quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Assista ao clipe do remix de James Murphy para "Lost Is Love", de David Bowie



Preparando para o lançamento da versão especial de três discos The Next Day, contendo ainda quatro músicas inéditas, David Bowie aproveitou a comemoração do Halloween para lançar o vídeo de “Lost Is Love”, faixa original de The Next Day, que agora ganha uma versão remixada por James Murphy, que produziu Reflektor, de Arcade Fire, com dez minutos de duração. O vídeo, em versão reduzida, criado com o assistente de Bowie, Jimmy King, e seu amigo Coco Schwab, contém vários bonecos da coleção do próprio Bowie e utiliza o mesmo efeito de reprodução clipe de “Where Are We Now?”. Confira:



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Resenha de Arcade Fire - Reflektor



O acontecimento de 2013 pode ter sido o retorno ao estúdio de David Bowie, mas o grande evento do ano certamente foi o modo pelo qual foi lançado o tão esperado disco da banda canadense Arcade Fire, Reflektor. Foram meses de expectativa e de jogadas de marketing inesperadas, com pouquíssimas informações, apenas com a certeza de que o Arcade Fire estava em estúdio com o produtor James Murphy, que de quando em quando concedia alguma entrevista relatando enigmaticamente como estava indo o processo de gravação. Até que o tempo foi passando e começou a surgir em várias cidades anúncios em arte de rua ou outdoors com um símbolo onde se lia “Reflektor”, ao mesmo tempo em que uma conta era aberta no instagram com mesmo nome. Não sei quem o fez primeiro, mas logo ligaram esses anúncios a um possível nome do novo trabalho do Arcade Fire, que se manteve em silêncio. Através do twitter, a banda confirmou lançamento do novo disco para outubro, em uma resposta a um fã que havia mandado uma mensagem aleatória para o twitter da banda. Por fim, a confirmação do título de Reflektor e o lançamento de dois clipes para o primeiro single, um deles interativo.



Mas como foi possível toda essa euforia acerca do quarto álbum de Arcade Fire? Ano que vem a banda completa dez anos do álbum de estreia, um dos grandes clássicos da década passada, Funeral, que marcou o início de uma trajetória espetacular, de uma banda que tem no sangue a vontade de arriscar, de criar algo novo para transmitir uma mensagem maior, em temas sérios e às vezes até filosóficos, que muitas vezes retratam o mundo fragmentado da pós-modernidade no qual vivemos. Essa qualidade, além da aclamação de imensa parte da crítica, veio acompanhada com o sucesso comercial, sobretudo no último disco, o ótimo The Suburbs, de 2010, ganhador do grammy de melhor álbum em 2011. Pode até demorar para Arcade Fire lançar um disco inédito, mas quando o faz, é com a certeza que durante esse tempo eles desenvolveram algo interessante para transmitir. Dessa vez não foi diferente.

Poucas bandas sabem separar o pessoal do profissional no mundo da música como Arcade Fire e, principalmente, o casal e centro criativo da banda, Win Butler e Régine Chassagne, que, durante esse período de três anos, foram pais. Entre a novidade de assimilar a nova situação, a dupla passou a absorver toda a influência e o impacto que a extensa turnê de The Suburbs, que passou por países como Haiti e Jamaica, a fim de transformar e criar um novo valor estético para a banda. Para facilitar essa transição, foi convocado James Murphy, ex-LCD Soundsystem, para produzir o novo disco. E o resultado pode ser sentido claramente em Reflektor, um álbum duplo de art-rock que pode ser visto como um divisor de águas na carreira de Arcade Fire, abraçando o status de aventureiros do rock, como David Bowie, Brian Eno, dentre outros.




Os dois discos de Reflektor são bem divididos e o planejamento de escolha para a posição e a ordem das músicas demandou tempo e é por isso que cada uma está ali por alguma razão. Os dois discos são bem distintos entre si. O disco I é mais agitado e muitas das músicas, apesar de ter um ritmo sempre recordando um pouco esse batuque caribenho do Haiti, também remetem muito ao Arcade Fire de sempre. Já o disco dois é mais lento, um pouco mais eletrônico, criando um ambiente específico antagônico, como o outro lado.

“Reflektor”, com a magnífica participação nos backing vocals de David Bowie, abre o disco deixando instantaneamente clara a influência de James Murphy no novo som de Arcade Fire, com alguns os efeitos eletrônicos, com uma letra mostrando a era reflexiva, que irá permear o restante das músicas, acrescido dos ritmos do Caribe. “We Exist” fala do nosso mundo contemporâneo onde fazemos nossas atividades automaticamente, sem perceber as pessoas ao nosso redor, como se elas nem ao menos existissem. Em Reflektor há um pouco desse existencialismo, de sentir a experiência de estar vivo e presente no mundo exterior e interior.





"Flashbulb Eye” é a única do primeiro disco totalmente descartável. Começa com um ritmo parecido com “Here Comes The Night Time”, mas fica muito confusa, cheio de arranjos eletrônicos sobrepostos. Destoa completamente do restante do álbum. “Here Comes The Night Time”, por sua vez, é uma das melhores do disco e, inclusive, da carreira de Arcade Fire. Ela pode entrar certamente entre aquelas que comprovam o nível de genialidade nas composições dessa banda tão peculiar e especial. O ritmo intenso inicial é reduzido e vai entrando em diversas variações de tempo e ritmo, além dos arranjos, especialmente o do piano, que é lindo, logo após a parte do refrão. Sim, não poderia também me esquecer de uma das melhores imagens criadas da carreira da banda, “a thousand horses running wild in a city on fire”. Lindo e apocalíptico. Genial. “and if you can feel it, then the rules are dead”. Exato. A quebra rítmica no final da canção também dá outra direção, com um ótimo trabalho de guitarra.





“Normal Person” começa com um questionamento cético, “Do you like rock and roll music? Cause i don’t know if i do”. Curiosamente e intencionalmente, é uma das músicas mais pesadas da carreira da banda, com um refrão pesadíssimo e solos de guitarra. A letra, como não poderia ser diferente, é um show à parte. Em cada verso, Win Butler é capaz de questionar várias situações de nossas vidas e, nesse caso, em relação à normalidade, diante de um mundo onde todos acabam sendo iguais aos outros, sonhando em inglês, e em inglês correto. Mais uma música incrível e no nível das melhores da banda. “You Already Know” lembra o Arcade Fire clássico, digamos assim, em alguns momentos a batida de The Suburbs, mais rítmica. “Joan of Arc” finaliza o primeiro disco com uma linha de baixo sensacional, seguida por uma guitarra firme e constante, e é mais uma que mistura o inglês com o francês através de mais um vocal épico de Régine, soando mesmo como Joana d’Arc. Apesar de não ter tido uma música só para ela cantar, a presença de Régine pode ser sentida e apreciada muito mais em Reflektor, com várias participações no decorrer de músicas que ficaram perfeitas, como também em “Reflektor”.





