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quarta-feira, 13 de março de 2013
Confira o Clip de "Here We Go Again", de Christopher Owens
Chrispopher Owens, da ex-banda Girls, estreou sua carreira solo com o bom álbum Lysandre, lançado no início deste ano. Hoje ele divulgou um vídeo clipe oficial para sua música “Here We Go Again”, dirigido por Ryan Owen Eddleston e mostra uma série de filmagens de uma banda na estrada, em turnê, como sugere toda a história por trás de Lysandre, e apresentações de Owens com sua nova banda. Confira:
sábado, 19 de janeiro de 2013
Christopher Owens - Lysandre
No final de 2011, Girls era uma das bandas mais interessantes da cena indie americana, com o lançamento do maravilhoso Father, Son, Holy Ghost. Com uma carreira ascendente, todos os olhos estavam voltados para a dupla Christopher Owens e JR White. Então imagine a surpresa geral quando Christopher Owens anunciou em meados de 2012 que Girls estava acabada, em pleno auge. JR White dedicou-se então à produção e, poucos meses depois, Owens anunciou que lançaria no início de 2013 o seu primeiro trabalho solo, Lysandre. Antes de falar do álbum em si, vale a pena abrir um espaço para descrever Owens como compositor e mesmo como pessoa. Tanto em Girls quanto em entrevistas, Owens não vê problema em se abrir e falar de tudo de forma muito honesta, sincera e emocional. Não tem como ele não se por completamente nas suas composições, então tudo acaba sendo muito autobiográfico. Eis que chegamos a Lysandre. O álbum inteiro, praticamente conceitual, trata da primeira turnê com Girls e se apaixona por uma garota chamada Lysandre. O disco conta a história do romance deles. Musicalmente o disco parece uma peça única, com praticamente todas as faixas sendo ligadas uma à outra através de um tema, chamada de “Lysandre Theme”, que aparece na maioria das músicas às vezes usando um instrumento ou outro. É exatamente na instrumentalização que Owens escolhe a forma para se distanciar mais do seu trabalho com Girls. Em Lysandre, Owens experimenta diversas vezes com instrumentos de sopros, tais como sax, flautas e gaita como em “New York City”, “Riviera Rock”, “Lysandre” e “Here We Go Again”, tendo seus momentos divertidos e chegando a ser dançante.
Mas são nos momentos em que Owens se reconecta consigo mesmo e nos entrega aquelas composições maravilhosas que estamos acostumados pelos seus trabalhos anteriores. A maior prova disso é “A Broken Heart”, sem dúvida, o ponto máximo do disco. A música é simplesmente linda e delicada, com a voz de Owens quase sangrando. A letra também é linda, poderia muito bem encaixar-se em Father, Son, Holy Ghost, por exemplo, daí dá pra perceber o quanto ela é boa. Outros destaques são “Here We Go”, música que começa a narrar a jornada romântica, com um belo solo de guitarra e “Everywhere You Knew”, igualmente bela.
Lysandre acaba por ser um registro interessante de Christopher Owens, eclético e cheio de músicas boas, mas com poucas ótimas, o que era sua especialidade. Podemos tirar pelo seu trabalho anterior com Girls que ele pode fazer muito mais, no entanto, ainda assim, é apenas a porta inicial para uma carreira solo de um grande compositor.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Stream de Lysandre, estreia solo de Christopher Owens, ex-Girls
Enfim, o álbum Lysandre pode ser ouvido na íntegra neste link. Destaque especialmente para “A Broken Heart” e alguns arranjos com instrumentos de sopros bem interessantes, como em “New York City”. Confira.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Christopher Owens, Ex-Girls, anuncia estréia solo
Estamos às portas de novembro e, enquanto o ano vai chegando ao final, já começamos a pensar nos melhores álbuns de 2012, além de antecipar algum disco que será lançado em 2013. É o caso de Arcade Fire, no post anterior, e, dessa vez, Christopher Owens. Antigo vocalista, guitarrista e principal compositor da banda Girls, que encantou a cena alternativa com o lançamento de um dos trabalhos mais belos de 2011, Father, Son, Holy Ghost, Owens entristeceu todos os amantes de boa música no dia 2 de julho quando anunciou que estava se separando de seu parceiro de longa data, o baixista e produtor JR White. Mas não tardou muito para Owens anunciar que iria começar carreira solo e já tem um disco todinho pronto, que inclusive já tem capa, tracklist e data de lançamento. Lysandre, o nome do novo álbum, será lançado no dia 14 de janeiro e conta a história de amor “na estrada”, seguindo Owens de São Francisco para Nova Iorque e ainda para a França, onde ele se apaixona por uma garota chamada Lysandre, que ele conheceu durante uma turnê enquanto ainda era de Girls.
Christopher Owens também liberou uma música de Lysandre, ”Here We Go”, que segue o estilo mais intimista de Girls, acústica e cheia de variações instrumentais, incluindo a presença de flauta. Abaixo segue a tracklist de Lysandre:
Lysandre:
01 Lysandre's Theme
02 Here We Go
03 New York City
04 A Broken Heart
05 Here We Go Again
06 Riviera Rock
07 Love Is in the Ear of the Listener
08 Lysandre
09 Everywhere You Knew
10 Closing Theme
11 Part of Me (Lysandre's Epilogue)
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Um Giro pela TV: Willis Earl Beal, Girls e Bon Iver!

Essa semana tem sido bastante interessante nos programas de televisão. Começou com a participação estranha e inusitada de Willis Earl Beal no Later Show With Jools Holland, onde tocou a faixa “Swing On Low”, do álbum de estréia recém lançado, Acousmatic Sorcery. Como sempre, Beal fazendo as escolhas mais inesperadas, pois há várias outras músicas no álbum que cairiam muito bem num programa assim, mas parece que ele quer ser o contrário mesmo, apresentando o seu lado mais estranho. Dualidade que provavelmente fez o efeito que Beal queria, de acordo com comentários como: ” Am I missing something? Saw this last night and can not understand how someone who sings that out of tune can get on the UK's main music show. Sad, very sad” ou “Saw this last night and listening again it gives me the shivers...and shivers of the good kind. It's like dark operatic Soul with that Tom Waits touch. Will certainly be looking into this guy more :)”. Mesmo assim, "Swing on Low" fica muito melhor ao vivo, sem uns barulhos que chegavam a incomodar na versão do álbum.
A segunda atração de peso que pintou pela TV gringa foi a banda Girls, quê se apresentou no Conan, trazendo mais um número de seu grande álbum Father, Son, Holy Ghost, do ano passado. Dessa vez a faixa foi “Love is Like a River”. Christopher Owens e companhia inclusive é um dos destaques do segundo fim de semana do festival californiano Coachella. Tomara que eles transmitam ao vivo!
Outra atração de peso do Coachella, mas que já se apresentou nesse último fim de semana, dono do melhor álbum de 2011, Bon Iver continua espalhando sucesso por todo mundo, recebendo inclusive um Grammy. Bon Iver esteve no programa The Ellen DeGeneres Show, especialmente para a Internet e tocou a maravilhosa “Michicant”. Confira:
quinta-feira, 8 de março de 2012
Clipe de "My Ma", do Girls
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Melhores Álbuns de 2011 - Parte VIII
05. THE BLACK KEYS – EL CAMINO

A cada ano Black Keys vai se consolidando como uma das mais interessantes e produtivas da cena alternativa. Para quem começou sendo apontado como cópia do White Stripes, a cada novo lançamento Black Keys confirma sua liberdade e identidade.
04. YUCK - YUCK

Em meio à invasão de inúmeras bandas revisitando os anos 80, cheia de sintetizadores e teclados artificiais, Yuck é uma lavagem dos ouvidos para quem quer ouvir guitarras puras (ou impuras) e um som cru, forte e seco.
03. WILCO – THE WHOLE LOVE

No fim, The Whole Love é tudo o que poderia se esperar de um trabalho de Wilco. Ao mesmo tempo em que se mantém nas raízes, há algo de profundamente novo em cada uma das 12 faixas. E ainda por cima reafirma Wilco na posição de uma das bandas mais interessantes no cenário atual. Melhor álbum desde Yankee Hotel Foxtrot.
02. GIRLS – FATHER, SON, HOLY GHOST

Father, Son, Holy Ghost sem dúvida alguma está entre os grandes lançamentos do ano, se não estiver em primeiro. Tenho certeza que estará disputando segundo por segundo o título com Bon Iver, mas, não sei se pela euforia da descoberta, Father, Son, Holy Ghost entra na reta final do ano como o favorito. Amém.
01. BON IVER - BON IVER

"O cara que gravou um álbum sozinho na floresta". É quase um segundo nome para Bon Iver, banda quase fictícia de Justin Vernon, a mente, olhos, boca, dedos, pés e os braços de praticamente tudo. Bon Iver, ou Vernon, como preferir, surgiu na cena indie no início de 2008 e surpreendeu com o álbum For Emma, Forever Ago. Relativamente similar aos primeiros trabalhos de Iron & Wine, o álbum tem uma história curiosa. Vernon se mudou para Wisconsin, sua cidade natal, e montou um acampamento numa remota floresta, longe de todo tipo de civilização, e compôs e gravou por três meses seguidos, completamente sozinho. Ele voltou ao mundo com For Emma, Forever Ago praticamente concluído, apenas acrescentou alguns arranjos e backing vocals depois. O álbum foi muito bem recebido pela crítica, com belas e mórbidas músicas, um homem solitário desabafando para si mesmo as angústias de uma alma atormentada. O álbum colocou Bon Iver na lista de lançamentos mais antecipados.
Até que enfim em 2011 ele voltou com tudo e muito mais com um álbum homônimo, Bon Iver. Ainda é cedo para afirmar, mas é difícil algum outro lançamento bater a grandiosidade desse álbum. Quem esperava outro confinamento de Vernon e mais um trabalho de uma pessoa só, enganou-se. "I don't find inspiration by just sitting down with a guitar anymore”, disse Vernon à recente entrevista dada ao site Pitchfork. Agradecemos a isso. Não que a antiga fórmula seja ruim, mas essa é mais refrescante. Bon Iver, mesmo sendo ainda movido mente de Vernon, nesse novo álbum soa como uma banda, de fato. Ele acrescentou novas texturas às canções, transformando simples baladas ao violão em composições grandiosas e complexas. Diferentes sons e instrumentos disputando cada segundo de música, com a voz de Vernon soando ainda mais atormentada. Fica claro que Vernon quis se desligar quase que totalmente do som que ficou no For Emma, Forever Ago. Fica claro com a faixa de abertura, “Perth”, apresentando, para a surpresa geral, uma banda completa, com um trabalho de bateria muito interessante, além da orquestra por cima de toda a música. É uma boa introdução para o que está por vir. Letras estranhas e melodias e variações inesperadas permeiam todo o álbum. Ao mesmo tempo em que isso causa certa estranheza na primeira audição, é a recompensa. Há tantas coisas ali escondida e para serem descobertas, que após ouvir repetidas vezes, ainda absorvemos sons novos e não revelados.
É difícil definir poucos pontos altos de Bon Iver. Mantém o alto nível. Certamente que tem aquelas impactantes logo de cara. Como Minnesota, WI, que consegue ser ao mesmo tempo leve e pesada, graças às loucas variações de Vernon. “Michicant” é outra obra de arte, “Hinnom, TX” fica duas vozes, uma grave e outra aguda, cantando versos diferentes, me lembrou um pouco da inigualável “Ladies and Gentlemen, We Are Floating in Space”, de Spiritualized. Até que nos aparece “Calgary” nos guiando em uma jornada musical, que simboliza mais ou menos o que é escutar esse álbum, que vai crescendo a cada faixa.
Podemos dizer que aconteceu com Bon Iver o mesmo que Iron & Wine, que melhorou ao incorporar novas formas ao seu som, sobretudo após Shepherd’s Dog, de 2007. Se não tivesse dado esse passo ousado, ficaríamos sem, por exemplo, “Rabbit Will Run”, de Iron & Wine e, paralelamente, “Calgary”, de Bon Iver. É o típico sim à mudança.
Parte I (40 a 36)
Parte II (35 a 31)
Parte III (30 a 26)
Parte IV (25 A 21)
Parte V (20 A 16)
Parte VI (15 A 11)
Parte VII (10 A 06)

A cada ano Black Keys vai se consolidando como uma das mais interessantes e produtivas da cena alternativa. Para quem começou sendo apontado como cópia do White Stripes, a cada novo lançamento Black Keys confirma sua liberdade e identidade.
04. YUCK - YUCK

Em meio à invasão de inúmeras bandas revisitando os anos 80, cheia de sintetizadores e teclados artificiais, Yuck é uma lavagem dos ouvidos para quem quer ouvir guitarras puras (ou impuras) e um som cru, forte e seco.
03. WILCO – THE WHOLE LOVE

No fim, The Whole Love é tudo o que poderia se esperar de um trabalho de Wilco. Ao mesmo tempo em que se mantém nas raízes, há algo de profundamente novo em cada uma das 12 faixas. E ainda por cima reafirma Wilco na posição de uma das bandas mais interessantes no cenário atual. Melhor álbum desde Yankee Hotel Foxtrot.
02. GIRLS – FATHER, SON, HOLY GHOST

Father, Son, Holy Ghost sem dúvida alguma está entre os grandes lançamentos do ano, se não estiver em primeiro. Tenho certeza que estará disputando segundo por segundo o título com Bon Iver, mas, não sei se pela euforia da descoberta, Father, Son, Holy Ghost entra na reta final do ano como o favorito. Amém.
01. BON IVER - BON IVER

"O cara que gravou um álbum sozinho na floresta". É quase um segundo nome para Bon Iver, banda quase fictícia de Justin Vernon, a mente, olhos, boca, dedos, pés e os braços de praticamente tudo. Bon Iver, ou Vernon, como preferir, surgiu na cena indie no início de 2008 e surpreendeu com o álbum For Emma, Forever Ago. Relativamente similar aos primeiros trabalhos de Iron & Wine, o álbum tem uma história curiosa. Vernon se mudou para Wisconsin, sua cidade natal, e montou um acampamento numa remota floresta, longe de todo tipo de civilização, e compôs e gravou por três meses seguidos, completamente sozinho. Ele voltou ao mundo com For Emma, Forever Ago praticamente concluído, apenas acrescentou alguns arranjos e backing vocals depois. O álbum foi muito bem recebido pela crítica, com belas e mórbidas músicas, um homem solitário desabafando para si mesmo as angústias de uma alma atormentada. O álbum colocou Bon Iver na lista de lançamentos mais antecipados.
Até que enfim em 2011 ele voltou com tudo e muito mais com um álbum homônimo, Bon Iver. Ainda é cedo para afirmar, mas é difícil algum outro lançamento bater a grandiosidade desse álbum. Quem esperava outro confinamento de Vernon e mais um trabalho de uma pessoa só, enganou-se. "I don't find inspiration by just sitting down with a guitar anymore”, disse Vernon à recente entrevista dada ao site Pitchfork. Agradecemos a isso. Não que a antiga fórmula seja ruim, mas essa é mais refrescante. Bon Iver, mesmo sendo ainda movido mente de Vernon, nesse novo álbum soa como uma banda, de fato. Ele acrescentou novas texturas às canções, transformando simples baladas ao violão em composições grandiosas e complexas. Diferentes sons e instrumentos disputando cada segundo de música, com a voz de Vernon soando ainda mais atormentada. Fica claro que Vernon quis se desligar quase que totalmente do som que ficou no For Emma, Forever Ago. Fica claro com a faixa de abertura, “Perth”, apresentando, para a surpresa geral, uma banda completa, com um trabalho de bateria muito interessante, além da orquestra por cima de toda a música. É uma boa introdução para o que está por vir. Letras estranhas e melodias e variações inesperadas permeiam todo o álbum. Ao mesmo tempo em que isso causa certa estranheza na primeira audição, é a recompensa. Há tantas coisas ali escondida e para serem descobertas, que após ouvir repetidas vezes, ainda absorvemos sons novos e não revelados.
É difícil definir poucos pontos altos de Bon Iver. Mantém o alto nível. Certamente que tem aquelas impactantes logo de cara. Como Minnesota, WI, que consegue ser ao mesmo tempo leve e pesada, graças às loucas variações de Vernon. “Michicant” é outra obra de arte, “Hinnom, TX” fica duas vozes, uma grave e outra aguda, cantando versos diferentes, me lembrou um pouco da inigualável “Ladies and Gentlemen, We Are Floating in Space”, de Spiritualized. Até que nos aparece “Calgary” nos guiando em uma jornada musical, que simboliza mais ou menos o que é escutar esse álbum, que vai crescendo a cada faixa.
Podemos dizer que aconteceu com Bon Iver o mesmo que Iron & Wine, que melhorou ao incorporar novas formas ao seu som, sobretudo após Shepherd’s Dog, de 2007. Se não tivesse dado esse passo ousado, ficaríamos sem, por exemplo, “Rabbit Will Run”, de Iron & Wine e, paralelamente, “Calgary”, de Bon Iver. É o típico sim à mudança.
Parte I (40 a 36)
Parte II (35 a 31)
Parte III (30 a 26)
Parte IV (25 A 21)
Parte V (20 A 16)
Parte VI (15 A 11)
Parte VII (10 A 06)
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Girls - For No One Session
Mais um vídeo promovido pela Pitchfork.tv da banda Girls. Depois da sessão na Igreja abandonada, onde tocaram três faixas Father, Son, Holy Ghost (“Honey Bunny”, “My Ma” e “Vomit”), dessa vez a música foi a ótima “Love Like a River”, do mesmo álbum. Nomearam a sessão como For No One Session, não precisa nem dizer porque. Sobre a música, bem, isso eu deixo para vocês conferirem:
Girls | FOR NO ONE from FOR NO ONE on Vimeo.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Girls em apresentação especial numa Igreja Abandonada
A banda Girls é um dos grandes destaques do ano com o lançamento de Father, Son, Holy Ghost. Para promover o álbum, eles fizeram uma sessão especial em uma Igreja abandonada no Brooklyn e tocaram três faixas do álbum, “Honey Bunny”, “My Ma” e “Vomit”. Segue abaixo esses vídeos maravilhosos, disponíveis na Pitchfork.tv. Ótima apresentação bem no clima sacro do álbum.
“Honey Bunny”
“My Ma”
“Vomit”
“Honey Bunny”
“My Ma”
“Vomit”
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Girls - Father, Son, Holy Ghost

Escutar pela primeira vez um álbum de uma banda que não se conhece é excitante, com todo o mistério que envolve o desvendar de cada música e tudo mais e mesmo que o que se descubra não seja o que você esperava, a simples ansiedade por algo novo é uma sensação boa. Em contra partida, quando o resultado ultrapassa a sua expectativa a ponto de deixá-lo em transe por alguns momentos, quer dizer que aquilo que você está ouvindo é genial, você finalmente foi recompensado.
Essa é a sensação ao escutar pela primeira vez o segundo álbum da banda de São Francisco, Girls, chamado Father, Son, Holy Ghost. A banda é formada principalmente por duas pessoas, homens, ao contrário do que sugere o nome, Christopher Owens, líder e cérebro e JR White. Girls lançaram o primeiro álbum intitulado simplesmente Album em 2009 e imediatamente recebeu aclamação da crítica especializada, tendo inclusive a Pitchfork colocado o single “Hellhole Ratrace”, uma viagem ao melhor estilo de Spiritualized, como um dos 500 melhores singles da década 2000. No ano seguinte, Girls lançou um EP (mais uma vez muito bom) com seis faixas, chamado Broken Dreams Club. Mesmo com esses dois primeiros lançamentos conter vários momentos de genialidade, é em Father, Son, Holy Ghost que eles atingem o ponto máximo ao fazerem o trabalho simplesmente perfeito, que já chama atenção pela capa no mínimo curiosa, que tem as letras de todas as faixas do álbum.
Father, Son, Holy Ghost nocauteia já de forma imediata ouvindo-o isoladamente, mas para completar o ciclo, é muito interessante também conhecer a história por trás da banda, do álbum, e, principalmente, da peça-chave da banda, Christopher Owens, filho de mãe e pai devotos da seita Children of God, movimento religioso criado no final dos anos 60 reacionário aos hippies, pregando salvação, apocalipse e uma revolução espiritual contra o “mundo de fora”. Essa seita religiosa marcou bastante a infância de Owens, criando vários traumas e demônios que ele carrega até os dias de hoje, como sua relação com sua mãe, que deixou seu outro filho morrer de pneumonia por causa da aversão à medicina do Children of God ou por se prostituir na frente de Owens quando estava crescendo. Outro ponto importante para se compreender melhor o som do Girls é a relação de amor e ódio dos seus membros com as drogas, principalmente as derivadas do ópio. Christopher Owens, junkie assumido, fala sobre sua relação com elas abertamente, que é um ponto muito importante no seu processo criativo, que ela o faz se focar mais nas idéias e emoções, mas também que é muito difícil largá-las quando Girls sai em turnê, pois, segundo ele, elas o tornam muito diferente, às vezes agressivo e não sabe por que ele volta a usá-las, mas sempre o faz. Enfim, tudo isso e muito mais está na entrevista sensacional dada a Pitchfork, que você pode conferir neste link.

