Black Lips, e Arabia Moutain em especial, é um som para se divertir. Não tem muitas músicas ou letras introspectivas, sobre questões morais ou vida e morte. São aquelas letras sem lógica (como em “Spidey's Curse”), que combinadas ao som deles, ficam divertidíssimas. Em algumas dá até para dançar aquela dança dos anos sessenta tipo enxugando as costas com a toalha.
Claro que faz falta o art rock progressivo dos álbuns anteriores, mas em The King is Dead, The Decemerists está se divertindo mais confortavelmente do que nunca. E o melhor é que a diversão aqui é contagiosa.
Snow Patrol mostra em Fallen Empires que é uma banda crescida e com muito potencial e parece até agora não ter se perdido na carreira, como aconteceu, por exemplo, com Coldplay.
Bem mais modesto que o próprio, que quando perguntado sobre os melhores álbuns de 2011, simplesmente respondeu "I think I only like my record this year.", Several Shades of Why é de fato um grande álbum. Todos os ingredientes de Dinosaur Jr estão presentes no álbum, sendo que acústicos. A voz de J Mascis está tão despretensiosa, preguiçosa e relaxada como sempre esteve.
Suck it And See é um álbum claramente de uma banda evoluindo, querendo aprimorar o som, e que não se satisfaz com a mesmice. Apenas cinco anos após a estréia e Arctic Monkeys já está fazendo em alguns momentos sons inquietos e profundos.
O Snow Patrol tocou algumas faixas do novo album, Fallen Empires, ao vivo no RAK studios. E o melhor é que a apresentação contou com as duas melhores faixas do album, “The Garden Rules” e “This Isn’t Everything You Are”. Para completar tocaram ainda “New York”, Lifening” e “Called Out In The Dark”. Confira abaixo:
Em setembro os escoceses do Snow Patrol pisaram em solos brasileiros para tocar no festival Rock In Rio, banda tímida, um pouco desconhecida, sem grande clamor, e o público frio como mais uma banda para esperar o maior show da noite, que naquele dia foi Red Hot Chilli Peppers. Mesmo assim, o Snow Patrol driblou as dificuldades e conseguiu fazer um bom show, apresentando, inclusive, algumas faixas do novo álbum da banda, que saiu esse mês, chamado Fallen Empires.
Durante sua carreira, o Snow Patrol aos poucos foi tomando identidade e características próprias. Um bom rock/pop, competentes fazedores de hits, foi-se tornando daquelas bandas características, identificáveis por uma música. Algumas bandas possuem essa identidade e ainda assim são imprevisíveis. Isso não acontece com Snow Patrol, nem por isso é uma coisa ruim. Nem tudo precisa ser de vanguarda, carregando novos conceitos, formatos ou idéias experimentais. Tem momentos que precisamos de algo simples e bom. Snow Patrol é isso
“I’ll Never Let Go” abre o álbum e parece um pouco estranha no começo, talvez pelo teclado um pouco brilhante demais, mas ela vai ganhando força e o focal de Gary está melhor do que nunca. Praticamente todas faixas tem a cara do Snow Patrol. Infelizmente eles escolheram a menos característica e a mais fraca da tracklist para tirar o nome do álbum, “Fallen Empires”, um pouco mais eletrônico, dançante. Não são os pontos fortes do Snow Patrol, de fato. Mas é praticamente o único deslize grave.
O que faz deste álbum um trabalho marcante na carreira do Snow Patrol é que os pontos altos aqui são iguais ou talvez ainda maiores do que os alcançados com os hits dos álbuns anteriores. “This Isn’t Everything You Are”, tocada no show do Rock In Rio e já desde então eu senti a força da música, pode ser talvez uma das melhores da carreira da banda. Melodia e letra impecáveis. Começa como balada no piano e vai ganhando força e intensidade cada vez mais até o ótimo refrão. Ela é seguida imediatamente por “The Garden Rules”, também memorável, balada romântica com um backing vocal feminino adorável. Sensação que se repete em músicas como “In The End” e “Those Distant Bells”. “The Shymphony” também merece destaque, quase épica com seus seis minutos.
Snow Patrol mostra em Fallen Empires que é uma banda crescida e com muito potencial e parece até agora não ter se perdido na carreira, como aconteceu, por exemplo, com Coldplay.
Apesar de não ser das melhores edições do festival, não poderia deixar passar sem falar sobre o Rock in Rio 4, que começou na sexta feira, mas para manter o mínimo de dignidade, eu vou excluí-lo e contar o sábado como o primeiro dia de festival, que ainda teve algumas atrações lamentáveis, mas que, mais uma vez, passaremos por cima delas, da mesma forma com que passamos a sexta feira. Digamos que o festival começou com o show de Capital Inicial no Palco Mundo. Rock Nacional está longe de ser um dos meus pontos fortes, mas o show que Dinho e companhia fizeram não tem como ser ignorado. Souberam levantar o público que só pensava na maior atração da noite, Red Hot Chilli Peppers, com os sucessos de mais de duas décadas de carreira, como “Natasha” e “Primeiros Erros” além de uma homenagem à banda Aborto Elétrico, que tinha como membro Renato Russo, com “Fátima”, o protesto político de “Que País é esse”, com o público cantando em uníssono, dentre outras. Dinho Ouro Preto é um grande frontman e contagiou a audiência com sua simpatia e empolgação, com várias conversas com o público cheias de “velhos” e “caralhos”. Pode ver o show completo de Capital Inicial no Rock in Rio 2011 abaixo:
Depois foi a vez da banda escocesa de Indie Rock Snow Patrol, uma das poucas muito aguardadas por mim. Considerando que a banda era desconhecida para pelo menos 90% do público, ou talvez conhecia uma música só, o grande hit “Open Your Eyes”, a banda foi muito bem. O vocalista e guitarrista da banda Gary Lightbody, interagiu bastante com a audiência, como quando pegou uma bandeira brasileira e a prendeu ao pedestal do microfone, ou de forma humilde sempre lembrando que a espera principal era por Red Hot Chilli Peppers, certamente por isso a recepção da plateia tenha sido um pouco fria. Quanto o setlist, foi o melhor possível, mas talvez tenham exagerado ao tocar duas ou três canções novas. