Esse ano foi um pouco atípico, pois tive que me dedicar a outros projetos e acabei deixando um pouco de lado a produção de resenhas sobre os discos. Todavia, não poderia deixar de compilar os melhores na já tradicional lista de Melhores Álbuns do Ano. O mundo, e sobretudo o Brasil, passa por um momento político conturbado. Por isso, o trabalho que resume melhor o ano é a obra-prima de Elza Soares, Planeta Fome.
1. Elza Soares - Planeta Fome
2. Mary Lane - Travelin' Woman
3. Chico César - O Amor é um Ato Revolucionário
4. Fruteland Jackson - Good as Your Last Dollar
5. Christone "Kingfish" Ingram - Kingfish
6. Bob Corritore & Friends - Do The Hip Shake Baby
7. The Cash Box Kings - Hail to the Kings!
8. Jimmy "Duck" Holmes - Cypress Grove
9. Walter Trout - Survivor Blues
10. Jontavious Willis - Spectacular Class
11. Willie Buck - Willie Buck Way
12. Tony Holiday - Porch Sessions
13. Gaye Adegbalola - The Griot
14. Piedmont Bluz - Ambassadors of Country Blues
15. John Clinfton - In The Middle of Nowhere
16. Watermelon Slim - Church of the Blues
17. Leo "Bud" Welch - The Angels In Heaven Done Signed My Name
18. Big Joe & The Dynaflows - Rockhouse Party
19. William Clarke - Heavy Hittin' West Coast Harp
20. Billy Branch & The Sons of Blues - Roots and Branches (}The Songs of Little Walter)
21. John Harp - How Can I Lose What I Never Had
22. Kenny "Beedy Eyes" Smith & The House Bumpers - Drop The Hammer
23. Nick Moss Band - Lucky Guy
24. John Primer - The Soul of a Bluesman
25. Rosie Flores - Simple Case of the Blues
26. Rockin' Johnny - Dos Hombres Wanted
27. Benny Turner - Going Back Home
28. Giles Robson - Don't Give up on the Blues
29. Big Creek Slim - First Born
30. John Dee Holeman - Last Pair of Shoes
31. Harpdog Brown - For Love & Money
32. Jazzmeia Horn - Love and Liberation
33. Mavis Staples - We Get By
34. North Mississippi Allstars - Up and Rolling
35. Little Joe McLerran - Month of Sundays
36. Annie & The Hedonists - Bring it on Home
37. John Mayall - Nobody Told Me
38. Vin Mott - Rogue Hunter
39. Bloodest Saxophone - Texas Queens 5
40. Leonardo Cohen - Thanks for the Dance
41. Li'l Chuck the One Man Skiffle Machine - Mono
42. Luther Dickinson - Solstice
43. Willie Farmer - The Man from the Hill
44. T. Guy - Tell Uncle John
45. Boo Boo Davis - Tree Man
46. Odair José - Hibernar na Casa das Moças
47. John Blues Boyd - Through My Eyes
48. Ronnie Earl - Beyond the Blue Door
49. Bobby Rush - Sitting on the top of the Blues
50. Al Lerman - Northern Bayou
51. Keb' Mo' - Oklahoma
52. Lia de Itamaracá - Ciranda Sem Fim
53. Alexis P. Suter Band - Be Love
54. Mark Joseph - The Musician and the Muse
55. Shady Frank - Home
56. Bad Temper Joe - The Maddest of Them All
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sábado, 28 de dezembro de 2019
terça-feira, 12 de março de 2019
Resenha de Leo "Bud" Welch - The Angels In Heaven Done Signed My Name
Quando Leo “Bud” Welch surgiu na cena do blues em 2014 com seu disco de estreia, Sabougla Voices, aos 82 anos, causou uma surpresa enorme, tanto pela sua vitalidade quanto pela de estranhesa de ter um disco de estreia com uma idade tão avançada. O fato é que Welch esteve ligado ao blues e ao gospel durante toda sua vida, tocando em igrejas e bares por horas seguidas. Na década de 50, chegou a abrir shows para figuras como B.B. King, Howlin’ Wolf, Elmore James, John Lee Hooker, só para citar alguns. Convidado por B.B. King para uma seção de gravação, Welch não pode comparecer por não ter dinheiro para pagar um quarto de hotel. Infelizmente, B.B. King também não pagou e perdemos o que poderia ter sido o início de uma promissora e bem-sucedida carreira no blues.
O fato é que
a carreira de estúdio de “Bud” Welch deslanchou com Sabougla Voices, focando
nas canções de gospel que ele tocou por tantos anos, numa roupagem crua de
blues tradicional. Em 2015, o sacro virou profano com I Don’t Prefer No Blues. O
impacto dos dois álbuns fez o bluesman octogenário que nunca havia deixado o
Mississippi percorrer o país em turnês, viajando de avião pela primeira vez e
tocando em renomados festivais de blues.
Pouco antes de falecer, em 19 de
dezembro de 2017, Leo “Bud” Welch fez uma última sessão de gravação, em
Nashville, com Dan Auerbach. The Angels In Heaven Done Signed My Name é
resultado dessa última gravação, depois de dar uns retoques finais às faixas
gravadas com Welch. São dez faixas que capturam o espírito de um grande
bluesman. O tema da morte, sempre visto pelo viés de um homem religioso e que
vê a passagem como um encontro com Deus, é recorrente. Os destaques
dentre elas são “I Know I’ve Been Changed”, “Don’t Let the Devil Ride”, claro, “I
Wanna Die Easy”, “Let it Shine” e “Walk With Me Lord”.
Enfim, The Angels In Heaven Done
Signed My Name vem para engrandecer ainda mais o talento desse grande mestre na
arte do blues, que, infelizmente, tivemos tão pouco tempo para desfrutar, mas que
sua passagem está marcada por cada nota tocada e por cada verso cantado com
energia e emoção autêntica no final de sua vida.
sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
Melhores Álbuns de 2017 - Menções Honrosas
Bem, a lista oficial de melhores do ano não integram coletâneas ou álbuns gravados ao vivo. Por isso, para fazer jus a dois lançamentos específicos, iremos falar de dois álbuns aqui que se não podiam ficar na lista, não deveriam igualmente ser dela excluídos.
Leo "Bud" Welch - Live at The Iridium
Como agravante, a notícia da morte de Leo Bud Welch. Aquele senhor de oitenta e cinco anos cheio de vigor, tocando ainda em shows com vinte músicas em média, não aguentou e partiu. Mas não antes de deixar registrado sua passagem por aqui, com dois discos de estúdio e um ao vivo, lançado nesse ano. Live at The Iridium mostra Welch tocando várias versões de clássicos do blues, além de suas próprias, gravadas no seu disco. Grande registro. Descanse em paz, Leo!
Chico César - Estado de Poesia (Ao Vivo)
O segundo disco que não poderia ficar de fora é o registro de Chico César, com o show especial focado no melhor disco de sua carreira, Estado de Poesia. O show e as músicas são tão belas que não poderiam ser deixadas de lado.
terça-feira, 19 de dezembro de 2017
Leo "Bud" Welch morre aos 85 anos
A página do Facebook "Living Blues" cada de noticiar a morte de Leo Bud Welch. A nota do empresário Vincie Vernado diz que "é com o coração pesado e com profunda tristeza que eu anuncio a morte do grande Leo "Bud" Welch. Os preparativos para o funeral serão anunciados num futuro próximo. Suas preces são bem vindas".
Welch gravou pela primeira vez 2014, aos 82 anos. Em 2015 lançou o segundo trabalho, I Don't Prefer No Blues e nesse ano havia lançado um disco ao vivo.
Descanse em paz, Leo.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
Melhores Álbuns de 2015 - Parte V
Sem dúvida, o ano de 2015 ficará
marcado na história do blues e da música como o ano em que perdemos B.B. King,
aos 89. O luto do blues, no entanto, será inegavelmente bem mais duradouro.
Originalmente um estilo executado pela comunidade negra norte-americana e
direcionado para a própria audiência negra no início do século XX, foi somente
a partir da década de 60, especialmente impulsionado pela grande evidência dada
ao blues pelas bandas britânicas, que o blues foi apresentado a um público
mundial em escala mundial – e até certo ponto, apresentado para os brancos do
próprio Estados Unidos. A partir daí, apesar de ter sido a base para inúmeros
estilos da música popular, o blues foi perdendo tanto o público consumidor,
seduzido pelos estilos mais modernos, quanto os seus grandes expoentes. Fora os que já haviam partido até então, os
gigantes lendários do blues foram caindo um a um: Sonny Boy Williamson II
(1965), Mississippi John Hurt (1966), Little Walter (1968, Skip James
(1969), T. Bone Walker (75), Howlin’
Wolf (76), Muddy Waters (83), Lightnin’ Hopkins (82), Son House (88), Memphis
Slim (88), Willie Dixon (92), John Lee Hooker (01), sem contar, claro, com
vários outros. Então, em um cenário em que a renovação de grandes nomes no
mainstream é difícil e com a perda inevitável dos ícones remanescentes, a morte
de B. B. King foi muito sentida e lamentada, tanto pelo seu valor humano quanto
pelo seu valor simbólico.
É imerso nesse contexto que o
mundo do blues e da música em geral recebe com grande entusiasmo o novo álbum
de Buddy Guy, uma das últimas lendas vivas do blues, que acaba de completar 79
anos. Born To Play Guitar tem um duplo valor, igualmente importantes. O
primeiro é o valor musical de mais um álbum na carreira desse grande
guitarrista, que influenciou a vida de nomes como Jimi Hendrix, Eric Clapton,
Jimmy Page, Rolling Stones, etc e que mais uma vez conta com várias
participações de peso, tais como Billy Gibbons, da banda ZZ Top, Van Morrison,
Eric Clapton (olha ele aí), Kim Wilson, da banda The Fabulous Thunderbird, e
Joss Stone. O outro é o valor simbólico que pode estar contido na mensagem que
se diz por essas terras tropicais: o blues está vivinho da Silva! Buddy Guy
canta sobre o blues com a propriedade conferida de quem viveu para a música e
toda a tradição desses nomes que já se foram está presente e pode ser sentida
no disco. Além disso, ainda tem uma faixa especial para B.B. King, “Flesh &
Bone”, cantada com Van Morrison, e uma emocionante homenagem a Muddy Waters, na
música que fecha o álbum, “Come Back Muddy”. Buddy Guy já falou em entrevistas
que o último recado dado por Muddy Waters, numa conversa pouco antes de
falecer, foi um apelo bem claro: “keep the damn blues alive”. É a isso que
Buddy Guy tem se dedicado desde então e Born To Play Guitar é uma declaração
apaixonante de amor a um estilo de música, de vida, e, claro, ao instrumento a
que está mais associado.
A faixa que abre o álbum dá o tom autobiográfico
que reaparece em vários outros momentos do disco. Começa com Buddy Guy
acompanhado somente de sua guitarra, mas no decorrer da música vão sendo
acrescidos o piano e a bateria. A letra narra sua ascensão, saindo de Louisiana
para ser reconhecido no mundo todo por causa do blues e da sua guitarra. “Wear
You Out” já é bem mais agressiva, um blues-rock com solos mais vibrantes e a
voz rasgada do convidado Billy Gibbons. A parceria funcionou muito bem, Guy com
sua voz mais limpa e Gibbons apresentando o outro lado. “Back Up Mama” é outra que se destaca, com um
estilo próximo ao Delta blues eletrificado de Chicago e uma letra que mostra a
já clássica malícia sexual bastante presente na tradição do blues “i got a back
up mama, if mama number one is not around”. Puro blues. Mais uma vez, Buddy Guy
executa belos solos, que se alterna com solos de pianos. Em“Too Late” outro
instrumento se insere na equação: Kim Wilson agrega sua intensa gaita e, sem
dúvidas, torna o conjunto ainda mais compacto e poderoso, uma locomotiva a
pleno vapor. As músicas do álbum inclusive estão mais concisas e curtas,
diferentes de outros trabalhos de Guy nos quais algumas das faixas ultrapassam
os sete minutos. Em Born To Play Guitar as mais longas ultrapassam pouco os
cinco minutos, mas dá a sensação de que pouco ou quase nada deixou por dizer.
“Whiskey, Beer & Wine” é mais dançante, um
pouco funky, feita pra festejar, como o próprio nome sugere e relaxar e se ver
livre das preocupações, pois, como Guy diz: “you can fix anything with whiskey,
beer and wine”. Quem irá questionar o velho Guy nessa? Ainda dá tempo para uma homenagem ao “good
ol’ days”. Em “Kiss Me Quick”, Kim Wilson faz novamente um trabalho vigoroso na
gaita. As duas faixas que contam com sua presença são as menores do disco, mas
são talvez as mais intensas. “Crying Out of One Eye” apresenta um conjunto de
metais, que deixa o clima mais soul. A letra é muito interessante, mostrando a
falsidade do sofrimento, enquanto está rindo e saindo por aí. “when you say goodbve you were only crying out
of one eye”. Ótima imagem. “(Baby) You Got What It Takes” é a vez do dueto de Buddy Guy
e Joss Stone, com sua voz sensual.
Depois da sequência de
participações, uma série de Buddy brilhando sozinho com sua guitarra. “Turn Me
Wild” parece ter um tom biográfico em sua relação com o blues e a guitarra. “didn’t learn nothing from a book,
no I never took a leason, when it comes to the blues I do my own kinda of
messin’”. Ao invés de um garotinho que sempre andou na linha, o blues o
deixou como um cachorro vira-lata procurando a toca do coelho. Em “Crazy World”
Buddy Guy deixa um pouco de lado os temas mais tradicionais do blues,
geralmente bem mais regional, para refletir a situação meio insana do mundo na
atualidade, como violência, concentração de renda, fome, e outras das mazelas
da sociedade global. É como o blues saísse do sul norte-americano para ver o
seu reflexo também em esfera mundial. “Smarter Than I Was” tem um riff
constante e a voz de Guy um tanto distorcida e gritantes solos de guitarra.
A parte final é um tributo ao
blues, claro, e a dois gigantes do gênero. “Thick Like Mississippi Mud”, mais
um dos grandes destaques álbum, já começa atestando uma das grandes verdades do
blues: “good whiskey and women can drop you to your kness”. Os momentos mais
emocionantes sem dúvidas ficam para as duas últimas faixas. “Flesh & Bone”,
com a participação de Van Morrison, é dedicada a B. B. King, falecido em maio
desse ano. Segundo Guy, a música já havia sido gravada quando ficou sabendo da
morte do amigo. A letra, com a música no clima religioso, repleta de órgãos e
corais, fala exatamente da mortalidade. “This life is more than flesh and bone / find out now before you gone /
when you go your spirit lives on / this life is more than flesh and bone”, diz
o refrão. Por fim, “Come Back Muddy” é uma tocante e sincera música
saudosa de Muddy Waters, falecido em 1983. A delicada canção, acompanhada pelo
violão e piano, mostra a falta que Waters faz tanto artisticamente (“come back
Muddy, Lord knows you can’t be replaced”) quanto pessoalmente (“come back
Muddy, man I sure miss your face”).
Born To Play Guitar não pode ser
visto como mais um número no catálogo extenso e bem sucedido de Buddy Guy,
vencedor de vários Grammys (provavelmente ganhará mais um agora). É muito mais
do que isso; é maior do que o próprio Buddy Guy ou qualquer outro; é uma
reafirmação não só de um gênero musical, da vida de um artista ou de um
instrumento específico: é a reafirmação da contribuição e dedicação de todos os
que vieram antes e já se foram, dos que ainda estão por aí e dos que ainda
virão. Acima de tudo, é a constatação de que o blues está, sim, vivo pra
caralho, viu Muddy (e todos os outros)? Podem descansar em paz.
Diante disso, Já É pode entrar na lista de um dos melhores
trabalhos da carreira de Arnaldo Antunes. A sua já conhecida e qualidade lírica
e poética de grande compositor, que sempre esteve presente nos seus discos,
uniu-se mais uma vez com uma variedade sonora bastante interessante, que estava
ausente nos últimos dois trabalhos, que tinham uma proposta bem limitada e
definida. Então, quando eu digo e reafirmo que Arnaldo Antunes é o melhor
compositor brasileiro da atualidade, já posso ouvir a resposta: “Já É”.
O que realmente torna I Don’t Prefer No Blues um clássico
atemporal do blues é a performance e a estrela de Leo “Bud” Welch: blues é
emoção, sentimento, autenticidade, o momento; e é tudo isso que exala durante
os trinta e cinco minutos da música desse senhor que passou tocando o blues no
anonimato sua vida inteira. Ainda bem que agora ele está tendo a oportunidade
de levar sua música ao mundo.
A Mulher do Fim do Mundo é um dos
discos mais interessantes do ano em diversas esferas; musicalmente, o álbum
transita de forma muito natural e elegante entre diversos gêneros musicais,
como o samba, claro, o rock, o eletrônico, dentre outros; e, principalmente, o
âmbito lírico não fica submisso ao campo sonoro e, por isso, A Mulher do Fim do
Mundo é um excepcional fruto do seu próprio tempo, com letras bastantes
críticas sobre as transformações, desafios, problemas e retrocessos que
testemunhamos diariamente na sociedade brasileira. As temáticas são amplas e
vão desde a violência doméstica, a violência policial nas periferias, questões
de gênero como feminismo e sexualidade. Ou seja, Elza ainda tem muito o que
dizer!
05. Tobias Jesso Jr. - Goon
O estreante Tobias Jesso Jr. é a revelação do ano. As
belíssimas músicas construídas ao piano em Goon o gabaritou, por exemplo, a ser
um dos colaboradores do novo álbum de Adele, com a música “When We Were Young”.
Mas Goon prova que Tobias Jesso Jr. é um compositor versátil e craque no
quesito de melodias.
06. Johnny Hooker - Eu Vou Fazer uma Macumba Pra Te Amarrar,
Maldito!
Johnny Hooker é um artista que
transitava já há algum tempo pela cena underground de Recife, mas aos poucos
foi conquistando cada vez mais espaço com participações em trilhas sonoras,
seja de filmes, como Tatuagem, com a música “Volta”, ou novelas como Babilônia
e Geração Brasil, com as músicas “Amor Marginal” e “Alma Sebosa”. Com Eu Vou
Fazer uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!, Johnny Hooker recebeu aclamação
nacional e participou dos principais programas de auditório da televisão brasileira.
O lirismo que transborda de Hooker é impressionante.
Depois do drama vivido, Walter
Trout acaba por nos entregar o melhor álbum de sua carreira. Claro que a carga
emocional tem um impacto profundo nas músicas e as fazem ter uma conotação
ainda mais forte. Mas é a honestidade que faz com que Trout consiga nos
transportar um pouco que seja para sua vida. As cicatrizes da batalha são as
lições que ele aprendeu em sua jornada, as quais ele consegue repassar um pouco
delas para nós, ainda que não passemos pelo drama que ele passou. Um drama
pessoal não é o suficiente para um bom álbum. Pode ser mais tentador do que
parece tentar esconder profundas experiências pessoais e espirituais por trás
de clichês. E definitivamente não é isto que Walter Trout faz em Battle Scars.
Gerry Hundt’s Legendary One-Man Band é uma viagem pelo tanto
pelo universo quanto pelas habilidades musicais de Gerry Hundt, experimentando
ao máximo para levar a si mesmo até o limite. Apenas o fato de uma pessoa só
gravar ao vivo um disco já é surpreendente. No entanto, o que é incrível mesmo
é que ele consiga fazê-lo tão bom e divertido. Com certeza, Barney Stintson, da
série norte-americana How I Met Your Mother, soltaria seu jargão clássico:
legen... wait fo it... dary!
09. David Michael Miller - Same Soil
David Michael Miller está numa
trajetória crescente na sua carreira. Same Soil é o segundo disco desse
guitarrista e, desde o título, passando pela capa até às músicas propriamente
ditas, funciona como uma celebração dos estilos de raiz da música americana,
especialmente o blues, gospel e soul. Um som vibrante do início ao fim.
Parte II 39 a 30
Parte III 29 a 20
Parte IV 19 a 10
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segunda-feira, 6 de abril de 2015
Resenha: Leo Welch - I Don't Prefer No Blues
Leo
“Bud” Welch, foi recebido com entusiasmo pelo cenário musical do blues, logo no
início de 2014, com o seu álbum de estreia chamado de Sablouga Voices. Ainda
que tenha mostrado no seu trabalho um som muito interessante, mesclando o
estilo do Chicago Blues com o Gospel tocado nas Igrejas batistas pelo Sul dos
Estados Unidos, outro detalhe certamente não passou despercebido e trouxe uma
sensação de extraordinário ainda maior: o som vigoroso do blues elétrico ouvido
em Sablouga Voices vinha de um senhor no auge dos seus 81 anos, que passou a
grande parte de sua vida trabalhando anonimamente durante o dia e tocando em
festas e igrejas. A preciosidade da estreia vinha junto com um sentimento de
que infelizmente não veríamos uma longa carreira de Leo “Bud” Welch;
possivelmente aquele seria o único registro de sua carreira tardia. Essa
sensação foi logo refutada – ou pelo menos parte dela – com o lançamento, pouco
mais de um ano depois, do seu segundo álbum, chamado I Don’t Prefer No Blues,
um registro ainda mais vigoroso e impactante do que o seu antecessor. As
resenhas são unânimes: já é um clássico contemporâneo do blues.
O novo álbum veio de um acordo de Welch com a gravadora Fat Possum’s Big Legal
Mess, que acertaram que depois de lançar o álbum de blues-gospel (Sablouga
Voices), “Bud” Welch gravaria o seu outro lado, a versão secular do blues. E é
exatamente isso que é visto em I Don’t Prefer No Blues. Com exceção da faixa de
abertura – e uma das melhores do disco - “Poor Boy”, que ainda demonstra um
pouco do coral do blues gospel e a penúltima faixa “Pray On” (que de gospel só
tem a letra), é o profano que comanda no restante do álbum. “Girl In The Holler”
é tão intensa que é praticamente irrelevante o fato de ser tocado por um senhor
de 82 anos, sensação que impregna durante praticamente todo o disco,
especialmente em “Too Much Wine”, “I Woke Up”. Leo “Bud” Welch escolhe a dedo
alguns outros clássicos do blues, como “Goin Down Slow”, “Cadillac Baby” e “Sweet
Black Angel”. Seu som vai do Delta Blues do início da carreira de Muddy Waters
ao blues elétrico, improvisado, ao vivo, sujo e cheio de riffs de R.L. Burnside
e engana-se quem possa vir a achar que o elemento idade não tem influência
alguma no conjunto final: Leo Welch vivenciou tudo isso. É uma autenticidade
que somente a experiência de vida poderia passar.
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
Melhores Álbuns de 2014
Esse ano de 2014 foi bastante corrido para o Filho do Blues, o que acabou fazendo com que tivesse menos tempo disponível para me dedicar ao blog, com atualizações, notícias, vídeos e resenhas. No entanto, isso não quer dizer que eu parei de acompanhar as novidades do mundo da música. Muito pelo contrário: ainda que sem tempo, consegui manter o top 40 do ano e consegui expandir meus horizontes musicais e mergulhei ainda mais, sobretudo, no blues. Fato que é traduzido pela maior ocorrência de álbuns do gênero em relação ao ano passado. Em 2013, tivemos 8 destaques do blues nos melhores álbuns do ano (o maior deles, Corey Harris, com Fulton Blues). Já em 2014, esse número subiu para 12, com o destaque para Sugar Ray & The Bluetones, pelo álbum Living Tear to Tear, que alcançou a segunda colocação no ranking. O top 10 conta com 4 ábuns de blues, o que é um feito significativo. (Além de Sugar Ray & The Bluetones, Billy Boy Arnold, ainda teve Johnny Winter, que faleceu ainda neste ano, antes do álbum ser lançado, e Joe Bonamassa).
Também chamo atenção para alguns lançamentos nacionais bastante interessantes em 2014, como o retorno da Nação Zumbi (5º), o gênio Tom Zé (7º), a parceria de Marcelo Camelo e Mallu Magalhães na Banda do Mar (13º), Erasmo Carlos (23º) e China (27º).
Em primeiro lugar ficou Jack White, com seu segundo disco solo, Lazaretto. No topo a disputa ficou menos acirrada do que em relação a 2013, que teve ao menos 4 grandiosos álbuns (Arcade Fire, David Bowie, QOTSA e Vampire Weekend). Mesmo assim, ainda podemos falar dos não menos notáveis novos lançamentos de Beck (Morning Phase, 3º), Damon Albarn, do Blur, (Everybody Robots, 18º), o mestre Leonard Cohen (Popular Problemas, 09º) e Foo Fighters (Sonic Highways, 10º).
O ano de 2014 teve de tudo. Contou com a volta de figuras carimbadas como Weezer, com um bom álbum (Everything Will Be Alright In The End, 16º), Stephen Malkmus (Wig Out at Jagbags, 40º) e Manic Street Preachers (Futurology, 24º), ao mesmo tempo em que reforçou ou apresentou novidades muito boas, como Perfume Genius (Too Bright, 14º), Sun Kil Moon (Benji, 19º) e Christopher Owens (A New Testment, 17º). E o que falar da maior novidade do ano, a maior revelação do ano, que lançou o seu primeiro disco no início desse ano aos 82 anos? Estou falando do bluesman Leo "Bud" Welch, com o maravilhoso álbum de blues-gospel Sabougla Voices (12º).
Enfim, nos despedimos de 2014 com essa lista de nomes que fizeram com que o ano ficasse melhor e mais gostoso. No mais, Feliz Natal e Feliz Ano Novo para os leitores do Filho do Blues e que 2015 seja repleto de belíssimos lançamentos para que no próximo dezembro esta lista esteja ainda mais extensa!
Um grande abraço!
MELHORES ÁLBUNS DE 2014
01. Jack White - Lazaretto
02. Sugar Ray & The Bluetones - Living Tear to Tear
03. Beck - Morning Phase
04. Johnny Winter - Step Back
05. Nação Zumbi - Nação Zumbi
06. Billy Boy Arnold - The Blues Soul Of Billy Boy Arnold
07. Tom Zé - Vira Lata Na Via Lactea
08. Joe Bonamassa - Different Shades Of Blue
09. Leonard Cohen - Popular Problems
10. Foo Fighters - Sonic Highways
11. Gruff Rhys - American Interior
12. Leo Welch - Sabougla Voices
13. Banda do Mar - Banda do Mar
14. Perfume Genius - Too Bright
15. Dave Specter - Message In Blue
16. Weezer - Everything Will Be Alright In The End
17. Christopher Owens - A New Testament
18. Damon Albarn - Everyday Robots
19. Sun Kil Moon - Benji
20. TV On The Radio - Seeds
21. Damien Rice - My Favourite Faded Fantasy
22. John Mayall - A Special Life
23. Erasmo Carlos - Gigante Gentil
24. Manic Street Preachers - Futurology
25. Damien Jurado - Brothers And Sisters of the Eternal Son
26. Walter Trout - The Blues Came Callin'
27. China - Telemática
28. Lucky Peterson - The Son Of A Bluesman
29. The Robert Cray Band - In My Soul
30. Bruce Springsteen - High Hopes
31. Johnny Cash - Out Among The Stars
32. Cloud Nothings - Here And Nowhere Else
33. C.W. Stoneking - Gon Boogaloo
34. Mud Morganfield & Kim Wilson - For Pops Tribute To Muddy Waters
35. Tibério Azul - Bandarra
36. Hamilton Leithauser - Black Hours
37. The Black Keys - Turn Blue
38. Thiago Pethit - Rock'n'Roll Sugar Darling
39. Black Lips - Underneath the Rainbow
40. Stephen Malkmus & The Jicks - Wig Out at Jagbags
41. Eric Bibb - Blues People
Álbuns que não foram completamente inéditos, mas que de alguma forma merecem ser menciona
David Bowie - Nothing Has Changed
Wilco - What's Your 20 Essential Tracks 1994-2014
Caetano Veloso - Multishow Ao Vivo Abraçaço
Leonard Cohen - Live in Dublin
Nat King Cole - The Extraordinary
Gary Clark Jr. - Gary Clark Jr. Live
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
As Melhores Músicas de 2014
O Filho do Blues está sumido mas não está morto! E para preparar vocês para a já tradicional lista de Melhores álbuns do ano - que sairá em breve - deixarei vocês curtindo por uns dias as dez melhores faixas do ano. Divirtam-se!
Jack White - Would You Fight for My Love?
Jack White dá a sequência a sua carreira solo com o disco Lazaretto. "Would You Fight For My Love?" reune tudo de melhor da sua carreira em uma única faixa.
David Bowie - Sue (Or in a Season of Crime)
A única faixa inédita da magnífica coletânea Nothing Has Changed é incrível e aponta para uma nova direção musical de Bowie em relação aos três últimos discos. Pena que só tem uma.
Nação Zumbi - Foi de Amor
"Foi de Amor" traz todo o peso tradicional que conhecemos de Nação Zumbi, em meio a um álbum sonoramente bem mais acessível ao grande público, sem, no entanto, perder a identidade que faz de Nação a melhor banda nacional.
Perfume Genius - Queen
Qualquer música da banda Perfume Genius tem todos os ingredientes para sensibilizar o ouvinte. "Queen" apresenta tudo isso de forma potencializada, muito emotiva, tensa, que faz com que cada verso seja uma cicatriz sendo aberta e curada ao mesmo tempo. Perfeito.
Leo "Bud" Welch - Take Care of Me Lord
O estreante do ano, a revelação que tem 82 anos despejando agora para todo mundo ouvir a energia e o vigor do seu Blues-Gospel. Para lavar a alma e dançar. Desse jeito até eu iria para a Igreja.
Tom Zé - Esquerda, Grana e Direita
Tom Zé destila toda sua sagacidade e gênio nessa faixa que traduz o momento que a sociedade brasileira atravessa, sempre com a irreverência e brilho típico das obras desse genial artista brasileiro.
Damien Rice - It Takes A Lot To Know A Man
Melhor música de seu novo álbum, a épica "It Takes a Lot To Know A Man" faz uma viagem bastante sensível, com uma melodia cativante e uma viagem sonora para fazer você fechar os olhos e acompanhar. Lindo.
Johnny Winter - Death Letter
A lenda do blues Johnny Winter faleceu em 2014 um pouco antes de lançar seu novo disco, Step Back. Nada melhor do que homenageá-lo aqui com esse vídeo de "Death Letter", clássico de Son House, presente no disco.
Christopher Owens - It Comes Back To You
Christopher Owens dá continuidade a sua carreira solo sem parar para respirar por muito tempo. E "It Comes Back To You" apresenta uma sonoridade mais próxima de seu trabalho com a banda Girls, que ainda é o auge de sua carreira.
Joe Bonamassa - Living On The Moon
Muita energia e pegada marcam "Living On The Moon", do novo trabalho de Joe Bonamassa, com tudo o que você pode esperar desse grande guitarrista do blues rock.
Jack White - Would You Fight for My Love?
Jack White dá a sequência a sua carreira solo com o disco Lazaretto. "Would You Fight For My Love?" reune tudo de melhor da sua carreira em uma única faixa.
David Bowie - Sue (Or in a Season of Crime)
A única faixa inédita da magnífica coletânea Nothing Has Changed é incrível e aponta para uma nova direção musical de Bowie em relação aos três últimos discos. Pena que só tem uma.
Nação Zumbi - Foi de Amor
"Foi de Amor" traz todo o peso tradicional que conhecemos de Nação Zumbi, em meio a um álbum sonoramente bem mais acessível ao grande público, sem, no entanto, perder a identidade que faz de Nação a melhor banda nacional.
Perfume Genius - Queen
Qualquer música da banda Perfume Genius tem todos os ingredientes para sensibilizar o ouvinte. "Queen" apresenta tudo isso de forma potencializada, muito emotiva, tensa, que faz com que cada verso seja uma cicatriz sendo aberta e curada ao mesmo tempo. Perfeito.
Leo "Bud" Welch - Take Care of Me Lord
O estreante do ano, a revelação que tem 82 anos despejando agora para todo mundo ouvir a energia e o vigor do seu Blues-Gospel. Para lavar a alma e dançar. Desse jeito até eu iria para a Igreja.
Tom Zé - Esquerda, Grana e Direita
Tom Zé destila toda sua sagacidade e gênio nessa faixa que traduz o momento que a sociedade brasileira atravessa, sempre com a irreverência e brilho típico das obras desse genial artista brasileiro.
Damien Rice - It Takes A Lot To Know A Man
Melhor música de seu novo álbum, a épica "It Takes a Lot To Know A Man" faz uma viagem bastante sensível, com uma melodia cativante e uma viagem sonora para fazer você fechar os olhos e acompanhar. Lindo.
Johnny Winter - Death Letter
A lenda do blues Johnny Winter faleceu em 2014 um pouco antes de lançar seu novo disco, Step Back. Nada melhor do que homenageá-lo aqui com esse vídeo de "Death Letter", clássico de Son House, presente no disco.
Christopher Owens - It Comes Back To You
Christopher Owens dá continuidade a sua carreira solo sem parar para respirar por muito tempo. E "It Comes Back To You" apresenta uma sonoridade mais próxima de seu trabalho com a banda Girls, que ainda é o auge de sua carreira.
Joe Bonamassa - Living On The Moon
Muita energia e pegada marcam "Living On The Moon", do novo trabalho de Joe Bonamassa, com tudo o que você pode esperar desse grande guitarrista do blues rock.
