terça-feira, 24 de março de 2015

Resenha de Joe Bonamassa - Muddy Wolf


Assim como é impossível falar de Rock sem mencionar The Beatles e Rolling Stones, por exemplo, é inconcebível alguém referir-se ao blues sem tocar nos nomes de Muddy Waters e Howlin’ Wolf, provavelmente as duas maiores lendas do gênero musical. E para ratificar esse status, o guitarrista Joe Bonamassa resolveu fazer uma homenagem mais do que especial e merecida para os dois artistas que moldaram não só o blues, mas o próprio rock, através dos já referidos Beatles e Stones, sem falar em Eric Clapton, Led Zeppelin, e por aí vai.

Joe Bonamassa acaba de lançar em CD e DVD Muddy Wolf, resultado do show que ele fez no Red Rocks, em agosto de 2014, no qual ele tocou clássicos de ambos os músicos. Dividindo a apresentação em dois sets (o primeiro dedicado a Muddy Waters e o segundo a Howlin’ Wolf), Bonamassa utiliza de um recurso interessante no começo de cada um deles. Primeiro, depois de uma breve nota introdutória e histórica sobre a importância dos dois para o blues, coloca um áudio original de Muddy Waters falando um pouco sobre sua história; logo em seguida, o próprio Muddy inicia “Tiger In Your Tank”. É aí que Joe Bonamassa aproveita o gancho e começa a sua versão, com uma pegada incrível de sua banda. Bonamassa usa a mesma estratégia antes do set dedicado a Howlin’ Wolf, com o lendário discurso do “What is the blues?”, continuando com “How Many More Years”, uma das mais icônicas do lobo uivante.  


É complicado falar de um set que inclui as faixas mais clássicas tanto de Muddy Waters quanto de Wolf, como “I Can’t Be Satisfied”, “Double Trouble”, “My Home Is On The Delta”, “All Aboard”, por parte de Muddy Waters e “How Many More Years”, “Shake For Me”, “Evil”, “Killing Floor”, por parte de Howlin’ Wolf. Com certeza que ficou faltando alguma de um ou do outro, mas é bastante difícil a escolha de uma tracklist como essa. O que mais deve ter influenciado a decisão de Bonamassa foi a forma de execução de sua banda, escolhendo as faixas que mais se encaixava no estilo e precisão que ele desejava. E sem dúvida ele acerta em cheio. Todas as faixas estão executadas com uma maestria incrível, várias delas ultrapassando a barreira dos seis minutos de pura energia e vigor, com um  impecável sincronismo entre os solos dos diferentes instrumentos, além de, claro, muita emoção, caso contrário não seria o bom e velho blues.

Ainda existe uma terceira parte do show, quando Joe Bonamassa reserva algum tempo para soltar algumas faixas de sua carreira, principalmente do seu último álbum, Different Shades of Blue, de 2014, como “Hey Baby (New Rising Sun)” e “Love Ain’t A Love Song”, bem como “The Ballad of John Henry”. É um bom complemento, mas com certeza o que brilha mesmo no álbum são as faixas de Muddy Wolf, claro.

Muddy Wolf, além de ser, portanto, uma delícia para quem já é fã do blues, acaba caracterizando-se também como uma ótima entrada para quem deseja conhecer um pouco mais da obra desses dois maiores gênios do blues.
        




quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Blur anuncia The Magic Whip, novo álbum depois de 12 anos


Blur anunciou o primeiro álbum depois de doze anos, The Magic Whip, com essa capa estranha aí em cima, e que já tem uma história peculiar antes mesmo de seu lançamento. O novo álbum é fruto de uma sessão em Hong Kong, em que a banda gravou 15 novas músicas, o que explica a evidente influência de elementos orientais na capa e no título de algumas músicas, como “My Terracotta Heart”, com certeza referindo-se ao exército de Terracota da dinastia Han, e “Pyongyang”, que Albarn disse que foi sobre sua experiência na vistia à capital da Coreia do Norte. Confira a faixa “Go Out” e a tracklist abaixo: 






segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Eddie Vedder e Stone Gossard, do Pearl Jam, mostram a importância do Grammy (ou a falta dela)



Em 1996, Pearl Jam recebeu o Grammy pela Melhor Performance de Hard Rock, com a música “Spin The Black Circle”, do álbum Vitalogy, de 1994. Para receber o prêmio, a banda protagonizou um dos momentos mais bizarros e inesperados da história do Grammy Awards. Meio que querendo se esconder, Eddie Vedder murmura: "I don't know what this means ... I don't think it means anything,". A reação da plateia indecisa foi mista, poucos aplausos e a maioria perplexa.




No DVD de comemoração dos vinte anos de banda, Pearl Jam Twenty , o guitarrista Stone Gossard faz um tour pela sua casa, mostrando diversos souvenirs que ele colecionou durante a carreira. Stone chama para o porão: "There must be something on the basement”. No ambiente escuro e empoeirado, portanto uma lanterna, ele exclama: “Look, there's a grammy!". É ali onde o Grammy Awards é tão vaidosamente guardado.








Na edição de 2015, Beck foi um dos grandes vencedores, levando para casa os prêmios de Melhor Álbum de Rock e Melhor Álbum do Ano com Morning Phase. Jack White ganhou a Melhor Performance de Rock, com "Lazaretto" (White e Arcade Fire perderam o Melhor Álbum de Rock Alternativo para St Vicent). Pearl Jam recebeu o prêmio de Melhor Pacote de Gravação, com Lightning Bolt, pelo trabalho de Jeff Ament, Don Pendleton, Joe Spix & Jerome Turner, diretores de arte. Para o prêmio de Melhor Álbum de Blues deu o óbvio: a justa premiação de Step Beck, de Johnny Winter. Além de Buddy Guy, que recebeu o Lifetime Achievment Award.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Built To Spill anuncia novo álbum depois de seis anos: Untethered Moon


Confirmando os rumores, uma das melhores bandas do rock alternativa dos anos 90 está de volta lançando material inédito. Built To Spill, que tem sido uma banda bastante ativa nos últimos anos, sempre rodando o mundo em turnê. No entanto, em termos de lançar algum álbum com músicas inéditas, a banda está há seis anos sem lançar nada – o último trabalho de estúdio da banda foi There Is No Enemy, de 2009. O nome do novo disco é Untethered Moon, e está programado para abril. Até o momento foi liberado apenas o tracklist do álbum, que está logo abaixo. Enquanto não sai outras novidades, deixo vocês com um dos maiores clássicos da banda, “Carry The Zero”, do álbum Keep It Like A Secret, de 1999:

Untethered Moon:

01 All Our Songs
02 Living Zoo
03 On the Way
04 Some Other Song
05 Never Be the Same
06 C.R.E.B.
07 Another Day
08 Horizon to Cliff
09 So
10 When I’m Blind



terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Assista ao trailer de Muddy Wolf at Red Rocks, de Joe Bonamassa


Uma celebração do blues; um testemunho do legado de duas grandes lendas que não apenas forjaram um estilo, mas ajudaram a moldar vários. Esse é o objetivo por trás do projeto de lançamento em CD e DVD do concerto exclusivo de Joe Bonamassa em homenagem a Muddy Waters e Howlin’ Wolf no Red Rocks Amphitheater, em 31 de agosto de 2014. Está programado para ser lançado em 24 de março de 2015, e para aumentar a grande antecipação, Bonamassa divulgou hoje um trailer sobre o projeto, que mostra, além de trechos de músicas, tanto de Muddy Waters quanto de Howlin’ Wolf, uma viagem à terra onde surgiram, no Mississippi.
Aproveitando-se de um belo cenário – o Red Rocks Amphitheater está cravado no meio das majestosas Montanhas Rochosas, em Colorado – e de um público de 9 mil pessoas – o maior para o qual já tocou – Joe Bonamassa entrega um show de 2 horas e meia de muito blues. O trabalho foi dividido em dois álbuns; o primeiro é dedicado à Muddy Waters; o segundo, à Howlin’ Wolf. Além do show, o DVD ainda contém uma hora e meia de material extra. Uma preciosidade. Segundo Bonamassa: “’'Inspired' was the feeling that permeated the camp from the very downbeat. It was the gig of a lifetime for me. What you see on this DVD is what it was like to play in front of the largest audience of my career, playing music that I loved, love, and fell in love with again in a much bigger way than I had before."

Joe Bonamassa : Muddy Wolf At Red Rocks (DVD)
Tracklisting

Mississippi Heartbeat (Intro)
Muddy Waters
Tiger In Your Tank
I Can't Be Satisfied 
You Shook Me
Stuff You Gotta Watch
Double Trouble
Real Love
My Home Is On The Delta
All Aboard

Howlin' Wolf
How Many More Years
Shake For Me 
Hidden Charms
Band Introductions
Spoonful 
Killing Floor 
Evil (Is Going On)
All Night Boogie (All Night Long)

Hey Baby (New Rising Sun)
Oh Beautiful!
Love Ain't A Love Song
Sloe Gin
Ballad of John Henry
Muddy Wolf Credits

BONUS Features
Joe and Kevin's Excellent Adventure… to The Crossroads
Behind the Rocks - An Exclusive View Behind the Scenes
The Originals - Historic Footage from Muddy Waters and Howlin' Wolf

Rockagram Gallery






segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

18 anos sem Chico Science





Hoje é um dos dias mais tristes da história da música brasileira. No dia 2 de fevereiro de 1997, o mundo perdia prematuramente Francisco de Assis França, conhecido pelo nome de Chico Science. É impossível revisitar a obra deste pernambucano, com duas obras primas lançadas, entre 1994 e 1996, com a banda Nação Zumbi, sem um aperto no peito com o vago pensamento: “e se ele tivesse tido mais tempo?”. Mas é inútil e parte da história de Chico Science é a tragédia. O furacão passou voando; a coisa boa é que ele nunca mais vai parar. Com vocês, um show com o mangue boy no auge, em 1996, no Bem Brasil. Depois de Chico, somos todos mangueboys e manguegirls.

01 - Mateus Enter
02 - O Cidadão do Mundo
03 - Manguetown
04 - Etnia
05 - Bate Papo
06 - A Praieira (part. Samuel Rosa)
07 - Samba Makossa (part. Samuel Rosa)
08 - Quilombo Groove
09 - Corpo de Lama
10 - A Cidade
11 - Bate Papo com Samuel Rosa
12 - Todos Estão Surdos
13 - Maracatu de Tiro Certeiro (part. Arnaldo Antunes)
14 - Sobremesa (part. Arnaldo Antunes)
15 - Bate Papo com Analdo Antunes
16 - Salustiano Song
17 - Um Satélite na Cabeça
18 - Enquanto o Mundo Explode (part. João Gordo)
19 - Da Lama ao Caos - Refuse/Resist (part. João Gordo)
20 - Bate Papo com João Gordo
21 - Lixo do Mangue
22 - Macô
23 - Samba do Lado (part. Fred 04)
24 - Computadores Fazem Arte (part. Fred 04)
25 - Bate Papo com Fred 04
26 - Um Passeio no Mundo Livre
27 - Bate Papo
28 - Manguetown (part. todos os convidados)






quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Buddy Guy receberá o prêmio Academy’s Lifetime Achievement no Grammy Awards 2015


A edição do Grammy Awards de 2015 será bastante especial para os admiradores do blues. Foi anunciado que o lendário guitarrista de blues, Buddy Guy, receberá a honra da Recording Academy’s Lifetime Achievement, durante a semana do Grammy, no sábado, dia 7 de fevereiro. Este prêmio, como o nome explicita, é dado aos artistas que fizeram grandiosas contribuições para a música. É um grande reconhecimento para um artista que vem tocando o blues desde a década de 1950, sendo contemporâneo de outras lendas do estilo, como Muddy Waters, Willie Dixon, Junior Wells, dentre outros. Quanto ao tamanho de sua contribuição para o mundo da música, acho que basta dizer que, dentre os artistas que o consideram um grande ídolo estão nomes como Eric Clapton, Jeff Beck, Jimmy Page, Jimi Hendrix, que o consideravam como ídolo, cuja influência foi determinante na carreira e no estilo de tocar guitarra dessas pessoas.




Buddy Guy, que já coleciona seis prêmios do Grammy por melhor álbum de Blues, inovou a forma de tocar guitarra no blues desde os anos 50, com um estilo mais agressivo de tocar do que seus contemporâneos, o que o legou alguns anos de ostracismo, já que as gravadoras, especialmente a Chess Records, não deram oportunidade para Guy gravar como artista solo, utilizando-o como músico de sessão, por gravação de outros artistas. Nos anos 60 a oportunidade chegou e Buddy Guy não deixou passar, alcançando a fama e notoriedade por sua performance ao vivo e por ótimos álbuns como Hoodoo Man Blues,  de 1965, com Junior Wells, Left My Blues In San Francisco (1967), A Man And The Blues (1968) e I Was Walking Through The Woods (1974). Tendo sofrido com a queda da popularidade do blues depois da ascensão do funk na década de 70, Buddy Guy reconquistou o sucesso e a fama principalmente na década de 1990 e 2000, como os ganhadores de Grammy  Damn Right, I've Got The Blues (1991), Living Proof (2010) e Sweet Tea (2001). Até hoje, aos 78 anos, Buddy Guy continua levando a tradição do blues onde quer que ele vá, constituindo-se, sem dúvida, em uma das maiores referências ainda vivas do blues, junto com B.B. King.




Quanto ao Grammy Awards, saiu também os indicados para receberem o prêmio de melhor álbum de blues do ano:

  •  Dave Alvin & Phil Alvin – Common Ground: Dave Alvin & Phil Alvin Play and Sing the Songs of Big Bill Broonzy
  • Ruthie Foster — Promise of a Brand New Day
  • Charlie Musselwhite – Juke Joint Chapel
  • Bobby Rush with Blinddog Smokin' – Decisions
  • Johnny Winter – Step Back
Com certeza o favoritismo recai para Johnny Winter, que além de contar com um poderoso e ótimo álbum, veio a falecer inesperadamente no ano passado, poucas semanas ante do lançamento de Step Back. É uma forma de prestar homenagem póstuma a esse outro grande nome do blues.