quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Feliz Ano Novo! (e novo álbum de David Bowie)



Em meio à correria do último dia do ano, entre os votos de Feliz Ano Novo e tudo mais, surge a notícia de que vazou o novo e tão esperado disco de David Bowie, Blackstar, cuja data de lançamento é o dia de aniversário de Bowie, 8 de janeiro. 2015 se despede com um pé já no futuro e nada melhor para simbolizar isso do que um lançamento inédito de David Bowie. Você pode baixar o Blackstar neste link

Então o Filho do Blues deseja a todos os leitores um 2016 de muita luz, paz, saúde e claro, muita música boa. Muito obrigado aos que acompanharam o blog mais um ano na nossa trajetória. Um grande abraço a todos!


terça-feira, 29 de dezembro de 2015

R.I.P Lemmy Kilmister



Triste terminar o ano com um post de despedida; Em 2015 já tivemos a partida de um grande rei da música, o King Of The Blues, B. B. King. Nos últimos dias do ano, ficamos sabemos que outro gigante, outro mito, outro rei da música, do rock e do heavy metal, tinha partido. Logo ele que parecia uma rocha inquebrável, que pertencia aos imortais, aos sobreviventes do estilo de vida rock n’ roll (cigarro, jack daniel’s, speed, strippers e rock n’ roll); ele mesmo, Lemmy Kilmister, do Motorhead, aos 70 anos. Transitando pelo submundo da música desde os anos 60, fissurado pelo blues e pelos Beatles, Lemmy conseguiu realizar uma das misturas mais loucas da música e criar o som heavy metal único de Motorhead. Lemmy sempre disse que morreria no palco. Foi por pouco; com um álbum lançado esse ano, Bad Magic, até poucos meses a banda estava em turnê (que chegou inclusive a cancelar alguns shows pelo debilitado e aparente estado de saúde de Lemmy). Como disse o perfil oficial da banda que anunciou a morte de Lemmy, é hora de celebrar a vibrante vida de Lemmy, colocar Motorhead, Hawkwind, ou seja, a música de Lemmy para tocar alto e tomar uns drinks.


Abaixo segue algumas das mais clássicas de Motorhead, como “Ace of Spades” e “Overkill” e algumas músicas da banda pouco conhecida de Lemmy, focada mais no rockabilly e do blues dos anos 50, chamada The Head Cat. 










segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Melhores Álbuns de 2015 - Parte V






Sem dúvida, o ano de 2015 ficará marcado na história do blues e da música como o ano em que perdemos B.B. King, aos 89. O luto do blues, no entanto, será inegavelmente bem mais duradouro. Originalmente um estilo executado pela comunidade negra norte-americana e direcionado para a própria audiência negra no início do século XX, foi somente a partir da década de 60, especialmente impulsionado pela grande evidência dada ao blues pelas bandas britânicas, que o blues foi apresentado a um público mundial em escala mundial – e até certo ponto, apresentado para os brancos do próprio Estados Unidos. A partir daí, apesar de ter sido a base para inúmeros estilos da música popular, o blues foi perdendo tanto o público consumidor, seduzido pelos estilos mais modernos, quanto os seus grandes expoentes.  Fora os que já haviam partido até então, os gigantes lendários do blues foram caindo um a um: Sonny Boy Williamson II (1965), Mississippi John Hurt (1966), Little Walter (1968, Skip James (1969),  T. Bone Walker (75), Howlin’ Wolf (76), Muddy Waters (83), Lightnin’ Hopkins (82), Son House (88), Memphis Slim (88), Willie Dixon (92), John Lee Hooker (01), sem contar, claro, com vários outros. Então, em um cenário em que a renovação de grandes nomes no mainstream é difícil e com a perda inevitável dos ícones remanescentes, a morte de B. B. King foi muito sentida e lamentada, tanto pelo seu valor humano quanto pelo seu valor simbólico.

É imerso nesse contexto que o mundo do blues e da música em geral recebe com grande entusiasmo o novo álbum de Buddy Guy, uma das últimas lendas vivas do blues, que acaba de completar 79 anos. Born To Play Guitar tem um duplo valor, igualmente importantes. O primeiro é o valor musical de mais um álbum na carreira desse grande guitarrista, que influenciou a vida de nomes como Jimi Hendrix, Eric Clapton, Jimmy Page, Rolling Stones, etc e que mais uma vez conta com várias participações de peso, tais como Billy Gibbons, da banda ZZ Top, Van Morrison, Eric Clapton (olha ele aí), Kim Wilson, da banda The Fabulous Thunderbird, e Joss Stone. O outro é o valor simbólico que pode estar contido na mensagem que se diz por essas terras tropicais: o blues está vivinho da Silva! Buddy Guy canta sobre o blues com a propriedade conferida de quem viveu para a música e toda a tradição desses nomes que já se foram está presente e pode ser sentida no disco. Além disso, ainda tem uma faixa especial para B.B. King, “Flesh & Bone”, cantada com Van Morrison, e uma emocionante homenagem a Muddy Waters, na música que fecha o álbum, “Come Back Muddy”. Buddy Guy já falou em entrevistas que o último recado dado por Muddy Waters, numa conversa pouco antes de falecer, foi um apelo bem claro: “keep the damn blues alive”. É a isso que Buddy Guy tem se dedicado desde então e Born To Play Guitar é uma declaração apaixonante de amor a um estilo de música, de vida, e, claro, ao instrumento a que está mais associado.

A faixa que abre o álbum dá o tom autobiográfico que reaparece em vários outros momentos do disco. Começa com Buddy Guy acompanhado somente de sua guitarra, mas no decorrer da música vão sendo acrescidos o piano e a bateria. A letra narra sua ascensão, saindo de Louisiana para ser reconhecido no mundo todo por causa do blues e da sua guitarra. “Wear You Out” já é bem mais agressiva, um blues-rock com solos mais vibrantes e a voz rasgada do convidado Billy Gibbons. A parceria funcionou muito bem, Guy com sua voz mais limpa e Gibbons apresentando o outro lado.  “Back Up Mama” é outra que se destaca, com um estilo próximo ao Delta blues eletrificado de Chicago e uma letra que mostra a já clássica malícia sexual bastante presente na tradição do blues “i got a back up mama, if mama number one is not around”. Puro blues. Mais uma vez, Buddy Guy executa belos solos, que se alterna com solos de pianos. Em“Too Late” outro instrumento se insere na equação: Kim Wilson agrega sua intensa gaita e, sem dúvidas, torna o conjunto ainda mais compacto e poderoso, uma locomotiva a pleno vapor. As músicas do álbum inclusive estão mais concisas e curtas, diferentes de outros trabalhos de Guy nos quais algumas das faixas ultrapassam os sete minutos. Em Born To Play Guitar as mais longas ultrapassam pouco os cinco minutos, mas dá a sensação de que pouco ou quase nada deixou por dizer.

 “Whiskey, Beer & Wine” é mais dançante, um pouco funky, feita pra festejar, como o próprio nome sugere e relaxar e se ver livre das preocupações, pois, como Guy diz: “you can fix anything with whiskey, beer and wine”. Quem irá questionar o velho Guy nessa?  Ainda dá tempo para uma homenagem ao “good ol’ days”. Em “Kiss Me Quick”, Kim Wilson faz novamente um trabalho vigoroso na gaita. As duas faixas que contam com sua presença são as menores do disco, mas são talvez as mais intensas. “Crying Out of One Eye” apresenta um conjunto de metais, que deixa o clima mais soul. A letra é muito interessante, mostrando a falsidade do sofrimento, enquanto está rindo e saindo por aí. “when you say goodbve you were only crying out of one eye”. Ótima imagem. “(Baby) You Got  What It Takes” é a vez do dueto de Buddy Guy e Joss Stone, com sua voz sensual.

Depois da sequência de participações, uma série de Buddy brilhando sozinho com sua guitarra. “Turn Me Wild” parece ter um tom biográfico em sua relação com o blues e a guitarra. “didn’t learn nothing from a book, no I never took a leason, when it comes to the blues I do my own kinda of messin’”. Ao invés de um garotinho que sempre andou na linha, o blues o deixou como um cachorro vira-lata procurando a toca do coelho. Em “Crazy World” Buddy Guy deixa um pouco de lado os temas mais tradicionais do blues, geralmente bem mais regional, para refletir a situação meio insana do mundo na atualidade, como violência, concentração de renda, fome, e outras das mazelas da sociedade global. É como o blues saísse do sul norte-americano para ver o seu reflexo também em esfera mundial. “Smarter Than I Was” tem um riff constante e a voz de Guy um tanto distorcida e gritantes solos de guitarra.

A parte final é um tributo ao blues, claro, e a dois gigantes do gênero. “Thick Like Mississippi Mud”, mais um dos grandes destaques álbum, já começa atestando uma das grandes verdades do blues: “good whiskey and women can drop you to your kness”. Os momentos mais emocionantes sem dúvidas ficam para as duas últimas faixas. “Flesh & Bone”, com a participação de Van Morrison, é dedicada a B. B. King, falecido em maio desse ano. Segundo Guy, a música já havia sido gravada quando ficou sabendo da morte do amigo. A letra, com a música no clima religioso, repleta de órgãos e corais, fala exatamente da mortalidade. “This life is more than flesh and bone / find out now before you gone / when you go your spirit lives on / this life is more than flesh and bone”, diz o refrão. Por fim, “Come Back Muddy” é uma tocante e sincera música saudosa de Muddy Waters, falecido em 1983. A delicada canção, acompanhada pelo violão e piano, mostra a falta que Waters faz tanto artisticamente (“come back Muddy, Lord knows you can’t be replaced”) quanto pessoalmente (“come back Muddy, man I sure miss your face”).

Born To Play Guitar não pode ser visto como mais um número no catálogo extenso e bem sucedido de Buddy Guy, vencedor de vários Grammys (provavelmente ganhará mais um agora). É muito mais do que isso; é maior do que o próprio Buddy Guy ou qualquer outro; é uma reafirmação não só de um gênero musical, da vida de um artista ou de um instrumento específico: é a reafirmação da contribuição e dedicação de todos os que vieram antes e já se foram, dos que ainda estão por aí e dos que ainda virão. Acima de tudo, é a constatação de que o blues está, sim, vivo pra caralho, viu Muddy (e todos os outros)? Podem descansar em paz.  








Diante disso, Já É pode entrar na lista de um dos melhores trabalhos da carreira de Arnaldo Antunes. A sua já conhecida e qualidade lírica e poética de grande compositor, que sempre esteve presente nos seus discos, uniu-se mais uma vez com uma variedade sonora bastante interessante, que estava ausente nos últimos dois trabalhos, que tinham uma proposta bem limitada e definida. Então, quando eu digo e reafirmo que Arnaldo Antunes é o melhor compositor brasileiro da atualidade, já posso ouvir a resposta: “Já É”.









O que realmente torna I Don’t Prefer No Blues um clássico atemporal do blues é a performance e a estrela de Leo “Bud” Welch: blues é emoção, sentimento, autenticidade, o momento; e é tudo isso que exala durante os trinta e cinco minutos da música desse senhor que passou tocando o blues no anonimato sua vida inteira. Ainda bem que agora ele está tendo a oportunidade de levar sua música ao mundo.








A Mulher do Fim do Mundo é um dos discos mais interessantes do ano em diversas esferas; musicalmente, o álbum transita de forma muito natural e elegante entre diversos gêneros musicais, como o samba, claro, o rock, o eletrônico, dentre outros; e, principalmente, o âmbito lírico não fica submisso ao campo sonoro e, por isso, A Mulher do Fim do Mundo é um excepcional fruto do seu próprio tempo, com letras bastantes críticas sobre as transformações, desafios, problemas e retrocessos que testemunhamos diariamente na sociedade brasileira. As temáticas são amplas e vão desde a violência doméstica, a violência policial nas periferias, questões de gênero como feminismo e sexualidade. Ou seja, Elza ainda tem muito o que dizer!





05. Tobias Jesso Jr. - Goon




O estreante Tobias Jesso Jr. é a revelação do ano. As belíssimas músicas construídas ao piano em Goon o gabaritou, por exemplo, a ser um dos colaboradores do novo álbum de Adele, com a música “When We Were Young”. Mas Goon prova que Tobias Jesso Jr. é um compositor versátil e craque no quesito de melodias.





06. Johnny Hooker - Eu Vou Fazer uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!



Johnny Hooker é um artista que transitava já há algum tempo pela cena underground de Recife, mas aos poucos foi conquistando cada vez mais espaço com participações em trilhas sonoras, seja de filmes, como Tatuagem, com a música “Volta”, ou novelas como Babilônia e Geração Brasil, com as músicas “Amor Marginal” e “Alma Sebosa”. Com Eu Vou Fazer uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!, Johnny Hooker recebeu aclamação nacional e participou dos principais programas de auditório da televisão brasileira. O lirismo que transborda de Hooker é impressionante.









Depois do drama vivido, Walter Trout acaba por nos entregar o melhor álbum de sua carreira. Claro que a carga emocional tem um impacto profundo nas músicas e as fazem ter uma conotação ainda mais forte. Mas é a honestidade que faz com que Trout consiga nos transportar um pouco que seja para sua vida. As cicatrizes da batalha são as lições que ele aprendeu em sua jornada, as quais ele consegue repassar um pouco delas para nós, ainda que não passemos pelo drama que ele passou. Um drama pessoal não é o suficiente para um bom álbum. Pode ser mais tentador do que parece tentar esconder profundas experiências pessoais e espirituais por trás de clichês. E definitivamente não é isto que Walter Trout faz em Battle Scars.





Gerry Hundt’s Legendary One-Man Band é uma viagem pelo tanto pelo universo quanto pelas habilidades musicais de Gerry Hundt, experimentando ao máximo para levar a si mesmo até o limite. Apenas o fato de uma pessoa só gravar ao vivo um disco já é surpreendente. No entanto, o que é incrível mesmo é que ele consiga fazê-lo tão bom e divertido. Com certeza, Barney Stintson, da série norte-americana How I Met Your Mother, soltaria seu jargão clássico: legen... wait fo it... dary!




09. David Michael Miller - Same Soil


David Michael Miller está numa trajetória crescente na sua carreira. Same Soil é o segundo disco desse guitarrista e, desde o título, passando pela capa até às músicas propriamente ditas, funciona como uma celebração dos estilos de raiz da música americana, especialmente o blues, gospel e soul. Um som vibrante do início ao fim. 






Parte I 50 a 40
Parte II 39 a 30
Parte III 29 a 20
Parte IV 19 a 10

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

"Lazarus": nova música de David Bowie e apresentação no "The Late Show", com Michael C. Hall






                Não é qualquer acontecimento que interrompe a sequência dos melhores álbuns do ano. Não obstante, o rito da lista dos melhores do ano foi interrompido; garanto, no entanto, que é por uma escolha válida, afinal, não é todo dia que temos lançada uma música nova de David Bowie. Pois bem, hoje, o perfil oficial de David Bowie no Facebook divulgou a música “Lazarus”, que faz parte do novo disco Blackstar, que será lançado na data de aniversário de Bowie, em 7 de janeiro. Durante os seus quase seis minutos e meio de duração, David Bowie adota na letra um tom autobiográfico quase que confessional, bem raro quando se trata do músico britânico: “look up here, i’m in heaven, i’ve got stars that can’t be seen, i’ve got drama, can’t be stolen, everybody knows me now”, enquanto que musicalmente, de caráter menos eletrônico que as duas divulgadas anteriores (“Tis a Pity She Was A Whore” e “Blackstar”), a bateria vai ditando o ritmo de forma lenta, e entre as estrofes  surgem solos do saxofone, da metade adiante, a faixa vai numa crescente até estourar numa explosão de sons e saxofones distorcidos. Sim, digno de nota, a voz de Bowie continua ótima no agudo também.

                Já que David Bowie se aposentou de vez dos palcos, ele contou com o elenco da peça Lazarus, que está sendo apresentada nos teatros de Nova Iorque, e que conta como principal estrela o ator de Dexter e Six Feet Under, Michael C. Hall, para tocar no programa de TV “The Late Show”. Promoção dupla, da nova música e da peça. Confira abaixo as duas versões e a letra da música: 


Lazarus (David Bowie)

Look up here, I’m in heaven
I’ve got scars that can’t be seen
I’ve got drama, can’t be stolen
Everybody knows me now

Look up here, man, I’m in danger
I’ve got nothing left to lose
I’m so high it makes my brain whirl
Dropped my cell phone down below
Ain’t that just like me

By the time I got to New York
I was living like a king
Then I used up all my money
I was looking for your ass

This way or no way
You know, I’ll be free
Just like that bluebird
Now ain’t that just like me

Oh I’ll be free
Just like that bluebird
Oh I’ll be free
Ain’t that just like me





quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Melhores Álbuns de 2015 - Parte IV





10. Deerhunter - Fading Frontier




Em Fading Frontier, Bradford Cox tenta pacificar sua mente conflituosa e o resultado alcançado é maravilhoso. Diferente do intenso e frenético Monomania, Fading Frontier mostra uma banda mais certeira, acessível e com outro tipo de intensidade, como se pode ver na faixa “Carrion”. Com isso, Fading Frontier torna-se o melhor trabalho lançado por Deerhunter até o momento.





11. Adele – 25



Com o sucesso astronômico do último disco, 21, de 2011, já era bastante claro que quando Adele finalmente lançasse um trabalho novo, imediatamente iria bater todos os recordes da indústria fonográfica. Essa cantora britânica é um fenômeno e 25 só comprova esse mais uma vez, diante de uma indústria ainda em crise diante da adaptação às novas tecnologias. Entre baladas no piano e algumas mais agitadas que remete a Florence And The Machine, Adele faz uma das coisas mais difíceis para um artista que parece já ter alcançado o topo: manter-se nele. E se você acha que a música escolhida seria “Hello”, umas das músicas mais tocadas do ano, está muito enganado. “MillionYearsAgo” pode facilmente ser escolhida a música mais linda do ano.









1 Hopeful Rd é o disco de uma banda com um pé no passado e outra no futuro. É uma daquelas pouquíssimas bandas que tocam um som antigo, tradicional, e ainda assim soa novo e moderno. Mas o prato não está fincado apenas no rock clássico, no soul clássico ou no blues clássico, mas sim em uma mistura, cujo tempero agrada fãs de cada um dos estilos separadamente.








Pode-se dizer sem dúvidas que Father`s Day é um álbum de blues completo. Respeita e reverencia o passado com covers executadas excepcionalmente, seguidas de novas canções originais para manter a tradição viva. Ainda por cima, como um bônus, ainda deixa uma boa lição de vida. Como Earl falouna nota de lançamento do disco: “This album is made for my beautiful father, and we came to peace in the end. Don’t ever give up on your family and don’t quit until the miracle happens.”









É impressionante como, depois de dez anos estando separada, com suas integrantes experimentando novos caminhos e novos sons, uma banda volte em tão grande estilo como Sleater-Kinney voltou em No CitiesTo Love. Sem dúvida, é algo a celebrar. Não é todo mundo que consegue captar o zeitgeist do seu tempo e desenvolver suas manifestações culturais de uma forma tão crua, direta e ainda assim, tão natural, tão simples.





15. Alabama Shakes - Sound & Color




Depois de uma estréia avassaladora com Boys and Girls, de 2012, a expectativa era grande para saber qual seria a escolha da direção sonora da banda, se iam se aprofundar como representantes do Southern rock, pegando um pouco do blues e do soul, ou se a banda iria se aventurar mais para campos mais amplos. Brittany Howard e companhia escolheram correr o risco na segunda opção, decepcionando os mais tradicionalistas, como eu mesmo. Mas, depois de algumas ouvidas, Sound& Color torna-se, de fato, um álbum muito forte e cheio de ótimas composições. Valeu à pena correr o risco.









O veterano guitarrista de Nova Iorque lançou mais um ótimo disco de blues. Apaixonado pelo estilo desde os 13 anos quando ouviu Jimmy Reed, Earl Walker mantém um som do blues tradicional, direto e simples. Um blues puro e de primeiríssima qualidade. As dez faixas de seu sexto disco solo, Mustang Blues, são todas originais e o trabalho foi todo produzido pelo próprio Earl Walker, executadas por uma banda enxuta e muito à vontade, deixando espaço seguro para o talento de Walker na guitarra brilhar.John Earl Walker mostra que às vezes o que é preciso para fazer um bom álbum do blues é ter simplesmente... blues.





17. Leon Bridges - Coming Home



Leon Bridges foi uma das grandes surpresas do ano. Dono de uma voz espetacular, Bridges revive o melhor do que o passado pode oferecer, especialmente no campo do soul, inspirado por Sam Cook e Otis Redding.  Se há algum pecado, é ter se prendido muito ao passado. Mas, na verdade, para mim isso não é nenhum pecado. O clima “vintage” pode ser visto mesmo no clipe de “Better Man”, um dos destaques do disco.





18. Will Butler – Policy



Logo após um ano intenso com Arcade Fire, o líder da banda, Will Butler, estreia sua carreira solo com Policy, um disco singelo, simples, sem muita produção e refinamento, mas sem dúvida muito interessante. Relativamente curto, com apenas oito faixas, o álbum condensa um pouco de cada face do espírito criativo de Butler presente no trabalho principal de Arcade Fire. 





19. Siba - De Baile Solto




No último disco solo, o ótimo Avante, de 2012, Siba flertou bem mais com elementos da cultura pop do que os trabalhos anteriores, seja com o Mestre Ambrósio ou com a Fuloresta. De Baile Solto representa duas rupturas: a primeira é que ele retorna à música de raiz, ao Maracatu da Zona da Mata e também as letras se afastam um pouco do contador tradicional de histórias e surgem com um teor de crítica política bem mais intensa, como é o caso da ótima “Quem e Ninguém”.



br />
Parte I 50 a 40
Parte II 39 a 30
Parte III 29 a 20



quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Melhores Álbuns de 2015 - Parte III





20. Built To Spill - Unetethered Moon



Uma das melhores bandas alternativas dos anos 2000 e 90, Built To Spill, estava fora do circuito já há vários anos (o último disco da banda havia sido There Is No Enemy, de 2009). Para o retorno, em Unetethered Moon, Doug Martsch mostra toda a energia e a habilidade com a guitarra que fez falta durante esse tempo. Embora deslocado no tempo, já que a relevância do estilo alternativo não é mais o mesmo que era na década de noventa, Built To Spill prova que não se deve importar para isso.  








Tocando blues há 70 anos – e profissionalmente há 50 -, John Mayall, o “Godfather of The British Blues”, –, apenas um ano após o último álbum, A Special Life, mostra que, aos 82 anos, ainda permanece com um fôlego interminável e lança seu mais novo disco, chamado Find a Way To Care.  Tal qual Leo “Bud” Welch, dois álbuns em dois anos para um músico com mais de 80 anos é algo extraordinário. No caso de John Mayall é ainda mais surpreendente pelo fato do músico já estar há mais de 50 anos no ramo profissionalmente. Não é um álbum que se equipare aos clássicos da década de 60 e 70, tanto pela sua importância musical e histórica, mas para quem acompanha e é fã da extensa carreira de John Mayall é com certeza uma ótima pedida.







Diferentemente do novo filme de Star Wars, com anos de antecipação, o Star Wars, novo álbum do Wilco, foi lançado literalmente do dia para a noite. Star Wars é recebido com aquele ar atordoado, confuso, mas ao mesmo tempo extasiado, desvendando os mistérios pouco a pouco de um artefato recém-descoberto. Diferente dos trabalhos anteriores do Wilco, sempre meticulosamente planejado e executado, Star Wars é um tanto desleixado e improvisado, com canções curtas e diretas. A única que foge à regra é “Your Satellite”, que também é a melhor canção do disco.





23. Christopher Owens - Chrissybaby Forever




Christopher Owens está trilhando sozinho o seu caminho na música com o seu terceiro disco solo em três ano, Chrissybaby Forever. Se ele ainda não conseguiu alcançar o mesmo patamar de quando participava da banda Girls, que acabou no auge, logo depois do lançamento do perfeito Father, Son, Holy Ghost, este novo álbum indica que, ao menos, Owens está se aproximando desse nível, com um álbum mais maduro, conciso, o que é um ótimo sinal. Aguardemos ansiosamente então os próximos passos desse irrequieto e jovem compositor.





