalidade sugerida na letra.
Arnaldo
Antunes tem um interesse em abordar temas e emoções contraditórias, inconvenientes
e/ou negativas. Ele usou o humor para
descrever a inveja e os seus respectivos efeitos em “Invejoso”, do disco Iê Iê
Iê, de 2009. Agora quem vai para o divã, ou melhor, para a mesa de trabalho é a
mágoa. Você pode ter ouvido várias músicas que tratam da mágoa, mas poucas
mexerão com você como Arnaldo Antunes faz em "Se você nadar", com uma
pegada mais forte do que as anteriores, principalmente se a carapuça lhe
servir. Utilizando-se de imagens e metáforas para lidar com os efeitos da mágoa
(“os micróbios gostam de água parada”), Arnaldo Antunes foge do lugar-comum ou
da sensação de auto-ajuda. Na verdade, várias músicas de Já É apresentam esse
lado mais esperançoso e afirmativo diante dos desafios e perdas da vida do que
o lado sombrio e depressivo. Mesmo nas canções tristes, há um fio de esperança,
uma busca incessante por uma saída da crise, do desespero. "Peraí,
repara" é outra parceria de Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Dadi Carvalho
(dessa vez Marisa Monte realmente divide os vocais com Arnaldo), com jogos de
palavras e sonoridades com as palavras com o prefixo "para". É
incrível como a voz de Arnaldo Antunes e a de Marisa Monte se unem como se
fossem feitas uma para a outra. Não surpreende a grande quantidade de parceria
entre os dois.
"Óbitos"
marca a volta de Arnaldo Antunes com o reggae, já trabalhado anteriormente pelo
cantor em, por exemplo, "Pare o Crime (Stop the Crime)”, do álbum Um Som,
de 1998, na qual ele faz um apelo para o fim da violência urbana. Arnaldo
Antunes volta à temática da violência, dessa vez focando suas críticas nos
burocratas e legisladores cujas leis matam sem a necessidade de empunhar eles
próprios arma nenhuma. "eles não pegam em armas, só em canetas e papéis,
mas matam mais com suas leis, que atiradores cruéis, Estatutos de escorpiões,
despachos de cascavéis, cobertos de suas razões dos cabedais até os pés".
Depois de tudo só sobra, como diz a letra, “lágrimas, lágrimas nos funerais”. Já
disse aqui que ninguém fala de temas banais da mesma forma que Arnaldo Antunes.
Em "O meteorologista", um grande exemplo disso, o humor é utilizado
como recurso lírico para abordar o amor. Arnaldo Antunes, com toda sua
sagacidade e genialidade, brinca com um erro do metereologista, que falou que o
fim de semana seria de sol, mas na verdade foi com frio e chuva. A partir daí
ele diz que não quer férias no Rio de Janeiro, Bahamas ou Bahia; só quer férias
na Sibéria e Alaska para ficarem juntos na cama. Divertida e bela.
"Dança", mais uma
parceria com Marisa Monte, é uma balada no violão utilizando-se de belíssimas e
inusitadas imagens poéticas. As rimas são tão naturais que rimar flamboyant com
manhã não parece nem um pouco forçado e a naturalidade e o encaixe melódico
funcionam perfeitamente. Em seguida, Arnaldo Antunes recorre ao samba na faixa
"Saudade farta" com mais uma bela letra sobre as lamúrias e a
necessidade de conformar-se diante de um amor impossível. "As estrelas
sabem" é uma bela balada só Arnaldo Antunes com o acompanhamento de um
piano e um violino. A letra contém talvez a melhor construção de imagem poética
do disco: "as estrelas pelo chão, são pedaços de carvão, sem o seu
sorriso". Belo. As estrelas continuam no foco em "As estrelas
cadentes", uma das melhores melodias e letras do trabalho inteiro, que vê
o fim de um amor e aponta para o futuro com esperança. Só Arnaldo Antunes mesmo
para sair com uma estrofe como essa: "para a chuva molhar o deserto, e as
correntes tomarem o rumo certo, das lágrimas caídas nos vasos regados nascerem
flores, e as abelhas beberem o pólen delas, e as lagartas comerem as folhas
delas, transformando em vida nova todos os velhos amores".
