terça-feira, 30 de abril de 2013

Christopher Owens - Lysandre Acoustic Album


Christopher Owens não demorou muito tempo para curar a ressaca do fim da banda Girls, no auge do sucesso, e lançou seu primeiro disco solo, Lysandre, que apresentou mudanças consideráveis em relação ao som da antiga banda, com a adição de novos arranjos, principalmente com instrumentos de sopro. Em algumas faixas, esse acréscimo casou muito bom, mas em outras nem tanto. A fim de experimentar mais um pouco, Owens resolveu lançar um EP com as músicas de Lysandre nuas de todo e qualquer arranjo senão o próprio Owens e seu violão, totalmente acústico. E o resultado é maravilhoso, arrisco até a dizer que em alguns momentos as músicas soam melhores do que no disco original.



No entanto, ocorre o mesmo “problema” de antes, sendo que o inverso. As músicas que funcionaram muito bem antes, como “Here We Go” e “A Broken Heart” – apesar desta última ser perfeita de qualquer maneira – passa a sensação de faltar algo nessa nudez acústica. A metade final do álbum, por sua vez, soa muito melhor da forma solitária de Owens cantando, até pelo momento crucial do romance da história, com destaque especial para “Lysandre” e “Everywhere You Knew”.




segunda-feira, 29 de abril de 2013

Abença Pai: Seasick Steve - Hubcap Music


Seasick Steve é uma daquelas figuras que causam no mínimo curiosidade. Um velho de 72 anos que está lançando seu sexto álbum numa carreia que só foi começar em 2004, quando ele, pela primeira vez, lançou algum material oficial, o álbum Cheap, apesar de já ter se tornado uma presença importante na cena underground, tocando até com John Lee Hooker. Esse velho barbudo parece ter saído do passado, como Skip James ou Son House, que, após terem gravado algumas vezes na década de trinta, sumiram do mapa nas décadas seguinte só sendo redescobertos na década de 60. Foi somente em 2006 que Seasick Steve, com toda sua excentricidade, apareceu para o grande público, quando foi convidado do consagrado programa Later... With Jools Holland. A partir daí, ele quer aproveitar o tempo que ainda resta para finalmente gravar sua música e sair tocando em turnê. Com nove anos de carreira, Steve lança hoje seu sexto trabalho, Hubcap Music.


Antes de partir para a análise do álbum, uma explicação sobre o título do disco faz-se necessária. Seasick Steve é conhecido também por fazer seus próprios instrumentos com materiais artesanais e estranhos, como o Diddley Bow, um instrumento africano de uma corda, normalmente usado no Sul rural dos Estados Unidos. Dessa vez, de acordo com o próprio, através de um anúncio oficial escrito à mão, Steve explica que o álbum é chamado Hubcap Music porque ele é tocado em algumas músicas com uma guitarra feita com duas calotas e uma enxada de jardim e não tinha pensado em mais nada para colocar o nome. Isso mesmo. Para completar, Hubcap Music conta com duas participações super especiais, como John Pool Jones, do Led Zeppelin, e Jack White, do White Stripes e que é praticamente o maior embaixador e líder de toda essa geração de bluesmen.




Agora vamos mergulhar no interior de Hubcap Music. Os primeiros segundos da faixa de abertura “Down On The Farm”, um trator sendo ligado e pronto para dar partida, dá uma noção do clima que permeia todo o disco. Steve promove um grande encontro de estilos, como o hard-rock, o country, como a belíssima “Over You”, “Purple Shadows”, dividindo o vocal com uma mulher e “Hope”, com sua ótima letra e cheia de slides na guitarra.

Já o folk e o gospel estão representados na faixa final, “Coast is Clear”, surpreendentemente bem arranjada, com órgãos e instrumentos de sopro, além de backing vocals femininos, que Steve disse que fez para sua esposa. Claro, o blues de raiz, como carro chefe, através das ótimas “Self Sufficient Man” e “The Way I Do”, dentre outras. Em relação aos seus trabalhos anteriores, Hubcap Music tem uma participação mais efetiva de uma banda completa, entregando ótimas e divertidas músicas, como “Keep on Keepin’ On”, “Heavy Weight”.






Através de vários estilos tradicionais da música norte-americana, sendo o Blues tomando o papel principal aqui, Hubcap Music é uma viagem pelo universo ruralista em detrimento da vida exageradamente moderna que vivemos. É quase como uma rotina diária de um trabalhador rural, tem um dos momentos de trabalho braçal, assim como pegar um violão e sentar-se na varanda da casa grande e tocar diante de uma imensidão silenciosa, atenta a seus acordes.


sexta-feira, 26 de abril de 2013

The National @ Jimmy Fallon


A banda The Nation tem estado ocupada nesses últimos dias, entre as datas do início da nova turnê, participação em programas para divulgação do novo trabalho Trouble Will Find Me e de projetos insanos, como um show com seis horas de duração tocando somente uma música, “Sorrow”, do ótimo High Violet. Ontem foi a vez de ser a banda convidada do programa Late Night With Jimmy Fallon, onde eles tocaram duas músicas de Trouble Will Find Me. “Sea of Love” e a exclusiva para a internet, “I Need My Girl”. Confira abaixo:

"Sea of Love"




"I Need My Girl"


quarta-feira, 24 de abril de 2013

The Stokes - Comedown Machine


Admitindo ou não, The Strokes estava com o orgulho ferido. Tendo recebido aclamação mundial após a explosão do disco de estréia Is This It?, lá no já distante ano de 2001. Nos doze anos que transcorreram até o atual 2013, Strokes nunca conseguiu igualar a sua obra prima inicial, apesar de ter ainda lançado Room On Fire, de 2003, bastante interessante. Em 2006 veio First Impressions of Earth, execrado pela crítica, apesar de ainda ter seus momentos. Mas o aparente declínio da banda só começaria a se mostrar claro com o lançamento de Angles, de 2011, onde, aparentemente, The Strokes se afogou confusamente no seu mar de influências, sem ter um controle da dosagem do eletrônico ou new wave dos anos 80, além do som típico dos Strokes que conhecemos. A crítica em geral e os fãs receberam Angles com uma decepção visível. Além de demorar muito tempo entre os álbuns, o resultado entregue estava longe de ser satisfatório. Impossível dizer com certeza, mas é bem provável que eles sentiram as críticas. É a explicação mais razoável para que dois anos depois de um álbum fracassado, a banda anunciar o lançamento de Comedown Machine. Dava a impressão de que Strokes estava disposto a apostar tudo dessa vez, como um esforço mal humorado de alguém com orgulho ferido. Não seriam concedidas entrevistas, nem sairiam em turnê para divulgar o novo disco. A resposta viria no som, uma última cartada para ver se ainda eram relevantes ou não, se ainda atraíam atenção ou não.

Eu, particularmente, estava bem cético quanto a Comedown Machine e, confesso, que levou algum tempo até admitir que é um trabalho de qualidade. Depois de se acostumar com ele, podemos apreciar e respeitar o esforço dos Strokes de ampliar seu campo de trabalho e atuação. É difícil sair da zona de conforto. O som praticado no eterno Is This It? com certeza seria mais fácil e relaxado de se fazer, mas não apresentaria desafio algum, além de não acrescentar nada a uma banda com mais de dez anos de história. Caminhar fora da zona de conforto requer coragem. E isso os Strokes estão mostrando que tem nesses dois últimos discos. Angles foi um projeto totalmente fracassado, mas com um objetivo. Comedown Machine, por sua vez, finalmente atinge esse objetivo, apresentando uma banda nova, tocando de um jeito diferente, explorando novos caminhos, mas conseguindo, ainda assim, manter uma identidade, coisa que faltou em Angles.




Mas, a verdade seja dita, a primeira música de Comedown Machine, “Tap Out”, dá um susto danado! É quase um convite a você apertar o botão de parar. Faz você já concluir que eles querem repetir a fórmula de Angles ou, até mesmo, piorá-la. “Tap Out” parece trilha sonora de jogo de vídeo game, do Super Nitendo ou Mega Drive. Se você teve coragem de continuar e tendo conseguido controlar o susto e manter a consciência, vai achar o resto da viagem bem agradável. “All The Time”, primeira música de trabalho de “Comedown Machine” é empolgante e apresenta uma conexão com o passado de Strokes, fato comprovado pelo vídeo clipe cheio de imagens de bastidores e dos shows num clima bem nostálgico.

“One Way Trigger” já anuncia alguns elementos novos na equação da banda que estarão presentes em várias vezes, como sintetizadores e um vocal mais agudo de Julian Casablancas, que era conhecido por uma voz mais rouca e desalinhada. Pode parecer estranho no começo, mas isso mostra como Casablancas é capaz de mudar de um tom para o outro na mesma faixa, apresentando uma dinâmica antes não vista. “Welcome To Japan” tem um ritmo bem interessante e por vezes é um pouco infantil, mas é no refrão e principalmente na parte final que ela fica boa e melódica, chegando até a pregar na mente.




“50/50” é bem rápida, ótimas guitarras e ainda tem os flashes dos momentos mais pesados e animados dos Strokes, principalmente no refrão, onde Casablancas solta um pouco a voz, daquele jeito que conhecemos. Mas o grande poder de se reinventar fica evidenciado em “80’s Comedown Machine”, uma balada totalmente estranha ao mundo Strokiano, mas que apresente um charme irresistível, além de notáveis e inéditos arranjos. Ela é também a música mais longa da carreira da banda, beirando os cinco minutos, para uma banda acostumada a ter uma faixa com média de três ou três minutos e meio.

“Slow Animals” apesar de tentar com um refrão alá “Changes”, de Bowie, fica com “Tap Out” entre as piores de Comedown Machine. “Chances”, por sua vez, volta àquela ótima variação vocal de Casablancas, entre o agudo e normal, casando muito bem entre as estrofes e o refrão, com mais uma bela melodia. A coisa volta a ficar agitada com “Partners In Crime”, com as guitarras, ao invés de teclados e sintetizadores, ditando o ritmo. O mérito de Comedown Machine é fazer essa transição de forma eficaz. Os anos 80 dominam novamente, para nossa tristeza, em “Happy Ending”. “Call It Fate, Call It Karma” mostra exatamente até onde esse “novo” Strokes pode chegar. Uma música totalmente estranha, mas, exatamente por sua quota de surpresa e novidade, fica muito interessante, tocada no violão e com um vocal bem abafado, quase inaudível, soprando uma bela melodia no novo timbre agudo de Casablancas.

Enfim, Comedown Machine, apesar dos altos e alguns baixos, pode ser sim denominado como um trabalho bem sucedido, afinal, atinge o objetivo da banda de renovar seu som e ela o faz de maneira equilibrada, sem comprometer a qualidade do resultado final, até porque mesmo nos momentos mais críticos, ainda restam momentos interessantes. The Strokes veio para mostrar se ainda eram relevantes. E a resposta é sim.


domingo, 21 de abril de 2013

Nova música de Black Sabbath, com Ozzy, "God Is Dead?"



Depois de um retorno triunfal de David Bowie, este ano irá colocar à prova mais uma banda clássica que se reúne para ver se não perdeu a áurea que possuía quando atingiu seu auge. Black Sabbath anunciou mais um novo álbum. A grande diferença é que dessa vez Tony Iommi e Geezer Butler se unem à ninguém menos que Ozzy Osbourne. Os três, acrescentado Brad Wilk, baterista do Rage Against The Machine, gravaram o novo disco, chamado 13, o primeiro que contém os três membros originais da banda, desde 1978, que será lançado em junho deste ano. “God is Dead?”, com a capa fazendo clara referência ao assassinato de deus por Nietzche, é a primeira música a sair deste trabalho e não poderia ter tido um cartão de visita melhor, com apenas nove minutos de duração. Tudo o que fez Black Sabbath na década de setenta, de longe, a melhor fase da banda, está presente em “God Is Dead?”. Os super riffs de Tony Iommi, a dinâmica estrutural e um vocal surpreendentemente limpo – na medida do possível – de Ozzy, depois de tantos anos de abuso de drogas, morcegos e outras substâncias ilícitas e insalubres. O ponto fraco fica pela letra, cheia de clichês, mas convenhamos que nunca foi lá tão boas assim, né?

Não dá para esperar nada muito diferente, uma renovação ou evolução no som. 13 vem ai para matarmos a saudade do Black Sabbath que conhecemos e que gostamos, com Ozzy. Pode mandar vir!


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Novo clipe de Iron & Wine, "Joy"


Iron & Wine, depois do lançamento do ótimo Ghost On Ghost, começa a disponibilizar clipes do trabalho e a primeira música escolhida foi a lindíssima “Joy”, uma das melhores do álbum. “Grace For Saints and Ramblers” foi a primeira música a ser trabalhada, no entanto, não teve nenhum vídeo oficial, somente houve a liberação do áudio. No caso de “Joy”, o casamento visual e musical ficou do mesmo nível, ou seja, belo. Cheio de cores e formas, muito bem feito. Confira abaixo:


terça-feira, 16 de abril de 2013

Dinosaur Jr Live @ Coachella 2013



Nesse fim de semana que passou ocorreu a primeira parte do mega festival Coachella, que acontece anualmente na Califórnia desde 1999. O evento não acontece em apenas um fim de semana não, são dois. Ainda tem mais um fim de semana de atrações nos dias 19, 20, 21, 22. Os primeiros dias de festival, sexta, sábado e domingo, foram transmitidos em sua grande parte ao vivo pelo youtube. Depois de alguns dias, é hora sair à procura dos shows mais interessantes que foram gravados na íntegra. E o primeiro foi Dinosaur Jr, que tocou no domingo, dia 14. 

Quando Dinosaur Jr subiu ao palco ainda estava claro. Apesar do status lendário da banda para o rock alternativo, nomes como Nick Cave & Bad Seeds, Red Hot Chilli Peppers, Vampire Weekend, dentre outros, atrairiam mais público atualmente. Por essa razão, a apresentação também é, naturalmente, mais curta que os demais. Pouco mais de quarenta minutos de show, os quais o trio, liderado pelo guitar hero J Mascis, faz ser escutado na plenitude cada segundo. Com um show curto, mas conciso, a banda mesclou alguns de seus eternos clássicos, como “Out There”, “Feel The Pain”, “The Wagon”, “Freak Scene” e “Sludgefeast”, que fizeram a alegria dos presentes que estavam debaixo do sol, junto com as recentes “Watch The Corners” e “Rude”, do trabalho mais recente da banda, I Bet On Sky, lançado no ano passado. Um show projetado para público de festival, que com certeza ficou bastante satisfeito.