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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Melhores Álbuns de 2017: Parte I




41. Nação Zumbi - Radiola NZ, Vol. 1



Não tem como uma banda como Nação Zumbi fazer um álbum em que presta homenagem a suas influências e ser ruim. A surpresa (ótima surpresa) aqui é a versão de Nação para “Ashes to Ashes”, um dos clássicos de David Bowie. Pelo jeito podemos esperar pelo volume dois. 



42. Leo Maier - I Choose the Blues



O blues brasileiro está representado por Leo Maier. E, diga-se de passagem, muito bem representado. Disco de estreia, Leo Maier traz um álbum já com personalidade bem formada em que apresenta seu estilo virtuoso. Destaque para a divertida “You’ve Been Drinking Too Much” e a faixa título, “I Choose the Blues”. 






43. The Reverend Peyton's Big Damn Band - Front Porch Sessions



Não é só a figura do Reverend Peyton que chama a atenção aqui, mas sua voz também é bem potente. Focado principalmente num blues acústico e rural que, como sugere o disco, é ótimo para ouvir na varanda no sítio ou algo assim. Peyton sabe o que está fazendo, seu estilo evoca Charlie Patton, Bukka White, Blind Willie Johnson, David “Honeyboy” Edwards, dentre outros mestres do country blues do Mississippi. Olha a figura no clipe oficial de “We Deserve a Happy Ending”






44. Cesar Valdomir - Working for The Blues




Pois é, no blog também  tem lugar para blues argentino. Isso mesmo. Cesar Valdomir é um argentino tocando blues de primeira, mesclando algumas originais com a maioria de covers. Mas a presença dele na lista foi assegurada mesmo com as versões de “John The Revelator” e “Take the Bitter With The Sweet”. Vale a pena conferir. 




45. Samantha Fish - Chills & Fever



O R&B e o Soul de Samantha Fish foi um dos pontos altos do ano, chegando a lembrar um pouco de Amy Whinehouse em alguns momentos. Uma mistura com elementos de rock, soul e blues que resulta num som charmoso e sensual. 








Enfim, o disco Everyday Seem Like Murder Here é o resultado de três sessões que McMullan gravou com Wardlow entre 1967 e 1968, quase trinta anos depois que ele tinha parado de tocar. Dessas sessões, 31 faixas estão em qualidade boa para serem usadas no disco. O resultado é um autêntico registro do Delta Blues, entrecortadas por conversações. O estilo de McMullan não mudou nada: parece que está tocando diretamente dos anos 20, 30. Alguns dos destaques ficam com “Look-A Here Woman Blues”, “Goin’ Away Mama Blues”, “Goin’ Where The Chilly Winds Don’t Blow” e “Kansas City Blues”. Estamos diante de um registro histórico, que desenterra a memória de apenas um dos talentosos músicos de blues que infelizmente foram engolidos pela história.





47. Johnny Hooker – Coração



Johnny Hooker segue sua carreira com o seu segundo álbum, Coração. Apesar de não beirar a perfeição como o disco de estreia, Coração mantém o estilo provocativo, poético e lírico de Hooker, com algumas belas canções, mesmo com algumas escorregadas pontuais, como se aventurando pelo axé, por exemplo.







48. Taj Mahal & Keb' Mo' – TajMo



A reunião de dois grandes nomes do blues , Taj Mahal e Keb’ Mo’, para um álbum colaborativo foi uma grande novidade para 2017. Apesar de ter potencial para um álbum ainda melhor, a dupla entrega um álbum com belas músicas, numa corpagem mais comercial. 





49. Altered Five Blues Band - Charmed and Dangerous



A banda Altered Five Blues Band conduz um blues rock potente no seu quarto lançamento, Charmed and Dangerous. O entrosamento da banda transparece no seu som, que mistura influências do rock com o Delta blues. 





50. Harrison Kennedy – Who U Tellin’?



A voz poderosa e rouca de Harrison Kennedy, o som do blues rural e uma gaita intensa e raivosa acompanha todo o disco Who U Tellin’? 






terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Viva Chico!


2016 é o ano de celebrar a memória de um dos maiores artistas da música nacional: Chico Science (13-03-1966 - 02-02-1997). Hoje, dia 2 de fevereiro completa mais um ano de sua morte e o Carnaval de Recife está homenageando Chico Science no Galo da Madrugada e também está comemorando os 50 anos de nascimento. Então, nesse Carnaval podemos cantar abertamente: Viva Chico!

            

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

18 anos sem Chico Science





Hoje é um dos dias mais tristes da história da música brasileira. No dia 2 de fevereiro de 1997, o mundo perdia prematuramente Francisco de Assis França, conhecido pelo nome de Chico Science. É impossível revisitar a obra deste pernambucano, com duas obras primas lançadas, entre 1994 e 1996, com a banda Nação Zumbi, sem um aperto no peito com o vago pensamento: “e se ele tivesse tido mais tempo?”. Mas é inútil e parte da história de Chico Science é a tragédia. O furacão passou voando; a coisa boa é que ele nunca mais vai parar. Com vocês, um show com o mangue boy no auge, em 1996, no Bem Brasil. Depois de Chico, somos todos mangueboys e manguegirls.

01 - Mateus Enter
02 - O Cidadão do Mundo
03 - Manguetown
04 - Etnia
05 - Bate Papo
06 - A Praieira (part. Samuel Rosa)
07 - Samba Makossa (part. Samuel Rosa)
08 - Quilombo Groove
09 - Corpo de Lama
10 - A Cidade
11 - Bate Papo com Samuel Rosa
12 - Todos Estão Surdos
13 - Maracatu de Tiro Certeiro (part. Arnaldo Antunes)
14 - Sobremesa (part. Arnaldo Antunes)
15 - Bate Papo com Analdo Antunes
16 - Salustiano Song
17 - Um Satélite na Cabeça
18 - Enquanto o Mundo Explode (part. João Gordo)
19 - Da Lama ao Caos - Refuse/Resist (part. João Gordo)
20 - Bate Papo com João Gordo
21 - Lixo do Mangue
22 - Macô
23 - Samba do Lado (part. Fred 04)
24 - Computadores Fazem Arte (part. Fred 04)
25 - Bate Papo com Fred 04
26 - Um Passeio no Mundo Livre
27 - Bate Papo
28 - Manguetown (part. todos os convidados)






terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Melhores Álbuns de 2014



Esse ano de 2014 foi bastante corrido para o Filho do Blues, o que acabou fazendo com que tivesse menos tempo disponível para me dedicar ao blog, com atualizações, notícias, vídeos e resenhas. No entanto, isso não quer dizer que eu parei de acompanhar as novidades do mundo da música. Muito pelo contrário: ainda que sem tempo, consegui manter o top 40 do ano e consegui expandir meus horizontes musicais e mergulhei ainda mais, sobretudo, no blues. Fato que é traduzido pela maior ocorrência de álbuns do gênero em relação ao ano passado. Em 2013, tivemos 8 destaques do blues nos melhores álbuns do ano (o maior deles, Corey Harris, com Fulton Blues). Já em 2014, esse número subiu para 12, com o destaque para Sugar Ray & The Bluetones, pelo álbum  Living Tear to Tear, que alcançou a segunda colocação no ranking. O top 10 conta com 4 ábuns de blues, o que é um feito significativo. (Além de Sugar Ray & The Bluetones, Billy Boy Arnold, ainda teve Johnny Winter, que faleceu ainda neste ano, antes do álbum ser lançado, e Joe Bonamassa).

Também chamo atenção para alguns lançamentos nacionais bastante interessantes em 2014, como o retorno da Nação Zumbi (5º), o gênio Tom Zé (7º), a parceria de Marcelo Camelo e Mallu Magalhães na Banda do Mar (13º), Erasmo Carlos (23º) e China (27º).

Em primeiro lugar ficou Jack White, com seu segundo disco solo, Lazaretto. No topo a disputa ficou menos acirrada do que em relação a 2013, que teve ao menos 4 grandiosos álbuns (Arcade Fire, David Bowie, QOTSA e Vampire Weekend). Mesmo assim, ainda podemos falar dos não menos notáveis novos lançamentos de Beck (Morning Phase, 3º), Damon Albarn, do Blur, (Everybody Robots, 18º), o mestre Leonard Cohen (Popular Problemas, 09º) e Foo Fighters (Sonic Highways, 10º).

O ano de 2014 teve de tudo. Contou com a volta de figuras carimbadas como Weezer, com um bom álbum (Everything Will Be Alright In The End, 16º), Stephen Malkmus (Wig Out at Jagbags, 40º) e Manic Street Preachers (Futurology, 24º), ao mesmo tempo em que reforçou ou apresentou novidades muito boas, como Perfume Genius (Too Bright, 14º), Sun Kil Moon (Benji, 19º) e Christopher Owens (A New Testment, 17º). E o que falar da maior novidade do ano, a maior revelação do ano, que lançou o seu primeiro disco no início desse ano aos 82 anos? Estou falando do bluesman Leo "Bud" Welch, com o maravilhoso álbum de blues-gospel Sabougla Voices (12º).

Enfim, nos despedimos de 2014 com essa lista de nomes que fizeram com que o ano ficasse melhor e mais gostoso. No mais, Feliz Natal e Feliz Ano Novo para os leitores do Filho do Blues e que 2015 seja repleto  de belíssimos lançamentos para que no próximo dezembro esta lista esteja ainda mais extensa!

Um grande abraço!

MELHORES ÁLBUNS DE 2014

01. Jack White - Lazaretto
02. Sugar Ray & The Bluetones - Living Tear to Tear
03. Beck - Morning Phase
04. Johnny Winter - Step Back
05. Nação Zumbi - Nação Zumbi
06. Billy Boy Arnold - The Blues Soul Of Billy Boy Arnold
07. Tom Zé - Vira Lata Na Via Lactea
08. Joe Bonamassa - Different Shades Of Blue
09. Leonard Cohen - Popular Problems
10. Foo Fighters - Sonic Highways
11. Gruff Rhys - American Interior
12. Leo Welch - Sabougla Voices
13. Banda do Mar - Banda do Mar
14. Perfume Genius - Too Bright
15. Dave Specter - Message In Blue
16. Weezer - Everything Will Be Alright In The End
17. Christopher Owens - A New Testament
18. Damon Albarn - Everyday Robots
19. Sun Kil Moon - Benji
20. TV On The Radio - Seeds
21. Damien Rice - My Favourite Faded Fantasy
22. John Mayall - A Special Life
23. Erasmo Carlos - Gigante Gentil
24. Manic Street Preachers - Futurology
25. Damien Jurado - Brothers And Sisters of the Eternal Son
26. Walter Trout - The Blues Came Callin'
27. China - Telemática
28. Lucky Peterson - The Son Of A Bluesman
29. The Robert Cray Band - In My Soul
30. Bruce Springsteen - High Hopes
31. Johnny Cash - Out Among The Stars
32. Cloud Nothings - Here And Nowhere Else
33. C.W. Stoneking - Gon Boogaloo
34. Mud Morganfield & Kim Wilson - For Pops Tribute To Muddy Waters
35. Tibério Azul - Bandarra
36. Hamilton Leithauser - Black Hours
37. The Black Keys - Turn Blue
38. Thiago Pethit - Rock'n'Roll Sugar Darling
39. Black Lips - Underneath the Rainbow
40. Stephen Malkmus & The Jicks - Wig Out at Jagbags
41. Eric Bibb - Blues People

Álbuns que não foram completamente inéditos, mas que de alguma forma merecem ser menciona

David Bowie - Nothing Has Changed
Wilco - What's Your 20 Essential Tracks 1994-2014
Caetano Veloso - Multishow Ao Vivo Abraçaço
Leonard Cohen - Live in Dublin
Nat King Cole - The Extraordinary
Gary Clark Jr. - Gary Clark Jr. Live







sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

As Melhores Músicas de 2014

O Filho do Blues está sumido mas não está morto! E para preparar vocês para a já tradicional lista de Melhores álbuns do ano - que sairá em breve - deixarei vocês curtindo por uns dias as dez melhores faixas do ano. Divirtam-se!

Jack White - Would You Fight for My Love?

Jack White dá a sequência a sua carreira solo com o disco Lazaretto. "Would You Fight For My Love?" reune tudo de melhor da sua carreira em uma única faixa.


 

David Bowie - Sue (Or in a Season of Crime)

A única faixa inédita da magnífica coletânea Nothing Has Changed é incrível e aponta para uma nova direção musical de Bowie em relação aos três últimos discos. Pena que só tem uma. 


 

Nação Zumbi - Foi de Amor

"Foi de Amor" traz todo o peso tradicional que conhecemos de Nação Zumbi, em meio a um álbum sonoramente bem mais acessível ao grande público, sem, no entanto, perder a identidade que faz de Nação a melhor banda nacional.

 

Perfume Genius - Queen

Qualquer música da banda Perfume Genius tem todos os ingredientes para sensibilizar o ouvinte. "Queen" apresenta tudo isso de forma potencializada, muito emotiva, tensa, que faz com que cada verso seja uma cicatriz sendo aberta e curada ao mesmo tempo. Perfeito.


 

Leo "Bud" Welch - Take Care of Me Lord

O estreante do ano, a revelação que tem 82 anos despejando agora para todo mundo ouvir a energia e o vigor do seu Blues-Gospel. Para lavar a alma e dançar. Desse jeito até eu iria para a Igreja.


