domingo, 31 de janeiro de 2016

Café & Blues: The Kitchen Table Blues (Volume 1)






Café da manhã do domingão servido de blues. Café & Blues. Essa é a ideia por trás do projeto The Kitchen Table Blues, do cantor de blues The Reverend Shawn Amos, que lançou um álbum maravilhoso no ano passado, The Reverend Shawn Amos Loves You. Semanalmente, no domingo, ele e sua banda disponibiliza no youtube um novo vídeo, no qual a banda toca ou clássicos do blues, ou músicas atuais numa versão “caseira” ou músicas de sua própria autoria. As apresentações do sempre impecavelmente elegante Shawn Amos e banda são sempre irresistíveis, numa grande mesa de jantar, com garrafa de café, frutas e pães postos à mesa, às vezes com membros da família ouvindo e balançando a cabeça com clima relaxado, às vezes até um cachorro aparece passando naturalmente. Bem despojado e despretensioso. Atualmente, o The Kitchen Table Blues já está no Volume 9 e no episódio 43. Para celebrar a maravilhosa ideia de Shawn Amos, o blog Filho do Blues irá postar a cada domingo os vídeos referentes a um volume (cinco episódios por volume).

O primeiro volume começa em 03 de abril de 2015, com a música “(The Girl Is) Heavy”, música original do primeiro EP de Shawn Amos, lançado em 2014, chamado The Reverend Shawn Amos Tells It, já introduz o clima que será visto nos episódios da série; cenário familiar, com o sol entrando forte pelas janelas e as senhoras sentadas à mesa curtindo o som. Já a faixa seguinte fica com Muddy Waters, na clássica “I Can’t Be Satisfied”, que valoriza o toque de gaita de Amos, acompanhando os acordes do violão. Dando continuidade, “Days Of Depression” é a ótima faixa de abertura do disco The Reverend Shawn Amos Loves You, com a participação de todos sentados à mesa batendo palmas e Jean McClain cantando no backing vocals.  No episódio seguinte, Shawn Amos presta homenagem a mais um grande nome do blues, Junior Wells, cantando a clássica “Hoodoo Man Blues”, de 1965 (a faixa já estava presente no EP de 2014). E para finalizar, o grande Robert Johnson está presente, com a sua icônica “Sweet Home Chicago”.

The Kitchen Table Blues é uma celebração do blues tradicional e o contemporâneo. E o Filho do Blues tem a missão de disseminar o blues, principalmente quando ele vem assim, quentinho, saboroso e reconfortante tal qual um domingo de manhã.













sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Resenha de Tedeschi Trucks Band - Let Me Get By





                Tedeschi Trucks Band é uma banda grande, de fato; a grandeza, porém, advém mais do número de integrantes do que necessariamente pelos seus feitos musicais: a banda, formada em 2010, em Jacksonville, na Flórida, que uniu as carreiras do casal Susan Tedeschi, cantora de blues e Derek Trucks, guitarrista de blues. Chegaram agora chega ao seu terceiro álbum de estúdio com o lançamento de Let Me Get By, é formada por doze membros fixos, já que o baixista de jazz Tim Lefebvre integrou permanentemente a banda (Tim foi o baixista da já icônica banda que gravou Blackstar, o último álbum de David Bowie). Os dois primeiros álbuns, Revelator, de 2011 e Made Up Mind, de 2013, foram muito bem recebidos pela crítica e pelo público, que elogiaram bastante o som da banda, principalmente suas apresentações ao vivo, que mescla o rock com a riquíssima tradição da black music, ou roots music, como blues, gospel, soul e até mesmo funk. Em Let Me Get By, no entanto, lançado hoje, o casal Susan Tedeschi e Derek Trucks e seus demais dez companheiros levam a banda a outro patamar.

