Finalmente saiu a faixa homônima
do novo álbum de Buddy Guy, Born To Play Guitar, a ser lançado no dia 31 de
julho e já se pode dizer: sensacional. Acompanhado inicialmente por delicadas
notas na sua guitarra e com a letra autobiográfica, do nascimento em Louisiana
ao reconhecimento mundial, Buddy Guy declara seu autêntico amor pelo blues, ao
qual dedicou toda sua vida, afinal, “my mama told my papa, our little boy got
the blues”. É uma música bela, honesta e emocionante, tudo o que se espera do
melhor do blues. Coisa de quem, como a própria letra diz, tem blues correndo
pelas veias. Um grande candidato a faturar o título de melhor música do ano.
segunda-feira, 29 de junho de 2015
sexta-feira, 12 de junho de 2015
Buddy Guy anuncia novo álbum, Born To Play Guitar
Depois
de receber o Grammy Lifetime Achievement Award, no começo do ano, pelas cinco
décadas tocando e pregando o blues mundo afora, Buddy Guy não dá indícios de
que esteja saciado. Isso porque o ícone do blues acaba de anunciar seu novo
disco de estúdio, chamado Born To Play Guitar, que será lançado no dia 31 de
julho, pela RCA Records, e que está sendo produzido pelo amigo e colaborador
Tommy Hambridge. O último trabalho de estúdio de Buddy Guy foi o disco duplo
Rhythm & Blues, lançado em 2013, produzido pelo mesmo Hambridge e que
contou com a participação de vários convidados especiais, como Gary Clark Jr.,
Beth Hart, Keith Urban, entre outros. Depois de um grande baque sofrido pelo
blues como um todo quando da morte de B. B. King, é importante para reafirmar
que a vida segue, assim como o blues. Deixo vocês com “Blues Don’t Care”, com
Glary Clark Jr:
sexta-feira, 15 de maio de 2015
B.B. King morre aos 89 anos e faz show secreto hoje repleto de convidados especiais.
Quando você muda o curso de algo significante no mundo, como
você deve estar na hora de partir? Quando você nasce como um "zé
ninguém", invisível socialmente, numa plantação de algodão no extremamente
violento e segregado sul dos Estados Unidos, regido pela lei do Jim Crow,
colhendo algodão dia a dia para sustentar a si e a sua família e morre, 89 anos
depois, como o "Rei do Blues", conhecido mundialmente? Você vai
querer largar o osso? Ninguém vai. Por isso que o rei fazia questão de estar em
cima de um palco enquanto tivesse saúde para isso. Infelizmente, não tem mais.
E a tristeza de hoje é por isso. Não pela limitação da alma humana em toda sua
magnitude. Mas pela limitação física e corporal, que fez deixar esse plano um dos
últimos remanescentes da segunda geração legendária do blues.
B.B. King nos deixa o legado não só de sua música em quase
60 anos de carreira, seu estilo de tocar a sua guitarra Lucille, mas de sua própria
vida. Dono de 16 Grammy’s, mais de 50 discos e clássicos que moldaram o rumo do
blues e do rock, B. B. King parte hoje para ver sua obra sob um novo plano, uma
nova perspectiva. E com certeza, onde quer que esteja, ele está observando sentado em cima de um palco, com vários convidados especiais ao seu lado, Lucille nos braços, e sorrindo. Orgulhoso.
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Baixe o novo disco de Siba, De Baile Solto
Depois
do grande sucesso alcançado com o último disco, Avante, Siba dá continuidade à
sua carreira com o lançamento do seu novo trabalho, De Baile Solto, lançado
hoje – e disponibilizado para baixar – através do seu site oficial (http://www.mundosiba.com.br/). Para
quem acompanha as postagens de Siba pelo facebook percebe uma preocupação muito
grande com a forma com que manifestações culturais, como o Maracatu de Baque
Solto, é tratado pelas autoridades e às vezes pelo público. É por isso que, em
De Baile Solto, Siba volta às raízes rítmicas da música de rua pernambucana.
Em suas
palavras “O texto deste De Baile Solto pode ser lido como uma tentativa – às vezes
frustrante – de expressar a grandeza absoluta de uma ave de rapina ante a
arrogância dos senhores quê se arrastam pela terra, exaltar a potência criativa
e social de formas de expressão forjadas coletivamente por pessoas
marginalizadas e excluídas, reafirmar a crença tola na embriaguês do verso,
dizer de um amor só possível em laço de família de qualquer tipo, levantar a
voz contra fantasmas de carne e osso, reafirmar o valor da amizade e
camaradagem, negar ao dinheiro o lugar central que o permitimos ocupar em nossas
vidas, forjar uma fuga imaginária para um mundo em que caiba o poeta e, por que
não, seus inimigos também, aceitar que a vida é muito mais curta do que os
desenhos, que a água e o fogo forjam com o tempo e que talvez, de eterno, só
mesmo o canto que o pássaro deixou guardado no escuro da árvore antiga”.
Com uma nota
dessa, o que nos resta é curtir o som e a poesia de Siba mais uma vez.
sábado, 25 de abril de 2015
Alabama Shakes toca "Gimme All Your Love" no SNL
Depois
de se apresentarem para o mundo com o álbum de estreia, Boys & Girls, em
2012, a banda Alabama Shakes, liderada pela cantora Britanny Howard, retorna
com o lançamento do seu disco de sequência, Sound & Color, sem decepcionar
nem sentir o peso da responsabilidade em momento algum. Em breve o Filho do
Blues irá escrever a merecida resenha do novo trabalho da banda. Enquanto isso,
divulgando o novo trabalho, Alabama Shakes fez uma visita ao Saturday Night
Live e tocou um dos grandes destaques do álbum, a joia “Gimme All Your Love”,
que mostra o porquê Howard pode ser considerada uma das grandes vocalistas da
atualidade. Confira:
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Resenha: Leo Welch - I Don't Prefer No Blues
Leo
“Bud” Welch, foi recebido com entusiasmo pelo cenário musical do blues, logo no
início de 2014, com o seu álbum de estreia chamado de Sablouga Voices. Ainda
que tenha mostrado no seu trabalho um som muito interessante, mesclando o
estilo do Chicago Blues com o Gospel tocado nas Igrejas batistas pelo Sul dos
Estados Unidos, outro detalhe certamente não passou despercebido e trouxe uma
sensação de extraordinário ainda maior: o som vigoroso do blues elétrico ouvido
em Sablouga Voices vinha de um senhor no auge dos seus 81 anos, que passou a
grande parte de sua vida trabalhando anonimamente durante o dia e tocando em
festas e igrejas. A preciosidade da estreia vinha junto com um sentimento de
que infelizmente não veríamos uma longa carreira de Leo “Bud” Welch;
possivelmente aquele seria o único registro de sua carreira tardia. Essa
sensação foi logo refutada – ou pelo menos parte dela – com o lançamento, pouco
mais de um ano depois, do seu segundo álbum, chamado I Don’t Prefer No Blues,
um registro ainda mais vigoroso e impactante do que o seu antecessor. As
resenhas são unânimes: já é um clássico contemporâneo do blues.
O novo álbum veio de um acordo de Welch com a gravadora Fat Possum’s Big Legal
Mess, que acertaram que depois de lançar o álbum de blues-gospel (Sablouga
Voices), “Bud” Welch gravaria o seu outro lado, a versão secular do blues. E é
exatamente isso que é visto em I Don’t Prefer No Blues. Com exceção da faixa de
abertura – e uma das melhores do disco - “Poor Boy”, que ainda demonstra um
pouco do coral do blues gospel e a penúltima faixa “Pray On” (que de gospel só
tem a letra), é o profano que comanda no restante do álbum. “Girl In The Holler”
é tão intensa que é praticamente irrelevante o fato de ser tocado por um senhor
de 82 anos, sensação que impregna durante praticamente todo o disco,
especialmente em “Too Much Wine”, “I Woke Up”. Leo “Bud” Welch escolhe a dedo
alguns outros clássicos do blues, como “Goin Down Slow”, “Cadillac Baby” e “Sweet
Black Angel”. Seu som vai do Delta Blues do início da carreira de Muddy Waters
ao blues elétrico, improvisado, ao vivo, sujo e cheio de riffs de R.L. Burnside
e engana-se quem possa vir a achar que o elemento idade não tem influência
alguma no conjunto final: Leo Welch vivenciou tudo isso. É uma autenticidade
que somente a experiência de vida poderia passar.
