segunda-feira, 30 de setembro de 2013

David Bowie anuncia versão de The Next Day com 3 discos


Calma, respire e prepare seu coração, até porque é exatamente isso que estou fazendo agora. Cada vez que reporto uma notícia sobre David Bowie, sempre falo: “se você achava que já era tudo, estava enganado”. Pois bem, se você achava que um súbito álbum inédito depois de quase dez anos, um documentário especial da BBC sobre cinco anos marcantes de sua carreira e a participação especial numa faixa no novo trabalho de Arcade Fire tinha esgotado todas as cartas que David Bowie tinha na manga, é com prazer que mais uma vez eu repito: tu – ele – nós – vós – eles – todos nos enganamos novamente.

David Bowie acaba de anunciar através de seu perfil oficial no facebook o lançamento de uma edição especial de The Next Day, com três discos. O primeiro é contém a tracklist original. O segundo disco contém várias faixas bônus, das quais quatro são totalmente inéditas, duas novas mixagens e as que já haviam sido bônus no primeiro lançamento de The Next Day. Essa nova versão de The Next Day está programada para sair em novembro. Confira a tracklist do disco extra:

01 Atomica
02 Love Is Lost (Hello Steve Reich Mix by James Murphy for The DFA)
03 Plan
04 The Informer
05 Like A Rocket Man
06 Born In A UFO
07 I’d Rather Be High (Venetian Mix)
08 I’ll Take You There
09 God Bless The Girl
10 So She


domingo, 29 de setembro de 2013

Assista ao especial Here Comes The Night Time, de Arcade Fire


Como já era esperado, saiu na net o especial de quase meia hora que Arcade Fire gravou para o Saturday Night Live, no qual apresentou mais três novas canções do tão esperado disco Reflektor. Dentre elas, os grandes destaques vão principalmente para “Here Comes The Night Time” e “Normal Person”, bem pesada e até agora sendo a que mais lembra o estilo anterior da banda. Confira o especial na íntegra, se quiser baixar as novas músicas, o perfil oficial de Arcade Fire postou um link com as mp3. Portanto aproveite enquanto pode:


Arcade Fire tocam "Reflektor" e "Afterlife", do novo álbum, no Saturday Night Live



Arcade Fire foi a atração musical no programa Saturday Night Live de ontem, que já iniciou a nova temporada com tudo, afinal, nesses dois meses antecedendo o lançamento do novo álbum Reflektor, todas as atenções estão voltadas para as novidades em torno do álbum. Pois bem, ontem a banda tocou duas músicas do novo trabalho, uma delas a já conhecida “Reflektor” e a outra até então inédita, chamada “Afterlife”. Também irá ao ar um especial de meia hora com uma apresentação de Arcade Fire, chamado Here Comes The Night Time, no qual se dará a estréia de mais três canções de Reflektor, “Here Comes The Night Time”, “We Exit” e “Normal Person”. Ficaremos de olho!


 
Arcade Fire - Afterlife [SNL] por eidurrasmussen


Arcade Fire - Reflektor [SNL] por eidurrasmussen

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Resenha de Mark Lanegan - Imitations


Não é raro ver por ai Mark Lanegan como um peregrino da música, afinal, a carreira dele é para poucos, tão espalhada e diversificada que chega a ser difícil defini-lo apenas por um estilo. Talvez por isso ele já tenha conquistado um lugar especial na cena alternativa. Em pouco mais de vinte anos, Lanegan já foi um ícone do rock alternativo do Screaming Trees para depois embarcar numa bem sucedida carreira solo, com alguns discos bem sólidos, como Whiskey for The Holy Ghost, de 1994, I’ll Take Care Of You, de 1999 e Bubblegum, de 2004. Entre esses, que podem ser considerados marcos de sua carreira solo, tem também parcerias muito interessantes com a cantora indie-folk Isobel Campbell, integrante da banda Belle & Sebastian, como Sunday at Devil Dirt, de 2008 e Hawk, de 2010. Também tem a emblemática colaboração que Lanegan deu para alguns álbuns do Queens Of The Stone Age, mais notadamente Songs for The Deaf, de 2002 e Lullabies to Paralyze de 2005. Essas são apenas algumas das facetas artísticas de Lanegan. 





Diante de tudo isso, é natural indagar de onde surgiram as inspirações para tantas peregrinações nômades. Bem, Imitations, novo disco de Lanegan, pode ser considerada uma resposta a essas indagações. Com doze faixas, nas quais Lanegan reinterpreta diversas músicas tradicionais e que o marcaram tanto na infância quanto nos anos recentes, de artistas que ainda estão na atividade. As músicas estão apresentadas num formato leve, bem no estilo acústico já conhecido de Lanegan. Alguns dos destaques vão certamente para as belíssimas versões de “You Only Live Twice”, de Nancy Sinatra, e “Pretty Colors”, do outro Sinatra, o Frank. Ainda dentre os artistas antigos, outra que chama bastante atenção é “Mack The Knife”, com um formato muito interessante, apenas com Lanegan e seu violão, dando seu tom melancólico na outrora toda orquestrada e dançante. O cantor Andy Willams é, sem dúvida, o mais homenageado, com versões de três de suas canções, “Solitaire”, “Lonely Street” e “Autumn Leaves”, destaque para esta última, que também trata de fechar o álbum. 




Já no tocante às músicas mais recentes, também vemos números bem interessantes, destacando-se principalmente “I’m Not The Loving Kind”, originalmente de John Cale e primeiro single do trabalho, com um som mais orquestrado e tradicional. “Brompton Oratory”, de Nick Cave, faz justiça à versão original e não tem pretensão de acrescentar mais nada. Ainda dá tempo para Lanegan dar uma canja no francês, na belíssima “Elégie Funèbre”, de Manset.

Imitations é, por fim, um tributo que Lanegan faz às suas inspirações, uma viagem direto para suas raízes musicais, tal como Sir Paul McCartney fez no ano passado, com Kisses On The Bottom. Ao final de Imitations, portanto, o ouvinte termina por entender um pouco mais desse espírito aventureiro e do quebra-cabeça que já caracteriza Mark Lanegan e seus trabalhos.


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Assista ao novo clipe de Mudhoney, "The Only Son of The Widow From Nain"



A comemoração dos 25 anos de carreira do Mudhoney tem sido bem especial, começando com o lançamento de um disco inédito, Vanishing Point, o nono da banda, e uma apresentação no topo do ícone de Seattle, o Space Needle. Para dar continuidade às festividades, a banda lançou um novo clipe, para a ótima faixa “The Only Son of the Widow From Nain”, do seu novo álbum. O clipe se passa dentre de um hospital e é loucura pura, através da ressurreição de um paciente e sua desesperada fuga dos monstros cheios de agulhas. Confira:



quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Resenha Manic Street Preachers - Rewind The Film


Envelhecer é um tabu para todo mundo e, na música, a regra não poderia ser diferente. É uma etapa natural do ciclo de vida de uma banda ou de um artista e alguns deles sabem lidar muito bem com isso, enquanto outros tentam de qualquer forma se prender às fórmulas que funcionaram no passado, mas que não se encaixam mais nessa nova disposição, às vezes tanto externa quanto interna. O caso mais recente que podemos identificar é o novo disco da grande banda galesa Manic Street Preachers, que chega ao seu décimo primeiro disco, Rewind The Film, claramente na meia idade. Mas engana-se quem acha que é uma crise da meia idade. No máximo, pode ser considerado como o descobrimento de uma nova identidade, a qual eles decidiram agora dedicar um espaço maior para ver no que dá.

Para entender totalmente essa relação com o envelhecimento, é necessário conhecer a carreira do Manic Street Preachers, conhecida pela energia, violência, geralmente com veia política,e vigor no som e nas letras com muita sagacidade. Rewind The Film quebra a norma em relação às primeiras características, mas, quanto às letras, continuam tão afiadas como nunca. Rewind The Film também conta com participações especiais em algumas faixas, como Richard Hawley, Lucy Rose, e, a melhor de todas, a cantora conterrânea do País de Gales, Cate Le Bon. Mas vamos voltar o filme de Rewind The FIlm até o começo. Sem trocadilhos.



A faixa inicial apresenta já uma colaboração, da jovem cantora Lucy Rose, que faz o backing vocal e um trecho do refrão. Logo de começo, James Dean Bradfield faz a forte declaração introdutória: “I don't want my children to grow up like me”, e começa mais uma crítica à nossa vida em sociedade, enquanto vai dedilhando no violão. Embora tenha algumas diferenças, Rewind The Film foi concebido como um álbum “acústico”, enquanto no mesmo período a banda compôs outro disco, ainda sem título nem data de lançamento, com o seu som tradicional. “Show Me The Wonder”, o já conhecido primeiro single do disco, apresenta o lado mais brilhante e positivo de Rewind The Film. A letra conta com uma  polêmica regional, enquanto gauleses: “we may write in English, but our truth lays in Wales”. A faixa que dá título ao album, “Rewind The Film”, também já é conhecida e conta com a participação de Richard Hawley, cantando uma parte da música. Mesmo tendo sido revelado o conteúdo restante do álbum, ela permanece sendo ainda uma das melhores, com seu emocionado clima nostálgico. Belíssimo. 

Sinos apresentam “Builder of Routines” e depois entra no refrão com a batida meio blues. A próxima participação é a da belíssima Cate Le Bon, que felizmente ficou com o papel principal em “4 Lonely Roads”, podendo soltar sua bela e delicada voz. Muito boa também a letra e o ritmo, com as rimas. “(I Miss the) Tokyo Skyline” é uma das que estão mais bem arranjadas, contando inclusive com violinos e tímidos efeitos eletrônicos. Já “Anthem For A Lost Cause”, que também é bem orquestrada e arranjada, inclusive de forma bem melhor que a anterior,é outra que parece focada no blues, sobretudo no refrão, que lembra um pouco “Postcards From A Young Man”. O piano toma conta da romântica “As Holy As The Soil (That Buries Your Skin)”, com a letra cheia de declarações máximas de amor. O título assustador de “3 Ways To See Despair”, mostra uma pessoa calejada e cansada que já passou pelas três formas de se ver o desespero, mas que é melhor se preparar para a queda, já que vem um quarto por ai, quase como uma oração. Aparece aqui um dos raros solos de guitarra. Em mais um daqueles versos de sangrar, Bradfield decreta: “I'm no longer the centre of the universe/ a bare admission that makes it seem worse”.  



O desespero e desilusão continuam em “Running Out of Fantasy”, dedilhada delicadamente no violão. A instrumental “Manorbier” encaminha o disco para o seu final, que chega com a ácida “30-Year War”, e suas influências eletrônicas, certamente uma das mais intensas em se tratando do conjunto de Rewind The Film, com Bradfield instigando sua audiência com o “i ask you again what is to be done?”.

Por fim, Rewind The Filme é realmente localizada na meia idade do Manic Street Preachers, que como a própria banda definiu em “Builder of Routines”: “in between acceptance and rage”. As duas facetas da banda. Em Rewind The Film eles resolveram aceitar esse lado mais sociável e adulto de suas composições, mesmo sem perder a revolta e a densidade na carga de suas letras, em detrimento do som mais cru e enérgico dos trabalhos anteriores, dos quais a banda é internacionalmente reconhecida. Pode não ser o melhor trabalho da banda, mas certamente há momentos aqui que fazem essa experiência ter valido muito a pena, além de abrir mais ainda um caminho sonoro para a banda.


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Reveja os destaques da segunda semana do Rock In Rio


O segundo fim de semana começou com o tão esperado dia do metal, na quinta feira, com a promessa de mais um grande show do Metallica, headline da noite, que retornava a um evento gigantesco apenas dois anos da última visita, para o mesmo Rock In Rio. Além do Metallica, outros nomes de peso compuseram a programação, tais como Sepultura e Alice In Chains. Entre eles figurava um nome desconhecido e que dava todas as pintas que era apenas mais uma banda de metal, uma tal de Ghost (ou Ghost B.C – nome utilizado nos Estados Unidos, devido a direitos autorais). No entanto, assim como o dia do metal da edição de 2011 o destaque para mim foi a surpresa da banda Coheed and Cambria, misturando alternativo e rock pesado, o grande destaque da atual edição também ficou por conta de uma surpresa.




No dia do metal, quem tomou para si o papel de realizar o que é proposto pelo estilo foi uma banda que não é puramente de metal. Ghost B.C.. apesar de todas as controvérsias, foi de longe a mais interessante da noite, dando o efeito que é sempre natural ao metal. A partir do momento que a banda começa a tocar, apresenta um som cheio de riffs, com uma voz delicada e melódica. Diante de um mercado artístico onde muitas vezes a personalidade vale mais do que a música, nenhum integrante da banda divulga seu nome verdadeiro e apenas o vocalista se apresenta com o pseudônimo de Papa Emeritus II, com o visual de um Santo Padre demoníaco. A questão vai além do fato de ser satânico ou não, mas sim levar a polêmica, levantar a discussão, questionar valores dominantes religiosos, uma representação artística de uma “realidade” oposta. Além de ser esteticamente muito corajoso e interessante a configuração que a banda coloca no palco. Sendo também divertidíssimo, principalmente imaginando a cara dos crentes que colocarem os olhos neles. Por sinal, quem quiser rir um pouco, procurem nos sites religiosos comentários referentes a esse show. Impagável. Não é uma banda que, da minha parte, ficarei acompanhando de perto, mas é, sem dúvida, uma banda interessante.





Quanto aos outros shows da noite, farei comentários curtos, até por que ambas as atrações já tocaram no Brasil há relativamente pouco tempo, o que tira um pouco a surpresa e a empolgação da coisa. Inclusive, esse é um dos grandes pecados do Rock In Rio. Inúmeras atrações não acrescentaram particularmente nada de novo, de diferente. Alice In Chains fez seu show tranquilamente, no qual, claro, os destaques ficaram com os hits de quando a banda ainda tinha a alma de Layne Staley. Serei logo radical dizendo que Alice In Chains deveria ter morrido com Layne. Mas, enfim, ainda dá para experimentar alguns bons momentos, sobretudo com a sequência final “Down In A Hole”, “Would?” e “Rooster”. E, por fim, Metallica retornou ao Rock In Rio com praticamente o mesmo show de 2011. A diferença é que na primeira ocasião o show foi eletrizante e conseguiu dominar o público do início ao fim. Dessa vez, sobretudo no início do show, parecia estar faltando algo, não em relação às músicas escolhidas, contando com “Master of Puppets” como a segunda faixa, mas o fato é que não conseguiu levantar o público da mesma forma que dois anos atrás.




Na sexta havia apenas uma atração que me chamou atenção e, infelizmente, foi exatamente ela que eu não consegui assistir. Atração que fechou o Palco Sunset, Ben Harper e Charlie Musselwhite teria o papel de fazer o deles o melhor show da noite levando o blues de altíssima qualidade ao Rock in Rio. Dois fatos contribuíram para que eu não conseguisse assistir: uns pirralhas estavam jogando futebol na frente de casa e conseguiram dar uma bolada exatamente em cima da antena da TV por assinatura. Resultado: sem sinal nenhum e totalmente refém da programação global. Ninguém merece. Estava contando que alguém gravasse o show pela transmissão da Multishow e postasse depois no youtube, mas, como eles fecharam o Palco Sunset e, durante o show, estava começando o primeiro show do Palco Mundo – pasmem – Frejat, interromperam a transmissão para cobrir integralmente a apresentação dele. Enfim, pelo setlist o show parece ter sido ótimo, pegando as grandes canções do disco que lançaram juntos esse ano, Get Up. E algumas da carreira de Charlie.




Mas a grande atração mesmo, não apenas do sábado, mas de toda a quinta edição do Rock In Rio era o norte-americano Bruce Springsteen, headline do sábado no Palco Mundo. Antes dele, John Mayer fez um show com domínio completo do público, na maioria feminino. De sua apresentação, sem dúvida um grande momento foi a faixa de encerramento, “Gravity”, com uma execução impecável e um solo incrível de guitarra. Mas, se a impressão é que esse foi um grande show, é porque o seguinte ainda não havia começado. E nem uma das melhores expectativas não seria o bastante para o que de fato foi o show, com quase três horas de duração, com Bruce parecendo um menino, correndo, gritando, pulando pra cima do público, chamando pessoas para o palco e botando uma criança para cantar. Incrível.



Foram vários momentos marcantes para apontar todos aqui, o ideal mesmo é ver e rever esse show que, sem dúvida, entrou no hall dos grandes shows do festival. Vou mais além e diria que foi o show mais marcante da história do Rock in Rio. A começar pela faixa de abertura, que já havia sido ensaiada no show em São Paulo três dias antes, com o cover do mito Raul Seixas, “Sociedade Alternativa”. A intensidade de Bruce era tamanha que na terceira música parecia que ele estava esgotado. Ledo engano. Em cada número aumentava em energia e intensidade. A banda E Street Band também é impecável, cada um dos seus integrantes, e é admirável como Bruce faz para que cada um tenha seu momento especial, colocando-se como apenas um integrante como todos os outros e não a estrela principal. Sem dúvida, a execução do clássico álbum Born In The USA, de 1984, foi uma surpresa muito agradável, principalmente porque as versões ao vivo são despidas de todos os vícios oitentistas na versão de estúdio. Depois de 25 músicas e terminando com a cover de Beatles “Twist And Shout”, para o delírio geral, e, tendo a Multishow dando como encerrada a transmissão de acordo com o setlist anunciado pela banda, Bruce volta sozinho para o palco e toca ainda “This Hard Land”. E termina de vez o show que, para mim, deu por encerrado o Rock In Rio. Abaixo segue o áudio do show, assim que estiver disponível o vídeo na íntegra eu colocarei aqui para vocês: (vídeo devidamente postado)