"Na
fissura" é um rock que trilha o caminho dos últimos trabalhos de Arnaldo
Antunes, composta em conjunto com os membros de sua banda, Betão Aguiar e Chico
Salém."Azul e prateado" é talvez a única que não brilhe por si mesma,
mas ainda assim mantém o nível interessante. Nas duas últimas faixas, "Só
Solidão", que se encaixaria perfeitamente no álbum Acústico, e "Aqui
onde está", o clima contemplativo ganha força.
Diante disso, Já
É pode entrar na lista de um dos melhores trabalhos da carreira de Arnaldo
Antunes. A sua já conhecida e qualidade lírica e poética de grande compositor,
que sempre esteve presente nos seus discos, uniu-se mais uma vez com uma
variedade sonora bastante interessante, que estava ausente nos últimos dois
trabalhos, que tinham uma proposta bem limitada e definida. Então, quando eu
digo e reafirmo que Arnaldo Antunes é o melhor compositor brasileiro da
atualidade, já posso ouvir a resposta: “Já É”.
No
dia de lançamento do seu novo disco Já É (o décimo sexto de sua carreira),
Arnaldo Antunes divulga o vídeo da música que inspira o título do trabalho no
seu perfil oficial do Facebook, “Põe Fé Que Já É”, dirigido por Tadeu Jungle. O
vídeo é muito interessante e conta com vários amigos do músico e compositor,
como Paulo Nikos, China, dentre outros. Em ritmo constante, a câmera fica
girando em 360 graus mostrando cenas variadas do cotidiano, com personagens que
ficam reaparecendo no plano de fundo com festa e música, com direito a
agarrações hetero, homo, trans, e tudo mais o que tiver. Afinal, como diz a
letra, “põe fé que já é”. Segundo a nota de lançamento do disco:
"JÁ É
16º disco de Arnaldo Antunes lançado pela Sony Music Brasil com 15 canções inéditas e produção de Kassin, gravado no Rio de Janeiro. Com a colaboração dos músicos Carlinhos Brown, Dadi, Cézar Mendes, Pedro Sá, Domenico Lancellotti, Kassin, Davi Moraes, Marcelo Jeneci, Pedro Garcia, Stéphane San Juan, Zé Miguel Wisnik, Jaques Morelenbaum, Armando Marçal, Marcia Xavier, Brás Antunes, Bacalhau, Caru Zilber, Chiara Banfi e participação especial de Marisa Monte na música "Peraí, repara".
#PõeFéqueJáÉ #ArnaldoAntunes #EAA"
Arnaldo
Antunes disponibilizou o stream de todas as músicas, com suas respectivas letras,
de Já É no site oficial. Em breve, resenha de Já É no Filho do Blues. Fique
atento porque esse merece!
Arnaldo
Antunes prepara-se para mais um lançamento na sua carreira apenas dois anos
depois de seu último disco, Disco, de 2013. O título deste novo trabalho é
chamado Já É e, segundo o perfil oficial do cantor e compositor do Facebook, está programado para ser lançado em 18 de setembro. Conhecido
pela qualidade na composição e sempre se reinventar artisticamente, ficamos no
aguardo do que vem por aí. A conta oficial de Arnaldo Antunes publicou um
teaser de apenas oito segundos, além de dez segundos do trecho da música "põe fé que já é". Pelo jeito iremos ter que ficar imaginando o
restante do trabalho até o dia 18. Até lá, deixo vocês com "Muito Muito Pouco", de Disco.
O caldeirão de Bull Goose Rooster é extenso e rico, com uma intensidade de fazer inveja a qualquer senhor de sessenta e quatro anos. Ninguém melhor do que o próprio Slim para opinar sobre o assunto: “eu posso ser um velho bluesman sem dentes de sessenta e quatro anos, mas eu faço um show do caralho!”. Esse pode certamente ser o resumo em linhas gerais de Bull Goose Rooster.
Disco é a congregação, enfim em um único disco, de todo o universo que Arnaldo Antunes explorou em sua riquíssima carreira. E finca ainda mais o nome de Arnaldo Antunes como o grande e, talvez, o maior e melhor compositor ainda em atividade na música brasileira.
Vanishing Point chega ao fim com a missão cumprida. Afinal, a intenção era mostrar uma banda honesta, íntegra, com consciência de si própria, em relação a seu papel e sua posição. É uma velha banda rejuvenescida, como se tocar fosse uma máquina do tempo que a transportasse para vinte anos atrás, tocando essas mesmas músicas.
