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sábado, 18 de março de 2017

James Cotton morre aos 81 anos



O último remanescente dos grandes gaitistas do blues faleceu no dia 16 de março, aos 81 anos. Nascido em 1935, numa fazenda de algodão em Tunica, Mississippi, ficou vislumbrado aos nove anos com o programa King Biscuit Time, de Sonny Boy Williamson II, o que o impulsionou para a gaita desde cedo.

Cotton iniciou o caminho da glória nos anos 50, tocando com o próprio Williamson, Howlin' Wolf, Muddy Waters, dentre outros. Cotton estava presente, por exemplo, no clássico EP de Waters, At Newport, de 1960. Paralelo a isso, James Cotton também iniciou uma sólida carreira própria que seguiu de forma vigorosa até 2013, com Cotton Mouth Man, último disco de estúdio do gaitista.

Para homenager James Cotton e todo seu talento, deixo vocês com o que deve estar rolando no Olimpo dos gaitistas. O disco Harp Attack!, de 1990, que reúne os maiores gaitistas da época, além do próprio Cotton, conta ainda com Junior Wells, Carey Bell e Billy Branch. Dentre estes, Cotton era o único que ainda estava entre nós. Agora, eles estão fazendo a festa agora, enquanto os Sonny Boy Williamson's, Sonny Terry e muitos outros estão bebendo o néctar e curtindo o som.

Rest In Peace, James Cotton (1935-2017)!


sábado, 28 de dezembro de 2013

Melhores Álbuns de 2013 - Parte III



O grande desafio de bandas do tamanho de Black Sabbath voltarem a lançar material novo é se será realmente relevante para a carreira de uma banda com tamanho legado, ou seja, acrescentou algo ou apenas se repetiu e não fez a mínima diferença ter voltado ou não? Várias bandas contemporâneas de Black Sabbath nos anos 60 e 70 tentaram e falharam. Nesse sentido, 13 é um grande sucesso. Mesmo sem alcançar as glórias dos primeiros quatro discos, a banda consegue criar um conjunto de músicas que com certeza permanecerá como um registro relevante na carreira de Black Sabbath, carreira esta que é tão forte e influente, que chegou a influenciar os seus criadores mesmo quarenta anos depois.







Depois da agradável viagem no decorrer de Ghost on Ghost, podemos finalmente dar essa resposta: o gênio de Sam Beam foi capaz de, além de manter-se no topo com um grande álbum, ainda desenvolver-se ainda mais como cantor e compositor, mergulhando mais no mundo do pop, ou melhor, da música mais acessível ao público em geral, ao mesmo tempo em que inseria no seu som mais influências de outros estilos, como o soul, funk e jazz.








Muchacho é a completa realização de um grande compositor que finalmente se encontrou e amadureceu. Belíssimas, completas e complexas composições fazem desse um álbum irresistível, do início ao final, tornando-se artífice no que se refere ao trabalho de compositor.









O trunfo de Apanhador Só é que eles vão além do que as bandas brasileiras do estilo foram até o momento. Eles pegam o momento que Los Hermanos deixou e dão sequência, através de um experimentalismo muito interessante, bem pensado e criativo, utilizando-se de arranjos não convencionais, objetos, entre outros. Atualmente, é a melhor banda nacional na ativa e Antes que Tu Conte Outra comprova isso a cada segundo. 







Last Night On Earth é mais um trabalho grandioso que se acrescenta a seu riquíssimo legado que, sempre é bom lembrar, engloba toda a gloriosa carreira de Sonic Youth, sempre compondo ótimos clássicos. Last Night On Earth é, por fim, uma extensão de um guitarrista que sabe dobrar seu instrumento de trabalho como poucos. E é exatamente isso que transborda durante uma hora e quatro minutos, mesmo nos momentos menos empolgantes.






16. James Cotton - Cotton Mouth Man




Com a voz completamente acabada e pela carreira e legado que tem nas costas, James Cotton não tinha obrigação nenhuma de provar nada. Mesmo assim, aos 78 anos, esse grande gaitista, juntamente com uma grande equipe de convidados, prova que ainda tem muito a oferecer, tocando não só com a boca, mas com o coração.









Apesar do maior tempo de separação entre os álbuns de Deerhunter, Monomania é, por fim, um grande álbum de uma banda que já estava e se mantém no pico de sua produção criativa, que pode encarnar novos personagens em novos campos de exploração e, ainda assim, soar tão confortável e seguro quanto antes.





18. Nuno Mindelis - Angels & Clowns






A cena blues brasileira também está com tudo! Um dos maiores guitarristas do Brasil, Nuno Mindelis, veio com mais um ótimo álbum, Angels & Clowns, apresentando um estilo mais clássico de rock\blues, às vezes lembrando até mesmo Eric Clapton. Um grande disco, a despeito da capa horrível!





19. Manic Street Preachers - Rewind The Film




Rewind The Filme é realmente localizada na meia idade do Manic Street Preachers, que como a própria banda definiu em “Builder of Routines”: “in between acceptance and rage”. As duas facetas da banda. Em Rewind The Film eles resolveram aceitar esse lado mais sociável e adulto de suas composições, mesmo sem perder a revolta e a densidade na carga de suas letras, em detrimento do som mais cru e enérgico dos trabalhos anteriores, dos quais a banda é internacionalmente reconhecida. Pode não ser o melhor trabalho da banda, mas certamente há momentos aqui que fazem essa experiência ter valido muito a pena, além de abrir mais ainda um caminho sonoro para a banda.





20. Of Montreal - Lousy With Sylvianbriar



Lousy With Sylvianbriar é o álbum que Kevin Barnes finalmente conseguiu fazer para colocar Of Montreal no melhor estilo da banda, depois de alguns álbuns confusos e desconexos. 






MELHORES ÁLBUNS DE 2013 - PARTE II - DO 30 ATÉ O 21
MELHORES ÁLBUNS DE 2013 - PARTE I - DO 40 ATÉ O 31
MELHORES ÁLBUNS DE 2013 - MENÇÕES HONROSAS

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Resenha James Cotton - Cotton Mouth Man



É impossível não associar o blues ao passado. Embora o auge desse estilo esteja no passado, ainda há hoje em dia ótimos expoentes que nunca deixarão a mágica e a tradição do blues morrerem, tais como Gary Clark Jr, Seasick Steve, Jack White, dentre inúmeros outros. Além dessa safra de novos artistas, ainda temos a oportunidade de aproveitar novos trabalhos de artistas consagrados, que foram testemunha e desempenharam papéis importantes nesse passado glorioso do blues. É o caso do grande gaitista James Cotton, um dos maiores de todos os tempos. O seu interesse pela música despertou pela primeira vez quando ouviu Sonny Boy Williamson, o pai e inspirador de praticamente todos os gaitistas. Depois de ouvi-lo, Cotton deixou sua casa e, juntamente com seu tio, saiu a procura de Williamson. Acabou encontrando-o e virando aprendiz do mestre Sonny Boy. Após alguns anos, depois que Sonny Boy foi morar fora com sua esposa, Cotton acabou herdando a banda de seu mestre, mas acabou não dando muito certo, pois, segundo depoimento do próprio Cotton: “ele simplesmente me deu a banda, mas eu não pude mantê-la junta, porque eu era muito jovem e louco naqueles dias e todos na banda eram crescidos e muito mais velhos que eu”. Posteriormente, Cotton substituiu Little Walker e Junior Wells na banda de Muddy Waters, no final da década de 50 (foi James Cotton soprando a gaita na eterna gravação Live At Newport Jazz Festival, de 1960). E foi durante esses anos que ele foi aprimorando sua técnica para dar uma guinada na sua carreira e se tornar, ele próprio, um dos grandes mestres do instrumento. De sua carreira solo, podemos tirar alguns grandes álbuns, como 100% Cotton, de 1974, High Compression, de 1984 e Harp Attack, de 1990, além do incrível álbum de colaboração Superharps, contando com os quatro maiores gaitistas da atualidade (o próprio James Cotton, Billy Branch, Charlie Musselwhite e Sugar Ray). Em 2013, ele reúne suas forças restantes e lança mais um belo registro de blues da melhor qualidade, o álbum Cotton Mouth Man.


No auge dos seus 78 anos, James Cotton teve sérios problemas nas cordas vocais e praticamente não pode cantar, já que deixou sua voz praticamente incompreensível. Mas esse fato não chega nem perto de ser um problema em Cotton Mouth Man. Enquanto a impossibilidade de cantar faz Cotton concentrar todo seu fôlego e seu figor na gaita, ele passou o vocal na maior parte das músicas para Darrell Nulisch, que faz um ótimo trabalho. Outros nomes dos vocalistas são Gregg Allman, Keb Mo, Warren Haynes, Ruthie Foster, Delbert McClinton. O próprio James Cotton ainda consegue cantar a última música do álbum, “Bonnie Blue”.

Cotton Mouth Man” inicia o disco de mesmo nome já ditando o ritmo que será acompanhado pela próxima hora, agitada e bem empolgante, com, claro, altos solos de gaita e riffs bem interessantes de guitarra. O disco foi produzido por Tom Hambridge, em Nashville, que compôs doze das treze músicas presentes no álbum, várias com Cotton. Esse fato ajudou a aproveitar melhor as qualidades da banda e do próprio Cotton. A velocidade continua alta com “Midnight Train”, no exato ritmo de locomotiva, cantada pelo convidado Gregg Allman, líder da Allman Brothers Band. “Mississippi Mud” é o primeiro grande ponto alto do disco. O vocalista Keb Mo é que lidera essa, com um vocal pra baixo, acompanhado pelo delicado e divino piano de Chuck Leavell e a gaita de Cotton, cujo solo é maravilho, num ótimo Country Blues. “He Was There” tem aquele gingado clássico na gaita do blues, tipo “Mannish Boy”, de Muddy Waters. 




“Something For Me” é bem forte e enérgica, com o vocal inicialmente estranhamente distorcido. Warren Haynes é quem canta essa e acrescenta esse tom cru e violento, enquanto que Ruthie Foster contribui com o melhor vocal de todo o álbum, na bela e incrível “Wrapped Around My Heart”, no meio estilo Etta James. O conjunto completo, tanto a voz de Foster, os delicados solos de guitarra e a gaita sempre presente de Cotton, fazem dela a melhor faixa do disco. O ritmo e a intensidade do álbum continua intacta com os números seguintes, especialmente no puro blues de “Hard Sometimes”, a dançante “Young Bold Women” e “Blues Is Good For You”. Para fechar o álbum, Cotton guardou a única faixa que ele próprio canta, “Bonnie Blues”, um Delta Blues, só com o violão e a gaita e a sua voz áspera e desgastada. A letra autobiográfica fazendo referência a suas experiências com Sonny Boy e Muddy Waters, emocionante.

Com a voz completamente acabada e pela carreira e legado que tem nas costas, James Cotton não tinha obrigação nenhuma de provar nada. Mesmo assim, aos 78 anos, esse grande gaitista prova que ainda tem muito a oferecer, tocando não só com a boca, mas com o coração.