quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O ano em que os heróis da guitarra penduraram suas guitarras Pt. II



Eddie Vedder lançou o “Ukulele Songs” em 2011, que é somente ele e o ukulele, um instrumento havaiano semelhante ao cavaquinho brasileiro e distribui através de 16 músicas as mesmas belíssimas melodias e letras de sempre. Ao que tudo indica, Eddie Vedder começou a tocar ukulele no início dos anos 2000 e no álbum Binaural, do Pearl Jam saiu a música “Soon Forget”, somente Eddie e seu instrumento.


Desde então ele tem se aventurado e tocando alguns shows solo, com o Ukulele, até que foi chamado pra fazer a trilha sonora do filme ótimo Na Natureza Selvagem (Into the Wild) em 2007, com algumas músicas no ukulele. “Ukulele Songs” é belo. Se não está acostumado com o ukulele, pode parecer estranho, mas logo as músicas tomam forma, conjunto e força, principalmente melodicamente. "Can’t Keep", velha conhecida dos fãs de Pearl Jam, do álbum Riot Act (2002) está presente em sua versão ukulelelizada. O que fica bem interessante é que as letras de Eddie Vedder estão bem depressivas, sobre perdas amorosas e solidão, antagonizando com o som do ukulele, que normalmente é usado em músicas agitadas e alegres. Outros pontos altos são as faixas “Sleeping By Myself”, “Broken Heart” e “Longing to Belong”.
“Ukulele Songs” também conta com algumas participações especiais, como Glen Hansard, do The Frames e The Swell Season, e a belíssima Cat Power e sua voz maravilhosa, devolvendo a cortesia a Eddie Vedder, que participou de seu álbum “You Are Free”, de 2003.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O ano em que os heróis da guitarra penduraram suas guitarras - Part I

Tem muita coisa boa rolando para quem gosta de rock alternativo. Cada semana são lançados vários álbuns de bandas famosas ou desconhecidas. Mas poucas dispõem de um status intocável, com uma legião de fãs fiés e incondicionais. Sonic Youth, Dinosaur Jr. e Pearl Jam são algumas delas. Sonic Youth e Dinosaur Jr. são semideuses para o indie (Velvet Underground e Neil Young são os deuses) e Pearl Jam, juntamente com Nirvana, deu um toque mais popular e alcançou um público bem maior para o gênero, sobretudo no início da década de 90, com o grunge. Após esses anos de auge comercial, Eddie Vedder e companhia entraram no ostracismo consentido do underground. Com Sonic Youth e Dinosaur Jr é um pouco diferente, sempre estiveram no underground, sendo duas das poucas bandas alternativas que não se separaram, como Pixies (apesar da reunião recente), Jesus and Mary Chains, Pavment, entre outras, e ainda fazem um som maravilhoso até os dias de hoje.

Mas o que essas três bandas tem em comum com o ano de 2011? Seus respectivos líderes lançaram álbuns solo. Eddie Vedder, J Mascis e Thurston Moore. Esses dois últimos são conhecidos como guitar heroes, pois em suas bandas sempre se sobressaem com trabalhos muito interessantes na guitarra, como solos incríveis e barulhos amplificados melodiosos. Eu sei, Eddie Vedder não é um guitarrista primoroso e em várias músicas nem toca guitarra, mas é um ídolo e referência tão grande como Mascis e Moore. Portanto, o que o novo trabalho solo dos três tem em comum? Todos eles penduraram a guitarra.

Nos próximos posts, irei falar do trabalho de cada um deles, “Ukulele Songs”, de Eddie Vedder”, “Demolished Thoughts” de Thurston Moore e “Several Shades of Why”, de J Mascis.