Volume 3 é um belo, gostoso e divertido álbum, que nos faz viajar por momentos e sensações diversas pelo tempo. Um moderno álbum celebrando o passado, ou mantendo-o vivo e em funcionamento, através de belas canções com toda capacidade de entrar nas paradas, tanto agora quanto no seu tempo, seja lá que tempo for esse.
25. Paul
McCartney – New
Sir Paul McCartney retorna com um álbum completo de inéditas desde Memory Almost Full, de 2007, com a proposta de mesclar o clássico do ex-beatle com um som mais moderno, por vezes eletrônico, até flertando um pouco com o hip hop. Embora nem todos os resultados tenham sido satisfatórios em comparação à qualidade de Macca, New ainda nos revela grandes momentos, como a faixa que dá título ao álbum e “Early Days”, para citar apenas duas.
26. Lurrie
Bell - Blues in My Soul
O Chicago Blues está presente na lista de 2013 em vários momentos, e Blues In My Soul, de Lurrie Bell, certamente é um dos mais agradáveis. Com um blues puro e perfeitamente executado, faz literalmente com que o blues impregne totalmente sua alma.
Trouble Will Find Me é um grande álbum, mas com um potencial de poder ter sido bem melhor. Mesmo assim, em várias músicas eles se apresentam em grande nível, tornando-se, se não um clássico álbum na carreira de The National, pelo menos mais um bom e interessante trabalho da banda.
28. Kings
of Leon - Mechanical Bull
Kings of Leon escrevem mais um capítulo para fincar seu nome no hall de grandes bandas de arena rock e de healines de festivais, com músicas como “Supersoaker”, “Rock City”, “Beautiful War”, dentre outras.
29. Beth
Hart & Joe Bonamassa – Seesaw
Mais uma voz ponderosa do cenário blues, Beth Hart forma uma
equipe com Joe Bonamassa e fazem um ótimo disco de covers, mostrando várias
facetas da banda, passando ainda por soul e jazz. Um ótimo trabalho que vale a
pena conferir!
Bloodsports é um sucesso inesperado de uma banda que se
julgava acabada e sem força criativa de se destacar mais uma vez nesse cenário
que ela chegou a conquistar há vinte anos. Assim como nesses vinte anos a
indústria também se transformou e não se pode imaginar por quanto tempo ainda
Suede se manterá nessa posição. Mas não são coisas que valem a pena perder
tempo pensando agora. A verdade é que eles voltaram com força para, pelo menos,
igualar os seus melhores e gloriosos dias passados. E isso para eles já é o
bastante.
Apesar de toda a promoção curiosa do novo disco de Arnaldo Antunes, Disco, ainda não havia sido lançado nenhum clipe oficial, apenas trechos de making of ou vídeo com letras das músicas. Mas agora, depois do Disco propriamente lançado, Arnaldo Antunes acaba de divulgar seu primeiro clipe, para a faixa “Sou Volúvel”. Confira abaixo:
Arnaldo Antunes é, sem dúvida alguma, um dos artistas mais inventivos em atividade no cenário musical brasileiro, muito disso devido à sua veia artística e poética, que transforma sempre ideias originais em canções interessantes, seja qual for estilo musical que ele escolha enveredar pelo momento. Isso desde a época do rock mais pesado dos Titãs, também na sua fase conceitual, com O Corpo e nos trabalhos mais clássicos de sua carreira, como O Silêncio, de 1996, Um Som, de 1998 e Paradeiro, de 2001, até o mais suave de Saiba, de 2004, passando pelo rock dos anos 50 do seu último álbum, Iê Iê Iê, lançado em 2009. Essa originalidade ele sempre levou consigo também nos projetos que ele participou, como Os Tribalistas e Pequeno Cidadão. Para mais uma cartada na sua rica discografia, Disco, o novo disco de Arnaldo Antunes tem como proposta uma mescla sonora de todos os estilos praticados no decorrer de sua carreira.
A ideia de inventividade já começou a ser praticada deste o pré-lançamento de Disco, quando Arnaldo Antunes resolveu disponibilizar a cada início de mês, através de seu site oficial, um novo single do trabalho. No total, foram cinco meses, através dos quais foi possível conhecer pedaços bem interessantes de Disco, como “Muito Muito Pouco”, um rock onde Arnaldo Antunes já começa a fazer o que ele melhor sabe: levantar questionamentos para reflexão, sempre de forma inusitada: “muito pouca dúvida e muita razão tem muito pouca ideia e muito opinião”. A segunda parte apresenta versos entrecortados e com um ótimo trabalho de arranjo; “Dizem (Quem me Dera)”, uma linda balada e que apresenta uma das melhores letras de Disco, questionando a ideia de progresso pelo progresso e as consequências que isso provoca. “quem me dera não sentir mais medo, quem me dera não me preocupar, quem me dera não sentir mais medo algum”; “Ela É Tarja Preta”, um divertido e dançante tecnobrega; “Vá Trabalhar”, outro rock que levanta questionamentos sobre os problemas causados pela valorização exagerada do trabalho, em relação à família, dinheiro e saúde; e, por fim, “Sou Volúvel”, sobre o processo de criação e formação das ideias e sua finitude e fragilidade, solos de guitarra bem interessantes atravessam a música a todo momento.
Quanto às demais, Disco também nos escondeu alguns momentos muito interessantes, como é o caso de “Trato”, remetendo ao estilo mais percussivo. “Morro, Amor” é uma romântica balada no violão, com delicados arranjos de sopro, onde Arnaldo Antunes divide a autoria pela primeira vez com Caetano Veloso, sobre a finitude e a intensidade do amor. “Ah, Mas Assim Vai Ser Difícil” mostra um Arnaldo Antunes furioso como pouco antes visto, remetendo um pouco ao tempo de Titãs, com um solo intenso de guitarra, sobre o julgamento alheio e a burocracia da sociedade hoje, cheia de formulários para preencher, documentações para apresentar, dentre outros inúmeros emperramentos. “Querem Mandar”, tem uma das melodias mais bonitas de Disco, muito bem arranjada, e um recado para os políticos, grandes empresários e instituições políticas. Combina perfeitamente com o momento de agitação social que o Brasil vivencia hoje com o “a gente não vai aceitar, nem entrar nessa”. Muito boa.
Arnaldo Antunes dá a jazzística “Mamma”, feita por Gilberto Gil em inglês, uma bela versão em português, sem extinguir as influências do jazz no ritmo e nos arranjos, calorosa e suave como um abraço de mãe. “Oxalá Chegar” mostra o estilo menos inspirado de Arnaldo Antunes. Já “Sentido” é um rock pesado ao estilo Titãs, com fortes riffs de guitarra e questiona o sentido da vida e a sua finitude. A faixa final, curiosamente, fala sobre despertar, “Acalanto para Acordar”, uma balada no melhor estilo Arnaldo Antunes que cumpre a promessa do título.
Disco é a congregação, enfim em um único disco, de todo o universo que Arnaldo Antunes explorou em sua riquíssima carreira. E finca ainda mais o nome de Arnaldo Antunes como o grande e, talvez, o maior e melhor compositor ainda em atividade na música brasileira.
Hoje, dia do lançamento oficial de Disco, novo disco de Arnaldo Antunes – esse trocadilho será feito inúmeras vezes, acostume-se – nas lojas em todo o Brasil. Para celebrar a ocasião, o perfil oficial do poeta e músico no Facebook disponibilizou o stream na íntegra de Disco. Aproveite para conferir mais um belo e fiel registro do grande compositor e artista brasileiro que é Arnaldo Antunes.
No último movimento antes de apresentar na íntegra seu novo trabalho, Arnaldo Antunes divulgou mais uma música de Disco. “Sou Volúvel”, composição de Arnaldo Antunes com Marisa Monte e Dadi Carvalho, dá fim à sequência mensal de novos singles que Arnaldo esteve lançando através do seu site oficial nos últimos quatro meses, uma das mais interessantes das previamente lançadas, tanto musicalmente quanto liricamente, falando sobre a concepção, transformação e aceitação das ideias e pensamentos. Agora só resta mesmo receber o álbum na íntegra, então, fiquem ligados na resenha do Filho do Blues! Enquanto isso, confira “Sou Volúvel”:
Um novo mês começando e como é de regra nesses últimos quatro meses, setembro inicia com mais uma dose do novo disco de Arnaldo Antunes. O primeiro foi "Muito Muito Pouco", o segundo "Dizem (Quem me Dera), o terceiro foi "Ela é Tarja Preta" e o quarto single de Disco chama-se “Vá Trabalhar” e é o último a sair, já que em outubro o trabalho será lançado na íntegra.
Promessa é dívida. E cumprindo sua promessa de lançar uma nova música do novo disco, chamado Disco, Arnaldo Antunes liberou hoje em seu site oficial o terceiro single, chamado “Ela é Tarja Preta”, junto com um vídeo de making of da gravação. Disco está com data prevista para outubro, então quer dizer que ainda teremos mais uma amostra do trabalho no início de setembro. Até lá, vamos curtindo “Ela é Tarja Preta”, juntamente com “Muito Muito Pouco” e “Dizem (Quem me Dera)”, os dois primeiros singles de Disco.
Mais uma grande banda entrega um novo trabalho em setembro. Se
tornando reconhecida como uma das bandas mais popular na hora de grandes shows
em festivais, eles quiseram dar continuidade à diversão de tocar esses tipos de
shows, segundo o baterista Nathan Followill. O primeiro single de Mechanical
Bull irá sair em 17 de julho e se chama “Super-Soaker”, então fiquem atentos.
Arnaldo Antunes – Disco – Outubro
Divulgando uma faixa de Disco desde junho, a cada primeira
segunda feira do mês, o cantor, compositor e poeta Arnaldo Antunes dita a
divulgação do seu novo disco. As duas amostras possuem tudo aquilo que um fã de
Arnaldo Antunes espera: a voz tranquila e descontraída de Arnaldo, uma gigante
abrangência lírica, com trocadilhos e metáforas sensacionais. Confira “Muito
Muito Pouco”.
Of Montreal
– lousy with sylvianbriar – 08/10/2013
Depois de fracassos por alguns
anos seguidos, Of Montreal tenta dar mais uma cartada par aver se consegue
alcançar mais uma vez a qualidade de trabalhos de alguns anos passados. Para
isso, o líder e compositor da banda, Kevin Barnes se inspirou no processo
criativo das bandas do final dos anos 60 e inícios dos 70, com uma produção
muito veloz e espontânea. Talvez seja a última chance da banda se reerguer
novamente. The Strokes aproveitou a chance, Of Montreal conseguirá? É o que
veremos no dia 8 de outubro. A primeira amostra é promissora, “fugitive air”,
bem estilo Rolling Stones.
Pearl Jam – Lightning Bolt – 15/10/2013
Pearl Jam anunciou o álbum seguinte a Backspacer, de 2009,
para outubro e já soltou uma amostra bem interessante, “Mind Your Manners”, com
a veia punk da banda. O disco foi produzido pelo antigo colaborador, Brendan O’
Brian.
Arcade Fire – Ainda Sem Título – 29/10/2013
Poucas informações chegaram até o momento, mas a principal a
gente já tem. O sucessor de The Suburbs, de 2010, irá chegar às lojas no dia 29
de outubro, com a promessa do produtor James Murphy de ser mais um grande e
ótimo álbum da banda. A conferir.
A tecnologia vem mudando a forma como o mundo faz e vende música. O estilo tradicional de CD não é mais o bastante. O desafio é o artista se reinventar e criar novos meios de comunicação e comércio com seus fãs. Alguns conseguem fazê-lo de forma cada vez mais surpreendente, como ultimamente The Flaming Lips tem agido, cada vez lançando em formatos mais estranhos e inimagináveis. Agora foi a vez do grande compositor Arnaldo Antunes, certamente o melhor ainda em plena atividade criativa, fazer algo inédito para o lançamento de seu novo trabalho, chamado Disco, o sucessor de Iê Iê Iê, de 2009.
A página inicial do site oficial do poeta e compositor Arnaldo Antunes, está totalmente dedicada para ajudar a promoção do novo álbum, inclusive, com uma nota sobre o processo de gravação do Disco, desde o nascimento da ideia à execução. Arnaldo Antunes está desde 2009 numa extensa e bem sucedida turnê pelo Brasil para promover o Acústico MTV. A intenção original era continuar os shows até pelo menos o ano que vem, para então parar e começar a compor e gravar novas canções. Mas a prolífica produção criativa acabou antecipando os planos. No início do ano, aproveitando-se de uma momentânea interrupção da turnê, acabou surgindo novas composições que agradaram bastante o poeta e o fez pensar na possibilidade de começar a gravar.
Então, deu continuidade às composições e, valendo-se do intervalo entre shows, entrou em estúdio com o intuito de lançá-lo mais ou menos no final do ano.
Então surge outra ideia na mente de Arnaldo Antunes. Ao invés de um lançamento tradicional, ele optou por um mostrando as músicas do disco aos poucos. Com a ajuda da internet, ele resolveu que cada início de mês, disponibilizaria no seu site oficial uma música nova do Disco. Dessa forma, ele poderia criar uma interação até então inédita com o seu público, ouvindo suas impressões sobre as músicas. O processo teve início em junho, quando divulgou o Single #1 “Muito Muito Pouco” e agora, no início de julho, cumprindo a promessa, surgiu o Single #2 “Dizem (Quem.Me.Dera)”. Ficaremos atentos para o terceiro single, que irá conhecer a luz do dia em agosto. Disco será integralmente lançado, segundo o site oficial, em outubro.
Quanto às músicas, o que dizer senão que possuem o atestado de genialidade de Arnaldo Antunes, especialmente “Dizem (Quem me Dera)”, com melodia e letras sensacionais. Na letra, Arnaldo questiona até onde vai toda essa evolução, como humanidade, na qual vivemos e o medo que sentimos ao termos consciência dela.
Confira abaixo os dois singles, junto com ambos making of:
O segundo sábado do Rock in Rio pode não ter sido dos melhores, mas teve shows muito bons também. A noite dessa vez teve Coldplay como atração principal, mas o dia de festival começou a ficar interessante ainda no palco Sunset, com os shows de Zeca Baleiro, e Erasmo Carlos dividindo o palco com o gênio Arnaldo Antunes, que tocou músicas do Iê Iê Iê como a de mesmo nome, “Invejoso” e “A Casa é Sua” e clássicos como “Socorro” e “Essa Mulher”. A segunda parte do show ficou por conta de Erasmo Carlos, que soltou clássicos da jovem guarda como “É proibido fumar” e “Quero que Tudo Vá pro Inferno” e “Festa de Arromba”. Infelizmente, durante o show deles, as apresentações no Palco Mundo começaram com Frejat, mas ainda bem que temos internet hoje em dia e consegui terminar de ver o show. Um dos melhores shows do Palco Sunset do Rock in Rio.
No Palco Mundo, não cheguei a ver os shows de Frejat, Skank e Maná, mas eu li que foi muito elogiado e essas coisas, mas felizmente não fazem minha praia não. A outra grande atração da noite foi Maroon 5. Conseguiu levantar bem o público, e há um grande mérito nisso. Mas como era previsto, o show da noite mesmo ficou nas mãos de Coldplay, com Chris Martin muito carismático, desde os bastidores, sempre solícito às entrevistas no camarim, e às vezes falando em português com o público.
Abriram o show com a nova “Hurts Like Heaven’, do álbum que ainda será lançado neste mês de outubro. Pelo visto, Chris Martin e companhia não tem nada contra tocar músicas novas em festivais, mas tocar músicas que ainda nem foram lançadas ficou um pouquinho demais. Mas não chegou a ser um problema, eles souberam alternar entre grandes hits como “Yellow”, reservando uma queda hilária de Chris Martin e “In My Place”, ambas contendo talvez os maiores coros do público do festival inteiro. Mesmo sem a força dos últimos álbuns do Coldplay, algumas músicas mais recentes funcionaram muito bem, como “Lost” e “Viva la Vida”. “The Scientist” foi um dos belos momentos do show, novamente com o público cantando em uníssono, e Chris Martin deixando a festa ainda mais bonita incentivando-os a cantar alguns trechos sozinhos. Das músicas do álbum que ainda vai ser lançado, o Mylo Xyloto, uma das que mais me chamou atenção foi “Us Against the World”, pegando a veia mais melancólica de Coldplay, que é quando eles são melhores. Após o bis, a banda volta com o sucesso “Clocks” mais uma vez para delírio geral. Teve também uma pequena homenagem a Amy Whinehouse, falecida há poucos meses, com Chris Martin tocando um trecho de “Rehab” antes de “Fix You”. Por fim, fechou o show com “Every Teardrop is a waterfall”.
No geral, foi um ótimo show, mas poderia ser bem melhor. Nada contra promover o trabalho mais recente da banda em festival, até porque é bem normal e praticamente toda banda faz isso, porém Mylo Xyloto não está nem lançado ainda e achei meio exagerado tocarem tantas músicas assim dele. Mesmo assim, está entre um dos melhores do festival. Para ver o show do Coldplay no Rock in Rio 2011, o vídeo está abaixo: