sexta-feira, 19 de maio de 2017

Chris Cornell morre aos 52 anos.



Eu sei, todos já foram informados dessa notícia. Mas, mesmo atrasado, o blog não poderia deixar de registrar esse triste acontecimento. No último dia 17, perdemos o cantor e guitarrista Chris Cornell, de Temple of The Dog, Soundgarden e Audioslave. Para quem é fã de rock, especialmente o grunge, é mais uma perda de um heroi.

R.I.P Cornell!





terça-feira, 2 de maio de 2017

Confira "Don't Leave Me Here" e "All Around The World", do novo álbum colaborativo de Taj Mahal e Keb' Mo', TajMo



Como já se sabe, vem mais uma parceria de primeira por esses dias. O bluesman Taj Mahal se uniu a Keb’ Mo’ e estão lançando o álbum TajMo no próximo dia 5. Eles já disponibilizaram algumas músicas do trabalho pelos serviços de stream. Portanto, enquanto aguardamos o lançamento oficial do esperado disco de Taj Mahal em parceria com Keb’ Mo’, deixo aqui algumas das músicas que já viram a luz do dia. O primeiro é o lyric vídeo de “Don’t Leave Me Here” e o segundo é a apresentação ao vivo de “All Around The World” no The Late Show With Stephen Colbert. 







quinta-feira, 27 de abril de 2017

Confira o belíssimo clipe de "Far From The Cradle", de Hurricane Ruth


Hurricane Ruth acaba de lançar um vigoroso álbum, Ain’t Ready for The Grave, para o qual grava um clipe igualmente intenso para a mais emocionante faixa do disco. O vídeo de “Far From The Cradle” é denso, reflexivo e ainda nos faz pensar na passagem do tempo. Na belíssima letra, Ruth nos dá algumas dicas de como devemos enxergar esse movimento inexorável que não vai parar nunca: “We’re far from the cradle, but we ain’t ready for the grave”. Confira:


Confira Guy Davis & Fabrizio Poggi em ação Live Out Of The Woods


Guy Davis e Fabrizio Poggi lançaram um dos álbuns mais intensos do ano, o histórico Sonny & Brownie's Last Train, no qual se dedicam a homenagear dois grandes gênios do blues, Sonny Terry e Brownie McGhee. Confira agora dois vídeos em que os dois aparecem em ação tocando faixas do disco, "Louise, Louise" e "Walk On"





Resenha de Vin Mott - Quit The Women for the Blues



O disco de estreia de um artista tem que vir com alguns elementos que forneçam dicas sobre o que o ouvinte pode esperar. O título e a capa são aspectos importantíssimos para esse fim. É o que acontece, por exemplo, com o disco "Quit the Women for the Blues", do jovem estreante Vin Mott, de New Jersey. A capa é simples e mostra Mott em plena ação tocando gaita, enquanto o título do disco sugere que tenha muito, muito blues. E melhor, harmonica blues. Pois bem, é isso o que Vin Mott faz, inspirado pelos mestres tais como James Cotton, Little Water e pegando a tradição de Chicago blues de Muddy Waters, em cada uma das dez faixas do disco. Outra coisa que chama atenção e confere muito crédito a Mott e sua banda é que todas as dez faixas são originais e autorais.

A faixa de abertura e que dá título ao álbum foi construída sem dúvida com base em "Killing Floor", de Howlin' Wolf. Inicia o disco com grande estilo. "Make Up Your Mind" é um apelo para a garota se decidir logo. Aqui, bem como em vários outros momentos do disco, Mott mostra solos de gaita com grande desenvoltura. O humor ácido aparece em "Don't Make Me Laugh". A ótima "I'm a Filthy Man" é um dos pontos altos do disco, com Mott assumindo o papel do safadão da história.

Mas a grande estrela do álbum mesmo é "The Factory". No blues, as contradições da luta de classes aparece na maioria das vezes de forma indireta. Por ser um estilo que se desenvolveu num ambiente brutal e segregado, no qual os negros estavam sujeitos à violências por todos os lados, é natural que eles não se sentissem seguros o suficiente para escancarar tudo o que pensavam nas suas letras, exceto nos salões frequentados somente por membros do próprio grupo. Ainda assim, algumas gravações de cantores que tiveram coragem de colocar os pingos nos i's nas letras se destacaram. Por exemplo, "Take This Hammer", de Leadbelly, que serve quase como uma "dedada" para o capitão, ou, provavelmente a mais clássica, "Big Boss Man", de Jimmy Reed, alcança um momento em que ele fala na letra: "você não é tão grande, você só é alto, e isso é tudo". Big Bill Broonzy, J. B. Lenoir, Josh White e Nina Simone são alguns outros que se destacam por ter deixado essa luta de classes mais clara em algumas letras do blues. Pois bem, longe de colocar Vin Mott na mesma posição em termos de experiência de classe que os negros norte-americanos durante a praticamente toda sua história enquanto comunidade americana, mas "The Factory" sem dúvida retrata a esfera da luta de classe que foi transferida da zona rural para as fábricas. A música, um slow blues arrastado que representa a exaustão no final de um dia de trabalho, mostra uma letra que representa a realidade de muito trabalhador industrial pelo mundo afora. Típico de um morador de uma zona industrial. Representa também a indignação, a raiva por essas relações sociais de produção. Vale a pena transcrever um trecho da letra:

 I've been working / all around the clock (2x)
got stuck on the third shift / man, what a shock
I've been working / all around the clock
this living, ain't much living
I've been beaten down by the Factory.

 Gonna get me a pistol, gonna shoot the Boss (2x)
And I won't be sorry, for nobodies loss
Gonna get me a pistol, gonna shoot the Boss
This living, ain't much living
I've been beaten down by the Factory

Na verdade, em algum momento da vida, todos nós trabalhamos nessa fábrica que Vin Mott fala tão vivamente. Seja ela real ou não.



Mas como todo bom trabalhador, a vida não se resume a reclamar da exploração. Tem muita festa, namoro e diversão também. A coisa fica mais animada, inclusive sexualmente, com "Freight Train" e "Ol' Greasy Blues". Mas claro que teria que ter alguma música sobre problemas de relacionamento, com o "I Wanna Get Ruff With You". O álbum se encaminha para o final com "Livin The Blues", mas um ótimo lamento de quem realmente está vivendo o blues. "Living the blues, been misused, treated so bad". Isso é o blues. Para finalizar, uma divertida instrumental "Hott Mott's Theme", em que Mott usa pouco mais de dois minutos para se divertir com sua banda e sua gaita.


Então, seja utilizando o humor, o desejo sexual, a exaustão física, a raiva ou o ímpeto festeiro, "Quit The Women For the Blues" é um ótimo disco autêntico de blues. Não é qualquer um que estreia com um álbum totalmente com músicas autorais, principalmente no blues, um gênero que é tão comum ver regravações atrás de regravações. É rejuvenescedor, sem dúvida. Vale muito a pena ficar de olho nos seus próximos passos.


Resenha - John Primer & Bob Corritore - Ain't Nothing You Can Do!


De um lado, John Primer, um renomado guitarrista no meio do Blues que carrega a honra de ter integrado a última banda do lendário Muddy Watters, pouco antes da morte deste, em 1983. Além disso, conta com uma sequência de vigorosos discos solos, sempre fiéis ao tradicional estilo do Blues de Chicago e guarda o Blues Award de 2016, na categoria de Best Traditional Male Artist. Do outro lado, Bob Corritore, um dos grandes gaitistas da atualidade, que também é vencedor de um Blues Award, em 2011, na categoria Historical Album, com o álbum Harmonica Blues. Para juntar o talento dos dois está, mais uma vez, a gravadora Delta Groove Music, altamente influenciada pelo som puro e tradicional do Blues da cidade do vento. Em 2013 foi o disco de estreia dessa parceria, "Knockin' Around These Blues". Agora o catálogo da dupla é acrescida por "Ain't Nothing You Can Do", no qual a dupla mantém a pegada do Blues nostálgico e original que era tocado pelos clássicos décadas atrás. O disco ainda conta com a presença do pianista de Blues Barrelhouse Chuck em sete faixas, que infelizmente nos deixou no ano passado, aos 58 anos, e ainda com Henry Gary, pianista de Howlin' Wolf, aos incríveis 91 anos, tocando nas três outras faixas. O guitarrista Big Jon Atkinson, com quem Corritore lançou um disco no ano passado, "House Party At Big Jon's", também toca em três músicas.