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

PJ20 Destination Weekend II


Não podia ser diferente. A segunda noite do festival PJ20 Destination Weekend foi mágica. Claro, não estava lá, mas acompanhei ao vivo graças a Gary, que não sei quem é, mas transmitiu o show inteiro pelo seu celular Android (valeu tecnologia!). Bem, a qualidade de vídeo era zero, mas o áudio dava pra escutar razoavelmente bem. Então pude ter uma “visão” direta do público.
É difícil uma banda ter uma fidelidade, um companheirismo e de certa forma, intimidade, com seus fãs como Pearl Jam tem. Pelo twitter, através da hashtag #PJ20, os fãs presentes mandavam as notícias para o restante do mundo. Várias pessoas mandaram “eita, acabei de encontrar Matt Cameron passando aqui” ou então “apertei a mão de Mike McCready!” Mas vamos ao festival. Novamente, os shows de Mudhoney, Queens of The Stone Age e Strokes antecederam a atração maior da noite. Mas antes do show, os integrantes de Pearl Jam ficaram passeando e fazendo participações em shows. Mike e Stone participavam de um, Matt de outro, Eddie também. Dentre essas participações, a mais interessante foi Eddie Vedder tocar com Queens of The Stone Age a música “Little Sister”.
Depois do show histórico da primeira noite, a espera pra saber qual seria a setlist da segunda era grande. E eles não decepcionaram. Repetiram apenas duas canções. Abriram dessa vez com “Wash”, B-side da era de Tem, que foi lançada em Lost Dogs. A coletânea de B-sides foi inclusive muito utilizada nesses dois shows. Se na noite anterior teve “Breath”, “Education”, “In The Moonlight”, nessa segunda noite teve “All Night” e “Leatherman”. Teve também uma leve passagem pelos anos recentes, com “The Fixer” e “Severed Hand” e a brilhante “Unthought Known”.
“Daughter” teve como tag a maravilhosa “Its Ok”, que fazia anos que não tocavam. E para satisfazer um pouco os fãs de Ten, eles soltaram “Even Flow” e como sempre, Mike McCready quebrou tudo.
Julian Casablancas entrou novamente para participar, dessa vez de “Red Mosquito”. Se no show anterior teve a surpresa de “Push Me Pull Me”, ficou aogra por conta da homenagem a Jeff Ament, tocando “Pilate”. “Eldery Woman...” foi um pedido especial do filho de George Harrison, que subiu ao palco e tocou com eles. Teve também participação de John Doe, da banda X, que inclusive vai abrir na turnê pela América do Sul. A música foi a cover de X “The New World”. É possível esperar uma repetição dessa parceria nos shows do Brasil. E depois eles soltaram dueto de Tem, com “Black” para delírio geral, seguida por “Jeremy”.
Mais uma surpresa. Após a primeira pausa, Eddie volta com seu violão e anuncia que vai tocar uma música nova, que os fãs colocaram o nome de “So Glad We Made It”, por causa da letra, e depois emenda com a belíssima “Just Breath”. Pra confirmar o momento casal agarrado do show, tocou “Nothingman”. Depois de alguma conversa com o público, surpreendem de novo ao tocar “No Way”, do álbum Yield, de 1998, raríssima ao vivo. “Smile” empolgou principalmente Gary, empunhando o celular, que ficou cantando junto. E depois quebraram tudo com “Spin The Black Circle” e depois foi para a segunda pausa, enquanto Gary e seus amigos faziam coro pedindo “Dirty Frank” e dando uma palhinha de “Poker Face” de Lady Gaga. Hilário.
Após vários rumores durante o dia de que Neil Young ou Pete Townshend fariam participações especiais, fiquei ansioso para quem seria. E foi Chris Cornell, de novo. Tocou “Hunger Striker”, “Reach Down” únicas que foram repetidas nos dois shows e “Call me a Dog” e “All Night Thing” todas de Temple of The Dog. Depois da reunião, Eddie chamou Mudhoney para o palco e tocou uma versão explosiva de “Sonic Reducer”, perfeito.
Depois da terceira pausa, soltaram “Alive”, que estava faltando, depois de um começo falso, pra brincar com o público. Nos shows ao vivo, o solo de Mike no final fica mais incrível do que a própria música. E mostrando que infelizmente os rumores eram falsos, tocaram “Rockin’ in The Free World” sem Neil Young, mas com todos os convidados no palco, foi sensacional. Todos achavam que tinha acabado, quando voltaram com “Yellow Ledbetter”, fechando o show com aproximadamente 3 horas de música rolando. Esses quarentões ainda tem muita energia pra gastar.
Esses dois shows e o festival em si, foram uma festa que a própria banda merecia. E em relação aos próprios shows, foi perfeito para uma comemoração de aniversário da banda de 20 anos. Englobou toda sua carreira, tocou clássicos, tocou super raridades, grandes covers. Tudo o que um fã de Pearl Jam espera da melhor banda ao vivo que existe. E os fãs são os melhores para Pearl Jam e para eles mesmos, que o diga o nosso salvador, Gary!
Agora é só aguardar o lançamento do documentário PJ20, enquanto eles não desembarcam no Brasil.
Em breve fotos e vídeos do show.

domingo, 4 de setembro de 2011

PJ20 Destination Weekend I

Iniciou ontem o festival PJ20 Destinaiton Weeked, em comemoração aos 20 anos da banda Pearl Jam. As atrações do festival são incríveis. O show começou com a legendária banda Mudhoney, amigos de longa data de Eddie Vedder e companhia, participando inclusive da banda embrião de Pearl Jam e da própria Mudhoney, a Green River, que tinha Mark Arm, Steve Turner, do Mudhoney e Stone Gossard e Jeff Ament, do Pearl Jam. Além disso, Mudhoney fez várias turnês de suporte a Pearl Jam, inclusive quando eles vieram para o Brasil em 2005. Era uma presença obrigatória no festival. Depois subiram ao palco nada menos que Queens of The Stone Age e The Strokes. Mas o astro da noite mesmo era Pearl Jam. E confirmou quando subiram no palco.
Somente posso analisar o show através da setlist e das participações especiais, pois não estava lá, infelizmente. Mas como fã de longa data de Pearl Jam, que acompanha as turnês e tudo mais, posso dizer que foi um dos melhores shows. Se não o melhor, talvez o mais especial. E é nesse quesito que entra para mim o fator diferencial de Pearl Jam para qualquer outra banda em atividade no mundo atualmente.
Quando se pensa em um show comemorativo por 20 anos de uma banda, imagina-se logo o setlist repleto dos maiores hits e sucessos da história da banda. Qualquer uma faria isso, menos Pearl Jam. O público presente tem visto Pearl Jam através das duas décadas, de todas as turnês. Que recompensa, que diferencial fazer um show tocando sempre aquelas músicas que eles tocaram milhares de vezes? Além de um presente aos fãs, eles presenteiam-se a si mesmos. Eles, acima de tudo, querem se divertir. Juntar-se no palco com seus amigos, tocar músicas juntos, tocar músicas que poucas vezes tocaram, sentir o público vibrar com essas músicas que, mesmo tendo visto dezenas de shows de Pearl Jam, nunca ouviu aquela música.
E é disso que se trata de um de Pearl Jam. Diversão mútua. Começou quando Eddie Vedder se juntou aos Strokes para cantar junto com Casablancas “Juicebox”. A qualidade não está das melhores, mas ai está o vídeo:
Mas vamos continuar com o show de Pearl Jam. Abriu o show com “Release”, de Ten e passou para a cover “Arms Aloft”, que saiu no álbum ao vivo Live On Ten Legs. Foi tocada a que pra mim é a melhor música deles, “In My Tree” (eles tem que tocar essa em São Paulo) e depois de “Faithfull” começou as participações. “Who You Are” Liam Finn, John Doe e o baterista de Mudhoney, Dan Peters, se juntaram ao coro. Depois teve a raríssima “Push Me, Pull Me”, dou minha vida apostando que essa pegou todos os presentes surpresos. Teve ainda “Setting Forth”, música de Eddie Vedder que saiu na trilha sonora de Into The Wilde e depois, participação de Julian Casablancas em “Not For You”. Se não era o bastante, Eddie convocou ao palco Josh Homme, frontman do Queens Of The Stone Age, para tocar a inesperada “In The Moonlight”, B-Side que foi lançada em Lost Dogs, de 2003. Teve ainda a presença de “helphelp” de Riot Act (2002), tocadas poucas vezes ao vivo. Teve a volta ao grunge com “Breath” e “Deep” e mais uma surpresa com “Education”, com participação de Liam Finn. Depois outro returno ao início da década de 90 com “State of Love And Trust” com Dhani Harrison, e “Once”.



Então teve o primeiro Encore e após “Rearviewmirror” veio a verdadeira surpresa. Chris Cornell foi chamado ao palco e a partir daí todos sabiam que seria a reunião de Temple of The Dog, banda que foi formada em 1990, junção de Pearl Jam e Soundgarden, para homenagear Andrew Wood, vocalista da Mother Love Bone, banda anterior de Stone e Jeff. Foram três músicas do Temple of the Dog,“Say Hello 2 Heaven” “Reach Down”, e a clássica “Hunger Strike” e "Stardog Champion" do Mother Love Bone.
Depois veio a maravilhosa cover “Love, Reign O’er Me” do The Who e, para fechar, Mark Arm e Steve Turner do Mudhoney subiram ao palco para tocar a versão de “Kick Out The Jams”, do MC5.

Uma palavra para definir esse show: Histórico.




sábado, 3 de setembro de 2011

Audição por 24 horas do novo álbum de Wilco


Wilco está para lançar o seu nono álbum da carreira, cujo título será “The Whole Love”, a ser lançado no dia 27 de setembro. Mas Jeff Tweedy e companhia entenderam a ansiedade dos fãs e resolveram disponibilizar hoje através do site oficial da banda (http://wilcoworld.net/twlsplash/#) a audição gratuita do álbum, durante 24 horas. A transmissão terá início às 14 horas (horário de Brasília).

Já saiu pela internet o primeiro single do álbum, chamado “I Might”, que segue a linha mais animada da banda e que tem como B-side a cover de Nick Lowes, “I Love My Label”. Segue abaixo as duas faixas para ficarmos curtindo, enquanto esperamos mais algumas horas para finalmente serem desvendados os mistérios das 11 faixas restantes.

“I Might”

“I Love My Label”

O tracklist do álbum é:

1- Art Of Almost

2- I Might

3- Sunloathe

4- Dawned On Me

5- Black Moon

6- Born Alone

7- Open Mind

8- Capital City

9- Standing O

10- Rising Red Lung

11- Whole Love

12- One Sunday Morning (Song for Jane Smiley’s Boyfriend)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

The Pains Of Being Pure At Heart - Belong




O post de hoje é para uma banda com um nome bem não convencional. The Pains of Being Pure At Heart. Não é o nome de uma música, nem de um album. É da banda mesmo, que lançou esse ano o ótimo Belong. Esse é o segundo álbum desses jovens músicos de Nova Iorque, que fazem um som bem peculiar. Há neles um pouco das vozes melódicas de Teenage Fanclub e das pinturas guitarrísticas de My Blood Valentine.
O primeiro álbum, homônimo, lançado em 2009, é bem mais underground no sentido da produção em si. Em Belong, eles se juntaram com os produtores Flood e Alan Moulder, que produziram várias bandas clássicas dos anos 90, como Smashing Pumpkins, U2, PJ Harvey, dentre outros. O resultado foi o ingrediente que estava faltando para a banda estourar. O estilo das músicas do primeiro e segundo álbum é parecido. Belong não é aquela sequência divisora de águas em relação ao som, mas a carreira deles nunca mais será a mesma. A impressão que dá é que em Belong as composições foram mais pensadas e planejadas. Não há lacunas, o álbum é completo e forte e com o som mais limpo, ficou possível perceber detalhes e sonoridades que passavam despercebidos no primeiro álbum.

As três primeiras músicas são de tirar o fôlego. “Belong”, a faixa de abertura, já mostra o peso das guitarras cruzando com o vocal melodioso de Kip Berman. “Heavens Gonna Happen Now” continua o que foi introduzido na antecessora e acrescenta um refrão que marca. “Heart In Your Heartbreak”, tem a batida mais animadinha do álbum, mas o vocal meio que distorcido ainda transborda com aquela tristeza profunda, mas disfarçada, sobretudo nos finais dos versos, antes do refrão, que inclusive também de se cantar junto já na primeira ouvida. “Even in Dreams” é linda, um dos pontos altos do álbum, com seu refrão ao mesmo tempo majestoso e pesado. “Too Tough” é talvez o ponto mais alto do álbum, com Kip Merman quase desabando através do refrão: "You're too tough to say that it's all to much"
Belong é uma agradabilíssima surpresa dessa banda que está apenas começando agora e que com certeza ainda tem muito a mostrar.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Duetos I

Quando dois grandes artistas se juntam para fazer uma música ou um álbum juntos, a gente já cria uma expectativa para o resultado. Até mesmo quando apenas um deles é famoso, fica-se na incógnita do que esperar. O fato é que há muitos registros que ficaram marcados na história de cantores e cantoras que se juntam e formam uma peça majestosa. Antes do Rock nascer, isso era mais comum. Um desses trabalhos que marcou época, e até nos dias de hoje, permanece para mim como o melhor dueto homem-mulher da história, é Ella Fitzgerald & Louis Armstrong, que gravam alguns álbuns inteiros juntos. Daí veio essa versão divina da música “Let's Call The Whole Thing Off”.

Outra de Louis Armstrong é “St. Loius Blues”, de W. C. Handy, com a cantora Velma Middletown. O resultado é de tirar qualquer respiração.

A voz rústica de Armstrong forma um paradoxo sublime com as vozes delicadas de Ella e Velma. Talvez seja isso que faça de Louis Armstrong o Rei dos Duetos.

Outro grande cantor que fez um dueto histórico foi nada mais nada menos que Frank Sinatra, que cantou “Something Stupid” com a própria filha, Nancy Sinatra. Marcou várias gerações e continua marcando nos dias de hoje.

Se tem outros duetos homem-mulher marcantes, deixe o nome nos comentários.