Como foi dito, a mudança para o segundo disco é sentida diretamente na forma da primeira música, na verdade, uma continuação, porém em um formato bem diferente. “Here Comes The Night Time II” revela a entrada no outro lado e é acompanhado, praticamente na íntegra, por um som mais contemplativo e cheio de efeitos sonoros para criar um ambiente lúdico, talvez do pós-vida, na jornada de Orfeu para resgatar sua Eurídice. No entanto, a mudança de estilo não prejudica a qualidade apresentada nas demais faixas do trabalho, como o prova “Awful Sound (Oh Eurydice)”, sendo sentida novamente a influencia dos ritmos caribenhos na batida, junto com alguns arranjos eletrônicos, enquanto que nessa história o amor de Orfeu é renegado por Eurídice. No refrão há uma quebra súbita, num som mais tradicional, quase como os Beatles. 

“It’s Never Over (Oh Orpheus)”, dominada mais por Régine, segue o exemplo de “Flashbulb Eye” e destoa das demais, apesar de ser um pouco melhor do que esta última, num ritmo mais dançante e eletrônico, o qual funciona melhor quando ajuda a criar um ambiente mais reflexivo e contemplativo, como em vários momentos nesse segundo disco, por exemplo, em “Porno”, com uma melodia bastante bonita e na faixa final, “Supersymetry”.

Reflektor é mais uma obra prima de Arcade Fire e os coloca de vez como a melhor banda da última década. Mesmo ganhando o prémio máximo da música no trabalho anterior, não hesitaram em dar uma mudança de direção forte, mas mesmo assim sem uma ruptura total, o que foi mais ou menos sugerido que seria com algumas entrevistas que a banda concedeu. Enfim, tudo em Reflektor é grandioso, bem pensado e articulado, mais vasto do que os demais, tanto na riqueza musical – que já era imensa – quanto na temática. É um álbum ambicioso e muito bem sucedido, confeccionado por uma banda excepcional. Um novo clássico.


Abença Pai: Resenha de Miles Davis - Birth of The Cool




Miles Davis
The Birth of the Cool
(Capitol – imp.)

E absolutamente impossível saber o que seria do jazz se Miles Davis não tivesse se dignado a elaborar esse disco.

Olhar para a carreira de Miles Davis e visualizar a própria historia do jazz. Ele esteve por trás de cada inovação estilística e musical, e sua capacidade de arregimentar músicos notáveis para seus grupos tornou-se lendária. Todos que tocaram com Miles foram profundamente afetados por tal experiência. Ele tocava seu instrumento com um lirismo e uma introspecção que transformava radicalmente qualquer composição, tomando seu tom absurdamente inigualável.

Mas se a maneira como abordava seu instrumento não sofreu modificações, o modo como via e ouvia jazz não tem parâmetros na historia do estilo. Miles constantemente chutava a bunda do jazz para que este se desenvolvesse como linguagem musical.

Um projeto evidente – começou a excursionar com bandas logo aos 16 anos; aos 18, já fazia parte do grupo de Billy Eckstine, ao lado de Dizzy Gillespie e Charlie Parker, ambos considerados como os arquitetos do bebop -, Miles cedo percebeu que a rapidez do bebop não servia para seu estilo, mais lento. Em 1948, ele organizou um estranho – para a época – noneto, com a presença, alem de seu trompete, de sax-alto (Lee Konitz), sax-barítono (Gerry Mulligan), trombone (Kai Winding), french horn e tuba. Um contrato com a Capitol Records levou as gravações daquilo que seria mais tarde como The Birth of the Cool.

A banda entrou em estúdio em janeiro de 49 e, em três sessões (duas naquele mesmo ano, e a terceira em março do ano seguinte), gravou 12 faixas, com arranjos de Gil Evans. Na época, elas não chamaram a atenção, mas o som relaxado afetou a todos que participaram daquelas gravações e foi catalisador daquilo que se tornou mais tarde o jazz West Coast.




A elasticidade do bebop se harmonizava com a sonoridade típica de uma big band, só que com uma atmosfera muito mais relaxante, algo impensável para a época. Os temas jamais descambavam para o histrionismo, mesmo em termos rítmicos. A concisão dos arranjos de Evans levava o grupo a soar como se estivesse um número menor de integrantes.

O resultado foi mágico. A química musical exibida logo na abertura com “Move” já fornecia pistas do que viria a seguir, pois o tema – originalmente composto como um bebop – recebeu o tratamento mais suingado (ou, se preferir, cool). O mesmo acontecia em “Jeru”, composta por Mulligan, com um brilhante solo de Miles.

Mas foi na belíssima e plácida “Moon Dreams” que a coisa começou a se definir. Esta balada foi tocada em um andamento arrastado para a época, alem da seriedade quase erudita com que o grupo a executou. Outra composição de Mulligan, “Venus De Milo”, fez o grupo voltar a suingar compassadamente. Fornecendo um belo encadeamento com a faixa seguinte, “Budo”, um clássico tema do pianista Bud Powell reduzido a pouco mais de dois minutos de energia pura.





“Deception” e “Godchild” apresentavam uma tensão pouco frenética, antecipando a cadencia sutil – e elaborada ao mesmo tempo – de “Boplicity”, estranhamente creditada à mãe do próprio Miles. O espaçamento melódico de “Rocker” e “Israel” acabaram por influenciar toda a estrutura jazzística posterior, ao passo que a divertida “Rouge” e a romântica “Darn That Dream”, a única faixa com vocais – a cargo de Kenny Hagood – encerravam a pioneira experiência com chave de ouro. A coisa era tão inofensiva que todas as gerações de jazzistas subseqüentes acabaram influenciadas de modo irrefutável.

No final de sua vida, Miles acabou caindo em contradição ao embarcar em uma trip egocêntrica, em que roupas acetinadas eram parceiras de uma postura estranha para os fãs, já que Miles passou a tocar com um pé em pedais wah-wah e as mãos em teclados. Mas foi esse mesmo cara que ampliou as fronteiras do jazz sem perder a qualidade. O cool jazz de Miles foi o momento definitivo de uma gigantesca transformação.