A faixa de abertura é "Poor Man Blues", uma aclamação para ajudarmos aqueles que estão necessitando, que não tem um prato de comida. Cada música aqui parece construída para que todos os músicos disponham de momentos de mostrarem seus talentos de forma mais livre e solta. Incrível como há momentos em que a voz de John Primer parece bastante com a de Muddy Waters. Em "Elevate Me Mama", de Sonny Boy Williamson, a guitarra de Primer também canta demais, enquanto "Harmonica Boogalo" é simplesmente uma das melhores Jam de gaita que você escutará este ano.

Um dos destaques é a sensual "Big Legged Woman", que prova como existem músicas que podem ser sensuais sem ser ofensivas às mulheres. Nenhum assédio, apenas admiração. "Gambling Blues", de Magic Slim, também conta entre os destaques. É o momento da jogatina, hobby favorito dessa turma da pesada. O disco ainda conta com "May I Have a Talk With You", de Howlin' Wolf. O disco chega ao fim com "When I Leave Home", em torno de sete minutos, com tempo suficiente para guitarristas, gaitista e pianistas.

A experiência de John Primer mesclada com a técnica e o vigor de Bob Corritore, contando ainda com uma ótima banda de músicos, faz com que "Ain't Nothing You Can Do" seja um dos melhores discos de blues puro e tradicional lançados no ano.


quinta-feira, 13 de abril de 2017

Resenha de Eric Bibb - Migration Blues


É impossível não politizar um álbum que nos dias de hoje leve o nome de "Migration Blues". Eis o novo álbum do cantor e compositor Eric Bibb, que lança o novo disco em meio ao governo turbulento e xenófobo do novo presidente norte-americano, Donald Trump, com propostas cada vez mais mirabolantes para tratar da questão da imigração no país anglo-saxão.

O próprio Bibb não poderia deixar sua posição passar de forma indireta. Dessa forma, ele mesmo afirma que "Migration Blues" é seu álbum mais politizado até hoje: "Do jeito que eu vejo, o preconceito para com nossos irmãos e irmãs que são chamados atualmente de 'refugiados' é o problema, o medo e a ignorância são os problemas. Os refugiados não são 'problemas' - eles são seres humanos corajosos escapando de circunstâncias terríveis", diz Bibb na capa do próprio álbum. É um trabalho que as mentes facilmente suscetíveis a frases de efeito e pensamentos rasos colocariam uma etiqueta: "politicamente correto".

Eric Bibb é um cantor que já possui uma sólida carreira construída, calcada na música americana de raiz. Portanto, Bibb nos entrega mais uma mixórdia de Blues, Folk, Country, baladas, só que agora ele acrescenta esse ingrediente que permeia todo o disco, tornando-o mesmo um álbum conceitual. Esse ingrediente é o respeito à pessoa humana, principalmente àqueles que para sobreviver tem que superar obstáculos inimagináveis. Assim, ele mesmo, um afro-americano, recorre à sua própria história e à história de andanças e sofrimento de seu povo nos Estados Unidos para compreender melhor e, acima de tudo, combater as intransigências e intolerâncias do mundo contemporâneo. Afinal, como o próprio Bibb diz no seu site oficial, "Enquanto pensava na atual crise de refugiados, pensei na Grande Migração [...] Se você está olhando para um ex-parreiro, viajando de Clarksdale para Chicago em 1923, ou um órfão de Aleppo, em um barco cheio de refugiados 2016 - é Blues da migração."

Do jeito que eu vejo, o preconceito para com nossos irmãos e irmãs que são chamados atualmente de 'refugiados' é o problema, o medo e a ignorância são os problemas. Os refugiados não são 'problemas' - eles são seres humanos corajosos escapando de circunstâncias terríveis.