 

Tom Zé - Esquerda, Grana e Direita

Tom Zé destila toda sua sagacidade e gênio nessa faixa que traduz o momento que a sociedade brasileira atravessa, sempre com a irreverência e brilho típico das obras desse genial artista brasileiro.


 

Damien Rice - It Takes A Lot To Know A Man

Melhor música de seu novo álbum, a épica "It Takes a Lot To Know A Man" faz uma viagem bastante sensível, com uma melodia cativante e uma viagem sonora para fazer você fechar os olhos e acompanhar. Lindo.


 


Johnny Winter - Death Letter

A lenda do blues Johnny Winter faleceu em 2014 um pouco antes de lançar seu novo disco, Step Back. Nada melhor do que homenageá-lo aqui com esse vídeo de "Death Letter", clássico de Son House, presente no disco. 


 

Christopher Owens - It Comes Back To You

Christopher Owens dá continuidade a sua carreira solo sem parar para respirar por muito tempo. E "It Comes Back To You" apresenta uma sonoridade mais próxima de seu trabalho com a banda Girls, que ainda é o auge de sua carreira. 


 

Joe Bonamassa - Living On The Moon

Muita energia e pegada marcam "Living On The Moon", do novo trabalho de Joe Bonamassa, com tudo o que você pode esperar desse grande guitarrista do blues rock.

sábado, 10 de maio de 2014

Resenha: Nação Zumbi - Nação Zumbi




Os críticos normalmente chegam ao consenso de que o ciclo do Manguebeat, movimento iniciado há 20 anos por Chico Science & Nação Zumbi, com o lançamento de Da Lama Ao Caos, em 1994, acabou. No entanto, nos últimos anos podemos perceber que seus principais expoentes ainda estão produzindo música de qualidade a cada ano. Nesse período, sobretudo de uns cinco anos para cá, a cena musical de Pernambuco sempre serviu para reafirmar a posição de originalidade frente a produção artística nacional, como comprova Otto (Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos, 2009, ou The Moon 1111, de 2012), ou Lirinha (que depois do fim do Cordel do Fogo Encantado lançou Lira, em 2011) e também Siba, com Avante, em 2012, e até mesmo os principais nomes do mangue, como Mundo Livre S\A, com Nova Lenda da Etnia Babaa, em 2011, ou até mesmo a colaboração com a Nação Zumbi, em 2013, que ficou genial. 

A empolgação definitiva veio quando foi anunciado que Nação Zumbi voltaria a lançar um álbum próprio, depois de tantos anos (o último havia sido em 2007, Fome de Tudo). Desde então, passou-se a imaginar como seria o som desse novo álbum, a partir do momento que liberaram "Cicatriz", primeira música e primeiro single do trabalho. Foi possível perceber, então, um trabalho peculiar de promoção, liberando primeiramente no Itunes e depois, naturalmente, dirigindo-se a outros tipos de mídias. Durante o processo, desde a sua concepção, foi percebido um lobby para a Nação voltar ao estúdio, uma pressão tanto dos fãs quanto da crítica. Havia, assim, certa ansiedade quanto ao novo trabalho. Então, consciente de sua posição, decidiu lançar novo álbum, por uma grande gravadora. O álbum foi chamado simplesmente como Nação Zumbi, um álbum homônimo (o segundo da carreira), que realmente pode ser caracterizado como um renascimento da banda.





Nação Zumbi é feito de extremos. É impossível julgá-lo e analisá-lo sem diferenciá-lo dessa forma. As primeiras faixas, "Cicatriz" e "Bala Perdida" tentam fazer um link ao passo da Nação ao mesmo tempo que mostra o caminho para o futuro. Um som mais limpo, enquanto também busca um aprofundamento sonoro, incorporando arranjos novos e detalhados. E é esse caminho que será trilhado em algumas das faixas seguintes. Nação Zumbi nunca foi pop, apesar do grande sucesso, sempre pareceu sisudo demais, sério demais. Jorge du Peixe tenta, assim, alcançar novos públicos com uma música mais acessível. Essa tentativa de som é perceptível quando é incorporado vários tipos de arranjos, que acabam prejudicando os tambores, grande ponto forte da banda. Na tentativa de alcançar um público mais universal, a banda acaba apostando em algo menos poderoso, mas que, ao mesmo tempo, serve aos seus intuitos, já que são músicas bastante interessantes. "A Melhor Hora da Praia", com a participação deliciosa de Marisa Monte, por exemplo, é uma das que seria inimaginável ser apresentada por uma banda como a Nação Zumbi. No entanto, é um dos tesouros mais claros do álbum. Também é perceptível o uso de backing vocals femininos, como em "O Que te Faz Rir".





Essa guinada para um som mais universal também é sentida liricamente. As letras da Nação Zumbi sempre foram um tanto mais difícil, seja por jogos rápidos de palavras, ou por referências bem específicas, normalmente utilizados para falar de temas sérios e gerais. No álbum há claramente uma tentativa de tornar o tema mais acessível a todos, algo meio que descompromissado, despretensioso. É o trabalho que mais fala de amor, como "Um Sonho", "Nunca Ti Vi". A própria capa do álbum demonstra uma abordagem mais intimista, com partes do corpo humano e o coração numa posição central.





O outro extremo é apresentado principalmente no final, quando nos é reservado as melhores faixas. "Foi de Amor" é uma das melhores faixas da Nação Zumbi, não apenas no álbum, mas da sua carreira. É exatamente o que havia faltado no restante do trabalho, peso, os tambores ressoando, guitarra, muita guitarra, enfim, muita energia e emoção na faixa. Sensacional. Será presença massiva no repertório dos shows, com certeza. Aqui a gente sente realmente a falta que fez uma percussão forte e alta, o que faltou em boa parte do álbum, em detrimento de um som mais compacto, valorizando a tradicional bateria clássica. "Cuidado", com sons de sirene, mantém essa energia, sobretudo no refrão. E finaliza o disco com o riff poderoso de "Pegando Fogo".

Nação Zumbi é o reflexo mais claro de uma banda que ainda tem muito a dar e que, consciente de sua colocação na música brasileira, e de sua história, parece agora querer ir mais além, transpor suas próprias fronteiras sonoras, mantendo sua identidade forte e sempre original.



sábado, 22 de fevereiro de 2014

Ouça o novo single da Nação Zumbi, "Cicatriz"



Nação Zumbi tinha prometido o tão esperado primeiro single do novo disco, programado para ser lançado em Abril e com o nome simplesmente de “Nação Zumbi”, para terça feira. No entanto, hoje saiu um vídeo da banda tocando “Cicatriz” pela MTV. E a espera valeu a pena. A música é tudo o que se esperava da banda, e ainda bem melhor. Uma Nação mais seca, direta e com muito batuque e guitarra. Manda ver, Nação! O vídeo é data de março de 2013, ou seja, ainda não se sabe se essa versão é a mesma que estará no álbum, mas já é algo para matarmos nossa curiosidade. 

Confira também a letra:


"Cicatriz" (Jorge Du Peixe/Dengue/Lúcio Maia/Pupillo)
Participação: Kassin (sinthy)

Quando fica a cicatriz
Fica difícil de esquecer

Visível marca de um riscado inesperado
pra lembrar o que lhe aconteceu
Visível marca de um riscado inesperado
pra lembrar e nunca mais esquecer

Fica bem desenhado só pra ser bem lembrado
risco do erro, mal visto, mal quisto e mal olhado
Quem vê vira logo a vista para o outro lado
(Não é sóu um sinal de quem passou por maus bocados)
Mas essa daqui, me traz uma boa lembrança
não preciso esconder
Mas essa daqui, me traz uma boa lembrança
não vou mais esquecer

Seja como for eu me lembrarei
Seja onde for não esquecerei

Cicatriz
quem vê nem diz
Que fizesse tudo isso por um triz
Cicatriz
Nem todo cuidado do mundo


domingo, 2 de fevereiro de 2014

17 anos sem Chico Science



Em 2 de fevereiro de 1997, completando hoje dezessete anos, morria uma das maiores figuras da música brasileira, o pernambucano Francisco de Assis França, mais conhecido como Chico Sciense, o homem que revolucionou a música brasileira nos anos 90, liderando o último grande autêntico movimento musical, o Manguebeat. Para celebrarmos sua passagem e seu legado, deixo vocês com o show completo de Chico Sciense & Nação Zumbi no Cais da Alfândega, no Recife, em 1994, o ano no qual Pernambuco decolou de vez no mapa cultural não só do Brasil, mas do Mundo.

01 - Monólogo ao Pé do Ouvido
02 - Banditismo Por Uma Questão de Classe
03 - Antene-se
04 - Rios, Pontes e Overdrives
05 - Computadores Fazem Arte
06 - A Praieira
07 - Todos Estão Surdos
08 - Da Lama ao Caos
09 - Coco Dub (Afrociberdelia)
10 - A Cidade


domingo, 29 de dezembro de 2013

Melhores Álbuns de 2013 - Parte IV



Começo a escrever esta postagem com uma solenidade quase religiosa. Desde que, por pura paixão, comecei com o Filho do Blues, havia uma satisfação imensurável a cada resenha que escrevia. Mas, da mesma forma, havia sempre tristeza proporcional. Toda vez que conseguia pescar uma preciosidade, ao mesmo tempo que eu comemorava, vibrava e me arrepiava, vinha uma consciência severa que lamentava profundamente: “mas você nunca escreverá uma resenha para um álbum inédito de David Bowie”. E assim eu seguia em frente. Desde que The Next Day foi anunciado, ele guarda a sua posição em primeiro lugar na lista e hoje é finalmente coroado com tal posto, fazendo de Bowie também a personalidade do ano, já que toda promoção do disco foi feita sem entrevista, sem show, sem aparição em programas de TV.




The Next Day tem recebido fantásticas resenhas, dizendo inclusive que era o melhor álbum de retorno da história do rock. Pessoalmente, mesmo com todo entusiasmo que eu estava por ouvir o álbum, eu não esperava que ele seria assim. Bowie escolheu se resumir artisticamente no decorrer de quatorze faixas – sem contar com as três músicas bônus que ainda não saíram – o que, naturalmente, produz um álbum cuja riqueza é sem igual. Ninguém mais, só David Bowie seria capaz de compor um trabalho dessa magnitude.








Reflektor é mais uma obra prima de Arcade Fire e os coloca de vez como a melhor banda da última década. Mesmo ganhando o prémio máximo da música no trabalho anterior, não hesitaram em dar uma mudança de direção forte, mas mesmo assim sem uma ruptura total, o que foi mais ou menos sugerido que seria com algumas entrevistas que a banda concedeu. Enfim, tudo em Reflektor é grandioso, bem pensado e articulado, mais vasto do que os demais, tanto na riqueza musical – que já era imensa – quanto na temática. É um álbum ambicioso e muito bem sucedido, confeccionado por uma banda excepcional. Um novo clássico.










É o melhor trabalho de Queens of The Stone Age? Não, mas também é muito difícil igualar o nível de álbuns como Songs for The Deaf e Rated R. No entanto, em Like Clockworks mostra exatamente o quão grande e competente a banda é, mesclando momentos de sucesso certo, para ampliar o status de banda de festival, e outros nos quais arrisca novos sons e estilos sem se sentir ameaçada.





4. Pearl Jam - Lightning Bolt





Lightning Bolt é, por fim, mais um grande registro de uma ótima banda que já superou essa polêmica de tentar fazer um novo Ten ou Vs. É notório que eles estão preocupados apenas em se divertir uns com os outros e criar novos sons para comunicar sentimentos. E esse é o espírito da coisa. Ao não tentar mudar e abalar as estruturas do mundo mais uma vez, eles contentam-se em fazer parte dele. Uma parte importante inclusive.








Modern Vampires of The City é praticamente perfeito. É um álbum irretocável, a começar pela capa, uma imagem aérea, tirada pelo fotógrafo do New York Times, Neal Boenzi, olhando para o sul do Empire State Building, em preto e branco de Nova Iorque quase pós-apocalíptica, poética e sombria. Inspiradora.  Modern Vampires of The City apresenta uma banda totalmente regulada em seu pico criativo, embora atuando em um espaço sonoro talvez mais limitado que os dois trabalhos anteriores, o que, de forma alguma, tira a genialidade, apenas modifica sua forma, produzindo músicas mais concisas.









AM pode dividir opiniões entre aqueles que foi um fracasso e a morte de uma banda enérgica do rock’n roll, e outros irão celebrá-los como uma obra de uma banda que livrou-se de um rótulo para entrar no território indefinido, onde está com segurança e à vontade de arriscar o que for. Condição que poucos tem no mundo da música, que vive de rótulos. Eu estou com o segundo grupo.









O melhor álbum de blues do ano vai para Corey Harris. Fulton Blues é um maravilhoso álbum de um artista genioso e sincero para com as suas raízes, que usa uma trágica história como plano de fundo para dar margem à sua música se desenvolver. Corey Harris é, definitivamente, um dos nomes mais fortes na cena blues, tendo construído uma carreira sólida e versátil, a qual é enriquecida por mais este lançamento.





8. Mundo Livre & Nação Zumbi - Mundo Livre vs Nação Zumbi






O melhor álbum nacional do ano fica com os pernambucanos do Mundo Livre S.A e Nação Zumbi na concepção e realização dessa ideia genial. Esta série de “Embate do Século” ganha não somente mais um capítulo, mas também contribuiu para produzir um dos registros mais interessantes da música brasileira recente. Mesmo que sejam regravações de clássicas músicas, o nível de ineditismo aqui é de surpreender e de agradar. E muito.











Nobody Knows é, finalmente, um trunfo para Willis Earl Beal, que conseguiu perceber as fragilidades do seu som, intencionais ou não, e melhorá-lo para um formato mais acessível, porém, não menos interessante. Enquanto que Acosumatic Sorcery obteve resenhas misturadas, Nobody Knows a crítica está bem mais unânime quanto a sua genialidade. A cada novo passo, Willis Earl Beal se encaminha para ser – se ainda não for – um dos nomes mais originais da música.









Rhythm & Blues é um álbum de um grande artista, guitarrista e músico do blues. Acontece algo curioso; para Buddy Guy, um dos últimos sobreviventes da era de ouro do blues, que teve seus grandes momentos na década de 60 e 70 (Hoodoo Man Blues [1965], I Left My Blues in San Francisco [1967], A Man and The Blues [1968] e I Was Walking Through The Woods [1974] são ótimos exemplos dessa fase), quanto mais velho melhor. As últimas duas décadas de sua carreira contou com lançamentos incríveis, sobretudo a partir de Damn Right, I’ve Got The Blues, de 1991, passando por ótimos álbuns, como Sweet Tea, de 2001 e Living Proof, de 2010. Lista que recebe mais um título agora, Rhythm & Blues.





MELHORES ÁLBUNS DE 2013 - PARTE III - DO 20 ATÉ O 11
MELHORES ÁLBUNS DE 2013 - PARTE II - DO 30 ATÉ O 21
MELHORES ÁLBUNS DE 2013 - PARTE I - DO 40 ATÉ O 31
MELHORES ÁLBUNS DE 2013 - MENÇÕES HONROSAS.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Resenha de Mundo Livre S.A & Nação Zumbi - Mundo Livre vs Nação Zumbi


Ótimas ideias geralmente já são garantias de um grande disco, sobretudo quando vem acompanhado de uma produção bem feita e uma execução impecável. É a combinação perfeita. Some-se a isso a união de forças de duas das maiores bandas do último movimento musical genuinamente brasileiro, o Manguebeat. Essa é a ideia por trás do disco Mundo Livre vs Nação Zumbi, segunda edição da série "Embate do Século", promovido pela gravadora Deskdisc e que, a despeito do título sugerir uma rivalidade inexistente, o trabalho soa mais como uma colaboração pensada nos mínimos detalhes, cada um com o intuito de produzir o melhor para destacar o trabalho da banda colega. 

O disco é composto por quatorze faixas, das quais sete são originalmente de Mundo Livre S.A e as sete restantes ficam a cargo de Nação Zumbi. Naturalmente, as faixas escolhidas são as que mais definiram a história da banda, as de maiores sucesso e representatividade de suas carreiras. Mas o negócio fica realmente interessante quando Nação Zumbi toca as músicas de Mundo Livre S.A e vice-versa. E é esse exatamente o grande trunfo do disco, pois é empolgante ver as músicas com uma nova roupagem, cada uma com as características principais de cada uma das bandas. Isso gera uma experiência completamente nova e inesperada na audição de músicas que estamos acostumados a ouvir inúmeras vezes no decorrer dos anos. 





Dito isto, vamos nos deter nas execuções que mais encarnaram esse princípio da maneira mais bem sucedida. O disco é virtualmente dividido em duas metades, a primeira sendo conduzida por Fred 04 e companhia, com o Mundo Livre S.A. Logo de início, na faixa de abertura, um dos ícones do movimento Mangue, "A Cidade", Fred 04 relembra e homenageia o homem-carangueiro, Francisco França, vulgo Chico Science. "No início dos anos 90, Francisco França falou..." e começa com seu cavaquinho e vocal característico. "A Praieira" foi totalmente reformulada, num sambinha bossa nova que fica quase irreconhecível da original, com o furor e a excitação dando lugar a uma calma e bucólica faixa. Quase como se a original fosse feito num domingo de sol em Boa Viagem, com a praia lotada, enquanto que agora Fred 04 foi para alguma praia deserta no litoral pernambucano, tomando uma cerveja antes do almoço, debaixo de uma palhoça, pois "há fronteiras nos jardins da razão". Genial. "Etnia" é outra icônica do movimento e Fred 04 volta ao samba. "Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada" é um dos destaques máximo do disco. A original, de Nação Zumbi, já é incrível e essa versão é tão boa e intrigante que não se sabe realmente qual é a melhor. Com o peso sendo acrescentado por uma voz quase robótica. Do repertório de Mundo Livre, ainda destacam-se obviavelmente, "Rios, Pontes e Overdrives", um intenso samba\punk e "Samba Makossa", sempre com a irreverência típica de Fred 04 e sei jeito de cantar. 

 Esse comércio de competências e habilidades somente é completo quando Nação Zumbi entra em jogada, que assume também a partir de uma das icônicas faixas de Mundo Livre, "Livre Iniciativa". A partir de então, os batuques, guitarras com efeitos e arranjos psicodélicos e a seriedade do vocal de Jorde Du Peixe tomam conta. Essa química entre as características das bandas dão o charme e a genialidade dos discos. Ambas as bandas conhecem-se perfeitamente e só a partir disso que se é capaz de mergulhar por territórios diferentes para recriar a música. “Musa da Ilha Grande” também é outro grande destaque, seguida de “Bolo de Ameixa”, com um grande riff de guitarra, somado ao peso dos tambores. Dizer que a performance de um é melhor do que o outro seria injustiça certa para uma das partes. Enquanto que a tracklist de Nação está mais coesa e unida, Mundo Livre S.A preferiu a diversidade musical, ou seja, ambos ganham. 





“Girando em Torno do Sol” ganha uma roupagem de balada, sem as guitarras distorcidas da original. Depois de “Pastilhas Coloridas”, as duas faixas finais se sobressaem, deixando-nos no mesmo dilema, sem saber qual seria a melhor, a original ou a nova versão. “Seu Suor É o Melhor de Você” destaca-se na discografia de Mundo Livre como uma das melhores de sua carreira, o que torna a responsabilidade de Nação Zumbi em regravá-la ainda maior. Mas diante da obrigação, eles se saem muito melhor do que o esperado. Colocam uma tensão nos novos arranjos. Por fim, o frevinho genial de “O Velho James Browse Já Dizia”, que é digna de ser tocada inúmeras vezes no carnaval de Olinda. 

Esta série de “Embate do Século” ganha não somente mais um capítulo, mas também contribuiu para produzir um dos registros mais interessantes da música brasileira recente. Mesmo que sejam regravações de clássicas músicas, o nível de ineditismo aqui é de surpreender e de agradar. E muito.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

15 anos sem Chico Science



Dois de fevereiro de 1997 o Brasil perdia um dos seus maiores nomes da musica brasileira e, sem dúvidas, o mais importante da nordestina. Francisco de Assis França, muito mais conhecido como Chico Science, o homem que mudou a cara de Pernambuco para o mundo, morria em um trágico acidente de automóvel. Mas a riqueza, a influência e o legado que este olindense deixou para todos nós é incomensurável.

Como todos sabem, Chico, juntamente com a banda Nação Zumbi, foi o principal nome da cena manguebeat que surgiu no início da década de 90, que contava com companheiros constantes das bandas Mundo Livre S/A, Eddie, dentre outras. Essas bandas fizeram uma mistura única com os ingredientes da música regional pernambucana, mesclando frevo, maracatu, ciranda, com um som mais universal, principalmente do rock e pop. Isso fez tanto o restante do país, acostumado a ter novidades apenas no eixo Rio-São Paulo, quanto o mundo inteiro, virar as atenções para esse grupo de Nordestinos que estavam mudando a música popular brasileira.



A explosão de Chico Sience & Nação Zumbi foi curta, mas o suficiente para abalar as estruturas. Lançaram dois álbuns impecáveis, verdadeiras obras primas, repletos de músicas que já se tornaram hinos. Da Lama Ao Caos, de 1994, tem, por exemplo, “Rios, Pontes & Overdrives”, “A Praieira”, “Da Lama ao Caos”, “A Cidade”, enquanto que Afrociberdelia, de 1996, por sua vez, tem “Maracatu Atômico”, “Manguetown”, “Macô”, dentre outras.



Desde então Chico Science nunca irá ser esquecido do consciente coletivo do pernambucano. Para ter uma prova disso, em qualquer reunião em massa, para conquistar e ver todo mundo pular feito louco, basta soltar algum riff ou cantar algum refrão clássico, que o povo endoida. Músicas já viraram ícones e grito de guerra das torcidas pernambucanas de futebol.

15 anos sem Chico Science, lamentando por esse talento incrível ter ido embora tão cedo, mas feliz por ele ter brilhado nesse tempo. Feliz aqueles que assistiram ao vivo as hoje apresentações históricas ao vivo de Chico Science & Nação Zumbi.

Abaixo, o documentário Chico Science Mangue Star, Produzido pela TV Viva e TV Jornal.