24. Charlie Musselwhite - I Ain't Lying




O gaitista Charlie Musselwhite é um dos poucos que ainda fazem a conexão do presente com o auge do blues na década de sessenta e que continua dando passos firmes na carreira. I Ain’t Lying, apesar de ter várias músicas já gravadas pelo próprio Musselwhite no decorrer de sua carreira, é uma seleção incrível de blues, tocada por uma banda enxuta e impecável, formada pelo mais básico que tem, guitarra, bateria, baixo e gaita, o que torna possível esticar as músicas para que cada um brilhe à sua maneira.  





25. Father John Misty - I Love You Honeybear



Depois do lançamento de I Love You Honeybear, Father John Misty, ou Joshua Tillman, está sendo um dos herois da cena indie do ano, aclamado praticamente por todas as revistas especializadas. A explicação talvez resida na sua contradição. As músicas, a maioria de uma beleza incrível, são acompanhadas por letras misteriosas, beirando o nonsense, ou até mesmo doses elevadas de ironia e crítica sobre o modo de vida americano. Ou talvez seja só a sinceridade em nível máximo. O certo é que nunca temos certeza e é isso que intriga e chama a atenção em Father John Misty.






26. Guy Davis - Kokomo Kidd



Guy Davis faz parte da última grande geração de novos bluesmen que surgiu na década de 90, junto com Correy Harris e Eric Bibb. Além de tocar blues acústico e de raiz como poucos, e ser dono de uma voz que está ali entre Tom Waits e Howlin’ Wolf, Davis é também um grande contador de estórias, o que favorece a adoção de outros estilos, principalmente o folk, tendo em vista a inspiração, já declarada, que sente por Bob Dylan, mas tem também espaço para um reggae, por exemplo. Entre originais e regravações (inclusive uma cover de “Lay Lady Lay”, de Dylan, e clássicas do blues como “Little Red Rooster” e “Cool Drink Of Water”), Guy Davis nos dá mais uma vez acesso ao seu rico universo musical.  








Mack Orr chega aos setenta com uma voz expressiva, acompanhando a energia nostálgica que flui de sua banda. Antigo coletor de algodão, que passou a trabalhar como mecânico de carro, Mack Orr possui aquela experiência de vida no duro e cruel Sul rural, o Deep South.  A autenticidade é tudo na tradição do blues. Quando encontramos um álbum como A Bluesman Looks At Seventy, vemos que o blues está forte e seguro, tal qual Daddy Mack Orr com seus setenta anos – e contando.





28. Blur - The Magic Whip



Blur foi uma das bandas mais influentes da década de 90, um dos maiores representantes do do chamado britpop. Em The Magic Whip, além de ser o primeiro álbum da banda depois de 12 anos, o líder Damon Albarn tenta condensar toda sua (variada) experiência musical durante esse tempo com o som já tradicional e moderno de Blur. O resultado é um álbum eclético e repleto de músicas interessantes e referências orientais, da capa ao título de canções como “My Terracotta Heart”, “Ong Ong” e “Pyongyang” (o álbum foi gravado em um estúdio em Hong Kong entre datas de shows no Sul da China e Indonésia). Décadas após o auge, Blur retorna para afirmar que ainda é relevante. Talvez, na longa duração, eles tenham se saído melhor do que seus rivais do Oasis nessa.





29. Andy T Nick Nixon Band - Numbers Man




A parceria entre Andy T e Nick Nixon está chegando ao terceiro disco por uma grande gravadora e à cada novo lançamento eles vão um pouco além. O vocal de Nick, um músico de Memphis e a guitarra de Andy T estão ainda mais entrosados. O gaitista Kim Wilson também faz uma participação no álbum, junto com alguns outros convidados. Numbers Man é um álbum gostoso de ouvir do início ao fim.




Parte I 50 a 40
Parte II 39 a 30



terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Melhores Álbuns de 2015 - Parte II


Segunda parte da lista do Filho do Blues de melhores álbuns de 2015, do 39 ao 30:


30. Keith Richards - Crosseyed Heart


Que Keith Richards é um sobrevivente do mundo do rock não é novidade para ninguém, mas que ele consegue lançar um disco solo tão bom quanto Crosseyed Heart certamente vai pegar muita gente de surpresa. O primeiro trabalho solo depois de 23 anos, Keith Richards se apresenta totalmente à vontade, com os seus riffs característicos de Rolling Stones, belos blues e até uma cover de reggae. Um álbum digno de um dos fundadores vivos do rock e um testemunho de sua sobrevivência.





31. Seasick Steve - Sonic Soul Surfer



Seasick Steve lançou seu sétimo álbum nesse ano, Sonic Soul Surfer, mantendo a mesma linha do blues-rock cru com muita guitarra dos anteriores, mesclando em alguns momentos com folk e country. Seasick Steve mostra que ainda tem muito vigor e vontade de fazer muito mais (no clipe de “Summertime Boy” ainda sobre energia para dar uma surfada).