A própria escolha das músicas evidencia essa intenção de valorizar as pessoas, combater sentimentos de ódio e violência em torno das pessoas. Totalmente acústico, Bibb mescla clássicos do Folk, como "This Land Is Your Land", de Woody Gutrie e "Master of War", de Bob Dylan, com composições originais focadas no Country, Blues e no Gospel, como a tocante "Prayin' for the Shore", uma balada gospel sobre a crise de refugiados na Síria: "Em um velho barco vazado / Em algum lugar no mar / Tentando sair da guerra / Bem-vindo ou não, nós conseguimos pousar em breve / Oh, Senhor, rezando por terra". Já na faixa "Refugee Moan", Bibb nos acerta no coração quando se coloca na pele de um desses refugiados e canta: "Um caminho para um país pacífico / Onde o povo tem piedade de um homem sem teto".

"Delta Getaway" trata de uma migração bastante conhecida da população afro-americana: a Grande Migração para o norte na primeira metade do século passado, em que a população negra fugia do sangrento sul da Ku-Klux-Klan, do Jim Crow, para as cidades industriais do norte com a promessa de uma vida mais segura e livre. Na letra, o narrador sobe para Chicago para escapar de um linchamento. Essa vida do sul foi retratada na letra de "Blacktop": "todos os dias parece assassinato aqui", que já foi imortalizada pelo Blues do lendário  Charley Patton. Outra que trata da Grande Migração é "We Had To Move". Não são apenas os migrantes negros dos Estados Unidos ou os contemporâneos que são lembrados por Bibb. "Diego's Blues" conta a histórias dos mexicanos que migraram para substituir a mão de obra negra no Delta depois da Grande Migração.

"Migration Blues" é rico musicalmente, socialmente e politicamente. É, enfim, um grande registro de uma época confusa e tensa, que, no futuro, se constituirá num ótimo disco-manifesto dessa época.

Resenha Guy Davis & Fabrizio Poggi - Sonny & Brownie's Last Train




                Guy Davis está entre os mais renomados cantores do blues da nova geração que surgiu para dar um novo fôlego ao gênero a partir da década de 90. Cantor versátil e bastante produtivo, Guy Davis conta com um respeitável catálogo, que abrange desde clássicos recentes, como You Don’t Know My Mind, de 1998, e Butt Naked Free, de 2000, até álbuns puramente conceituais, como o interessante The Adventures of Fishy Waters, de 2012. Para o seu novo projeto, Davis se juntou com o gaitista italiano Fabrizio Poggi, que tem também uma carreira tão longa quando a de Davis, no entanto não dispõe de tanta inserção no cenário mundial. Nesse projeto colaborativo, a dupla decide homenagear aqueles que provavelmente são a dupla mais lendária de toda a história do blues: Sonny Terry (1911-1986) e Brownie McGhee (1915-1996). Os dois se completavam de tal modo, Sonny na gaita e com seus “woooh” inconfundíveis, e Brownie com sua voz profunda e inabalável e a seu dedilhado no violão.  Essa dupla fez um dos sons mais incríveis do século XX, levando o blues rural e inclusive as técnicas do blues a novos patamares. Pois bem, é para homenagear esses dois grandes cantores da história do blues que juntou Guy Davis e Fabrizio Poggi no projeto intitulado Sonny & Brownie’s Last Train: A Look Back At Brownie McGhee and Sonny Terry, lançado esse no final de março. Ambos foram profundamente influenciados pelo estilo de gaita chamado Piedmont, do qual Sonny e Brownie foram precursores.
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                Qualquer álbum que tem como intuito ser um tributo tem de enfrentar necessariamente dois dilemas: o primeiro se trata da escolha das faixas. O segundo dilema é como essas músicas vão ser executadas; se respeitando as versões originais ou reinventando-as e dando novas roupagens. Não existe uma fórmula pronta para álbuns assim, uns funcionam utilizando a primeira forma e outros funcionam melhor com a segunda abordagem. 

No primeiro quesito, Sonny & Brownie’s Last Train é impecável. Sem dúvida, alcança as músicas mais famosas tocadas por Sonny e Brownie. É impossível ouvir em qualquer lugar faixas como “Louise, Louise”, “Hooray, These Women is Killing Me”, “Walk On”, por exemplo, e não lembrar deles. Todas estão lá, tocadas de forma emocionante. A gaita de Fabrizio dá acompanhamento incessante a todas as músicas, com texturas e técnicas sensacionais. Sonny ficaria orgulhoso. Junto com as clássicas da dupla, estão lá também versões de tradicionais do blues, que Sonny e Brownie também tocaram, como o hino “Take This Hammer”, e a icônica “Midnight Special”, ambas de uma das suas maiores inspirações, Ledbelly, e “Goin’ Down Slow” e “Baby, Please Don’t Go to New Orleans”, que qualquer bluesman que se preze em algum momento de sua carreira vai tocar essas músicas. Ainda sobre espaço para um música original de Guy Davis. A faixa que dá abertura ao disco é a original e Guy, “Sonny & Brownie’s Last Train”, que dá uma narração quase mítica à história de Sonny e Brownie, inclusive cheia dos whoops característicos de suas músicas. No final dessa faixa, uma mensagem de Guy e Fabrizio para a dupla: “Goodbye Sonny, Goodbye Brownie. See you on the other side”.

Bem, no caso de Sonny & Brownie’s Last Train, ouso dizer que só dá tão certo porque Guy Davis e Fabrizio Poggi gravam essas músicas de forma primitiva, crua, e, portanto, poderosa, da mesma forma que Sonny e Brownie fizeram no seu tempo. Até porque, segundo o próprio Guy, Brownie e Terry foram dois músicos cujo trabalho nunca será superado, muito menos melhorado”. Guy  encarna o papel de Brownie, enquanto Fabrizio se encarrega de representar a gaita de Sonny, o que não é uma tarefa nada fácil. O resultado do trabalho de Fabrizio sem dúvida é um dos pontos mais fortes do disco.

Pois bem, estamos em 2017. Nada mais vai alcançar a genialidade das gravações de Sonny Terry e Brownie McGhee do que esse projeto de Guy Davis e Fabrizio Poggi. O fato de ser um tributo sincero faz com que o álbum atinja todos os seus objetivos. É um álbum honesto, empolgante, histórico e apaixonante. 

sábado, 18 de março de 2017

James Cotton morre aos 81 anos



O último remanescente dos grandes gaitistas do blues faleceu no dia 16 de março, aos 81 anos. Nascido em 1935, numa fazenda de algodão em Tunica, Mississippi, ficou vislumbrado aos nove anos com o programa King Biscuit Time, de Sonny Boy Williamson II, o que o impulsionou para a gaita desde cedo.

Cotton iniciou o caminho da glória nos anos 50, tocando com o próprio Williamson, Howlin' Wolf, Muddy Waters, dentre outros. Cotton estava presente, por exemplo, no clássico EP de Waters, At Newport, de 1960. Paralelo a isso, James Cotton também iniciou uma sólida carreira própria que seguiu de forma vigorosa até 2013, com Cotton Mouth Man, último disco de estúdio do gaitista.

Para homenager James Cotton e todo seu talento, deixo vocês com o que deve estar rolando no Olimpo dos gaitistas. O disco Harp Attack!, de 1990, que reúne os maiores gaitistas da época, além do próprio Cotton, conta ainda com Junior Wells, Carey Bell e Billy Branch. Dentre estes, Cotton era o único que ainda estava entre nós. Agora, eles estão fazendo a festa agora, enquanto os Sonny Boy Williamson's, Sonny Terry e muitos outros estão bebendo o néctar e curtindo o som.

Rest In Peace, James Cotton (1935-2017)!


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

No Grammy, David Bowie fatura os cinco prêmios para os quais foi indicado.





E o grande vencedor do Grammy de 2017 não poderia ser outro. Claro, Adele granhou tantos prêmio que teve direito até a mais uma desafinação ao vivo e a quebrar a estatueta para dividir o prêmio de álbum do ano com Beyoncé. Mas, na verdade, o grande vencedor não estava nem presente na premiação. Com cinco indicações (Best Rock Song, Best Alternative Music Album, Best Rock Performance, Best Rocking Package, Best Engineered Album), David Bowie ganhou todas elas. Talvez o mais surpreendente é que mesmo com uma carreira sem igual como a que David Bowie construiu no decorrer dos anos, este tenha sido seu primeiro prêmio com um álbum (já havia ganho por um vídeo clipe, em 1985, além do Lifetime Achievement Award, em 2006) O resultado da premiação teve até comemoração especial por parte do filho de Bowie, Duncan Jones, que postou no twitter “So proud of you Dad!” junto com uma foto em que Jones está com o pai nos braços.





12. Best Rock Performance
(Accepted by Donny McCaslin)
Blackstar
David Bowie
Track from: Blackstar
Label: ISO/Columbia Records

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14. Best Rock Song
(Accepted by the presenters)
Blackstar
David Bowie, songwriter (David Bowie)
Track from: Blackstar
Label: ISO/Columbia Records; Publisher(s): Nipple Music admin. by RZO Music, Inc.

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16. Best Alternative Music Album
(Accepted by Donny McCaslin)
Blackstar
David Bowie
Label: ISO/Columbia Records

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65. Best Recording Package
(Accepted by Jonathan Barnbrook)
Blackstar
Jonathan Barnbrook, art director (David Bowie)
Label: ISO/Columbia Records

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69. Best Engineered Album, Non-Classical
(Accepted by Kevin Killen and Joe LaPorta)
Blackstar
         David Bowie, Tom Elmhirst, Kevin Killen & Tony Visconti, engineers; Joe LaPorta, mastering engineer (David Bowie)
Label: ISO/Columbia Records


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Resenha de David Bowie - No Plan EP





                Hoje, 10/01/17, completa um ano da morte de David Bowie, que deixou o mundo estupefato, pois aconteceu poucos dias depois do lançamento de Blackstar, um disco vigoroso e intrigante que, mesmo imerso em inúmeras simbologias e mensagens pessoais indiretas (que logo se tornaram diretas), fez com que as pessoas continuassem pensando no prolongamento da espetacular carreira de David Bowie na música. Mas no dia 10 duas trágicas notícias chegaram de uma vez: não apenas Bowie estava profundamente doente, coisa que ninguém sabia, mas à essa altura, ele já estava morto. Isso mesmo, algumas horas depois de aparentar ser a pessoa mais viva e enérgica do mundo, David Bowie estava morto.

                Um ano depois, o que podemos dizer é que ainda não digerimos totalmente essa perda. Para nos ajudar com o luto, a BBC apresentou um especial inédito sobre os últimos cinco anos da carreira de David Bowie, The Last Five Years, que em outra oportunidade farei uma resenha específica. Esta postagem de hoje se refere ao lançamento surpresa de um novo EP no dia do aniversário do cantor, que compila as últimas músicas inéditas conhecidas – até o momento – de David Bowie ( que já foram lançadas numa versão do musical Lazarus).





                “No Plan” é tão emocionante e tão impactante quanto “Larazus”, que foi totalmente ressignificada após a notícia da morte de David Bowie. Em “No Plan”, ao contrário, já a ouvimos conscientes que ele não está mais aqui e se encontra nesse lugar em que ele menciona na letra da música. Musicalmente, ela se enquadra num jazz meio sombrio com alguns belos solos de saxofone de Doug McCaslin, que conhecemos tão bem em Blackstar.
Vale a pena transcrevê-la na íntegra:

Here, there's no music here
I'm lost in streams of sound
Here, am I nowhere now?
No plan
Wherever I may go
Just where, just there
I am

All of the things that are my life
My desire, my beliefs, my moods
Here is my place without a plan

Here, second avenue
Just out of view
Here, is no traffic here?
No plan

All the things that are my life
My moods, my beliefs
My desires, me alone
Nothing to regret
This is no place, but here I am
This is not quite yet

                “Killing a Little Time”, por sua vez, é um rock pesado que relembra um pouco a fase de Outside. Parece que aqui ele está lidando com a raiva de saber que o momento está próximo, pensando no que ainda poderia oferecer. “This rage in me / I've got a handful of songs to sing / To sting your soul / To fuck you over / This furious reign”.
                 “When I Met You” finaliza esse conjunto de últimas músicas gravadas por David Bowie de forma melancólica: "Now It's all the same, it's all the same/ The sun is gone, it's all the same."
                Mas nisso David Bowie errou. Prefiro outra citação de uma música dele próprio (“Sunday”):
“Everything has changed
For in truth, it's the beginning of nothing
And nothing has changed
Everything has changed
For in truth, it's the beginning of an end
And nothing has changed
And everything has changed”