Mas enfim, vamos voltar a falar de Father, Son, Holy Ghost, que já começa de forma arrasadora com “Honey Bunny”, bem indie rock, com uma batida empolgante, melodia e letra bem legais, que já deixa transparecer a relação de Owens com a mãe. Já deixa o ouvinte com os ouvidos mais atentos quando passa para a seguinte, a ótima “Alex”, igualmente sensacional, com o vocal de Owens transbordando melancolia na forma de cantar, como em várias faixas, sempre com grandiosos solos e trabalhos de guitarras. O momento “lapada” do álbum chega ao seu auge com a quase heavy metal “Die”, com riffs e solos sensacionais, e Owens esbanjando pessimismo na letra. Ele fala na entrevista que "Die" é uma das primeiras músicas que compôs e que ele e JR ficavam horas tocando o riff sob o efeito do ópio até um deles adormecer.
Desde o título, Father, Son, Holy Ghost (Pai, Filho, Espírito Santo), já dá uma idéia bem religiosa que, se não é traduzida nas letras das canções propriamente ditas, permeia totalmente o clima do álbum, que em vários momentos os backing vocals lembram a música gospel americana. Ele faz a junção desse clima sacro com temas como amor, perdas, desesperança, nostalgia, entre outros. O resultado fica majestoso. O primeiro exemplo dessa junção é a tocante “Saying I Love You”, com o ritmo mais alegre que engana, enquanto a letra se revela, ao invés de uma declaração de amor, totalmente triste e desiludida. “My Ma” é um dos momentos mais solenes do álbum, com uma mensagem direcionada para a mãe de Owens, admitindo o quanto precisa dela “Oh god, I'm so lost And I'm here in darkness And I want to see the light of Love I'm looking for meaning in my life And you my Ma”, tudo isso com uma perfeição melódica e musical. “Vomit” é outra épica, com uma letra tão triste que chega a dar pena do autor, quando depois de tudo que ele narra no decorrer da música, no final ele suplica “come in to my heart”. Owens conta que a escreveu quando tinha uma namorada que vivia fora de casa, e ele saia pela cidade desesperado procurando-a. Em “Just a Song” ele sentencia “it seems like nobody’s happy now”. “Love Like a River” é outro ponto incrível do album, meio um blues gospel, que inclusive me recordou um pouco do álbum I’ll Take Care of You, de Mark Lanegan.
Father, Son, Holy Ghost sem dúvida alguma está entre os grandes lançamentos do ano, se não estiver em primeiro. Tenho certeza que estará disputando segundo por segundo o título com Bon Iver, mas, não sei se pela euforia da descoberta, Father, Son, Holy Ghost entra na reta final do ano como o favorito. Amém.
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