32. Igor Prado Band And Delta Groove All Stars - Way Down South



Pra quem acha que a cena nacional de blues é fraca, Way Down South, novo álbum de Igor Prado e sua banda, Delta Groove All Stars, é uma resposta bastante eloqüente. Muito elogiado mundo a fora e que conta ainda com algumas participações especiais, como o filho de Muddy Waters, Mud Morganfield, Mike Welch e Sugar Rayford (só para citar alguns), Igor Prado é talvez o maior representante brasileiro do blues. A distância é grande (como mostra a capa do disco, 6.162 de São Paulo até a lendária Highway 61, mas essa distância foi reduzida bastante com Way Down South. 





33. Mercury Rev - The Light In You



Outra banda que retornou com estilo foi Mercury Rev, que lançou The Light In You depois de sete anos do último trabalho, que funciona como um retorno ao lar, apresentando o som sob o qual construíram sua carreira.






Esse é o único disco ao vivo da lista, mas tem um motivo especial. O ótimo guitarrista Joe Bonamassa quis homenagear as duas maiores lendas do Blues, Muddy Waters e Howlin’ Wolf, em um show que foi gravado para ser lançado em disco e DVD. O resultado é Muddy Wolf At Red Rocks. Muddy Wolf, além de ser, portanto, uma delícia para quem já é fã do blues, acaba caracterizando-se também como uma ótima entrada para quem deseja conhecer um pouco mais da obra desses dois maiores gênios do blues.





35. Beirut - No No No


O novo álbum de Beirut, No No No, está um pouco aquém dos trabalhos anteriores, mas, através do gênio do seu líder Zach Condon, como sempre, dispõe de momentos suficientes para chamar atenção, um trabalho curto e composto baseado em uma série de experiências traumáticas para Condon que ele, de certa forma, consegue transformar em luz como em um processo de reabilitação.   





36. The Jon Spencer Blues Explosion - Freedom Tower No Wave Dance Party



The Jon Spencer Blues Explosion é uma amálgama de sons que conectam os elementos mais dissonantes, mas que se encontram ligados através do elo da história mesmo que muitos pareçam esquecer. Fazem a conexão entre Little Richards e toda a tradição do R&B, que vai do blues ao rap e hip-hop, com punk de Iggy Pop e Stooges e o hardcore dos anos 90 com um senso de rebeldia muito forte. Por isso, muitas vezes os trabalhos da banda não alcançam o grande público, mas em Freeder Tower No Wave Dance Party eles fizeram um dos álbuns mais acessíveis de sua carreira, depois de seis anos de hiato.





37. Cidadão Instigado – Fortaleza


Cidadão Instigado é uma das bandas nacionais mais interessantes, com sua sonoridade bem peculiar, buscando sempre realizar misturas diferentes. Em Fortaleza, a cidade que é o quartel general de praticamente toda a banda, mesmo emergindo algumas experimentações, eles decidiram ir mais direto ao ponto, uma banda madura. No geral, é mais um trabalho que credencia Cidadão Instigado para um lugar de destaque no cenário musical brasileiro. 






The Mississippi Blues Child aparece como uma balança na qual Mr. Sipp ainda não está totalmente certo para qual lado pender e busca manter-se equilibrado entre um e outro. É mais uma etapa que o jovem Mr. Sipp terá que ultrapassar. Mas a verdade é simples: o lado bluesman e guitar hero lhe cai bem melhor. Mr. Sipp é um músico, jovem, cheio de energia e com sonhos de tornar-se relevante.





39. Kurt Vile - B'lieve I'm Goin Down


No seu novo album, B’lieve I’m Goin Down, Kurt Vile assume exatamente o personagem que aparece na capa, ou seja, tem aquele clima hipster rural, desleixado, que permanece durante todo o álbum, com misturas de new wave. O ponto forte são as construções melódicas e harmonias na guitarra. O ponto fraco é que o disco acaba ficando um pouco repetitivo, mas nos reservar momentos especiais, como “Pretty Pimpin’”.  




Parte I: : 50 a 40


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Melhores Álbuns de 2015 - Parte I



Iniciaremos hoje a já tradicional lista de Melhores Álbuns do Ano. Você verá que, pela primeira vez, o protagonismo que antes era do rock/indie, representado sempre pelo grande número de álbuns escolhidos na lista, foi compartilhado esse ano com o blues. Como sempre, a lista reflete tudo de mais interessante que foi lançado e ouvido no ano e mesmo que tenha sido um ano corrido, muitas vezes sem dispor de tempo suficiente para escrever todas as resenhas que gostaria ter escrito, foi o bastante para fechar a lista de 50 melhores álbuns. Com certeza, desde o início da lista, em 2011, a lista de 2015 será a mais heterogênea de todas, já que neste ano eu transitei mais confortavelmente por vários estilos. Não podia deixar de recordar da morte do Rei do Blues, B. B. King, em 14 de maio, que sem dúvida marcou profundamente o mundo musical em 2015. Então vamos parar de enrolação e comecemos logo com a lista.