A importância histórica de The Birth of the Cool adquire uma relevância ainda maior por ser um daqueles discos que, se bem entendidos, são capazes de abrir a cabeça – e a mente – de qualquer pessoa.

(Daniel Rodrigue)*

*Estudante de Historia da UEPB, apaixonado por música e quadrinhos (como Robert Crumb) que desde os 15 anos ouve e lê compulsoriamente tudo a respeito.


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Confira os diversos artistas que pagaram tributo a Lou Reed nos últimos dias



Com certeza não seria apenas o Filho do Blues a prestar homenagens a uma lenda como Lou Reed. As inúmeras bandas que estão em turnê pelo mundo não poderiam deixar de reagir a uma perda desse tamanho e, naturalmente, vão tocando uma ou outra canção de Lou Reed nos seus shows. É o caso de Arctic Monkeys, que tocou uma das músicas mais famosas de Lou, “Walk On The Wild Side” no seu show em Liverpool, no dia 28, um dia após a morte de Lou Reed.

 

Pearl Jam foi outra banda que prestou homenagens a Lou Reed tocando uma cover de Velvet Underground, “I’m Waiting For The Man”, no show em Baltimore, no domingo.





No festival anual do Bridge School Benefit, que ocorreu no último fim de semana, My Morning Jacket recebeu o acompanhamento de Neil Young, Elvis Costello, Jenny Lewis, dentre outros, para tocar “Oh! Sweet Nuthin’”

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Outra banda que pagou tributo a Lou Reed foi Arcade Fire, que fez ontem uma sessão ao vivo para NPR, no Capitol Studios, em Los Angeles, e tocou trechos de duas músicas de Lou Reed do álbum Transformer, “Perfect Day”, que utilizou como introdução para “Supersymetry”, música do novo disco deles, e “Satellite Of Love”, que, por sua vez, concluiu a música. ("Perfect Day" em torno de 17 minutos e "Satellite of Love" mais ou menos no minuto 22).




Também vale a pena conferir algumas versões das músicas de Lou Reed por outros companheiros. Quem conhecer alguma versão especial de alguma das músicas de Lou Reed, pode se sentir a vontade de postar nos comentários.




segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Panteão dos Deuses: The Velvet Underground



Para começar a mostrar a importância e influência de Lou Reed no mundo da música é obrigatório mencionar o trabalho de vanguarda e revolucionário desenvolvido pela banda The Velvet Underground, formada em conjunto com seu amigo de colégio, John Cale. Reza a lenda que o primeiro disco da banda, de 1967, The Velvet Underground & Nico, ou simplesmente o disco “da capa da banana”, como ficou conhecida a clássica capa criada por Andy Warhol, padrinho que acompanhou de perto a carreira do grupo, vendeu cem – dez mil ou trinta mil – cópias na época. Seja qual tenha sido a vendagem, o seu impacto pode ser traduzido pelo depoimento de Brian Eno, que disse que cada um dessas pessoas que compraram o disco acabaram formando uma banda.




The Velvet Underground certamente pode ser colocada no hall das bandas mais influentes de todos os tempos, juntamente com Beatles e Bob Dylan. A banda explorou novos territórios tanto esteticamente, liricamente quanto musicalmente. Tendo Lou Reed como líder criativo intelectual, a banda desenvolveu um som característico que iria ser a fundação de todo o rock alternativo posterior. Criou o chamado noise rock, cheio de sons e barulhos repetitivos até o extremo, que, combinadas com a carga das letras, criou um conjunto totalmente inédito até então. Lou Reed foi o grande explorador do submundo dos grandes centros urbanos, principalmente o de Nova York, levantando temas com abordagens antes inexploradas, em relação às drogas e ao sexo. Traficantes de drogas, viciados decaídos, assassinos e prostitutas tornaram-se personagens marcantes e recorrentes na poesia de Lou Reed.





No decorrer de quatro anos, a banda lançou quatro álbuns totalmente clássicos, como White Light/White Heat, de 1968, o mais experimental para o som do noise rock progressivo, o álbum homônimo de 1969, com composições bem pessoais e românticas de Lou Reed, “Pale Blue Eyes” e “Candy Says”, mas também contendo mais rock como “What Goes On”  e Loaded, de 1970, voltando-se mais para um rock mais clássico e acessível, que rendeu ao grupo clássicos como “Sweet Jane” e “Rock & Roll”. A mudança para um som mais direto é atribuída a saída de John Cale da banda, que era o mais radical no experimentalismo, em 1968.  

Apesar de parecer que seria promissor, o ano de 1970 acabou por revelar os problemas pessoais no relacionamento dentro da banda, com a saída de alguns membros, até que no final do verão do mesmo ano Lou Reed anuncia que estava deixando a banda, voltando para a casa de seus pais em Long Island antes de entrar na carreira solo, ainda antes de Loaded ser lançado.





Embora sem sucesso comercial na época, Velvet Underground foi ganhando notoriedade cada vez maior enquanto que os artistas que foram inspirados por eles revelavam e pagavam seu tributo, como David Bowie, Iggy Pop, Brian Eno, Patti Smith e muitos outros no decorrer das décadas seguintes. The Velvet Underground foi introduzido no Rock and Roll Hall of Fame em 1995. 


domingo, 27 de outubro de 2013

Lou Reed morre aos 71 anos


O dia 27 de outubro de 2013 ficará guardado como o dia em que o mundo perdeu mais um dos seus gênios. O artista vanguardista Lou Reed, membro fundador da clássica banda dos anos sessenta, The Velvet Underground, que simplesmente delineou a base para o rock alternativo e o psicodélico, e dono de uma respeitável carreira solo, sobretudo no decorrer da década de setenta, morreu hoje devido a uma complicação de uma cirurgia de transplante de fígado, pela qual ele passou ainda em maio, mas que estava se recuperando bem. Reed tinha 71 anos. No decorrer de sua vida ele exagerou bastante nas questões de drogas e bebidas, mas nos últimos anos ele vinha tentando se recuperar, inclusive com bastante otimismo, tendo falado que ele era um trunfo da medicina, física e química modernas. 

Grandes nomes da música já se pronunciaram sobre a morte do ícone Lou Reed, como o próprio David Bowie, cria direta de Velvet Underground, e com o qual Lou Reed trabalhou em alguns dos seus trabalhos, como o melhor disco de sua carreira solo, Transformer, de 1972. O facebook oficial de Bowie relata a frase que ele falou sobre seu velho amigo: “he was a master”. Já o twitter oficial de Iggy Pop, mais uma cria direta de Velvet, twitou “devastating News”. Falando das mídias sociais, o próprio perfil do facebook de Reed colocou uma imagem com a legenda “The Door”. Para exemplificar o tamanho da influência de Lou Reed e mais especificadamente de Velvet Underground, mais um de seus discípulos, Brian Eno, uma vez falou que o primeiro álbum do Velvet Underground vendeu trinta mil cópias nos seus primeiros cinco anos e que cada um desses que comprou o álbum acabou formando uma banda. 

 No decorrer da semana, o Filho do Blues irá prestar as devidas homenagens a Lou Reed, resgatando os momentos mais marcantes de sua rica e extensa carreira.


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Pearl Jam alcança topo da Billboard pela quinta vez



Há controvérsias para a afirmação de que Pearl Jam tornou-se uma banda anticomercial. Isso porque a banda acaba de alcançar, pela quinta vez, o primeiro lugar nas paradas americanas da Billboard com Lightning Bolt, seu décimo disco de estúdio, vendendo 166 mil cópias na semana de lançamento e deixando para trás ninguém menos que Paul McCartney (vale ressaltar que a Billboard é tão somente do mercado norte-americano). Pearl Jam atingiu o topo em outras quatro oportunidades, com Vs, de 1993, Vitalogy, de 1994, No Code, de 1996 e também com o até bem recentemente último trabalho da banda, Backspacer, de 2009, que vendeu na ocasião 189 mil unidades. O clássico Ten, de 1991, ficou com o segundo lugar, juntamente com Yield, de 1998, Binaural, de 2000 e Pearl Jam, de 2006. Apesar do primeiro lugar, Lightning Bolt é a menor quantia vendida na primeira semana da carreira de Pearl Jam, reflexo ainda da crise do mercado fonográfico. Ainda assim, é a maior desde novembro para um artista de rock, quando Phillip Phillip vendeu 169 mil cópias de The World From the Side of The Moon.

Esses recentes resultados refletem diretamente de uma mudança de postura da banda, que, sobretudo nos dois últimos trabalhos de estúdio, focaram mais abertamente em participar de programas, conceder entrevistas e, inclusive, lançar mais vídeo clipes. Sem dúvidas, a segurança, a naturalidade e a autoconfiança que a banda deixa transparecer em Lightning Bolt não se limitam a seu som. Pearl Jam, enquanto banda, encontra-se tão segura quanto jamais esteve.


Assista ao novo clipe de Arctic Monkeys, "One For The Road"



A banda Arctic Monkeys continua se divertindo no novo clipe de “One For The Road”, dirigido por Focus Creeps, mas dessa vez a diversão consiste , no caso do guitarrista Jamie Cook, em dirigir e trator em uma fazenda. O vídeo mostra Jamie dirigindo modelos diferentes de tratores, enquanto a banda aguarda misteriosamente ao lado de uma casa de madeira. Depois de se divertir um pouco, Jamie se junta à banda, que começa a tocar enquanto atrás deles tem início um show de fotos de artifício.


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Assista ao novo clipe de Arcade Fire, "Afterlife"



Com a proximidade do lançamento do tão esperado Reflektor, Arcade Fire deu mais um passo na sua estratégia mercadológica e colocou no ar mais um vídeo do álbum, a música “Afterlife”, que já havia sido apresentada ao vivo no Saturday Night Live. O clipe, aproveitando a influência havaiana presente em vários momentos do disco, toma como base cenas do filme de Marcel Camus, Black Orpheus, de 1959, que reconta a história de Orfeu e Eurídice no contexto africanizado. As referências nesse Orfeu negro, além de conectar com a própria capa de Reflektor, que é uma estátua de Orfeu e Eurídice, simboliza bem essa união entre os valores e conceitos ocidentais, na figura da banda Arcade Fire, e as influências que eles receberam por sua passagem no Havaí, principalmente, com a mistura de ritmos africanos. Confira:



segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Resenha de Corey Harris - Fulton Blues


Cada descoberta vinda do blues sempre renova as esperanças acerca nesse estilo musical secular e que definitivamente deu sua contribuição essencial para os fundamentos de como a música foi feita durante o século XX e que continuará a ser feita ainda por muito tempo. Gera ainda mais prazer ao ver um novo artista cuja proposta é resgatar o sentimento e a emoção do blues puro e rural, aquele do Delta do Mississipi, sem a intromissão do rock, que, embora seja também maravilhoso, transformou esse estilo para o mainstream urbano e desenvolvido. Esse artista contemporâneo que se dá a missão de fazer essa conexão com o passado, sem deixar de incluir elementos mais modernos na equação, é o músico, professor, pesquisador e estudioso Corey Harris. No entanto, não se deve confundir aqui com pura idolatria e preservação do passado, numa obsessão de autenticidade para soar idêntico ao blues que era tocado no início do século passado no Sul dos Estados Unidos. Harris não apenas recria esse estilo, como também o funde com outros estilos, sempre focados nos ritmos de raiz, principalmente os africanos e afros americanos.

A carreira desse bluesman é a prova disso. Corey Harris iniciou sua carreira em meados da década passada, pelo lançamento do seu disco de estreia Between Midnight and Day, de 1995, com a proposta clara de basicamente recriar o Delta Blues, sozinho com seu violão mostrando suas habilidades nas variações do delta blues, recebendo uma calorosa e empolgante recepção. Em 1997, Harris manteve seu estilo com Fish Ain’t Bitin’, mas realmente conquistou de vez a crítica com o Greens from the Garden, de 1999, aprofundando na riqueza do estilo e ampliando seu campo sonoro, atingindo outros estilos do blues, do jazz e do soul, cuja mistura ele foi desenvolvendo cada vez mais nos trabalhos seguintes, Vu-Du Menz, com o pianista Henry Butler. No início da década de 2000, Harris participou com Martin Scorsese na produção do filme Feel Like Home, o primeiro da série de Scorsese chamada The Blues, pela PBS. Essa produção acabou propiciando para Harris viajar do Mississipi para o oeste da África, onde ampliou seus estudos sobre os ritmos africanos e lançou mais um grande disco, Mississipi to Mali, de 2003, fazendo uma ponte entre os estilos mais africanos e o blues do Mississipi. A partir de então, Harris passa a dar mais espaço a outros ritmos nos seus discos seguintes, como o reage, mas nunca abandonando o seu pé no blues. É nesse contexto que chegamos a mais um lançamento de Corey Harris, Fulton Blues, recebido como um retorno à forma, mais enraizado no blues e nas suas variações, deixando um pouco de fora suas explorações pelo reagge.




Fulton Blues, inclusive, é conceitual, com uma história real por trás de sua concepção. No vídeo oficial de “Fulton Blues”, Harris faz um resumo da situação que ocorreu na comunidade Fulton, em Richmond, na Virginia, uma grande comunidade afro americana, onde abrigava gerações de antigos escravos. No entanto, segundo os líderes de Richmond, a localização de Fulton era perfeita para a construção de uma indústria privada. Resultado: mais de 3 mil pessoas se viram forçadas a se retirar, com uma indenização de 15 mil dólares. De uma hora pra outra, famílias se despedaçaram e Fulton foi destruída para se tornar uma indústria que nunca veio a se realizar, tornando-se uma cidade fantasma, com campos vazios, tijolos quebrados, onde antes havia histórias em cada casa que existia ali. E é com esse plano de fundo que Harris desenvolve o disco, misturando com regravações maravilhosas de clássicas faixas do blues, com destaque para “Catfish Blues”, de Robert Petway e “Devil Got My Woman”, de Skip James.




Uma das provas que este é, até a presente data, o melhor álbum de blues do ano, é que não há uma música fraca neste álbum de 14 faixas, magistralmente distribuídas e desenvolvidas de forma equilibrada e emocionante, a começar pela faixa de abertura “Crying Blues”, com sensacional banda completa, construindo belos arranjos nos instrumentos de sopro e teclado. Em “Underground” Harris assume com seu violão no melhor do seu estilo delta blues acústico, que é o tom que dará mais ao álbum, com algumas exceções. Uma das marcas registradas de Harris são as letras mais desenvolvidas, algumas até mesmo com teor político. E em todas as faixas não se deve deixar de lado o contexto da comunidade Fulton. “J. Gilly Blues” permanece acústica, mas nela é adicionada a gaita para fazer duelo com o violão e conta a história de J. Gilly. Essa combinação com gaita, inclusive, sempre chega a lembrar um pouco de Sonny Terry e Brownie McGhee. “Black Woman Gate” traz a conotação sexual sobre o portão da morena.

Em “Tallahatchie” Harris volta a ser acompanhado pela banda completa, com um refrão bem melódico e arranjos que remetem ao soul e R&B, reservando espaço para uns solos interessantes de guitarra. “Fulton Blues” não podia deixar de ser por si mesma um dos grandes destaques do álbum, sendo Harris acompanhado mais uma vez pela gaita e com a letra relata a tragédia na comunidade de Richmond, como bem retrata o seu belíssimo vídeo clipe. “Devil Got My Woman”, um dos grandes destaques do repertório de Skip James, é aqui reforçada na fiel versão de Harris. “House Negro Blues”, num ritmo sensacional, é uma das melhores faixas do disco, emocionante e empolgante, quase como um lamento, acompanhado da banda completa, em conexão com a história base de Fulton Blues. “Black Rag” surpreende com um divertido banjo bem country e uns solos de trompete. Aí finalmente chega a versão sensacional de “Catfish Blues”, que tem de tudo, saxofone, guitarra, piano, enfim, a banda completa hipnotizada pelo blues, assim como nós ficamos. 

Fulton Blues vai caminhando para o final com a divertida e bela “That Will Never Happen No More”, dessa vez apenas Harris detonando com seu violão, enquanto que “Lynch Blues” e “Maggie Walker Blues” resumem o melhor do delta blues. O álbum termina com a instrumental com a banda completa e cheia de solos, “Fat Duck’s Groove”.

Fulton Blues é um maravilhoso álbum de um artista genioso e sincero para com as suas raízes, que usa uma trágica história como plano de fundo para dar margem à sua música se desenvolver. Corey Harris é, definitivamente, um dos nomes mais fortes na cena blues, tendo construído uma carreira sólida e versátil, a qual é enriquecida por mais este lançamento. Infelizmente o youtube não dispõe de muitos vídeos de Fulton Blues, mas, confie em mim, se você é fã de blues, vale a pena dar uma olhada aqui



quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Assista a Buzzsession de Lee Ranaldo and The Dust



Lee Ranaldo and The Dust foram os convidados para a série Buzzsession, da The Wild Honey Pie, e tocaram no estúdio Electric Lady, em Manhatan, duas músicas do novo álbum da banda, Last Night On Earth, duas das melhores, inclusive, “Lecce, Leaving” e “Ambulancer”. Confira abaixo a apresentação:

 


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Resenha de Arnaldo Antunes - Disco



Arnaldo Antunes é, sem dúvida alguma, um dos artistas mais inventivos em atividade no cenário musical brasileiro, muito disso devido à sua veia artística e poética, que transforma sempre ideias originais em canções interessantes, seja qual for estilo musical que ele escolha enveredar pelo momento. Isso desde a época do rock mais pesado dos Titãs, também na sua fase conceitual, com O Corpo e nos trabalhos mais clássicos de sua carreira, como O Silêncio, de 1996, Um Som, de 1998 e Paradeiro, de 2001, até o mais suave de Saiba, de 2004, passando pelo rock dos anos 50 do seu último álbum, Iê Iê Iê, lançado em 2009. Essa originalidade ele sempre levou consigo também nos projetos que ele participou, como Os Tribalistas e Pequeno Cidadão. Para mais uma cartada na sua rica discografia, Disco, o novo disco de Arnaldo Antunes tem como proposta uma mescla sonora de todos os estilos praticados no decorrer de sua carreira.




A ideia de inventividade já começou a ser praticada deste o pré-lançamento de Disco, quando Arnaldo Antunes resolveu disponibilizar a cada início de mês, através de seu site oficial, um novo single do trabalho. No total, foram cinco meses, através dos quais foi possível conhecer pedaços bem interessantes de Disco, como “Muito Muito Pouco”, um rock onde Arnaldo Antunes já começa a fazer o que ele melhor sabe: levantar questionamentos para reflexão, sempre de forma inusitada: “muito pouca dúvida e muita razão tem muito pouca ideia e muito opinião”. A segunda parte apresenta versos entrecortados e com um ótimo trabalho de arranjo; “Dizem (Quem me Dera)”, uma linda balada e que apresenta uma das melhores letras de Disco, questionando a ideia de progresso pelo progresso e as consequências que isso provoca. “quem me dera não sentir mais medo, quem me dera não me preocupar, quem me dera não sentir mais medo algum”; “Ela É Tarja Preta”, um divertido e dançante tecnobrega; “Vá Trabalhar”, outro rock que levanta questionamentos sobre os problemas causados pela valorização exagerada do trabalho, em relação à família, dinheiro e saúde; e, por fim, “Sou Volúvel”, sobre o processo de criação e formação das ideias e sua finitude e fragilidade, solos de guitarra bem interessantes atravessam a música a todo momento.





