




Dando continuidade à coluna Panteão dos Deuses (tendo iniciado com deus, David Bowie), é hora de preparar o assento para simplesmente ninguém menos do que os Beatles. John, Paul, Ringo e George, esses quatro rapazes nasceram para mudar o mundo. Não é exagero dizer que foram eles que construíram os pilares de cada um dos inúmeros gêneros do rock n roll. Pós-década de 60, todo mundo foi influenciado direta ou indiretamente pelos Beatles. Os conceitos de cada um desses gêneros nasceram ou tomaram grandes escalas ali. “Helter Skelter”, é, possivelmente, a primeira música de heavy metal, embrionária ainda, mas os conceitos foram lançados. O rock alternativo, psicodélico, hard rock, e até mesmo o pop, não seriam os mesmos sem os Beatles.
A carreira musical dos Beatles inclusive é relativamente curta. De Please Please Me, de 1963, primeiro álbum, à Let It Be, de 1970, são apenas sete anos, mas sem dúvida foram os sete anos mais intensos e criativamente ativos que já existiu. E grande parte dessa atividade é devida aos Beatles. Esse período em que os Beatles esteve produzindo pode ser dividido em duas partes, ambas importantíssimas e inseparáveis. A primeira parte, de 1963 até 1965, quando os Beatles se tornou na primeira mega banda de rock, tornando o estilo popular em todas as partes do mundo, abrindo inclusive as portas para a Invasão Britânica, como The Who, The Kinks, Rolling Stones, dentre outros. Outro ponto determinante desse período foi que o sucesso astronômico e a idolatria da beatlemania emitiram e disseminaram amplamente as experimentações sonoras futuras. Musicalmente, esse período detém os maiores hits da banda como “Love Me Do”, “Twist and Shout”, “It Won’t Be Long”, “All My Loving”, “I Wanna Hold Your Hand”, “A Hard Day’s Night” dentre inúmeras outras. O som era muito fincado no rock no seu início, com os três grandes pioneiros do rock, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis e Little Richards, inclusive com os Beatles fazendo algumas versões de músicas deles.
O marco para o início da segunda e mais prolífera fase dos Beatles foi um encontro histórico com Bob Dylan, em 28 de agosto de 1964, que fez os Beatles usarem a maconha pela primeira vez, fato que consequentemente fez com que começassem a compor sob o efeito da droga. Isso fez com que um novo mundo completamente inexplorado surgisse. O mundo também estava mudando. A revolução social e sexual dos anos 60 estavam começando, inclusive no mundo das drogas, com o movimento de contracultura dos hippies.. Os jovens também passaram a ser politicamente conscientes, engajando-se principalmente em atos contra a guerra do Vietnã. Como os grandes nomes do rock eram ícones, eles passaram a influenciar muito a juventude e nas letras, sobretudo de John Lennon, passou a tratar de coisas mais subjetivas e com mensagens anti-guerra.
Musicalmente, o efeito pode ser notado mais claramente com Rubber Soul, de 1965, onde os Beatles deram uma incrementada no rock, com uma nova cara, alterando estruturas pré-definidas, acrescentando um peso aqui, outro ali, e inovando na utilização de instrumentos e arranjos novos e mais bem trabalhados. Com mais alguns anos, adicionando LSD na experiência, os Beatles mergulharam no rock psicodélico e mais uma vez mudaram o mundo. Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, Magical Mystery Tour e White Album, duplo, são obras majestosas e estão dentre os melhores álbuns de todos os tempos. Tudo isso em apenas dois anos, entre 1967 e 1968.
A partir de 1969 a tensão cresceu entre os integrantes, principalmente entre John e Paul. A causa da intriga era a nova esposa de John Lennon, Yoko Hono. Mesmo assim, esses últimos anos de atividade dos Beatles geraram dois grandes álbuns, Abbey Road e Let It Be, de 1969 e 1970, respectivamente, apesar de Let it Be ter sido gravado antes de Abbey Road. Apresentando um som mais sério e maduro, ambos os trabalhos acrescentam um tom mais clássico às músicas. Por fim, em 1970, as tensões chegaram ao limite e os Beatles anunciaram seu fim, deixando para trás o maior legado que uma única banda poderia deixar. Seus integrantes partiram para carreira solo, alguns ainda lançando álbuns notáveis, principalmente John Lennon.
Mas The Beatles é o tipo da banda que só ocorre uma vez na história, na reunião de quatro grandes talentos, nenhum funcionando da mesma forma isoladamente. Então Amém, John, Paul, George e Ringo! E obrigado!

Existem vários loucos no mundo na música, mas nenhum como Wayne Coyne, do Flaming Lips, disso eu tenho certeza. Esse cara levou o conceito de insanidade musical a níveis nunca vistos. Para se ter uma idéia do que Coyne e sua banda fizeram nos últimos meses aqui vai algumas: Primeiro lançaram uma faixa de seis horas de duração chamada “I Found a Star on the Ground”, acharam pouco e irão lançar neste Halloween uma música de 24 horas de duração (?) chamada “7 Skies H3” (?!). Para piorar, a música de um dia de duração estará disponível num HD dentro de uma caveira humana, custando somente $5,000. Numa entrevista muito bem humorada à Pitchfork, Wayne explica um pouco toda essa insanidade e o que ele espera de tudo isso, além de projetos de colaboração com outros artistas, como Nick Cave, Death Cab for Cutie, Deerhoolf, dentre outros. Wayne, por sinal, leva muito a sério o Halloween e irá fazer no dia um show especial. Ele disse que uma garota escreveu para eles no twitter: “vocês deveriam passar aqui em casa e tocar”, e Wayne respondeu: “Ok, nós iremos tentar”. E vão mesmo. Ele disse que irão tocar “Halloween” do Dream Syndicate e uma ou duas músicas do Flaming Lips, antes da polícia chegar e desligar tudo. A garota da casa irá decidir quem pode ir, porque ele não quer que todo idiota na cidade apareça bêbado na casa dela.
Depois ele falou sobre as colaborações e anuncia que irá sair em dezembro um EP com o Deerhoolf, com quatro músicas. Melhor ainda, disse que fizeram alguma coisa com Nick Cave, mas como ele está em turnê agora só irão trabalhar mais no projeto depois de Novembro. E revela como vem à tona essas colaborações: tudo por email, ele manda e recebe as coisas, ele e muitos artistas preferem não sentar frente a frente para criar música, “é muito mais fácil e menos estressante”, Wayne diz.

Sobre as insanidades recentes, ele explica o que espera ao lançar uma música de seis horas e de vinte e quatro horas e como imagina as pessoas ouvindo isso. Sobre a de seis horas, ele disse que é feita para ouvir enquanto se faz outras coisas, que é como as pessoas escutam música de qualquer forma. Quanto à de um dia de duração, Wayne diz que tem que haver mais comprometimento e sugere que não escutem ela de uma só vez, mas provavelmente alguns irão. Ele até imagina um grupo de pessoas pegando uns cogumelos, indo para um quarto de hotel e dizendo “isso nos mudou”. Quando a Pitchfork pergunta se ele pensou em fazer uma música de uma semana de duração à essa altura ele responde que eles estavam pensando em fazer uma de um mês (!), mas ai chegaram nas limitações tecnológicas (quem diria!).
E no final a melhor revelação. Ao ser perguntado se fazendo todas essas loucuras, ele não se sente impelido a fazer um álbum mais tradicional, ele diz que sim, no momento em que eles imergem nessas coisas insanas, eles querem voltar a fazer algo normal, música, notas e expressão. E exemplifica de forma que deixou todo fã ansioso: “quando nós estávamos fazendo Zaireeka em 1997 (insanidade completa), fomos submersos por essas coisas que bombardearam-nos dos quatro lados e então nós fomos fazer as coisas que futuramente viria a ser The Soft Bulletin”, “uma experiência faz você desejar outra”, Wayne finaliza.
Fiquem com um pedaço de Soft Bulletin:
Stephen Malkmus & The Jicks estão se destacando esse ano com o lançamento de Mirror Traffic, um dos melhores trabalhos do rock alternativo do ano. A banda então foi convidada para o programa de rádio KCRW e tocou várias faixas do novo álbum, com destaque, sobretudo, para “Brain Gallop”. Segue abaixo os vídeos das apresentações:
"Stick Figures in Love"
"Brain Gallop"
"Forever 28"
"Share the Red"
"Gorgeous Georgie"
"All Over Gently"
"Asking Price"


Como já havia sido antecipado aqui pelo blog, hoje, 26/10, foi lançado virtualmente o primeiro single de El Camino, novo álbum do Black Keys, “Lonely Boy”. Então a banda postou no youtube um vídeo com a faixa, que segue abaixo. Gostei bastante da música, bem animada, dançante, com um riff marcante e com refrão forte, ou seja, todos os ingredientes para um single. Depois de ter publicando um teaser sobre o novo álbum no mínimo curioso, o vídeo também ficou muito descontraído e engraçado, com um negão cantando e dançando hilariamente no ambiente deo trabalho, provavelmente no horário de almoço quando ele se encontrou sozinho aproveitou para relaxar e extravasar um pouco, no caso, muito.
Só para lembrar que dia 06 de dezembro sai o restante de El Camino. Teoricamente, né? Porque até lá a Internet pode antecipar as coisas.
“Lonely Boy”

