Quando você muda o curso de algo significante no mundo, como
você deve estar na hora de partir? Quando você nasce como um "zé
ninguém", invisível socialmente, numa plantação de algodão no extremamente
violento e segregado sul dos Estados Unidos, regido pela lei do Jim Crow,
colhendo algodão dia a dia para sustentar a si e a sua família e morre, 89 anos
depois, como o "Rei do Blues", conhecido mundialmente? Você vai
querer largar o osso? Ninguém vai. Por isso que o rei fazia questão de estar em
cima de um palco enquanto tivesse saúde para isso. Infelizmente, não tem mais.
E a tristeza de hoje é por isso. Não pela limitação da alma humana em toda sua
magnitude. Mas pela limitação física e corporal, que fez deixar esse plano um dos
últimos remanescentes da segunda geração legendária do blues.
B.B. King nos deixa o legado não só de sua música em quase
60 anos de carreira, seu estilo de tocar a sua guitarra Lucille, mas de sua própria
vida. Dono de 16 Grammy’s, mais de 50 discos e clássicos que moldaram o rumo do
blues e do rock, B. B. King parte hoje para ver sua obra sob um novo plano, uma
nova perspectiva. E com certeza, onde quer que esteja, ele está observando sentado em cima de um palco, com vários convidados especiais ao seu lado, Lucille nos braços, e sorrindo. Orgulhoso.
Depois
do grande sucesso alcançado com o último disco, Avante, Siba dá continuidade à
sua carreira com o lançamento do seu novo trabalho, De Baile Solto, lançado
hoje – e disponibilizado para baixar – através do seu site oficial (http://www.mundosiba.com.br/). Para
quem acompanha as postagens de Siba pelo facebook percebe uma preocupação muito
grande com a forma com que manifestações culturais, como o Maracatu de Baque
Solto, é tratado pelas autoridades e às vezes pelo público. É por isso que, em
De Baile Solto, Siba volta às raízes rítmicas da música de rua pernambucana.
Em suas
palavras “O texto deste De Baile Solto pode ser lido como uma tentativa – às vezes
frustrante – de expressar a grandeza absoluta de uma ave de rapina ante a
arrogância dos senhores quê se arrastam pela terra, exaltar a potência criativa
e social de formas de expressão forjadas coletivamente por pessoas
marginalizadas e excluídas, reafirmar a crença tola na embriaguês do verso,
dizer de um amor só possível em laço de família de qualquer tipo, levantar a
voz contra fantasmas de carne e osso, reafirmar o valor da amizade e
camaradagem, negar ao dinheiro o lugar central que o permitimos ocupar em nossas
vidas, forjar uma fuga imaginária para um mundo em que caiba o poeta e, por que
não, seus inimigos também, aceitar que a vida é muito mais curta do que os
desenhos, que a água e o fogo forjam com o tempo e que talvez, de eterno, só
mesmo o canto que o pássaro deixou guardado no escuro da árvore antiga”.
Com uma nota
dessa, o que nos resta é curtir o som e a poesia de Siba mais uma vez.
Depois
de se apresentarem para o mundo com o álbum de estreia, Boys & Girls, em
2012, a banda Alabama Shakes, liderada pela cantora Britanny Howard, retorna
com o lançamento do seu disco de sequência, Sound & Color, sem decepcionar
nem sentir o peso da responsabilidade em momento algum. Em breve o Filho do
Blues irá escrever a merecida resenha do novo trabalho da banda. Enquanto isso,
divulgando o novo trabalho, Alabama Shakes fez uma visita ao Saturday Night
Live e tocou um dos grandes destaques do álbum, a joia “Gimme All Your Love”,
que mostra o porquê Howard pode ser considerada uma das grandes vocalistas da
atualidade. Confira:
Leo
“Bud” Welch, foi recebido com entusiasmo pelo cenário musical do blues, logo no
início de 2014, com o seu álbum de estreia chamado de Sablouga Voices. Ainda
que tenha mostrado no seu trabalho um som muito interessante, mesclando o
estilo do Chicago Blues com o Gospel tocado nas Igrejas batistas pelo Sul dos
Estados Unidos, outro detalhe certamente não passou despercebido e trouxe uma
sensação de extraordinário ainda maior: o som vigoroso do blues elétrico ouvido
em Sablouga Voices vinha de um senhor no auge dos seus 81 anos, que passou a
grande parte de sua vida trabalhando anonimamente durante o dia e tocando em
festas e igrejas. A preciosidade da estreia vinha junto com um sentimento de
que infelizmente não veríamos uma longa carreira de Leo “Bud” Welch;
possivelmente aquele seria o único registro de sua carreira tardia. Essa
sensação foi logo refutada – ou pelo menos parte dela – com o lançamento, pouco
mais de um ano depois, do seu segundo álbum, chamado I Don’t Prefer No Blues,
um registro ainda mais vigoroso e impactante do que o seu antecessor. As
resenhas são unânimes: já é um clássico contemporâneo do blues.