O sucesso alcançado com Made Up Mind fez com que a banda fosse de vez pra estrada, apresentando-se mais de 200 vezes em 2014. Entre a correria dessa vida “on the road”, eles se reuniram no Swamp Raga Studios, o estúdio caseiro do casal, e começaram gravar a banda tocando totalmente solta, improvisando em longas jams, cada um contribuindo com ideias, músicas, melodias, harmonias, etc. Iam novamente para a estrada e depois voltavam mais uma vez para o estúdio, tanto é que muitas das músicas de Let Me Get By foram tocadas em shows durante o ano de 2015, como mostra os vídeos do youtube. Bem, o resultado disso é o incrível Let Me Get By, um álbum extremamente colaborativo, o que pode ser facilmente notado na riqueza de cada uma das dez faixas presentes no disco. A maioria das músicas em Let Me Get By ultrapassa a barreira dos cinco minutos, fazendo com que os músicos tenham mais espaço para preencher e desenvolver suas ideias, cavando cada vez mais fundo na estrutura das músicas, de forma completamente confortável, confiante e relaxada. Conseguir a harmonia de uma banda de 12 membros não é coisa fácil. A voz de Susan Tedeschi é um brilho à parte, que somado aos corais estilo gospel, faz parecer que o sagrado e o secular são, na verdade, a mesma coisa.



A faixa de abertura, “Anyhow”, já trilha o caminho grandioso do restante do álbum, com Susan Tedeschi realizando uma das melhores performances vocais de todo álbum. A prova de que uma música de longa ligação realmente funciona, quando a banda realmente sabe o que fazer, é que após Susan dar seu show particular, os últimos minutos são destinados aos improvisos de solos de guitarra sensacionais de Derek Trucks. Liricamente, o álbum como um todo é bastante positivo, pra cima, o que casa muito bem com os ritmos dançantes da maioria das faixas. A faixa seguinte, “Laugh About It”, aí se enquadra; diante das situações da vida, das pessoas querendo colocar você pra baixo, você escolhe escolher: chorar, cantar ou rir delas. Claro que nesses momentos de otimismo exacerbado, sobra espaço pra uns clichês aqui ou ali, como “life is what we made it”. Tudo tranquilo, de boa. Afinal, esse som é para ser curtido mesmo. Em “Don’t Know What It Means”, tem o ritmo mais funk, mas o que se destaca mesmo é o refrão irresistível, que faz você acompanhar batendo palmas e balançando a cabeça com os olhos fechados. A sessão de metais está sempre presente, preenchendo os espaços vazios e enriquecendo o universo sonoro, mas em alguns momentos se sobrepõe à guitarra de Derek e se soltam em solos empolgantes como no último minuto de “Don’t Know What It Means” e o solo de trompete no jazz de “Right On Time”, que lembra um pouco Louis Armstrong. “Right On Time”, inclusive, uma das melhores do disco, apresenta um dueto entre Mike Mattison e Susan Tedeshi muito bom, a voz meio que fraca, tensa e quase sombria de Mattison contrastando com a força e delicadeza da voz de Tedeschi.  

A faixa que dá título ao álbum, “Let Me Get By” é outro show à parte, quase como um culto religioso ao ar livre no meio de uma arena de rock. Gospel, blues, funk, soul e rock juntos e misturados. O teclado, que estava meio que apagado nas faixas anteriores, dá as caras agora. “Just As Strange” é mais simples e “limpa” que as outras, talvez por isso seja por elas totalmente eclipsada, mas ao menos mantém o ritmo fluindo. Já “Crying Over You / Swamp Raga For Hozapfel, Lefebvre, Flute And Harmonium”, cantada por Mike Mattison, é outra mudança de direção, focada bem mais no soul; uma viagem quase épica e com uma melodia belíssima, além da variação musical que cada um dos músicos coloca aqui (principalmente o melhor solo de guitarra do álbum), o que faz valer os oito minutos de música, com os dois minutos finais cheios de sons orientais, tipo flautas e cítaras. Depois de deixar Mattison brincar um pouco, Susan Tedeschi volta com tudo na bela e melódica “Hear Me”. O álbum caminha pro fim com o R&B de “I Want You”, que parece feita sob encomenda para as pistas de dança, mas que do meio pro final vira numa jam-session estranha e sensacional.  O desfecho vem com chave de ouro em “In Every Hear”, mais um gospel-blues-soul incrível.  


Enfim, Let Me Get By consegue captar todo o potencial da grande banda Tedeschi Trucks Band, agora não somente grande apenas no número de integrantes, mas grande também pela música, recheada de maturidade, criatividade e profundidade. Um grande e grandioso álbum. Sem dúvida, “grande” é o adjetivo perfeito para Let Me Get By.



quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Confira a apresentação de John Lee Hooker, em 1970, no Detroit Tube Works



                John Lee Hooker é um dos nomes mais importantes da história do blues, principalmente no momento de transição entre o blues rural, o Delta blues, para um blues eletrificado e urbano. Alguns tiveram como destino a cidade de Chicago, como os clássicos Muddy Waters, Howlin’ Wol; outros foram para Memphis, como B. B. King, ou Detroit, como foi o caso de John Lee Hooker. O estilo implementado por Hooker revolucionou o gênero, ampliando seus limites e possibilidades. Em sua homenagem, a postagem de hoje é um vídeo ao vivo gravado para o programa de TV chamado Detroit Tube Works. Dividido em duas partes, o vídeo mostra uma ótima apresentação de Hooker com sua banda em 1970. Os destaques da primeira primeira parte são a música “Never Get Out of These Blues Alive” e “It Serves Me Right to Suffer”, antes da qual aparece Hooker dizendo que o dinheiro pode resolver muitas coisas, mas não resolve o amor. A segunda parte é uma versão longa de “Hobo Blues”. Vale a pena conferir:





segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Mesmo após a morte, David Bowie anuncia programação para novos álbuns


               
Bem, para David Bowie, fazer da própria morte uma obra de arte não é o bastante; o homem tem aspirações maiores: ter o domínio também do seu pós-vida. O sucesso mundial alcançado por Blackstar – de crítica e de público – parece não ter sido o último do grande artista e cantor inglês. Isso porque surgiu a notícia, vinculada por vários portais na internet, de que David Bowie havia programado uma série de lançamentos para depois de sua morte, o primeiro programado para os fins de 2017. Segundo uma fonte próxima ao cantor, as compilações seriam dividias em “eras”, mas sem obrigação de serem lançadas em ordem cronológica, além de grandes possibilidades de haver músicas inéditas dentre o material, podendo constar músicas não lançadas que remetem ainda à década de 70. A informação de material inédito nesses álbuns póstumos, no entanto, não foi confirmada. Levando em consideração tanto o longo período “inativo” de David Bowie na última década (de 2004 até 2013), quanto a característica do artista altamente produtivo e criativo, é bem provável que haja algo a ser descoberto por aí. Só nos resta esperar e continuar rendendo a Bowie todos os louros que ele merece. A hipótese é fortalecida ainda mais com uma entrevista concedida por Tony Visconti sobre músicas que foram compostas para a peça Lazarus, mas que não constaram na tracklist de Blackstar. Informações relatavam ainda que nas últimas semanas de vida, Bowie estava trabalhando num novo álbum, tendo gravado a demo de algumas músicas. Além dessas notícias empolgantes, também foi confirmado que está em processo um álbum gravado pelo elenco da peça Lazarus, a qual Bowie foi um coautor. Michael C. Hall, que interpretou o protagonista na peça, canta vários números do repertório do próprio Bowie, bem como a faixa “Lazarus”, de Blackstar e cujo clipe é tido como uma narração músico-narrativa da própria morte. O ator de Dexter já cantou “Lazarus” no programa de TV The Late Show With Stephen Colbert. 




PJ Harvey anuncia novo álbum, The Hope Six Demolition Project



                A lista de lançamentos futuros está engrossando a cada que passa. Somando-se a Joe Bonamassa, Iggy Pop e Weezer, outro grande lançamento é esperado para os primeiros meses do ano. Após cinco anos do lançamento do aclamado Let England Shake, o melhor álbum de sua carreira, PJ Harvey anunciou que irá lançar um novo disco em 15 de abril, chamado The Hope Six Demolition Project. O álbum tem uma história interessante; em meio a viagens para Kosovo, Afeganistão e Whashinton, com o fotógrafo e cineasta Seamus Murphy, e enquanto fazia também o seu livro de poesia, The Hollow of The Hand, Harvey começou a gravar The Hope Six Demolition Project em sessões abertas para o público, como parte de uma exibição no Museu de Londres no ano passado. Vários ingredientes para um grande álbum à vista. Abaixo segue um trailer do disco com trechos de duas músicas, “The Community of Hope” e “The Wheel”, esta última que também é o primeiro single do trabalho.

Tracklist

01 The Community of Hope
02 The Ministry of Defence
03 A Line in the Sand
04 Chain of Keys
05 River Anacostia
06 Near the Memorials to Vietnam and Lincoln
07 The Orange Monkey
08 Medicinals
09 The Ministry of Social Affairs
10 The Wheel
11 Dollar, Dollar


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Confira "Gardenia", nova música de Iggy Pop e Josh Homme ao vivo no Late Show With Stephen Colbert



                A postagem de ontem foi sobre o anúncio do novo álbum de Iggy Pop, em colaboração com Josh Homme, Post Pop Depression. Ontem a noite, ambos foram os convidados no programa The Late Show With Stephen Colbert, tocando uma música de Post Pop Depression, o primeiro single, chamada “Gardenia”, além de sentar para uma entrevista com Colbert, na qual a dupla fala sobre a experiência de trabalhar junto. A música, com uma guitarra pesada típica dos trabalhos de Homme, varia de estrofes com a letra falada e um refrão bastante melódico. Muito boa. O detalhe chocante, no entanto, é que Iggy Pop deixou de lado a memorável persona selvagem e sem camisa, e se apresentou todo alinhado, em trajes sociais. No mínimo estranho. Abaixo segue a capa de Post Pop Depression, a apresentação da dupla em “Gardenia” no Late Show With Stephen Colbert, o vídeo da entrevista e, por fim, a versão de “Gardenia” no estúdio:








quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Iggy Pop anuncia Post Pop Depression, álbum colaborativo com Josh Homme



                A morte de David Bowie no início do mês deu um tom apocalíptico ao ano de 2016. Somando-se a esse clima, saiu a notícia hoje de que Iggy Pop esteve trabalhando secretamente com Josh Homme, do QOTSA, em um álbum que será lançado no dia 18 de março e tem um título bem simbólico: Post Pop Depression. Ao contrário do que muitos podiam prever, Iggy Pop, o loucaço do The Stooges, é o último que restou da tríade do glam-rock e underground da década de 70 (que tinha, além de Pop, Lou Reed e David Bowie). Segundo as declarações de ambos, Pop e Homme, o projeto, bancado com dinheiro próprio, levou-os a novos limites, a lugares onde nunca estiveram.


Segundo Iggy Pop, o álbum também parece seguir um conceito, lidando com a problemática de utilidade e legado quando a carreira de alguém está aproximando-se do fim: “Na América, por ser tão competitiva, o que acontece quando você finalmente fica inútil para todo mundo, exceto, com sorte, você mesmo? O que acontece então? E você pode continuar a ser útil para você mesmo? Eu tinha um tipo de personagem em mente. Era tipo uma mistura entre mim mesmo e um veterano militar”.  Parece ser um pouco da visão insegura que Pop tem de si mesmo e de seu lugar no mundo da música hoje. Mas Homme tratou de reservar o lugar devido a Pop: “Ele é o último dos únicos. Esta é a volta olímpica de um homem que não tem certeza que venceu. Mas ele venceu”, completa Homme.

                Post Pop Depression, que terá nove músicas, foi gravado nos estúdios de Josh Homme com uma banda de apoio que conta com Dean Fertita do QOTSA e Dead Weather na guitarra e teclados e o baterista de Arctic Monkeys, Matt Helders. Post Pop Depression parece ter todos os ingredientes para Iggy Pop voltar a cravar um grande álbum na sua carreira para figurar junto com The Idiot e Lust for Life como clássicos.