terça-feira, 24 de março de 2015
Resenha de Joe Bonamassa - Muddy Wolf
Assim
como é impossível falar de Rock sem mencionar The Beatles e Rolling Stones, por
exemplo, é inconcebível alguém referir-se ao blues sem tocar nos nomes de Muddy
Waters e Howlin’ Wolf, provavelmente as duas maiores lendas do gênero musical. E
para ratificar esse status, o guitarrista Joe Bonamassa resolveu fazer uma
homenagem mais do que especial e merecida para os dois artistas que moldaram
não só o blues, mas o próprio rock, através dos já referidos Beatles e Stones, sem
falar em Eric Clapton, Led Zeppelin, e por aí vai.
Joe Bonamassa acaba de lançar em CD e DVD Muddy Wolf, resultado do show que ele fez no Red Rocks, em agosto de 2014, no qual ele tocou clássicos de ambos os músicos. Dividindo a apresentação em dois sets (o primeiro dedicado a Muddy Waters e o segundo a Howlin’ Wolf), Bonamassa utiliza de um recurso interessante no começo de cada um deles. Primeiro, depois de uma breve nota introdutória e histórica sobre a importância dos dois para o blues, coloca um áudio original de Muddy Waters falando um pouco sobre sua história; logo em seguida, o próprio Muddy inicia “Tiger In Your Tank”. É aí que Joe Bonamassa aproveita o gancho e começa a sua versão, com uma pegada incrível de sua banda. Bonamassa usa a mesma estratégia antes do set dedicado a Howlin’ Wolf, com o lendário discurso do “What is the blues?”, continuando com “How Many More Years”, uma das mais icônicas do lobo uivante.
É
complicado falar de um set que inclui as faixas mais clássicas tanto de Muddy
Waters quanto de Wolf, como “I Can’t Be Satisfied”, “Double Trouble”, “My Home
Is On The Delta”, “All Aboard”, por parte de Muddy Waters e “How Many More
Years”, “Shake For Me”, “Evil”, “Killing Floor”, por parte de Howlin’ Wolf. Com
certeza que ficou faltando alguma de um ou do outro, mas é bastante difícil a
escolha de uma tracklist como essa. O que mais deve ter influenciado a decisão
de Bonamassa foi a forma de execução de sua banda, escolhendo as faixas que
mais se encaixava no estilo e precisão que ele desejava. E sem dúvida ele
acerta em cheio. Todas as faixas estão executadas com uma maestria incrível,
várias delas ultrapassando a barreira dos seis minutos de pura energia e vigor,
com um impecável sincronismo entre os
solos dos diferentes instrumentos, além de, claro, muita emoção, caso contrário
não seria o bom e velho blues.
Ainda
existe uma terceira parte do show, quando Joe Bonamassa reserva algum tempo
para soltar algumas faixas de sua carreira, principalmente do seu último álbum,
Different Shades of Blue, de 2014, como “Hey Baby (New Rising Sun)” e “Love Ain’t
A Love Song”, bem como “The Ballad of John Henry”. É um bom complemento, mas
com certeza o que brilha mesmo no álbum são as faixas de Muddy Wolf, claro.
Muddy Wolf, além de ser, portanto, uma delícia para quem já é fã do blues, acaba caracterizando-se também como uma ótima entrada para quem deseja conhecer um pouco mais da obra desses dois maiores gênios do blues.
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