Quanto às demais, Disco também nos escondeu alguns momentos muito interessantes, como é o caso de “Trato”, remetendo ao estilo mais percussivo. “Morro, Amor” é uma romântica balada no violão, com delicados arranjos de sopro, onde Arnaldo Antunes divide a autoria pela primeira vez com Caetano Veloso, sobre a finitude e a intensidade do amor. “Ah, Mas Assim Vai Ser Difícil” mostra um Arnaldo Antunes furioso como pouco antes visto, remetendo um pouco ao tempo de Titãs, com um solo intenso de guitarra, sobre o julgamento alheio e a burocracia da sociedade hoje, cheia de formulários para preencher, documentações para apresentar, dentre outros inúmeros emperramentos. “Querem Mandar”, tem uma das melodias mais bonitas de Disco, muito bem arranjada, e um recado para os políticos, grandes empresários e instituições políticas. Combina perfeitamente com o momento de agitação social que o Brasil vivencia hoje com o “a gente não vai aceitar, nem entrar nessa”. Muito boa.

Arnaldo Antunes dá a jazzística “Mamma”, feita por Gilberto Gil em inglês, uma bela versão em português, sem extinguir as influências do jazz no ritmo e nos arranjos, calorosa e suave como um abraço de mãe. “Oxalá Chegar” mostra o estilo menos inspirado de Arnaldo Antunes. Já “Sentido” é um rock pesado ao estilo Titãs, com fortes riffs de guitarra e questiona o sentido da vida e a sua finitude. A faixa final, curiosamente, fala sobre despertar, “Acalanto para Acordar”, uma balada no melhor estilo Arnaldo Antunes que cumpre a promessa do título.

Disco é a congregação, enfim em um único disco, de todo o universo que Arnaldo Antunes explorou em sua riquíssima carreira. E finca ainda mais o nome de Arnaldo Antunes como o grande e, talvez, o maior e melhor compositor ainda em atividade na música brasileira.


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Ouça a nova versão para o clássico de David Bowie, "Sound And Vision"


Mesmo quando não faz absolutamente nada, David Bowie é brilhante. Neste caso, com uma grande ajuda do produtor Sonjay Prabhakar, a quem foi dada a missão de fazer uma mixagem do clássico de Low, “Sound And Vision”, para uma campanha de lançamento do Xperia Z, da Sony. A versão de Prabhakar, infelizmente muito curta, não alcança nem a casa dos dois minutos, usa os diferentes canais de voz gravados por David Bowie, enquanto cria um ambiente ao som do piano de Roy Young, tirando a maior parte dos instrumentos da canção original. Depois de pronta, a música foi enviada para aprovação do próprio Bowie, que autorizou seu lançamento. Abaixo segue as duas versões.






domingo, 13 de outubro de 2013

Assista Arctic Monkeys Live @ Austin City Limits 2013



Nesse fim de semana aconteceu o festival Austin City Limits, na cidade de Austin, Texas, nos Estados Unidos e foi transmitido ao vivo via internet. Como alguns dos principais nomes do mundo da música do ano de 2013 estavam presentes, como Queens of The Stone Age, Vampire Weekend e Arctic Monkeys, que tocaram todos no mesmo dia, na sexta feira, Wilco ficou de se apresentar no sábado e no domingo, tinha de destaque a banda Phosphorescent, mas, devido às fortes chuvas e ameaças de enchentes, o festival foi cancelado. Então, ficamos de olho assim que o vídeo do show completo fosse disponibilizado no youtube. E o primeiro a aparecer foi o show de Arctic Monkeys, que você pode acompanhar na íntegra logo abaixo Confira o setlist, com uma bela mistura de toda a bem sucedida carreira da banda, dando um destaque, claro, para o lançamento mais recente, o ótimo AM e a participação de Josh Homme em "Knee Socks". A junção de "War Pigs" com os riffs de "Arabella" também ficou sensacional. A performance de Alex Turner também chama bastante atenção, encarnando de fato o personagem sexy appeal de rock star, com o visual dos anos 50, cheio de rebolados: 

1. Do I Wanna Know? 
2. Brianstorm 
3. Dancing Shoes 
4. Don't Sit Down 'Cause I've Moved Your Chair 
5. Snap Out of It 
6. Crying Lightning 
7. Knee Socks 
8. Reckless Serenade 
9. Why'd You Only Call Me When You're High? 
10. Arabella & War Pigs 
11. Pretty Visitors 
12. I Bet You Look Good on the Dancefloor 
13. Fluorescent Adolescent 
14. One for the Road 
15. R U Mine?



sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Resenha de Lee Ranaldo And The Dust - Last Night on Earth



Em 2012, Lee Ranaldo se viu obrigado a focar unicamente em sua carreira solo, já que seu clássico grupo, Sonic Youth, do qual era integrante e um dos membro fundador, entrou em um hiato, possivelmente eterno, com a separação conjugal de dois de seus principais participantes, Thurston Moore e Kim Gordom. Para Lee, foi o momento ideal não para se afastar e apenas desfrutar dos louros da gloriosa carreira construída pela banda. Muito pelo contrário. Quase que imediatamente, Lee Ranaldo anunciou seu álbum solo Between The Times And Tides. Menos de um ano depois, tendo aproveitado esse tempo para rodar pelo mundo apresentando suas novas músicas para o público e reunindo uma banda fixa de apoio, da qual faz parte o baterista do Sonic Youth e colaborador de longa data, Steve Shelley, chamada The Dust, Lee acaba de lançar seu segundo álbum solo, The Last Time On Earth, no qual apresenta uma ampliação do som explorado no trabalho anterior. A sensação é que Between The Times And Tides, embora com algumas músicas muito boas, foi feito quase às pressas, sendo notória a falta de uma banda com a qual Lee poderia interagir criativamente, ampliando seus limites sonoros, permitindo-o experimentar à vontade seus sons na guitarra, ofício em que ele é, sem sombra de dúvidas, um mestre.

A evidência dessa transformação não escondida. Na tracklist oficial do álbum, já se percebe claramente essa profundidade ao analisarmos a extensão de cada uma. Das nove faixas, apenas uma possui menos de cinco minutos. A grande maioria ultrapassa a casa dos seis. Ou seja, é muito campo para Lee Ranaldo trabalhar e desenvolver novas texturas na guitarra. E é isso que ele faz desde a faixa de abertura, a ótima “Lecce, Leaving”, sem dúvidas um dos destaques do trabalho, com um refrão muito marcante e variações muito interessantes e súbitas quebras de tempo, com ainda uma explosão efusiva de sons da metade pro final. Cada faixa transpira as influências marcantes na carreira de Lee Ranaldo e The Dust, mais claramente Neil Young, Grateful Dead e também um pouco do psicodelismo da década de sessenta em alguns efeitos de guitarra.