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Resenha: Leo Welch - Sabougla Voices
Já nos primeiros dias do ano, Leo “Bud” Welch apresenta-se para o mundo no auge dos seus 81 anos como um dos sérios candidatos à personalidade e à “revelação” do ano. Nascido e criado em Sabougla, uma pequena cidade na região montanhosa do Mississippi, em 1932, Welch não entrou para a história como um dos grandes bluesman da sua geração. Ele passou mais de trinta anos de sua vida trabalhando em madeireiras durante o dia, enquanto que à noite ele saía para tocar em pequenas festas, piqueniques, festas caseiras, desenvolvendo um estilo cru e direto de blues elétrico. Nos anos setenta, a quantidade de apresentações diminuiu e Leo Welch acabou sendo atraído para a Igreja, fato que possibilitou a perfeita fusão entre os dois estilos que encontramos no seu primeiro registro em estúdio: a apaixonada forma de cantar do gospel com a sujeira e dureza do blues elétrico do Mississippi. E assim Leo “Bud” Welch ia levando sua vida, até que na fase da vida em que a maioria das pessoas está fechando as portas, concluindo etapas, ele decidiu iniciar uma. Ligou para a Big Legal Mess Records e conseguiu uma audiência, após a qual assinou um contrato imediatamente, entrando no estúdio para finalmente gravar seu álbum de estreia, Sabougla Voices.
Nas suas origens, o blues e o gospel sempre foram ligados um ao outro, assim como, posteriormente, o rock n’ roll. Muitos desses ritmos surgiram no seio da Igreja, um dos locais de congregação entre os negros que trabalhavam nas plantações de algodão, e, naturalmente, o blues acabou absorvendo elementos característicos do gospel. Blind Lemon Jefferson, Leadbelly, Sister Rosetta Tharpe, Blind Willie Mctell, Mississippi Fred McDowell, e muitos outros são conhecidos nesse gênero do blues, tocando sua guitarra acústica e cantando hinos em glória a Deus. Aos poucos, devidos a mitos e ao estilo de vida geralmente duvidoso dos cantores de blues, o gênero acabou sendo associado a música do diabo. O encontro de Robert Johnson com o diabo na encruzilhada, por exemplo, é icônico. Mas, no fundo, eles nunca se separaram. E quem prova isso, da melhor forma imaginável, em pleno século XXI, é Leo Welch, que reconecta os elos que estavam perdidos do grande público há anos. Welch diz, sobre o porquê que, agarrando-se a um, nunca deixou o outro de lado: “I believe in the Lord, but the blues speaks to life, too. Blues has a feeling just like gospel; they just don’t have a book (a Bible).”
A intensidade de Leo Welch já impressiona na faixa de abertura, “Praise His Name”, mostrando vigor tanto na voz quanto na forma de tocar as variações do riff na sua guitarra. Os backing vocals, pela banda de apoio Sabougla Voices, estão presente em todo o álbum, numa interação constante com Welch, típico call-and-response do gospel. “You Can’t Hurry God” é ainda mais irresistível, com um piano sensacional. “Me And My Lord”, pelo contrário, é mais solta e no violão e os backing vocals dão um tom congregacional tão grande que parece que o mundo inteiro está cantando junto, sensação que continua com “Take Care of Me Lord”, mas agora com um destaque especial para a voz de Welch, com uma comoção sincera e intensa.
“Mother Loves Her Children” é outro ótimo blues acústico e mostra, liricamente, um dos seus melhores momentos, sobre o amor materno incondicional. “Praying Time” é, sem dúvida, um dos grandes destaques de Sabougla Voices e é impossível não se sentir transportado para uma Igreja, com todo mundo batendo palmas e dançando desesperadamente. Uma Igreja dessas com certeza eu frequentaria. Sensacional. “Somebody Touched Me” é mais ritmada, mas também muito dançante, possuindo também alguns tímidos, quase inaudíveis arranjos bem interessantes. Já “A Long Journey”, por sua vez, é um divino blues lento, onde Welch mostra um forte domínio vocal, no qual ele coloca toda sua alma. “His Holy Name” a Igreja volta a virar pista de dança para dar glória ao Seu santo nome e, por fim, Welch se despede solitariamente, no violão, com “The Lord Will Make A Way”, lembrando o blues-gospel mais tradicional dos seus antecessores.
Acesse este link para ouvir o stream de Sabougla Voices na íntegra.
A vantagem de lançar o álbum de estréia depois de décadas de atividade é que o artista já se apresenta no auge de sua forma, maduro, sabe exatamente o que fazer o porquê fazê-lo. Sabougla Voices é uma maravilha nos três sentidos, tanto na curiosa história do seu mentor, pela qualidade e honestidade das próprias músicas e pela fusão original e autêntica entre o melhor do blues e o melhor do gospel. Salve Leo “Bud” Welch! Que seja o primeiro de muitos ainda, com a graça do seu Deus!
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