O Filho do Blues apresenta, por fim, a vocês, a Lista de Melhores Álbuns de 2015:

40. Neil Young And Promise of the Real - The Monsanto Years


O ano chegou ao fim com uma boa notícia para os ativistas do meio ambiente. O acordo fechado na COP21, na França, na última semana, traz momentos de esperança de que os líderes mundiais realmente estão vendo a mudança climática como um problema sério. Um dos ativistas mais ferrenhos e “chatos” nessa luta é o velho-jovem Neil Young, que decidiu direcionar toda sua “chatice” e raiva para um único inimigo no álbum The Monsanto Years: o agronegócio, alteração genética, e empresas como Wal-Mart, Chevron, Citizens United e outras. Juntando-se a uma nova banda, a Promise of The Real, musicalmente Neil Young viajou tanto pelo rock cru de Crazy Horse quanto pelo folk melódico solo. Mas o que sobressai mesmo de Monsanto Years é a mensagem e a relevância dessa mensagem para o mundo. É a denúncia do sistema corporativo global, que compromete a democracia e os sistemas políticos em nome dos interesses econômicos e a degradação do meio ambiente. É Neil Young raivoso e mordaz.




41. Steve Earle – Terraplane



Não dá pra chamar Steve Earle exatamente de um cantor de blues, mas em Terraplane é basicamente isso que ele faz, mesclando um pouco ainda com outros gêneros da música americana. Mas claramente o foco é o blues e Steve Earle, apoiado pela banda The Dukes, consegue ser bem convincente nessa aventura musical.




42. Jackie Payne - I Saw The Blues


Jackie Payne tem moral suficiente para dizer “I Saw The Blues”. E esse testemunho, de quem começou a cantar com treze anos, é o que ele faz no novo álbum, com um blues refinado, cheio de metais, e de qualidade, cheio de referências clássicas da temática do blues, como  festas, bebidas, mulheres, etc. Blues autêntico e de primeira.





43. Tinsley Ellis - Tough Love




Tinsley Ellis é mais um guitarrista que dialoga com o pop/rock, R&B, soul e o blues, criando um som profundamente enraizado na música americana. Cada música apresenta uma variação interessante, dentre de um gênero específico. Um dos destaques sem dúvida é “Midnight Ride”, um blues no qual Ellis mostra todo seu talento na guitarra.





44. Hans Theessink & Terry Evans - True & Blue



Essa dupla fez um ótimo trabalho em True & Blue, nos entregando um blues acústico e do Delta de primeira qualidade, cheio de covers com versões bem diferentes das originais, como “Glory Of Love”, “Bourgeois Blues”,  “Maybellene” e composições originais.





45. Sufjan Stevens - Carrie & Lowell




O novo album de Sufjan Stevens, Carrie & Lowell, é emoção do início ao fim. Trata da relação familiar entre Stevens e sua mãe, que faleceu em 2012 e com seu padrasto. As músicas, num folk simples e melódico, conseguem representar um sentimento de amor, perda, conflito, de uma relação conturbada, mas profunda. Um dos mais belos e genuínos trabalhos do ano.




46. Shemekia Copeland - Outskirts Of Love




A filha do guitarrista de blues Johnny Copeland, Shemekia Copeland vem construindo independentemente uma carreira sólida e com álbuns interessantes sem precisar se valer do nome que carrega. Com uma voz poderosa, Shemekia viaja entre o soul, gospel e o blues de forma natural como poucas.  Outskirts of Love é mais um forte registro dessa ótima cantora.





47. Belle & Sebastian - Girls in Peacetime Want to Dance




A cada novo lançamento Belle And Sebastian dá mais um passo adiante no eletrônico e dance. Mas, em Girls In Peacetime Want to Dance, a banda brilha exatamente quando se parece mais com ela mesma, como na maravilhosa “Nobody’s Empire”.




48. Robben Ford - Into The Sun




Eclético álbum de Robbert Ford, Into The Sun traz vários convidados especiais que transitam pelo blues, soul, pop e rock. Um deles é Keb Mo’, que canta com Ford na faixa “Justified”






49. Bernard Allison - In The Mix




O filho de Luther Allison mostra em alguns momentos de In The Mix que herdou no sangue o talento para a guitarra. Entre covers, inclusive de seu pai, e originais, os melhores momentos do álbum é quando ele deixa fluir todo esse talento no blues direto e sem muitas maquiagens modernas, como “Set Me Free”.





50. The Decemberists - What A Terrible World What A Beautiful World




Abrindo a lista com The Decemberists, que, embora um pouco aquém do nível dos trabalhos anteriores, ainda tem What a Terrible World What a Beautiful World ainda dispõe de alguns traços épicos clássicos da banda, como em “This is Why We Fight”.