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quinta-feira, 23 de abril de 2020

The Rolling Stones lança novo single "Living in a Ghost Town"



A lendária banda The Rolling Stones despertou com a primeira música inédita em oito anos. “Living in a Ghost Town”, escrita por Jagger e Richards, começou a ser criada antes da pandemia de coronavírus, mas depois que ela surgiu eles sentiram a necessidade de retomar a gravação e concluí-la. Digamos que é a versão dos Stones para “O Dia em que a Terra Parou”, de Raul, adaptada aos novos tempos de isolamento social e ruas das cidades desertas. Confira o vídeo e a letra de Living in a Ghost Town logo abaixo:

I'm a ghost
Living in a ghost town
I'm a ghost
Living in a ghost town

You can look for me
But I can't be found
You can search for me
I had to go underground
Life was so beautiful
Then we all got locked down
Feel a like ghost
Living in a ghost town

Once this place was humming
And the air was full of drumming
The sound of cymbals crashing
Glasses were all smashing
Trumpets were all screaming
Saxophones were blaring
Nobody was caring if it's day or night

I'm a ghost
Living in a ghost town
I'm going nowhere
Shut up all alone

So much time to lose
Just staring at my phone

Every night I am dreaming
That you'll come and creep in my bed
Please let this be over
Not stuck in a world without end

Preachers were all preaching
Charities beseeching
Politicians dealing
Thieves were happy stealing
Widows were all weeping
There's no beds for us to sleep in
Always had the feeling
It will all come tumbling down

I'm a ghost
Living in a ghost town
You can look for me
But I can't be found

We're all living in a ghost town
Living in a ghost town
We were so beautiful
I was your man about town
Living in this ghost town
Ain't having any fun
If I want a party

It's a party of one




domingo, 19 de abril de 2020

As melhores apresentações de One World: Together at Home





Essa febre de lives durante a quarentena inspirou artistas do mundo todo para se reunirem virtualmente numa ação mobilizadora em torno do combate ao novo coronavírus. A ONG Global Citizen organizou, junto a Lady Gaga, o evento One World: Together At Home, com o objetivo de angariar fundos para compra de suprimentos para os profissionais de saúde que estão na linha de frente nessa guerra ao covid-19. Gaga conseguiu mobilizar uma grande quantidade de artistas ao redor do mundo para participar do evento, que rolou ontem, dia 18 de abril.
O blog selecionou as apresentações mais interessantes:

The Rolling Stones – You Can’t Always Get What You Want



Paul McCartney – Lady Madonna



Elton John – I’m Still Standing




Eddie Vedder – River Cross



Stevie Wonder performs "Lean On Me" / "Love's In Need of Love Today



Camila Cabello & Shawn Mendes - What A Wonderful World 



E você, gostou de mais alguma apresentação? Coloca aí pra gente.


quarta-feira, 4 de julho de 2018

Resenha de Buddy Guy, The Blues is Alive and Well


                O blues está vivo e bem. E, sem dúvida, um dos grandes responsáveis por isso é Buddy Guy, a lenda viva do blues, que aos 81 anos continua na atividade, fazendo shows, saindo em turnê e lançando ótimos e vigorosos álbuns que chamam a atenção e fazem um grande serviço ao gênero. The Blues is Alive and Well é o último lançamento de Buddy Guy, que em 2016 conquistou mais um Grammy pelo trabalho anterior, Born to Play the Guitar, de 2015. Como sempre e como vem fazendo há mais de 50 anos, Guy canta o blues, sente o blues, vive o blues e, acima de tudo, Buddy Guy é o blues. A cada novo disco lançado, o guitarrista lendário aproveita o tempo que lhe resta para falar de suas experiências, de suas vivências, sobre o que o blues lhe proporcionou durante sua longa vida e reflete ainda sobre a mortalidade, o momento da partida, pensamentos naturais para alguém chegando ao limiar da existência. The Blues is Alive and Well alterna esses momentos mais sérios, reflexivos, e momentos de diversão pura, o que prova que a idade não impede de desfrutar do que a vida, especialmente a vida que o blues guardou para ele, tem a proporcionar.

A faixa de abertura “A Few Good Years”, mais lenta, trata exatamente desse apelo por um pouco mais de bons anos, lembrando o quanto ele teve sorte e o quanto o blues transformou sua vida, possibilitando-o viajar pelo mundo afora e viver com boas condições financeiras. Mas a calmaria logo dá um tempo com a faixa seguinte, “Guilty As Charged”, sobre a vida namoradeira, cuja energia surpreende para quem já ultrapassou os oitenta anos e toca e canta dessa maneira tão intensa. “Cognac” é a primeira que conta com participações especiais, de nada mais nada menos do que Keith Richards e Jeff Beck. Para quem estava com dúvidas, estes nomes já indicam o tamanho do prestígio e da moral de Buddy Guy. A faixa é uma homenagem à sua bebida favorita, um conhaque, que ainda remete à fama de Muddy Waters de bom bebedor.  A faixa título, bem focada no soul blues, fala sobre a mulher traindo e enganando, um bom combustível para manter o blues vivo e bem.


“Bad Day”, um dos pontos altos do disco, acha Buddy Guy reclamando que depois de um dia cansativo e ruim é melhor ser deixado sozinho. Aqui Buddy Guy, que não é conhecido por letras críticas de protesto, dá uma cutucada na situação de perigo iminente dos negros nos Estados Unidos: “I was stopped by the police / Just for bein’ who I am / They said, why you goin’ in such a hurry / I said ‘Wooh! Guilty, damn!’”. A faixa “Blues No More”, bem no estilo B.B. King, conta com a participação de James Bay. “Whiskey for Sale”, com um ritmo bem funk, é a única faixa que destoa das demais em termos de qualidade. Tudo bem, está perdoado.




“You Did The Crime” tem a participação de outro ícone do rock, Mick Jagger, na gaita. “Old Fashioned” é um contraste de gerações. Tendo 81 anos, Buddy Guy certamente se sente um pouco fora de moda hoje em dia, principalmente cozinhar em fogão a lenha, deixar as portas abertas, respirar o ar da zona rural, dentre outras delicadezas que não nos damos mais o luxo. Como o título já sugere, “When My Day Comes” é outra na qual Buddy Guy reflete sobre a mortalidade, assim como “End of the Line”, onde ele também pensa nos amigos que perdeu e que às vezes se sente como se estivesse no fim da linha e reflete sobre o fato de ser a única lenda viva remanescente do blues: “I’m the last one to turn off the light”. Mesmo assim, estando  na última página do livro da vida, Buddy diz na letra que ainda dá conta do serviço.

O outro grande momento do disco fica para a versão de “Nine Below Zero”, clássica de Sonny Boy Williamson, onde Guy troca os solos de gaita pelos de guitarra e nos entrega uma versão super selvagem da música. O boogie “Oh Daddy” encaminha o disco para o final, junto com “Somebody Up There” , que é quase um momento espiritual, que depois de ver tudo o que viu e passou ele ainda estar vivo. “Alguém lá em cima deve gostar de mim”, conclui Guy. Por fim, a brincadeira ingênua e inocente na guitarra de “Milking Muther For You”.

The Blues is Alive and Well é mais um registro único da passagem de Buddy Guy por este plano. Alguém que foi salvo pela música, viveu na música e certamente irá morrer com a música. Embora no fim da linha, Buddy Guy nos dá uma mensagem reconfortante quando diz que talvez não tenha muito tempo restante, mas enquanto tiver, ele promete manter o blues vivo. O que temos de fazer é continuar aproveitando e nos sentido sortudos de poder desfrutar desse grande talento.


quarta-feira, 2 de maio de 2018

Buddy Guy anuncia novo disco, The Blues is Alive and Well



Uma notícia de hoje deixou o mundo do blues em polvorosa. Isso porque a maior lenda viva do blues, Buddy Guy, anunciou o lançamento de um novo disco, The Blues is Alive and Well, programado para sair em 15 de junho. O disco será o primeiro desde Born to Play The Guitar, lançado em 2015 e que ficou no topo dos melhores discos do ano do blog (além de ter ganho o Grammy de melhor disco de blues, em 2016). Três anos são muita coisa para quem já ultrapassa dos oitenta anos, mas Guy não quer saber disso e reafirma que está com a corda toda. Principalmente porque o disco novo também terá algumas participações para lá de especiais, tais como Mick Jagger, em “You Did The Crime”, Keith Richards e Jeff Beck, em “Cognac” e James Bay, em “Blues no More”. Confira a tracklist do disco abaixo:

Além disso, Buddy Guy é o convidado especial da série de David Letterman, na Netflix, chamada "My Next Guess Needs No Introduction", que vai ao ar no dia 4 de maio. No programa, Guy conversa com Letterman sobre a origem do blues no sul dos Estados Unidos. Tem tudo para ser incrível.

1 “A Few Good Years”
2 “Guilty As Charged”
3 “Cognac” (featuring Jeff Beck & Keith Richards)
4 “The Blues Is Alive And Well”
5 “Bad Day”
6 “Blue No More” (featuring James Bay)
7 “Whiskey For Sale
8 “You Did The Crime” (featuring Mick Jagger)
9 “Old Fashioned”
10 “When My Day Comes”
11 “Nine Below Zero”
12 “Ooh Daddy”
13 Somebody Up There
14 End Of The Line

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Resenha de The Rolling Stones - Blue & Lonesome





                Com certeza há aqueles álbuns difíceis e trabalhosos para gravar, compor e colocar todas as coisas meticulosamente nos seus devidos lugares; há outros, porém, que esse processo parece ser uma moleza. Esse é o caso de Blue & Lonesome, primeiro álbum de estúdio de Rolling Stones após mais de uma década, no qual a gigantesca banda decide dedicar o novo disco inteiramente ao blues. Não é surpresa que os Stones amem o blues, o que surpreende em Blue & Lonesome é o quão bem eles ainda tocam o blues. Acho que não é necessário abordar demoradamente a longa e intensa relação de Mick Jagger, Keith Richards e companhia com o gênero musical criado pelos negros dos Estados Unidos no início do século XX; o próprio nome da banda já entrega essa relação; o fato há 51 anos a regravação de “Little Red Rooster” chegar ao número 1 das paradas britânicas é outra evidência; a primeira aparição de Howlin’ Wolf na TV norte-americana ter sido como condição para os Stones participarem do programa em 1965, mais uma (“I think it’s about time you shut up and we had Howlin’ Wolf on stage”, Brian Jones disse à época). Mas ainda não é apenas isso: antes de ser uma das maiores bandas da história do rock, os Rolling Stones eram uma banda cover de blues, que viviam tocando as músicas que, atravessando o Atlântico, chegavam às casas desses jovens britânicos cheios de força criativa e energia. Pois bem, já deve ser possível imaginar a facilidade com que esses senhores que tocam juntos há mais de meio século, juntaram-se para gravar as músicas que eles tocam... bem, há mais de meio século. Esse é Blue & Lonesome, gravado em apenas três dias.



                O melhor também é que agora são realmente os Stones tocando o blues sendo os próprios Rolling Stones, e não apenas um bando de jovens britânicos em busca de criar seu som e querendo soar como seus ídolos transatlânticos. A voz de Mick Jagger está na sua melhor forma, bem como sua técnica com a gaita. O mesmo é verdade para toda a banda. Para melhorar, as músicas não são simples cópias das originais; em Blue & Lonesome os Stones colocam seu próprio DNA, o que torna o álbum não simplesmente um álbum de covers de blues, ou um álbum de tributo, mas sim um álbum dos Rolling Stones.
                Toda a tracklist é impecável, da faixa de abertura, “Just Your Fool”, de Buddy Johnson e regravada interminadas vezes, em que Jagger se solta totalmente como gaitista, à última faixa, a clássica “I Can’t Quit You Baby”, de Willie Dixon, com participação de Eric Clapton, outro aficionado por blues. Pode-se dizer que os fãs de blues reconhecem facilmente a grande maioria das doze faixas do disco e com certeza já vão ter em mente várias outras referências das mesmas músicas tocadas outras dezenas vezes. O que aparentemente poderia ser enfadonho faz o efeito contrário. A familiaridade facilita a dar valor, curtir mais diretamente o som e reconhecer o trabalho da banda. As escolhas estão centradas no som de Chicago das décadas de 40 e 50, então estão presentes naturalmente Little Walter (“Hate To See You Go”, “I Gotta Go”), Howlin’ Wolf, com a ótima versão de “Commit A Crime”, Buddy Guy e Junior Wells, com a clássica “Hoo Doo Blues”, Jimmy Reed, com “Little Rain” em roupagem brilhante e solo incrível de gaita, Eddie Taylor com outra favorita dos covers de blues, “Ride ‘Em On Down”, novamente Willie Dixon com “Just Like I Treat You” e, claro, Memphis Slim com a faixa título, “Blue And Lonesome”. (Senti falta de Muddy Waters, no entanto). A mais desconhecida do grande público talvez seja a ótima “Everybody Knows About My Good Thing”, de Little Johnny Taylor.
                Blue & Lonesome é fruto de um atalho no processo de gravação de um novo álbum de inéditas de Rolling Stones. A viagem no túnel do tempo fez a banda soar mais uma vez relevante e gigante como sempre fora, mas que alguns pareciam ter esquecidos. Espero que o alto nível alcançado com a happy hour com os amigos empolgue e impulsione a banda para um disco de inéditas tão bom quanto.


domingo, 13 de novembro de 2016

Confira "Hate To See You Go", do novo álbum de blues de Rolling Stones, Blue & Lonesome




                Não há como negar: o blues que conhecemos hoje e do jeito que ele chegou a nós não seria o mesmo não fosse por uns grupos de jovens britânicos que chegaram a conhecer as gravações do blues, que nos próprios Estados Unidos era desconhecido do grande público de classe média branca, e a partir daí o absorveram em sua própria arte e depois o reapresentaram para o público consumidor dos Estados Unidos. Dentre esses jovens estavam John Mayall, Eric Clapton, Mick Jagger, Keith Richards, para citar apenas alguns. The Rolling Stones, uma das maiores bandas de rock do planeta – senão a maior – nunca negou sua admiração pelo blues, levando para um programa de TV pela primeira vez, ainda na década de sessenta, Howlin’ Wolf para dividir o palco. Durante toda a longa carreira, os Stones gravaram algumas covers de blues e dividiram o palco com Muddy Waters, B.B. King, Buddy Guy, dentre outros. No entanto, a banda inglesa nunca havia dedicado um álbum inteiramente ao blues, apesar dele estar no seu próprio DNA. Essa lacuna vai ser preenchida agora, com o lançamento do álbum Blue & Lonesome, com data de lançamento para dois de dezembro. 

                Isso significa que todo o amor e admiração que cada membro da banda tem pelo blues estará presente em cada uma das faixas do novo disco, que é uma compilação de covers de blues, especialmente o blues de Chicago de meados da década de 50. O baterista Charlie Watts, “This album is what I’ve always wanted the Stones to do. It’s what we do best and what we did when we first got together”. Na tracklist estão covers de Howlin’ Wolf (claro), Little Waters (claro), Jimmy Reed (claro). Saiu a primeira amostra do álbum, o clipe de “Hate To See You Go”, bem como o áudio de “Just Your Fool”. Confira abaixo:






quinta-feira, 4 de abril de 2013

Abença Pai: Centenário de Muddy Waters


Hoje é um dia especial para a música. Principalmente para nós, que somos o Filho do Blues. É dia de celebrar o centenário de uma das maiores lendas, uma das maiores influências do blues, o que decretou “the blues had a baby and they named it rock n’ roll” e inspirou o nome deste humilde blog. O homem que inspirou Rolling Stones, Eric Clapton, Jimi Hendrix, Led Zeppelin, dentre outros inúmeros nomes gigantes que moldaram e criaram esse gênero chamado rock n’ roll.

Nascido em 04 de abril de 1913, sob o nome de Mckinley Morganfield, que abandonou para transformar o mundo como Muddy Waters. O pseudônimo veio pela paixão de tocar junto das águas lamacentas do Rio Mississipi quando ainda criança. A partir de 1955, ele usou 1915 como seu ano de nascimento, sendo inclusive marcado no seu túmulo, embora documentações antes disso, como certidões de casamento e cartão da união dos músicos, tenham apontado de fato para 1913. Outros documentos ainda listam como 1914. Mas não importa. O que realmente vale, além de termos a chance de comemorarmos o seu centenário por três anos, é celebrarmos mais ainda seu legado. 




Muddy Waters, vamos chamá-lo assim, passou sua juventude na lendária Plantação Stovall – Stovall Plantation – e é inegável sua parcela de participação na construção do seu talento artístico e musical. Stovall Plantation é tido como o lugar de nascimento do Blues e hoje em dia é o local do Museu Delta Blues, na cidade de Clarksdale, em Mississipi. Ele começou tocando gaita, juntamente com outros bluesman que estavam se tornando populares naquela região, ninguém menos que Charley Patton, Son House e Robert Johnson. Mas não era vida mole para esses caras. O blues era um meio de expressão, de relatar suas paixões, suas dores e suas lutas no dia a dia das plantações de algodão. Em todos eles, essa fase de trabalho pesado nas plantações foi marcante até o final de suas vidas. Quando tocavam no sábado a noite, nenhum deles imaginavam que iriam mudar a música e levar aquela tímida cena formada por negros americanos trabalhadores para o próximo passo em direção à história. Em 1943, Muddy Waters, acreditando em seus sonhos de músico, mudou-se para Chicago levando consigo o Delta Blues. Lá, ele criou o Chicaco Blues. Com a ajuda de Big Bill Broonzy, que abriu as portas no mercado de músicos em Chicago, Muddy estava trabalhando durante o dia e tocando seu blues nos bares à noite. Em 1945, mais um fato que iria moldar a música de Muddy Waters. Seu tio, Joe Grant, lhe deu sua primeira guitarra elétrica, o que tornou possível ele se fazer ouvido por cima de audiências barulhentas.  



A partir daí Muddy Waters foi construindo seu legado, sempre como um grande compositor, dono de uma voz forte, inconfundível, além de, claro, um talentoso e habilidoso guitarrista, sempre com seus belos solos de slide. No final da década de 40, a lendária The Chess Records começou a trabalhar com ele e a partir daí começou a surgir os primeiros clássicos, como “I Can’t Be Satisfied” e “(I Feel Like) Goin` Home”. Até aí, o rock n’ roll não passava de espermatozóides no saco de vários desses bluesmen que circulavam pela cidade. Com o sucesso feito por essas duas faixas, Muddy começou a gravar acompanhado por uma banda que tinha “somente” Little Water na gaita e Jimmy Rogers na guitarra. Essa banda foi crescendo e transformando a cena do Blues de Chicago, com uma música poderosa e inovadora. Outro futuro grande nome a entrar para a banda em 1953 foi o pianista Otis Spann, que foi, juntamente com Muddy Waters, uma das grandes referências da banda, mesmo após a saída de Little Water e Jimmy Rogers na década de 60 para darem início a suas carreiras solos. Para se ter uma idéia da potência e significado dessa banda na década de 50, eles gravaram sucessos como “Rollin’ And Tumblin’”, “I’m Ready”, “I’m Your Hoochie Coochie Man”, “Trouble No More”, “Got My Mojo Working”, “Mannish Boy” e “I Just Want To Make Love With You”. Ou seja, pode perguntar a todos esses nomes do rock que eu citei ali em cima. Essas músicas eram o que eles andavam tocando nas suas garagens antes de conquistarem o mundo. Juntamente com seu antigo parceiro Little Water e o surgimento do gigante Howlin’ Wolf, essa era a cena de Chicago, da qual Muddy Waters era o rei.





Mas como tudo tem seus altos e baixos, o fim da década de 50, como um filho recém nascido ingrato e que só faz bater e chorar para o pai, o surgimento do rock n’ roll tirou as atenções desses artistas de Chicago para os novos ícones do rock. Mas aí acontece outro fato que terminou de desencadear os acontecimentos das décadas seguintes, até hoje. Em busca de um novo público, Muddy Waters embarcou para a Inglaterra em 1958 e - como dizê-lo? – foi revolucionário, incendiário, e conquistou a audiência inglesa (mas também teve seus momentos de vaias, por ser muito “elétrico” antes do seu tempo). Sem essa viagem, talvez a paixão que os britânicos haviam criado pelo blues, houvesse arrefecido. Talvez Rolling Stones não fossem os Rolling Stones. Eric Clapton não tivesse feito o The Yardbirds ou o Cream. Enfim, talvez não houvesse ocorrido a Invasão Britânica. Foi dessa época o show memorável de Muddy Waters no Newport Jazz Festival, em 1960, do qual foi feito seu primeiro disco ao vivo. Dessa forma, a década de 60 ainda rendeu bons álbuns para Mudy, como principalmente Fathers and Sons.  



Com a explosão dos Beatles, a Invasão Britânica, o blues foi sendo pensado cada vez mais para a audiência branca que estava se interessando pelo gênero. Toda essa fase foi marcada por essa absorção do espírito do blues para o público de massa. Em 1972, Muddy gravou com um banda nova, formada por Rory Gallagher, Steve Winwood, Rick Grech e Mitch Michell, mas a química não foi a mesma encontrada com as bandas passadas. Muddy falou “esses caras são músicos dos melhores, eles podem tocar comigo, colocar a partitura na frente deles e eles tocarem, você sabe, mas não é disso que eu preciso vender para o meu público. Esse não é o som de Muddy Waters. E se vocês mudarem meu som, então vocês vão mudar o cara como um todo”. Pouco depois ele ficou sem contrato com a gravadora.

Mas esse não foi o fim. Em 1977, um grande fã de Muddy Waters, o bluesman Johnny Winter, convenceu a sua gravadora, Blue Sky Records, a contratá-lo e o próprio Winter produziu o primeiro disco, que juntou Muddy com sua banda de viagem, o que gerou o fez renascer com um novo clássico, o álbum Hard Again. Foi um sucesso, com um som cru e vigoroso, foi ovacionado pelo público e pela crítica, garantindo ainda para Muddy Waters alguns prêmios, como um Grammy Award por Best Traditional or Ethnic Folk Recording. Depois disso veio uma das mais bem sucedidas turnês de sua carreira, dividindo o palco com Eric Clapton e Rolling Stones. Ainda deu tempo para dois bem sucedidos trabalhos com Winter, I’m Ready de 1978 e King Bee.



Mas a saúde não dura para sempre e em 1982 ela começou a dar sinais de cansaço. No ano seguinte, em 1983, Mckinley Morganfield, ou melhor, Muddy Waters, tomba finalmente vítima de um ataque cardíaco em sua casa, Westmont, Illinois, que desde então vem mudando nomes de ruas em homenagem a esse bluesman. Mas se a saúde não é eterna, felizmente, o seu legado é e ainda permanecerá intocado por gerações e gerações ainda vindouras. E em 2113 (ou 2114 ou 2115, que seja!) outros estejam celebrando o duplo centenário dessa lenda!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Melhores Álbuns de 2012 - Parte I - Menções Honrosas

35. Brendan Benson - What Kind of World



Mesmo aquém dos grandes álbuns que Benson já tem na carreira, como Lapalco (2002) e The Alternative to Love (2005), What Kind of World ainda nos reserva belas composições, tais como o rock da própria faixa que dá título do álbum, ou a tocante balada “Bad for Me”, dentre outras.




34. The Rolling Stones – Grrr!


A principal razão deste disco triplo de coletânea estar presente nessa lista é os 50 anos de aniversário dos Stones. Os dois primeiros discos, cobrindo as décadas de 60 e 70, são claramente os pontos altos da coletânea. O disco três reserva duas canções inéditas dos Stones “Doom and Gloom” e “One More Shot”.




 33. Antony & The Johnsons – Cut The World


Pela teoria, por ser um disco ao vivo, Cut The World não deveria estar presente na lista. Mas, seria uma tremenda injustiça para com o álbum. Gravado totalmente com uma orquestra, o álbum é de uma beleza incrível, mesmo com as músicas antigas, que ganham nova alma nessas versões. Outro motivo irresistível, é a beleza de “Cut The World”, única faixa inédita do disco, que é simplesmente magnífica, poderia facilmente ser coloca em qualquer lista de melhores músicas do ano.




 32. Nada Surf - The Stars Are Indifferent to Astronomy



Com esse belo e poético título, Nada Surf é a prova de que nem tudo precisa abalar as estruturas da música para ser bom. Às vezes o simples e o pop também satisfazem.


31. Siba - Avante


Neste seu disco solo, Siba se reinventou. Há vários elementos de diversos estilos, sobretudo do rock, brega dos anos 70 e inclusive música africana, tudo com muita guitarra. Isso deixa clara a natureza do grande artista, que sempre continua a experimentar novos sons e caminhos, nunca se aquietando, em busca de novos horizontes.