terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Melhores Álbuns de 2016: Parte II





31. Lucky Peterson - Long Nights

Como a própria capa de Long Nights estampa: "Este é Lucky às três da manhã, aquele único estilo elétrico de guitarra é acrescentado por um trabalho acústico, de slide, bem como piano". Propaganda sincera, afinal, essa equação fica a cargo de Lucky Peterson que é um dos principais nomes do  blues contemporâneo. Então, pode ter certeza que vale a pena. E realmente, essa alternância entre os estilos do blues faz Long Nights ser um dos melhores discos da carreira de Peterson.





 32. Duke Robillard - Blues Full Circle
  
Duke Robillard, vencedor de seis Blues Award, já toca blues há muito tempo. Na década de 1970 ele era líder da banda Roomful of Blues. Então, como o título do álbum já entrega, Robillard quis completar o círculo do blues, mostrando desde composições novas às do início da sua carreira. O resultado, sobretudo quando acompanhado por convidados especiais como Jimmie Vaughan, Sugar Ray Norcia e Kelley Hunt, é ótimo. Como o próprio Robillard diz na nota de lançamento do disco: "just straightfoward small band, old school blues". Tá bom demais.









 33. Alabama Mike - Upset The Status Quo


Alabama Mike (nome artístico de Michael Benjamin) é mais um nome da cena do blues a lutar duro pra conquistar seu espaço. Até abraçar a carreira como músico, o então motorista de caminhão passou, em 1999, a ser um cantor de soul e blues, conseguindo abrir sua própria gravadora em 2009, a Jukehouse Records. Através dela, Alabama Mike lançou dois discos e agora chega ao terceiro, com Upset The Status Quo, que mostra um pouco das facetas de quem iniciou o contato com a música no coral de Igreja, em Talladega, Alabama. Além disso, a qualidade lírica e vocal que Alabama Mike impõe a algumas dessas faixas faz de Upset The Status Quo um lançamento bastante interessante e que vale a pena ser conferido. 









34. Moreland And Arbuckle - Promised Land Or Bust

Energia do início ao final. Moreland and Arbuckle fazem um blues-rock intenso. Sem enrolação ou enfeites, a banda parece tocar de sua própria garagem. Com certeza vale a pena conferir e balançar bastante a cabeça. Mas não se engane, Promised Land or Bust é um grande salto na carreira de Moreland And Arbuckle. Anote aí para ficar de olho.










35. Mike Zito - Make Blues Not War

Esse também é um álbum de blues-rock liderado por um ótimo guitarrista. Alguns solos são de tirar o fôlego, como "Bad News is Coming". Zito procura mesclar algumas faixas que são um blues-rock mais direto e tradicional com outras voltadas para um público mais amplo. As do primeiro tipo são as melhores, como é o exemplo da faixa título, "Make Blues Not War"






36. Hard Swimmin' Fish - True Believer

Podemos simplesmente que o blues de Hard Swimmin' Fish é um tanto diferente dos outros. A miscelânea de influências é tão grande que às vezes parece que estamos escutando alguma música perdida de Jimi Hendrix. Mescla blues clássico, blues-rock, rockabilly jazz e tudo mais. Mistura bem interessante.








37. Charles Bradley - Changes

No Brasil, a grande maioria só vai conhecer Charles Bradley pela trilha sonora da novela da globo, que fez a música "Changes" um hit nacional. Mas há muito mais no disco do que simplesmente um hit. O soul de Bradley é de extrema qualidade e a cada momento o alcance de sua voz surpreende. Maravilha.







38. Kenny "Big Boss" Wayne - Jumpin' & Boppin'

O pianista e vocalista Kenny "Big Boss" Wayne é um dos grandes nomes do boogie e do R&B. É o blues pra festejar. Com uma seleção de músicas originais, Big Boss Wayne homenageia as lendas do gênero, como Louis Jordan, Fats Domino e Ray Charles. Em Jumpin' & Boppin' o difícil é ficar parado. Não achei nada no youtube, mas confira no Spotify e especialmente "Blackmail Blues".




39. Dion - New York Is My Home


New York IsMy Home é um tipo de consagração para Dion, que ultimamente tem se dedicado a fazer um blues “made in Bronx”. Além disso, é um lembrete de alguém cuja presença nem sempre foi tão marcante como deveria, mas que nunca se retirou de cena em mais de cinquenta anos de carreira. Dion está na ativa, felizes aqueles que se dão conta de sua presença e se dispõem a ouvi-lo.








40. Mitch Kashmar - West Coast Toast

Mitch Kashmar é um dos grandes representantes do blues da costa oeste dos Estados Unidos. No seu terceiro pela Delta Groove (que tem o costume de lançar ótimos artistas), Kashmar mostra toda sua habilidade com a gaita, inclusive com direito a três instrumentais, nas quais ele detona nos solos e no ritmo.




Parte I (50 à 41)



quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Resenha de The Rolling Stones - Blue & Lonesome





                Com certeza há aqueles álbuns difíceis e trabalhosos para gravar, compor e colocar todas as coisas meticulosamente nos seus devidos lugares; há outros, porém, que esse processo parece ser uma moleza. Esse é o caso de Blue & Lonesome, primeiro álbum de estúdio de Rolling Stones após mais de uma década, no qual a gigantesca banda decide dedicar o novo disco inteiramente ao blues. Não é surpresa que os Stones amem o blues, o que surpreende em Blue & Lonesome é o quão bem eles ainda tocam o blues. Acho que não é necessário abordar demoradamente a longa e intensa relação de Mick Jagger, Keith Richards e companhia com o gênero musical criado pelos negros dos Estados Unidos no início do século XX; o próprio nome da banda já entrega essa relação; o fato há 51 anos a regravação de “Little Red Rooster” chegar ao número 1 das paradas britânicas é outra evidência; a primeira aparição de Howlin’ Wolf na TV norte-americana ter sido como condição para os Stones participarem do programa em 1965, mais uma (“I think it’s about time you shut up and we had Howlin’ Wolf on stage”, Brian Jones disse à época). Mas ainda não é apenas isso: antes de ser uma das maiores bandas da história do rock, os Rolling Stones eram uma banda cover de blues, que viviam tocando as músicas que, atravessando o Atlântico, chegavam às casas desses jovens britânicos cheios de força criativa e energia. Pois bem, já deve ser possível imaginar a facilidade com que esses senhores que tocam juntos há mais de meio século, juntaram-se para gravar as músicas que eles tocam... bem, há mais de meio século. Esse é Blue & Lonesome, gravado em apenas três dias.



                O melhor também é que agora são realmente os Stones tocando o blues sendo os próprios Rolling Stones, e não apenas um bando de jovens britânicos em busca de criar seu som e querendo soar como seus ídolos transatlânticos. A voz de Mick Jagger está na sua melhor forma, bem como sua técnica com a gaita. O mesmo é verdade para toda a banda. Para melhorar, as músicas não são simples cópias das originais; em Blue & Lonesome os Stones colocam seu próprio DNA, o que torna o álbum não simplesmente um álbum de covers de blues, ou um álbum de tributo, mas sim um álbum dos Rolling Stones.
                Toda a tracklist é impecável, da faixa de abertura, “Just Your Fool”, de Buddy Johnson e regravada interminadas vezes, em que Jagger se solta totalmente como gaitista, à última faixa, a clássica “I Can’t Quit You Baby”, de Willie Dixon, com participação de Eric Clapton, outro aficionado por blues. Pode-se dizer que os fãs de blues reconhecem facilmente a grande maioria das doze faixas do disco e com certeza já vão ter em mente várias outras referências das mesmas músicas tocadas outras dezenas vezes. O que aparentemente poderia ser enfadonho faz o efeito contrário. A familiaridade facilita a dar valor, curtir mais diretamente o som e reconhecer o trabalho da banda. As escolhas estão centradas no som de Chicago das décadas de 40 e 50, então estão presentes naturalmente Little Walter (“Hate To See You Go”, “I Gotta Go”), Howlin’ Wolf, com a ótima versão de “Commit A Crime”, Buddy Guy e Junior Wells, com a clássica “Hoo Doo Blues”, Jimmy Reed, com “Little Rain” em roupagem brilhante e solo incrível de gaita, Eddie Taylor com outra favorita dos covers de blues, “Ride ‘Em On Down”, novamente Willie Dixon com “Just Like I Treat You” e, claro, Memphis Slim com a faixa título, “Blue And Lonesome”. (Senti falta de Muddy Waters, no entanto). A mais desconhecida do grande público talvez seja a ótima “Everybody Knows About My Good Thing”, de Little Johnny Taylor.
                Blue & Lonesome é fruto de um atalho no processo de gravação de um novo álbum de inéditas de Rolling Stones. A viagem no túnel do tempo fez a banda soar mais uma vez relevante e gigante como sempre fora, mas que alguns pareciam ter esquecidos. Espero que o alto nível alcançado com a happy hour com os amigos empolgue e impulsione a banda para um disco de inéditas tão bom quanto.


domingo, 13 de novembro de 2016

Confira "Hate To See You Go", do novo álbum de blues de Rolling Stones, Blue & Lonesome




                Não há como negar: o blues que conhecemos hoje e do jeito que ele chegou a nós não seria o mesmo não fosse por uns grupos de jovens britânicos que chegaram a conhecer as gravações do blues, que nos próprios Estados Unidos era desconhecido do grande público de classe média branca, e a partir daí o absorveram em sua própria arte e depois o reapresentaram para o público consumidor dos Estados Unidos. Dentre esses jovens estavam John Mayall, Eric Clapton, Mick Jagger, Keith Richards, para citar apenas alguns. The Rolling Stones, uma das maiores bandas de rock do planeta – senão a maior – nunca negou sua admiração pelo blues, levando para um programa de TV pela primeira vez, ainda na década de sessenta, Howlin’ Wolf para dividir o palco. Durante toda a longa carreira, os Stones gravaram algumas covers de blues e dividiram o palco com Muddy Waters, B.B. King, Buddy Guy, dentre outros. No entanto, a banda inglesa nunca havia dedicado um álbum inteiramente ao blues, apesar dele estar no seu próprio DNA. Essa lacuna vai ser preenchida agora, com o lançamento do álbum Blue & Lonesome, com data de lançamento para dois de dezembro. 

                Isso significa que todo o amor e admiração que cada membro da banda tem pelo blues estará presente em cada uma das faixas do novo disco, que é uma compilação de covers de blues, especialmente o blues de Chicago de meados da década de 50. O baterista Charlie Watts, “This album is what I’ve always wanted the Stones to do. It’s what we do best and what we did when we first got together”. Na tracklist estão covers de Howlin’ Wolf (claro), Little Waters (claro), Jimmy Reed (claro). Saiu a primeira amostra do álbum, o clipe de “Hate To See You Go”, bem como o áudio de “Just Your Fool”. Confira abaixo:






quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Leonard Cohen morre aos 82 anos




O mundo vai dormir hoje menos belo, em todas as acepções da palavra, de sua graciosidade à sua tragicidade. Isso porque mais um gênio do mundo das artes acaba de deixar este plano. O perfil oficial do cantor, poeta e compositor, Leonard Cohen, anunciou que "É com profunda tristeza que anunciamos que o legendário poeta, compositor e artista Leonard Cohen faleceu. Nós perdemos um dos mais referenciados e prolíficos visionários do mundo da música". Leonard Cohen tinha 82 anos e havia acabado de lançar mais um álbum, chamado "You Want It Darker", o qual a revista Rolling Stone definiu como um "triunfo de final de carreira". Segundo relatos, a própria gravação do disco foi uma batalha contra a doença e a dor, provocada pelo excesso na turnê do último disco do cantor. Informações diziam, no entanto, que Cohen estava melhorando progressivamente e já pensando no futuro. 



Em cinco décadas de carreira, iniciada no final dos anos sessenta, o posto de maior poeta da música foi extraoficialmente ocupado por Cohen. Bob Dylan sempre foi aclamado como tal com toda justiça, culminando no Nobel de Literatura recebido esse ano. Mas em relação à beleza e ao lirismo das letras, Leonard Cohen é simplesmente inigualável, incomparável e inalcançável. Ficamos agora apenas com as fagulhas brilhantes de sua passagem por este plano, tais como "So Long Marianne", "Hey, That's No Way To Say Goodbye", "Hallelujah", "Bird On The Wire", dentre inúmeras outras. Hoje, como Cohen anunciou numa das músicas de seu último disco, ele deixou a mesa, abandonou o jogo.

R.I.P Leonard Cohen

"Leaving The Table"

I'm leaving the table
I'm out of the game
I don't know the people
In your picture frame
If I ever loved you or no, no
It's a crying shame if I ever loved you
If I knew your name

You don't need a lawyer
I'm not making a claim
You don't need to surrender
I'm not taking aim
I don't need a lover, no, no
The wretched beast is tame
I don't need a lover
So blow out the flame

There's nobody missing
There is no reward
Little by little
We're cutting the cord
We're spending the treasure, oh, no, no
That love cannot afford
I know you can feel it
The sweetness restored

I don't need a reason
For what I became
I've got these excuses
They're tired and lame
I don't need a pardon, no, no, no, no, no
There's no one left to blame
I'm leaving the table
I'm out of the game

I'm leaving the table
I'm out of the game

  



segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Artigo "Uma discussão de classe e uma História Social do Blues no sul dos Estados Unidos", na Revista Espacialidades



Saiu na Revista Espacialidades, Revista Eletrônica dos Discentes do Mestrado em História da UFRN, o artigo “Uma discussão de classe e uma história social do blues no sul dos Estados Unidos”, feito pelo graduado em História pela UEPB, André Felipe de Albuquerque Espínola nos traz uma análise da experiência cultural com a música, o blues, desenvolvida entre os trabalhadores dos Estados Unidos no início do século XX, ao redor do Delta do Mississippi. Assim, o autor tenta compreender como essa experiência contribuiu para o desenvolvimento de estilo musical entre as décadas de 1930 e 1940.

Para baixar a revista completa, acesse o site da Revista Espacialidades.

Para baixar o artigo "Uma discussão de classe e uma história social do blues no sul dos Estados Unidos", clique aqui.  

sábado, 29 de outubro de 2016

Resenha de Sugar Ray & The Bluetones - Seeing is Believing





O que esperar de uma banda que tem o guitarrista, “Monster” Mike Welch, um dos nomes mais respeitados do cenários blues da atualidade na guitarra, Anthony Geraci no piano, que foi indicado ao Blues Music Award e Blues Blast Award no ano passado pelo seu álbum, Fifthy Shades of Blue, além do baixista Mudcat Ward e o baterista Neil Gouvin, cada um que já teve sua indicação também? Para liderar a tropa, o cantor e gaitista Sugar Ray Norcia. Eis a banda Sugar Ray & The Bluetones, com mais de 35 anos de estrada, sete vezes indicada em 2014 com o disco Living Tear To Tear para o Blues Music Award. Se contarmos as indicações individuais de cada membro, chegamos ao total de 26 indicações para Blues Music Awards e 7 indicações para Grammy. É com essa bagagem e com uma química dificilmente vista entre os integrantes da banda, que Sugar Ray & The Bluetones lançam mais um novo álbum, Seeing Is Believing, que tem tudo para repetir o sucesso do seu antecessor. Isso porque a banda repete a estratégia de gravar praticamente ao vivo, mostrando toda a dinâmica e interação que eles tem ao vivo.  O próprio Sugar Ray falou recentemente que eles são “quase telepáticos no jeito que trabalham um com o outro”.

Outra coisa que a banda se destaca é a vontade criativa e autoral para manter o blues seguindo seu curso com novas músicas, novos clássicos, etc. Por isso, das 12 faixas de Seeing Is Believing, 11 são músicas autorais, totalmente colaborativa entre os membros da banda, e apenas uma, “You Know I Love You”, cover de B.B. King, que se torna instrumental e espaço completo para Mike Welch bilhar com solos incríveis de guitarra. Dentre as onze originais, uma variedade interessante que vai do Mississippi blues para o jazz blues com uma naturalidade incrível, que revisa os estilos que vão de Muddy Waters, Otis Span, Little Walter e Louis Armstrong. 

Os primeiros acordes do disco vêm da gaita. O álbum inicia de forma fulminante com a faixa de abertura, “Sweet Baby”, um ótimo blues típico de Mississippi. E não tem essa de separar o momento em que cada um vai brilhar, ou seja, se é a hora de um solo de guitarra, os outros ficam quietos só deixando a guitarra falar. Nada disso, aqui estão sempre juntos, ora de forma mais latente, ora menos. Mas sempre todos estão contribuindo. Dá, por exemplo, para ouvir o piano de Anthony Geraci lá trás mesmo enquanto Norcia está cantando, num solo de gaita, ou num solo de guitarra de Welch. Isso faz com que a cada audição do disco, notamos algo que não havíamos notado anteriormente. A faixa seguinte, que dá título ao álbum, vem de uma forma mais lenta, reflexiva e sofrida, Norcia nos diz que às vezes mesmo vendo é difícil de acreditar.  “They say seeing is believing / baby i can’t believe what you’re doing /  All your mean and evil ways / yes, and all the lives you ruin”. Mike Welch deixando sua marca aqui novamente, num belíssimo solo.“Noontime Bell” é um shuffle daquele tipo de despedida decidida, que tem que acontecer hoje mesmo, antes do meio dia. Norcia diz “I’im going to leave you this morning, before that noontime bell / i tried to Love you baby, but all I can do is wish you well”.  

                “Keep On Sailing” é sem dúvida umas das melhores do disco e, como ele mesmo diz na introdução, fala sobre a jornada da vida. Ela começa com Norcia cantando sobre continuar andando até conseguir atingir seu objetivo, acompanhado apenas de sua gaita. “I’m gonna keep on sailing, till I get where i’m going. Well, it doesn’t matter much to me, long as the wind keeps blowin’”. Em seguida a banda toda se junta a Norcia. E quando digo que a banda toda se junta é a pura verdade, com piano, guitarra, gaita, tudo brilhando ao mesmo tempo. Blues da melhor qualidade. “Blind Date” o negócio fica divertido novamente, daquelas pra dançar na noite. Sabe aquele encontro às cegas que não deu certo, não teve nenhuma ligação, atração, daquelas que você faz questão de esquecer até o rosto da pessoa e tudo mais, mas mesmo assim não vale a pena ir embora e perder a diversão? É exatamente o que fala a letra e, pois bem, a diversão, no caso, é a própria música. “Misses Blues”, por sua vez, é o momento do disco que o blues encontra-se com o jazz e fazem uma salada genial, de humor, amor e segundas intenções. “It Ain’t Funny” é bastante intensa e Norcia canta quase com indignação. “It ain’t funny what you did to me baby – I ain’t laughing now! – It ain’t funny what you did to me, but you know, what the funny thing is to me, little girl, I still can’t get you off of my mind”. Dá pra sentir a raiva com que Norcia canta a letra. Musicalmente não poderia ser de outra forma: impecável, cheia de alternância de solos, o que contribui para ela ser a mais longa do disco, ultrapassando a marca dos seis minutos de puro blues. 

                “Not Me”, por sua vez, é aquela ressaca emocional da madrugada, tomando um uísque sozinho no quarto escuro, fitando a janela e cantarolando um blues – e com um belíssimo solo de gaita pra acompanhar. O disco vai encaminhando para o final com mais três faixas, “Got A Girl”, que Norcia canta com a voz um pouco distorcida e uma base de guitarra mais pesada, sobre uma garota que é muito ruim para ele; as curtas “Two Hundred Dollars Long”, em que predomina os solos de gaita, e “It’s Been A Long Time”.

                Com o que Sugar Ray & The Bluetones atingem em Seeing Is Believing, através de um blues original, cheio de personalidade e talento, uma coisa fica como certa: o número de indicações – tanto da banda quanto dos membros individuais - para os maiores prêmios do blues com certeza deverá ser atualizado em breve.