Mostrando postagens com marcador Delta Blues. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Delta Blues. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Resenha Relâmpago - Rory Block - Prove It On Me

 


Resenha Relâmpago

Rory Bock - Prove It On Me

Rory Block é uma das cantoras mais empenhadas em preservar e homenagear a história do blues e suas grandes lendas. Sempre com seu estilo acústico, ela tem o hábito de lançar discos que fazem tributos a algum artista clássico do blues, foi o que ela chamou de "Mentor Series". Foi com essa fórmula que ela já prestou homenagens a Bessie Smith, Mississippi John Hurt, Skip James, Bukka White, Rev. Gary Davis, dentre outros. 

Em Prove It On Me, Block revisa nove faixas de grandes mulheres do blues, das menos conhecidas (Rosetta Howard,  Arizona Dranes) às mais famosas, como Ma Rainey e Memphis Minnie. O álbum é um ótimo representativo do universo feminino no blues, abrangendo temas religiosos e amorosos clássicos da tradição.

Mais uma bela contribuição de Rory Block para a preservação do legado cultural e musical do blues, dando luz a nomes já praticamente desconhecidos do grande público, sempre com a excelente qualidade musical já típica de sua carreira

sábado, 29 de agosto de 2020

Resenha de Bobby Rush - Rawer Than Raw


 Rawer Than Raw, lançado hoje, novo disco de Bobby Rush, é uma grande homenagem e um tributo ao blues clássico do Delta do Mississippi, uma mistura de músicas originais e regravações clássicas de lendas do blues como Howlin' Wolf, Muddy Waters, Elmore James, Skip James, dentre outros. O disco é a sequência do formato usado por Rush no álbum de 2007, Raw, que foi a primeira vez que gravou um disco todo acústico.

"If you want to get the real deal of the blues, get it from the bluesmen who are from Mississippi. Whether they migrated somewhere else like Chicago or Beverly Hills, if they are from Mississippi you can hear the deep roots of Mississippi in their stories", Bobby Rush falou sobre o blues de Mississippi.

Tudo isso gravado de forma crua e simples como o velho estilo do Delta. Aos 86 anos, Rush mostra vitalidade, experiência e sabedoria de uma vida dedicada ao gênero e ao berço do blues, o delta do Mississippi. Diferente de outras leituras feitas por artistas que sofreram a brutalidade e a violência do racismo nesse estado do sul dos Estados Unidos - Mississippi Goddam, de Nina Simone é um exemplo clássico dessa abordagem, ou J.B. Lenoir com "Down in Mississippi", Rush prefere focar no lado positivo e bucólico, como fica evidente na música ""Down In Mississippi", uma das faixas autorais.  O disco vai além de ser apenas uma compilação de clássicos do blues, pois cada música possui uma carga de originalidade a partir da proposta que Rush traz no novo álbum. É o exemo de "Don't Start Me Talkin'", de Sonny Boy Williamson II, ou "Shake It For Me", do gigante Howlin' Wolf. 

Totalmente indicado para os fãs de blues, sobretudo os que adoram o delta blues original

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Resenha de Hayes McMullan - Everyday Seem Like Murder Here




Quantos talentos e histórias excepcionais não são perdidos pelo mundo afora? Especialmente no blues, cuja origem é essencialmente rural, milhares de músicos sempre atuaram anonimamente nas sombras durante décadas, trabalhando durante o dia numa profissão fixa e tocando de bar em bar à noite, vagando pelos circuitos de sua cidade ou seu estado ganhando um trocado, sem nunca ter tido a chance de ter sua música ouvida por um grande público, ter seu nome reconhecido nas rodas dos entusiastas de blues, assim por diante. Por sorte, esse não é mais o caso de Hayes McMullan. Infelizmente, ele não está mais entre nós para testemunhar essa tardia mudança. Nascido em 1902, McMullan passou sua vida como sharecropper, diácono e ativista de direitos humanos. Enquanto isso, tocava guitarra e compunha algumas músicas para tocar nos bares nas suas andanças pelo Extremo Sul dos Estados Unidos. McMullan morreu totalmente desconhecido em 1986, aos 84 anos. Somente agora, em 2017, trinta anos depois de sua morte, graças a uma gravação ocorrida em 1967, podemos finalmente conhecer um relance do talento e das histórias desse bluesman. Ele foi gravado pelo colecionador musical e documentarista Gayle Dean Wardlow, que no final da década de 60 foi em busca de alguma gravação de Charlie Patton, perguntando de porta em porta. Enfim, uma dessas portas foi a de Hayes McMullan, ao que respondeu que ele simplesmente tocou com o próprio Patton, além de Willie Brown. Durante seu tempo ativo na música, McMullan recebeu uma oferta de gravação, mas recusou; “Eles me ofereceram cinco dólares por música, e você sabe que eles podiam fazer milhares com apenas uma música” – ele disse então para Wardlow. Depois disso, e com o envenenamento de seu irmão, que também era um músico de blues, McMullan abandonou o blues – a música do diabo – e entrou para a Igreja.
Enfim, o disco Everyday Seem Like Murder Here é o resultado de três sessões que McMullan gravou com Wardlow entre 1967 e 1968, quase trinta anos depois que ele tinha parado de tocar. Dessas sessões, 31 faixas estão em qualidade boa para serem usadas no disco. O resultado é um autêntico registro do Delta Blues, entrecortadas por conversações. O estilo de McMullan não mudou nada: parece que está tocando diretamente dos anos 20, 30. Alguns dos destaques ficam com “Look-A Here Woman Blues”, “Goin’ Away Mama Blues”, “Goin’ Where The Chilly Winds Don’t Blow” e “Kansas City Blues”.
Estamos diante de um registro histórico, que desenterra a memória de apenas um dos talentosos músicos de blues que infelizmente foram engolidos pela história. 

