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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Melhores álbuns de 2018



Antes de apresentar a lista de melhores álbuns de 2018 do Filho do Blues, gostaria de deixar registrado algumas palavras sobre esse ano que chega ao fim. Do início ao fim, foi um ano muito intenso, graças a Deus, de muito trabalho e que culminou com o momento mais feliz e incrível da minha vida, o nascimento da minha filha, Teodora. Portanto, essa lista tem também algo de muito especial pessoalmente, já que esta foi a trilha sonora que me acompanhou por todos esses momentos.

Sobre a lista, o primeiro lugar, pelo conjunto da obra, só poderia ficar com Buddy Guy mesmo. Não apenas pelo seu álbum que fica no topo, The Blues is Alive and Well, mas também pela participação de Guy em outras obras de destaque no ano, como Chicago Plays The Stones, o tributo de lendas do blues para a banda The Rolling Stones, e também a participação no álbum de Playing for Change, com uma versão de uma música sua mesmo, "Skin Deep". No mais, muito blues e uma presença tímida da música brasileira, que teve Elza Soares, Arnaldo Antunes e Cordel do Fogo Encantado como representantes.

Peço desculpas por mudar a forma que a lista era apresentada, normalmente em cinco postagens, com dez discos cada, contendo comentários sobre cada um dos álbuns. Mas esse ano realmente não tive tempo para fazer esse trabalho detalhado. Mas, enfim, a lista está a seguir. Como postagem complementar, irei postar a playlist do Filho do Blues no Spotify com as melhores músicas de 2018, tiradas desses álbuns.

Enfim, que venha 2019!

Grande abraço a todos!

1. Buddy Guy - The Blues is Alive and Well
2. Anthony Geraci - Why Did You Have to Go
3. Spiritualized - And Nothing Hurt
4. Lurrie Bell & The Bell Dynasty - Tribute to Carey Bell
5. Joe Louis Walker, Bruce Katz, Giles Robson - Journeys To The Heart of the Blues
6. Roger C. Wade - The Schoolhouse Sessions
7. Ben Harper & Charlie Musselwhite - No Mercy In this Land
8. Trudy Lynn - Blues Keep Knockin'
9. Bob Corritore & Friends - Don't Let the Devil Ride
10. The Reverend Shawn Amos - The Reverend Shawn Amos Breaks it Down
11. Various Artists - Chicago Plays the Stones
12. Paul Thorn - Don't Let the Devil Ride
13. Billy F. Gibbons - The Big Bad Blues
14. Rockwell Avenue Blues Band  - Back to Chicago
15. Breezy Rodio - Sometime the Blues Got Me
16. The Little Red Rooster Blues Band - Lock Up The Liquor
17. Rory Block - A Woman's Soul: A Tribute to Bessie Smith
18. Nick Moss - The High Cost of Living
19. James Harman - Fineprint
20. Colin James - Miles to Go
21. Sean Chambers - Welcome to My Blues
22. Snooky Prior - All My Money Gone
23. Elza Soares - Deus é Mulher
24. Bernard Allison - Let it Go
25. John Clifton - Nightlife
26. Cliff Grant - Life Can Be A Big Struggle/Sweet Loven Woman
27. The Alabama Lovesnakes - III
28. John Akapo - Paradie Blues
29. Playing For Change - Listen to The Music
30. RL Boyce - Rattlesnake Boogie / Ain't Gonna Play Too Long
31. The Reverend Peyton's Big Damn Band - Poor Until Payday
32. HP Lange - Trackin' My Blues
33. Kenny "blues boss" Wayne - Inspired by the Blues
34. Shemekia Copeland - America's Child
35. Myles Goodwyn - Myles Goodwyn and Friends of the Blues
36. Mud Morganfield - They Call Me Mud
37. Curtis Salgado - Rough Cut
38. Tinsley Ellis - Winning Hand
39. Mick Kolassa - Double Standarts
40. David Byrne - American Utopia
41. Celso Salin Band - Mama's Hometown
42. Paul Barry - Blow Your Cool
43. Theotis Taylor - Something Within Me
44. Billy Boy Arnold - Blues Lowdown
45. Cedric Burnside - Benton County Relic
46. Arnaldo Antunes - RSTUVXZ
47. Dave Hole - Goin' Back Down
48. Leon Bridges - Good Thing
49. Tony Joe White - Bad Mouthin'
50. Bob Margolin - Bob Margolin
51. Cordel do Fogo Encantado - Viagem ao Coração do Sol

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Ben Harper e Charlie Musselwhite anunciam novo álbum, No Mercy In This Land



                Em 2013, Ben Harper se uniu com Charlie Musselwhite para gravarem um álbum juntos, o ótimo Get Up! (vencedor do Grammy para o Melhor Álbum de Blues, em 2013) A mistura de estilo de ambos contribuiu bastante para a qualidade do disco. Com o passar do tempo, o trabalho parecia ter sido uma benfazeja aventura musical na discografia de Ben Harper e Charlie Musselwhite. No entanto, se tem dois artistas que adoram trabalhos colaborativos são esses dois. A volta da parceria era tão somente uma questão de tempo e eis que em 2018 acabou de ser anunciado que Harper e Musselwhite estão lançando um novo disco juntos, chamado de No Mercy In This Land, que será lançado em 30 de março. Junto ao anúncio, a dupla divulgou a canção que dá título ao álbum.

                O disco, segundo comunicado oficial, no qual os artistas trocam elogios um ao outro, inclui as “histórias pessoais tanto de Ben Harper quanto de Charlie Musselwhite, além de acrescentar à sônica história da luta e sobrevivência dos americanos”. Confira abaixo a tracklist do álbum e a música “No Mercy In This Land”:

1. "When I Go"
2. "Bad Habits"
3. "Love And Trust"
4. "The Bottle Wins Again"
5. "Found The One"
6. "When Love Is Not Enough"
7. "Trust You To Dig My Grave"
8. "No Mercy In This Land"
9. "Movin' On"
10. "Nothing At All"


sábado, 15 de março de 2014

Johnny Winter anuncia sequência de Roots, com participações especiais de peso



O bluesman Johnny Winter lançou em 2011 um álbum muito bom de covers de blues clássicos chamado Roots, que era acompanhado por vários convidados especiais. Pelo visto, Winter planeja dar sequência a série e lançar uma segunda edição ainda neste ano com a participação de nomes importantes como Eric Clapton, Ben Harper, Joe Perry, Mark Knopfler, dentre outros. O disco, assim como o primeiro, conterá canções tradicionais do blues que fizeram parte desde cedo da formação de Johnny Winter, como Robert Johnson, Muddy Waters, Elmore James, a maioria dos anos 50.


Sua motivação: "It's just to bring it to the people of today who haven't listened to the old music. It's better than anything they hear today.” 


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Melhores Álbuns de 2013 - Parte I



31. Seasick Steve - Hubcap Music


Através de vários estilos tradicionais da música norte-americana, sendo o Blues tomando o papel principal aqui, Hubcap Music é uma viagem pelo universo ruralista em detrimento da vida exageradamente moderna que vivemos. É quase como uma rotina diária de um trabalhador rural, tem um dos momentos de trabalho braçal, assim como pegar um violão e sentar-se na varanda da casa grande e tocar diante de uma imensidão silenciosa, atenta a seus acordes




32. Ben Harper & Charlie Musselwhite - Get Up!




Get Up! É o resultado da junção colaborativa entre dois grandes e veteranos compositores que compartilham de uma paixão em comum: o blues. E essa paixão é facilmente estendida aos ouvintes pela maestria e sinceridade em cada música do álbum.






Ao final, Push The Sky Away é inconfundivelmente um álbum que Nick Cave & The Bad Seeds faria. Sombrio, imprevisível e incrivelmente composto por mãos hábeis, que sabem o que fazem







Imitations é, por fim, um tributo que Lanegan faz às suas inspirações, uma viagem direto para suas raízes musicais, tal como Sir Paul McCartney fez no ano passado, com Kisses On The Bottom. Ao final de Imitations, portanto, o ouvinte termina por entender um pouco mais desse espírito aventureiro e do quebra-cabeça que já caracteriza Mark Lanegan e seus trabalhos.








Specter At The Feast é um álbum muito carregado emocionalmente, que reflete a exata imagem de um espectro em um banquete fúnebre. O fato é que existem formas e formas de se lidar com o luto. O que é certo é que a forma que Black Rebel Motorcycle Club escolheu para lidar com o dele, rendeu no melhor disco da carreira da banda até hoje.










Foxygen aparece mais uma vez com canções muito trabalhadas e ecléticas, que vão desde o psicodélico sessentista, passando pelo rock clássico até um soul moderno. O conjunto dessas canções vai gerar o álbum com o belo título We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic. é uma bela coleção de músicas onde se pode encontrar riqueza na junção de estilos diversos numa única e cativante obra.









Lysandre acaba por ser um registro interessante de Christopher Owens, eclético e cheio de músicas boas, mas com poucas ótimas, o que era sua especialidade. Podemos tirar pelo seu trabalho anterior com Girls que ele pode fazer muito mais, no entanto, ainda assim, é apenas a porta inicial para uma carreira solo de um grande compositor.






38. Placebo - Loud Like Love


Placebo retorna após quatro anos para apresentar um dos seus trabalhos mais interessantes dos últimos anos, como o prova a faixa título. Não se compara com os trabalhos do início da carreira, mas mostra que a banda ainda possui a competência de compor álbuns muito interessantes.





39. Yo La Tengo - Fade




Yo La Tengo dá continuidade à sua carreira de ícone do alternativo com Fade, um álbum digno do tamanho e qualidade da banda, como o prova algumas das faixas principais, como “Is That Enough” e “Ohm”









Comedown Machine, apesar dos altos e alguns baixos, pode ser sim denominado como um trabalho bem sucedido, afinal, atinge o objetivo da banda de renovar seu som e ela o faz de maneira equilibrada, sem comprometer a qualidade do resultado final, até porque mesmo nos momentos mais críticos, ainda restam momentos interessantes. The Strokes veio para mostrar se ainda eram relevantes. E a resposta é sim.






Melhores Álbuns de 2013 - Menções Honrosas

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Reveja os destaques da segunda semana do Rock In Rio


O segundo fim de semana começou com o tão esperado dia do metal, na quinta feira, com a promessa de mais um grande show do Metallica, headline da noite, que retornava a um evento gigantesco apenas dois anos da última visita, para o mesmo Rock In Rio. Além do Metallica, outros nomes de peso compuseram a programação, tais como Sepultura e Alice In Chains. Entre eles figurava um nome desconhecido e que dava todas as pintas que era apenas mais uma banda de metal, uma tal de Ghost (ou Ghost B.C – nome utilizado nos Estados Unidos, devido a direitos autorais). No entanto, assim como o dia do metal da edição de 2011 o destaque para mim foi a surpresa da banda Coheed and Cambria, misturando alternativo e rock pesado, o grande destaque da atual edição também ficou por conta de uma surpresa.




No dia do metal, quem tomou para si o papel de realizar o que é proposto pelo estilo foi uma banda que não é puramente de metal. Ghost B.C.. apesar de todas as controvérsias, foi de longe a mais interessante da noite, dando o efeito que é sempre natural ao metal. A partir do momento que a banda começa a tocar, apresenta um som cheio de riffs, com uma voz delicada e melódica. Diante de um mercado artístico onde muitas vezes a personalidade vale mais do que a música, nenhum integrante da banda divulga seu nome verdadeiro e apenas o vocalista se apresenta com o pseudônimo de Papa Emeritus II, com o visual de um Santo Padre demoníaco. A questão vai além do fato de ser satânico ou não, mas sim levar a polêmica, levantar a discussão, questionar valores dominantes religiosos, uma representação artística de uma “realidade” oposta. Além de ser esteticamente muito corajoso e interessante a configuração que a banda coloca no palco. Sendo também divertidíssimo, principalmente imaginando a cara dos crentes que colocarem os olhos neles. Por sinal, quem quiser rir um pouco, procurem nos sites religiosos comentários referentes a esse show. Impagável. Não é uma banda que, da minha parte, ficarei acompanhando de perto, mas é, sem dúvida, uma banda interessante.





Quanto aos outros shows da noite, farei comentários curtos, até por que ambas as atrações já tocaram no Brasil há relativamente pouco tempo, o que tira um pouco a surpresa e a empolgação da coisa. Inclusive, esse é um dos grandes pecados do Rock In Rio. Inúmeras atrações não acrescentaram particularmente nada de novo, de diferente. Alice In Chains fez seu show tranquilamente, no qual, claro, os destaques ficaram com os hits de quando a banda ainda tinha a alma de Layne Staley. Serei logo radical dizendo que Alice In Chains deveria ter morrido com Layne. Mas, enfim, ainda dá para experimentar alguns bons momentos, sobretudo com a sequência final “Down In A Hole”, “Would?” e “Rooster”. E, por fim, Metallica retornou ao Rock In Rio com praticamente o mesmo show de 2011. A diferença é que na primeira ocasião o show foi eletrizante e conseguiu dominar o público do início ao fim. Dessa vez, sobretudo no início do show, parecia estar faltando algo, não em relação às músicas escolhidas, contando com “Master of Puppets” como a segunda faixa, mas o fato é que não conseguiu levantar o público da mesma forma que dois anos atrás.




Na sexta havia apenas uma atração que me chamou atenção e, infelizmente, foi exatamente ela que eu não consegui assistir. Atração que fechou o Palco Sunset, Ben Harper e Charlie Musselwhite teria o papel de fazer o deles o melhor show da noite levando o blues de altíssima qualidade ao Rock in Rio. Dois fatos contribuíram para que eu não conseguisse assistir: uns pirralhas estavam jogando futebol na frente de casa e conseguiram dar uma bolada exatamente em cima da antena da TV por assinatura. Resultado: sem sinal nenhum e totalmente refém da programação global. Ninguém merece. Estava contando que alguém gravasse o show pela transmissão da Multishow e postasse depois no youtube, mas, como eles fecharam o Palco Sunset e, durante o show, estava começando o primeiro show do Palco Mundo – pasmem – Frejat, interromperam a transmissão para cobrir integralmente a apresentação dele. Enfim, pelo setlist o show parece ter sido ótimo, pegando as grandes canções do disco que lançaram juntos esse ano, Get Up. E algumas da carreira de Charlie.




Mas a grande atração mesmo, não apenas do sábado, mas de toda a quinta edição do Rock In Rio era o norte-americano Bruce Springsteen, headline do sábado no Palco Mundo. Antes dele, John Mayer fez um show com domínio completo do público, na maioria feminino. De sua apresentação, sem dúvida um grande momento foi a faixa de encerramento, “Gravity”, com uma execução impecável e um solo incrível de guitarra. Mas, se a impressão é que esse foi um grande show, é porque o seguinte ainda não havia começado. E nem uma das melhores expectativas não seria o bastante para o que de fato foi o show, com quase três horas de duração, com Bruce parecendo um menino, correndo, gritando, pulando pra cima do público, chamando pessoas para o palco e botando uma criança para cantar. Incrível.



Foram vários momentos marcantes para apontar todos aqui, o ideal mesmo é ver e rever esse show que, sem dúvida, entrou no hall dos grandes shows do festival. Vou mais além e diria que foi o show mais marcante da história do Rock in Rio. A começar pela faixa de abertura, que já havia sido ensaiada no show em São Paulo três dias antes, com o cover do mito Raul Seixas, “Sociedade Alternativa”. A intensidade de Bruce era tamanha que na terceira música parecia que ele estava esgotado. Ledo engano. Em cada número aumentava em energia e intensidade. A banda E Street Band também é impecável, cada um dos seus integrantes, e é admirável como Bruce faz para que cada um tenha seu momento especial, colocando-se como apenas um integrante como todos os outros e não a estrela principal. Sem dúvida, a execução do clássico álbum Born In The USA, de 1984, foi uma surpresa muito agradável, principalmente porque as versões ao vivo são despidas de todos os vícios oitentistas na versão de estúdio. Depois de 25 músicas e terminando com a cover de Beatles “Twist And Shout”, para o delírio geral, e, tendo a Multishow dando como encerrada a transmissão de acordo com o setlist anunciado pela banda, Bruce volta sozinho para o palco e toca ainda “This Hard Land”. E termina de vez o show que, para mim, deu por encerrado o Rock In Rio. Abaixo segue o áudio do show, assim que estiver disponível o vídeo na íntegra eu colocarei aqui para vocês: (vídeo devidamente postado)


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Canal Biz transmite ao vivo o New Orleans Jazz & Heritage Festival


Pela primeira vez no Brasil, o tradicional New Orleans Jazz & Heritage Festival será transmitido ao vivo, como sempre, pelo canal Biz, da Multishow. As transmissões começam hoje, inclusive, já começaram. Os destaques da noite de sexta são Willie Nelson & Family, que fizeram sua apresentação mais cedo. Fecham a noite, à meia noite e quarenta, Ben Harper & Charlie Musselwhite, que prometem tocar muito do ótimo álbum que fizeram juntos, Get Up!

A noite de sábado nos reserva mais um show de Gary Clark Jr, que com certeza soltará altos solos épicos e perfeitos na sua guitarra. Gary Clark Jr, se você não lembra, esteve mês passado no Brasil para a edição do Lollapalooza 2013, bem como a atração que finaliza o festival, no domingo a noite. Com presença e diversão garantida em praticamente todos os grandes festivais ao redor do mundo, The Black Keys assume o palco mais uma vez, a partir de meia noite e vinte do domingo para segunda. 


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Abença Pai: Ben Harper & Charlie Musselwhite - Get Up!


Ao se deparar, mesmo que de relance, na carreira do guitarrista Ben Harper, pode-se ter aquela impressão de que não é uma única pessoa. Harper, que é conhecido por se aprofundar as músicas de raízes americana, que além de passar pelo pop, com Diamond On The Inside, de 2003, facilmente seu disco de maior sucesso, pelo reagge e ainda se aventura também pelo blues e também pelo gospel, como, por exemplo, seu trabalho em colaboração com a banda gospel The Blind Boys of Alabama. Ao mesmo tempo que Harper pode soltar vários solos no estilo Hendrix, ele também aparece com belas baladas sentimentais. Para Get Up, seu novo álbum, Ben Harper decidiu mergulhar de vez no blues de raiz e, para isso, nada melhor do que uma colaboração de quem já trilha esse caminho. É com esse pensamento que Harper junta-se em equipe com o experiente bluesman de 68 anos, Charlie Musselwhite, um grande mestre tocador de gaita..

E é a química entre os dois que faz de Get Up mais do que especial. É com um prazer indescritível que se pega hoje, em pleno ano de 2013, na era digital, um álbum com dez músicas de blues, totalmente autoral. Claro que é sempre maravilhoso revisitar os grandes clássicos do blues, dos quais existem vários. Mas ouvir algo completamente novo de pessoas comprometidas em revitalizar o estilo e gritar em plenos pulmões: “eu amo o blues e ele ainda é relevante e maravilhoso de se fazer”. É exatamente isso que Ben Harper e Charlie Musselwhite fazem em Get Up. O embrião dessa colaboração, inclusive, começou há bastante tempo. Data do ano de 1997, quando os dois se juntaram para gravar “Burnin’ Hell” com o amigo de longa data de Musselwhite, ninguém menos que John Lee Hooker. A própria lenda afirmou que ficou impressionado com a química entre os dois e os encorajou a continuarem trabalhando juntos.



Após as delineações preliminares, vamos agora ao que interessa. Não fosse pela qualidade da gravação, poder-se-ia facilmente considerar a faixa de abertura “Don’t Look Twice” um delta blues perdido e revitalizado de Skip James. Começa apenas com o violão e a voz lamuriosa de Harper cantando “don’t look twice, be glad your worries ain’t like mine”. Quando pensamos que a música vai seguir nessa linha, após a segunda estrofe a banda completa entra no refrão. Muito bom. Vale a penar ressaltar aqui, como em outros vários momentos, o diálogo da gaita de Musselwhite com a bela voz melódica de Harper, por vezes se juntando e formando uma coisa só, como é bem claro na quinta faixa, o belíssimo blues acústico “You Found Another Lover (I Lost Another Friend)”. Na segunda música, “I’m In I’m Out and I’m Gone”, blues de primeira, a voz e Harper já aparece com mais vigor e firmeza que o próprio teor da música pede, com um solo sensacional de gaita de Musselwhite, com a banda só acompanhando e deixando-o brilhar, como você pode conferir por si só nesse clipe de versão estendida, para WSJ, de tirar o fôlego. “We Can’t End This Way” a dupla deixa transparecer a influência gospel no blues, com as palmas ditando o ritmo e backing vocals femininos no refrão. “I Don’t Believe a Word You Say” é um rock bem furioso de um enamorado traído. Dessa vez é hora da guitarra de Ben Harper gritar, mesmo com o acompanhamento sempre presente da gaita.



A metade final começa com “I Ride At Dawn”, na qual quem brilha é Harper e seus solos de slide. Destaca-se também a letra, com interessantes imagens poéticas. A guitarra volta a aumentar o volume na pancada de “Blood Side Out”, com uma gaita constante e a voz furiosa de Harper separando alguns solos sujos de guitarra, além de um solo de gaita inspirador no final. É de longe a mais pesada e agressiva do álbum. A faixa título, “Get Up”, é também a mais longa, passando dos seis minutos. É uma das melhores. A letra deixa transparecer a veia mais política de Harper. O tempo maior dá margem para diálogos interessantes entre as duas estrelas do álbum, com jams interessantes, sempre entrecortando um verso ou outro.

Em “She Got Kick”, Ben Harper e Charlie Musselwhite mostram que também sabem se divertir, com um ritmo bem dançante e até sexy. Para finalizar o disco, a dupla escolheu “All That Matters Now”, um Delta Blues bem dolorido, mas, ainda assim, com uma mensagem positiva: “it's been a long hard day, and a long hard night, been a hard year, Its been a hard life, but we're together, and that's all that matters now”.

E assim Get Up! chega ao fim com gostinho de quero mais. É o resultado da junção colaborativa entre dois grandes e veteranos compositores que compartilham de uma paixão em comum: o blues. E essa paixão é facilmente estendida aos ouvintes pela maestria e sinceridade em cada música do álbum.