“Key-Hole” começa com uma microfonia que soa bem familiar aos ouvidos dos fãs de Sonic Youth, antes de entrar num ritmo calmo e reflexivo. O ponto fraco e forte da música é sua própria dinâmica, que ao mesmo tempo em que a torna interessante, nunca deixa atingir o seu clímax. Mas se fosse possível definir um vencedor, seria tê-la como um ponto forte. É natural esperar que, pela extensão das músicas, em algum momento o cansaço e a repetição tomem conta do trabalho. Mas a capacidade criativa de Lee Ranaldo não deixa que isso aconteça, sempre dando reviravoltas inesperadas, seja com mudanças de ritmos, seja com sobreposições de guitarras e violões. Tudo isso com uma banda simples, sem instrumentos rebuscados e super modernos. A boa e velha combinação de guitarras, bateria e baixo.

Em “Home Chds” também há uma variação de suavidade e intensidade, enquanto Lee desenvolve o tema com mais uma bela melodia e vai controlando o ritmo à sua vontade. “The Rising Tide” é, sem dúvida, mais um dos destaques do trabalho, inspirada pela passagem do furacão Sandy por Nova Iorque, como um personagem central da música. Ela ainda conta com uma jam session incrível. Outro ponto que chama a atenção em The Last Night On Earth são as reflexões quase filosóficas decorrentes das letras, principalmente na letra da faixa que dá título do álbum,bem poética e tocante: “the last night on Earth the last thing we wanted was to see the sun rise / the last thing we wanted in the last night on Earth was see the day light on our eyes”. “Last Night On Earth” também é uma quebra no epicidade das quatro primeiras faixas, bem mais curta que elas e relativamente mais simples.




“By The Window” começa calma, com um riff simples e constante de guitarra, até dar uma virada, principalmente do meio para o final. A faixa mais curta e teoricamente mais acessível, “Late Descent #2” é, curiosamente, a mais estranha do álbum, com um som barroco de harpa. Enquanto o álbum caminha para o fim, ainda reserva mais um grande destaque, em “Ambulancer”, com um rock entusiasmante e um mar de efeitos de guitarras que toma conta de quase todos seus seis minutos e poucos. Já a faixa que fecha o álbum “Black Out” não é tão entusiasmante assim e é a primeira vez que a longa extensão se torna enfadonha e tediosa.

Last Night On Earth é mais um trabalho grandioso que se acrescenta a seu riquíssimo legado que, sempre é bom lembrar, engloba toda a gloriosa carreira de Sonic Youth, sempre compondo ótimos clássicos. Last Night On Earth é, por fim, uma extensão de um guitarrista que sabe dobrar seu instrumento de trabalho como poucos. E é exatamente isso que transborda durante uma hora e quatro minutos, mesmo nos momentos menos empolgantes.


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Assista ao novo clipe de Manic Street Preachers, "Anthem for a Lost Cause"



Manic Street Preachers lançou seu novo álbum no mês passado, com o suporte de dois ótimos clipes, a radiante “Show Me The Wonder” e a nostálgica “Rewind The Film”, que dá o título ao novo trabalho, sempre com uma grandiosa qualidade de roteiro e produção. Dando seqüência a esse trabalho videográfico, a banda acaba de lançar o seu terceiro e não menos belo clipe, “Anthem For A Lost Cause”. Enquanto o otimismo e a nostalgia dominaram os anteriores, dessa vez é o desespero que toma conta e mostra sua cara nesse curta metragem dirigido de forma magistral por Kieran Evans e acompanha o drama de uma jovem que passa por uma crise financeira após o término súbito do casamento, ambientado no contexto de uma greve dos mineiros no País de Gales, na época das políticas opressoras da ex-primeira ministra falecida recentemente Margaret Thatcher. Alguns cartazes são bem claros: “Thatcher Pays Police To Starve Kids". Aos poucos a personagem vai sendo obrigada a se desfazer dos móveis, discos e objetos pessoais para arrecadar dinheiro para conseguir cumprir as obrigações com os credores, até não restar mais nada a não ser a aliança de casamento e um colar, que ela acaba por vender e serve como uma libertação. Ao final, ela, desiludida com a situação toda, acaba se unindo ao grupo grevista, fazendo faixas de protesto. E o refrão servindo para ambas as situações. “take it / its yours / an anthem for a lost cause”. O plano de fundo para o clipe é tão importante que a música de fato só começa mesmo já perto da casa dos dois minutos. Assista a mais este novo registro: 



terça-feira, 8 de outubro de 2013

Resenha de Pearl Jam - Lightning Bolt



Para o bem ou para o mal, a verdade é que Pearl Jam persiste em atividade na cena musical como uma das bandas mais influentes dos últimos vinte anos. Mas não vou me alongar aqui naquela coisa de cena grunge e bla bla bla. Este post é para celebrar uma grande banda que se mantém atualizada e produtiva, chegando agora ao seu décimo disco, sempre fieis, acima de tudo, a si mesmos. Eu sei, todos já conhecem a tal de “Black”, todos já pularam ao som de “Even Flow” e, no mínimo, arrepiaram-se ao ouvir “Alive”. Mas, no decorrer dos anos, a carreira planejada de forma independente e espontânea, Pearl Jam tornou-se numa entidade atemporal no mundo musical. Apesar de ainda ser relacionada em um primeiro momento e aos mais desavisados a essa “cena grunge”, um olhar um tanto mais cirúrgico adentro da carreira dessa banda de Seattle perceberá que eles já se livraram há muitos anos desse termo e desse som, se é que algum dia existiu uma unidade nesse “som”. Mas, enfim, eu falei que não iria me alongar nesse assunto e não vou mesmo. Tratarei Pearl Jam como eles se mostram em Lightning Bolt, décimo registro de estúdio da banda, e nos demais álbuns, como uma banda de rock clássico.