'The few old snapshots I took, the handful of tunes we recorded, and his brilliant performance of 'Hurry Sundown' captured on film are all that's left of the musical legacy of Hayes McMullan, sharecropper, deacon, and - unbeknownst to so many for so long - reluctant bluesman - disse Wardlow
 

terça-feira, 28 de junho de 2016

Resenha de John Long - Stand Your Ground



John Long toca o blues daquele jeito que você esperava ouvir lá na década de 40 ou 50. É o blues ainda tradicional vivo, respirando e pulsando. No blues de John Long você sente a cada nota o espírito do Delta blues, de Son House, Bukka White e Robert Johnson, e o Chicago Blues de mestres como Muddy Waters e Sonny Boy Williamson.  Nascido em 1950, em St. Louis, no Missouri, John Long teve a oportunidade de ter convivido com alguns desses mestres nos seus anos formativos, na década de 70, mudando para Chicago; um deles, um tal de Muddy Waters, chegou a falar de John Long nos seguintes termos: “John Long is one of the best young country blues artists today”; outro, chamado de Homesick James, tido por Long como seu pai adotivo, foi o seu grande mentor e amigo. Apesar de tão gabaritado, a carreira em estúdio de John Long é pequena: em 2006, a gravadora Delta Groove Music lançou seu primeiro disco de alcance nacional, Lost and Found, que atraiu grande atenção e sucesso de crítica. Apesar de bem sucedido, levou nada menos que dez anos para Jonh Long dar sequência a sua carreira, lançando em maio Stand Your Ground, pela mesma Delta Groove Music, conseguindo ainda superar a qualidade que havia deixado no seu primeiro registro.  Através de oito músicas autorais e cinco covers, John Long vai muito além de apenas gravar um álbum de blues tradicional, mas seu estilo lírico e abordagem vocal toca muito profundamente regiões da nossa alma. 

O álbum começa com “Baby Please Set A Date”, com acompanhamento de bateria, piano e cheio de slides no violão amplificado, bem característico de seu estilo. “Red Hawk” já é uma dos destaques do disco, principalmente a voz e o estilo Delta de John Long. A letra também é bastante interessante, que fala sobre o falcão vermelho, em extinção, símbolo bastante forte no xamanismo da população nativa da América, vítima de caçadores. John Long apela para a permanência do espírito do Falcão Vermelho, para continuar voando com todo seu poder místico. A faixa seguinte, “Things Can’t Be Down Aways”, com Long liderando na gaita, diz que temos que parar de ficar por aí pra baixo e mudar, tomarmos alguma posição, porque em algum momento as coisas melhoram, dias melhores acabam aparecendo. Puro blues: vamos tentando que algum dia a gente para de se dar mal. “Stand Your Ground”, faixa que dá título ao trabalho, segue nessa linha e diz para nos impormos, não aceitarmos as pessoas nos dizendo o que fazer e tomarmos cuidado com os diabos vestidos de ovelha “when the Devil comes ’round in sheep’s clothing / Stand Your Ground, stand your ground / don’t you let nobody push you around”. 

Em “Welcome Mat”, mais uma enraizada no mais puro Delta blues que você encontra por aí hoje, alerta pra aquelas que tiram vantagem do companheiro(a), mas caminham em gelo fino. A seguinte, “No Flowers For Me” é de arrepiar; a letra fala do narrador enfrentando a morte e pedido que seus filhos que ao invés de comprar flores para ele doem a dinheiro para algum fundo de pesquisa para curar a doença de Parkinson. Cada estrofe de despedida é um aperto no coração. Belíssima. “Well, I’ve been shaking, i’ve been hurting, and someday soon my body will be set free”. O nível continua altíssimo com “One Earth, Many Colors”, mais rítmica, que é uma grande conclamação para o respeito e a celebração da diversidade da espécie humana em suas mais diferentes formas: “open your heart and mind / one earth, many colors, for one human kind”. Mensagem muito necessária nesses dias de hoje, cheio de fronteiras ideológicas, de raça, religiosas e sociais, que parecem ultimamente caminhar de volta ao passado, aumentando o abismo entre as diferenças. “Healin’ Touch”, que já estava presente no seu disco Lost And Found, de 2006, recebe uma abordagem ainda mais minimalista. 

A parte final do disco guarda ainda duas belas covers tradicionais do gospel, “I Know His Blood Can Make Me Whole” e “Precious Lord, Take My Hand”, e que recebem um tratamento especial por John Long e ainda uma dos maiores destaques do disco que até aqui já havia sido de grande qualidade, “Climbing High Mountains”; esta última, que contém basicamente John Long na gaita e o pé ditando o ritmo, é sobre a luta diária, a batalha para escalar uma montanha a cada dia para voltar pra casa, chamando palavrões, tomado de frustração. Mais uma belíssima.  

O que John Long nos mostra em Stand Your Ground é que o blues não tem tempo, pois um blues cujos mestres remetem às fases pré-guerra ainda soa tão atual e ambientado aos novos tempos, com nossos sentimentos, nossas preocupações com a morte, nossas batalhas diárias pela sobrevivência. Sem dúvida, até este momento, ocupa confortavelmente a posição de melhor álbum de blues do ano.


terça-feira, 24 de março de 2015

Resenha de Joe Bonamassa - Muddy Wolf


Assim como é impossível falar de Rock sem mencionar The Beatles e Rolling Stones, por exemplo, é inconcebível alguém referir-se ao blues sem tocar nos nomes de Muddy Waters e Howlin’ Wolf, provavelmente as duas maiores lendas do gênero musical. E para ratificar esse status, o guitarrista Joe Bonamassa resolveu fazer uma homenagem mais do que especial e merecida para os dois artistas que moldaram não só o blues, mas o próprio rock, através dos já referidos Beatles e Stones, sem falar em Eric Clapton, Led Zeppelin, e por aí vai.

Joe Bonamassa acaba de lançar em CD e DVD Muddy Wolf, resultado do show que ele fez no Red Rocks, em agosto de 2014, no qual ele tocou clássicos de ambos os músicos. Dividindo a apresentação em dois sets (o primeiro dedicado a Muddy Waters e o segundo a Howlin’ Wolf), Bonamassa utiliza de um recurso interessante no começo de cada um deles. Primeiro, depois de uma breve nota introdutória e histórica sobre a importância dos dois para o blues, coloca um áudio original de Muddy Waters falando um pouco sobre sua história; logo em seguida, o próprio Muddy inicia “Tiger In Your Tank”. É aí que Joe Bonamassa aproveita o gancho e começa a sua versão, com uma pegada incrível de sua banda. Bonamassa usa a mesma estratégia antes do set dedicado a Howlin’ Wolf, com o lendário discurso do “What is the blues?”, continuando com “How Many More Years”, uma das mais icônicas do lobo uivante.  


É complicado falar de um set que inclui as faixas mais clássicas tanto de Muddy Waters quanto de Wolf, como “I Can’t Be Satisfied”, “Double Trouble”, “My Home Is On The Delta”, “All Aboard”, por parte de Muddy Waters e “How Many More Years”, “Shake For Me”, “Evil”, “Killing Floor”, por parte de Howlin’ Wolf. Com certeza que ficou faltando alguma de um ou do outro, mas é bastante difícil a escolha de uma tracklist como essa. O que mais deve ter influenciado a decisão de Bonamassa foi a forma de execução de sua banda, escolhendo as faixas que mais se encaixava no estilo e precisão que ele desejava. E sem dúvida ele acerta em cheio. Todas as faixas estão executadas com uma maestria incrível, várias delas ultrapassando a barreira dos seis minutos de pura energia e vigor, com um  impecável sincronismo entre os solos dos diferentes instrumentos, além de, claro, muita emoção, caso contrário não seria o bom e velho blues.

Ainda existe uma terceira parte do show, quando Joe Bonamassa reserva algum tempo para soltar algumas faixas de sua carreira, principalmente do seu último álbum, Different Shades of Blue, de 2014, como “Hey Baby (New Rising Sun)” e “Love Ain’t A Love Song”, bem como “The Ballad of John Henry”. É um bom complemento, mas com certeza o que brilha mesmo no álbum são as faixas de Muddy Wolf, claro.

Muddy Wolf, além de ser, portanto, uma delícia para quem já é fã do blues, acaba caracterizando-se também como uma ótima entrada para quem deseja conhecer um pouco mais da obra desses dois maiores gênios do blues.
        




segunda-feira, 24 de março de 2014

Abença Pai: Blue Guitars, de Chris Rea - O Projeto de Blues mais ambicioso da história



A coleção Blue Guitars, de 2005, do guitarrista britânico Chris Rea, é o projeto mais ambicioso do Blues: 11 discos conceituais, mais de 130 músicas inéditas contando a trajetória do blues desde a África até os dias de hoje. Ele dividiu o blues em etapas conceituais e, para cada uma delas, compôs músicas que se encaixam no estilo, tanto temático como sonoro. Os discos são: Beginnings (1), Country Blues (2), Louisiana and New Orleans (3), Electric Memphis Blues (4), Texas Blues (5), Chicago Blues (6), Blues Ballads (7), Gospel Soul Blues and Motown (8), Celtic and Irish Blues (9); Latin Blues (10) and 60′s and 70′s (11).

Chris Rea, para quem não conhece, é um grande compositor britânico que começou sua carreira no final da década de 70, mas só estourou mesmo com os hits da década de 80, tais como “On The Beach”, “The Road To Hell”, “Fool (If You Think It’s Over)”, dentre outras. Porém, Rea passou por um drama na sua vida pessoal no início dos anos 2000, chegando à beira da morte, devido a sérios problemas no estômago, sendo diagnosticado com pancreatites e passando por inúmeras e perigosas cirurgias (ele perdeu o pâncreas em 2001). Por fim Rea venceu a doença, mesmo que ela o tenha legado com vários problemas de saúde que o irão acompanhar o restante de sua vida. Na recuperação, prometeu que iria dar uma guinada radical em sua vida, escolhendo um caminho independente da sua gravadora e passou a focar em projetos próprios, sobretudo no desenvolvimento de suas raízes musicais, com ênfase para o blues. No decorrer da década de 2000, ele lançou vários álbuns de blues e culminou no ponto máximo de sua carreira: a coleção Blue Guitars, de 2005, com 11 discos e um DVD (pensada originalmente como o último trabalho com o seu nome, mas que posteriormente a história provaria que ele estava enganado). Vale a pena falar aqui também o modus operandi do projeto. Enquanto vários artistas demoram anos e anos entre um disco e outro, a coleção Blue Guitars foi o resultado de um notável processo que durou 18 meses de trabalho pesado, doze horas por dia, sete dias da semana, ou seja, um baita workaholic. 




Ao contrário de fazer um projeto somente de resgate, regravando clássicos do blues, Rea optou por um trabalho totalmente original e autoral, misturando elementos musicais, instrumentais, compondo um conjunto incrível, não apenas se limitando ao território sonoro do blues, mas também utilizando de outras linguagens musicais para transmitir o sentimento que é a essência do blues, utilizando-se de sua voz grave (às vezes bem próxima de Mark Lanegan) e suas espetaculares habilidades na guitarra, principalmente no Slide.

Não dá para fazer uma simples resenha, tratando Blue Guitars de forma generalizada. Seu conteúdo é deveras rico para ser tratado dessa forma. Então irei fazer uma sequência de resenhas, para cada um dos 11 discos de Blue Guitars, observando, analisando e vibrando com cada um dos seus triunfos. As postagens farão parte do Especial Chris Rea: Where The Blues Come From.

Se você é fã de blues, é uma obrigação ter essa coleção e acompanhar as resenhas, comentando suas impressões e opiniões. Se você acha interessante, conhece os clássicos, mas ainda não aprofundamento histórico ou musical do estilo, essa é a sua grande oportunidade.



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

The Blues Had a Baby & They Named it Rock n Roll

Dockery's Farm, local de nascimento do Delta Blues

Para iniciar o blog, nada melhor do que a música que deu título a ele, do incrível Muddy Waters. Não há frase mais correta para descrever as origens do Rock. Ele é de fato o filho do Blues. No coração do Delta do Mississipi, no trabalho braçal da fazenda Dockery, somente com o cantor e seu violão, colocando suas rotinas, seus lamentos e amores em canções. Começando pelo Delta Blues nas décadas de 20 e 30 com Charley Patton, Roberto Johnson, Son House, Skip James, continuando com o Country Blues de Mississipi John Hurt, Big Bill Broonzy, os Blind William McTell e Lemon Jefferson, passando para blues elétrico do Chicago Blues de Howlin' Wolf, Muddy Waters, B. B. King, Willie Dixon, Sonny Boy Willamson, Buddy Guy dentre outros, até que nasceu o Rock na década de 50, misturando com o country e folk, através de Elvis Presley, Little Richards, Jerry Lee Lewis e ChuckBerry, daí então veio os Beatles e o resto vocês sabem.

Se fosse para definir o momento do coito hipotético, diria que o blues engravidou quando Robert Johnson encontrou com o capeta na encruzilhada.