O novo álbum veio de um acordo de Welch com a gravadora Fat Possum’s Big Legal
Mess, que acertaram que depois de lançar o álbum de blues-gospel (Sablouga
Voices), “Bud” Welch gravaria o seu outro lado, a versão secular do blues. E é
exatamente isso que é visto em I Don’t Prefer No Blues. Com exceção da faixa de
abertura – e uma das melhores do disco - “Poor Boy”, que ainda demonstra um
pouco do coral do blues gospel e a penúltima faixa “Pray On” (que de gospel só
tem a letra), é o profano que comanda no restante do álbum. “Girl In The Holler”
é tão intensa que é praticamente irrelevante o fato de ser tocado por um senhor
de 82 anos, sensação que impregna durante praticamente todo o disco,
especialmente em “Too Much Wine”, “I Woke Up”. Leo “Bud” Welch escolhe a dedo
alguns outros clássicos do blues, como “Goin Down Slow”, “Cadillac Baby” e “Sweet
Black Angel”. Seu som vai do Delta Blues do início da carreira de Muddy Waters
ao blues elétrico, improvisado, ao vivo, sujo e cheio de riffs de R.L. Burnside
e engana-se quem possa vir a achar que o elemento idade não tem influência
alguma no conjunto final: Leo Welch vivenciou tudo isso. É uma autenticidade
que somente a experiência de vida poderia passar.
O
que realmente torna I Don’t Prefer No Blues um clássico atemporal do blues é a
performance e a estrela de Leo “Bud” Welch: blues é emoção, sentimento, autenticidade,
o momento; e é tudo isso que exala durante os trinta e cinco minutos da música
desse senhor que passou tocando o blues no anonimato sua vida inteira. Ainda
bem que agora ele está tendo a oportunidade de levar sua música ao mundo.
Assim
como é impossível falar de Rock sem mencionar The Beatles e Rolling Stones, por
exemplo, é inconcebível alguém referir-se ao blues sem tocar nos nomes de Muddy
Waters e Howlin’ Wolf, provavelmente as duas maiores lendas do gênero musical. E
para ratificar esse status, o guitarrista Joe Bonamassa resolveu fazer uma
homenagem mais do que especial e merecida para os dois artistas que moldaram
não só o blues, mas o próprio rock, através dos já referidos Beatles e Stones, sem
falar em Eric Clapton, Led Zeppelin, e por aí vai.
Joe
Bonamassa acaba de lançar em CD e DVD Muddy Wolf, resultado do show que ele fez
no Red Rocks, em agosto de 2014, no qual ele tocou clássicos de ambos os
músicos. Dividindo a apresentação em dois sets (o primeiro dedicado a Muddy
Waters e o segundo a Howlin’ Wolf), Bonamassa utiliza de um recurso interessante
no começo de cada um deles. Primeiro, depois de uma breve nota introdutória e
histórica sobre a importância dos dois para o blues, coloca um áudio original
de Muddy Waters falando um pouco sobre sua história; logo em seguida, o próprio
Muddy inicia “Tiger In Your Tank”. É aí que Joe Bonamassa aproveita o gancho e
começa a sua versão, com uma pegada incrível de sua banda. Bonamassa usa a
mesma estratégia antes do set dedicado a Howlin’ Wolf, com o lendário discurso
do “What is the blues?”, continuando com “How Many More Years”, uma das mais
icônicas do lobo uivante.
É
complicado falar de um set que inclui as faixas mais clássicas tanto de Muddy
Waters quanto de Wolf, como “I Can’t Be Satisfied”, “Double Trouble”, “My Home
Is On The Delta”, “All Aboard”, por parte de Muddy Waters e “How Many More
Years”, “Shake For Me”, “Evil”, “Killing Floor”, por parte de Howlin’ Wolf. Com
certeza que ficou faltando alguma de um ou do outro, mas é bastante difícil a
escolha de uma tracklist como essa. O que mais deve ter influenciado a decisão
de Bonamassa foi a forma de execução de sua banda, escolhendo as faixas que
mais se encaixava no estilo e precisão que ele desejava. E sem dúvida ele
acerta em cheio. Todas as faixas estão executadas com uma maestria incrível,
várias delas ultrapassando a barreira dos seis minutos de pura energia e vigor,
com um impecável sincronismo entre os
solos dos diferentes instrumentos, além de, claro, muita emoção, caso contrário
não seria o bom e velho blues.
Ainda
existe uma terceira parte do show, quando Joe Bonamassa reserva algum tempo
para soltar algumas faixas de sua carreira, principalmente do seu último álbum,
Different Shades of Blue, de 2014, como “Hey Baby (New Rising Sun)” e “Love Ain’t
A Love Song”, bem como “The Ballad of John Henry”. É um bom complemento, mas
com certeza o que brilha mesmo no álbum são as faixas de Muddy Wolf, claro.
Muddy
Wolf, além de ser, portanto, uma delícia para quem já é fã do blues, acaba
caracterizando-se também como uma ótima entrada para quem deseja conhecer um
pouco mais da obra desses dois maiores gênios do blues.
Blur anunciou o primeiro álbum depois de doze anos, The
Magic Whip, com essa capa estranha aí em cima, e que já tem uma história
peculiar antes mesmo de seu lançamento. O novo álbum é fruto de uma sessão em
Hong Kong, em que a banda gravou 15 novas músicas, o que explica a evidente
influência de elementos orientais na capa e no título de algumas músicas, como “My
Terracotta Heart”, com certeza referindo-se ao exército de Terracota da
dinastia Han, e “Pyongyang”, que Albarn disse que foi sobre sua experiência na
vistia à capital da Coreia do Norte. Confira a faixa “Go Out” e a tracklist
abaixo:
Em 1996, Pearl Jam recebeu o Grammy pela Melhor Performance
de Hard Rock, com a música “Spin The Black Circle”, do álbum Vitalogy, de 1994.
Para receber o prêmio, a banda protagonizou um dos momentos mais bizarros e
inesperados da história do Grammy Awards. Meio que querendo se esconder, Eddie Vedder murmura: "I don't know
what this means ... I don't think it means anything,". A reação da
plateia indecisa foi mista, poucos aplausos e a maioria perplexa.
No DVD de comemoração dos vinte anos de banda, Pearl Jam
Twenty , o guitarrista Stone Gossard faz um tour pela sua casa, mostrando
diversos souvenirs que ele colecionou durante a carreira. Stone chama para o porão: "There must be
something on the basement”. No ambiente escuro e empoeirado, portanto
uma lanterna, ele exclama: “Look, there's a grammy!". É ali onde o Grammy
Awards é tão vaidosamente guardado.
Na edição de 2015, Beck foi um dos grandes vencedores, levando para casa os prêmios de Melhor Álbum de Rock e Melhor Álbum do Ano com Morning Phase. Jack White ganhou a Melhor Performance de Rock, com "Lazaretto" (White e Arcade Fire perderam o Melhor Álbum de Rock Alternativo para St Vicent). Pearl Jam recebeu o prêmio de Melhor Pacote de Gravação, com Lightning Bolt, pelo trabalho de Jeff Ament, Don Pendleton, Joe Spix & Jerome Turner, diretores de arte. Para o prêmio de Melhor Álbum de Blues deu o óbvio: a justa premiação de Step Beck, de Johnny Winter. Além de Buddy Guy, que recebeu o Lifetime Achievment Award.