O tempo entre Backspacer e Lightning Bolt é um dos mais longos na carreira de Pearl Jam, pouco mais de quatro anos. Esse período, no entanto, foi de grande atividade para cada um de seus integrantes, além da celebração coletiva de vinte anos da banda, que gerou um documentário oficial, o PJ20, que inclusive desencadeou uma turnê que passou pela América do Sul em 2011 – shows em São Paulo nos quais eu estava lá. Posteriormente, cada um tomou seu rumo e ocupou seu tempo criativamente em outros projetos. Eddie Vedder, por exemplo, embarcou na carreira solo com seu disco de estreia, Ukulele Songs, de 2011, enquanto Matt Cameron preferiu ressuscitar a outra banda dos seus camaradas, Soundgarden, com o lançamento de King Animal, em 2012. Já Stone Gossard trabalhou bastante, lançando novos trabalhos tanto com sua banda paralela, Brad, United We Stand, de 2012, como seu trabalho solo lançado este ano, Moonlander. Mike McCready decidiu reeditar o trabalho com Mad Season, além de participar de gravações em algumas outras bandas menores. Até mesmo o quieto Jeff Ament lançou mais um álbum solo nesse período, While My Heart Beats, de 2012. Diante de tantos trabalhos, dos mais diversificados, a impressão que dá é que os quatro anos sem se trancarem no estúdio durou bem mais. O resultado é que os quatro integrantes, acrescido de Boom Gasper, entraram no estúdio no momento ideal e se focaram em produzir o melhor disco, como o próprio Vedder afirmou em entrevista à Rolling Stone.




Essa energia e vigor são transparente nas três primeiras faixas de Lightning Bolt, que começa a cem por hora. “Getaway” é uma das melhores músicas do álbum, contando ainda com uma letra muito interessante, que questiona a imposição das crenças aos outros, tema bastante atual. “it’s okay, sometimes you find yourself having to put all your Faith in no faith / mine is mine and yours won’t take its place”. É uma das que são pesadas e rápidas sem ser aquele punk já natural de Pearl Jam. Eddie Vedder coloca força e vigor no seu vocal como já há algum tempo não se via. A pancadaria continua com “Mind Your Manners”, primeiro single de Lightning Bolt, que mostra a veia punk da banda, que já é de regra ter umas nesse estilo nos álbuns. A diferença é que ela é mais bem construída do que as anteriores nesse mesmo estilo, como “Comatose”, do abacate, ou “Gonna See My Friend”, de Backspacer. O baixo de Jeff Ament se sobressai no início de “My Father’s Son”, enquanto Eddie vai cantando quase que falado. Do meio pro final, após uma suavizada, a fúria e a intensidade do vocal aumenta e essa variação é que exalta sua qualidade.

Depois de três intensas músicas, chega a hora de pisar no freio com a belíssima “Sirens”, segundo single do trabalho. Com a música de Mike e a letra de Eddie, “Sirens” é um poço de sensibilidade, transformada em belas variações melódicas bem interessantes em um formato mais comercial. Sem dúvida, um hit. O ritmo volta a acelerar com a faixa que dá título ao álbum, “Lightning Bolt”, mostrando uma banda afiada, como se fosse gravada ao vivo no estúdio, sem tratamento algum. Parece que cada um da banda tem seu momento de brilho aqui. Será ainda mais maravilhosa no show. “Infallible” relembra um pouco da era de Vitalogy, sobretudo o riff de “Tremor Christ”. Alguns arranjos interessantes a fazem não passar despercebida, mas não acompanha a mesma qualidade das demais.





Chegou o momento de a banda arriscar um pouco mais e explorar novos territórios, embora sempre com um pé em solo seguro. “Pendulum”, sombria, com o piano criando o ambiente. O ritmo, no entanto, lembra um pouco “Parting Ways”, de Binaural. Melodia muito bonita, com Vedder bem absorvida por ela com mais uma vez a voz impecável. Pearl Jam continua explorando e experimentando novos sons, para desespero dos grungeiros. Talvez ela combinava mais se tivesse ficado para fechar o álbum, como a sua prima de Binaural. Após a experimentação, Pearl Jam volta para a zona de conforto com a mediana e correta “Swallowed Whole”, bem a cara de composição de Eddie. Mas logo em seguida volta a ter ingredientes novos e inesperados, como em “Let The Records Play”, com uma pegada bem blues, coisa que Pearl Jam não havia experimentado ainda, talvez apenas no seu formato mais lento, como em “Come Back”. “Sleeping By Myself”, embora não seja totalmente inédita, já que figurou em Ukulele Songs, de Eddie Vedder, ganha aqui uma nova roupagem com a banda completa, inclusive, bem country. Ainda assim, no final Eddie ainda empunha seu ukulelezinho de sempre. O clima acústico guia as duas faixas finais, com “Yellow Moon”, misturando com um solo de guitarra bem intenso, embora curto, e “Future Days”, basicamente Eddie, seu violão, e um pouco de Boom Gasper, o que ainda não havia ocorrido em Lightning Bolt e a letra mais positiva do álbum. O único ponto fraco do disco é que em alguns momentos eles poderiam ter alongado mais a faixa, desenvolvido mais um solo ou algo assim.

Lightning Bolt é, por fim, mais um grande registro de uma ótima banda que já superou essa polêmica de tentar fazer um novo Ten ou Vs. É notório que eles estão preocupados apenas em se divertir uns com os outros e criar novos sons para comunicar sentimentos. E esse é o espírito da coisa. Ao não tentar mudar e abalar as estruturas do mundo mais uma vez, eles contentam-se em fazer parte dele. Uma parte importante, inclusive. 



segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Stream do novo disco de Arnaldo Antunes, Disco.



Hoje, dia do lançamento oficial de Disco, novo disco de Arnaldo Antunes – esse trocadilho será feito inúmeras vezes, acostume-se – nas lojas em todo o Brasil. Para celebrar a ocasião, o perfil oficial do poeta e músico no Facebook disponibilizou o stream na íntegra de Disco. Aproveite para conferir mais um belo e fiel registro do grande compositor e artista brasileiro que é Arnaldo Antunes.


domingo, 6 de outubro de 2013

Ouça "Sou Volúvel", mais uma nova música de Arnaldo Antunes



No último movimento antes de apresentar na íntegra seu novo trabalho, Arnaldo Antunes divulgou mais uma música de Disco. “Sou Volúvel”, composição de Arnaldo Antunes com Marisa Monte e Dadi Carvalho, dá fim à sequência mensal de novos singles que Arnaldo esteve lançando através do seu site oficial nos últimos quatro meses, uma das mais interessantes das previamente lançadas, tanto musicalmente quanto liricamente, falando sobre a concepção, transformação e aceitação das ideias e pensamentos. Agora só resta mesmo receber o álbum na íntegra, então, fiquem ligados na resenha do Filho do Blues! Enquanto isso, confira “Sou Volúvel”: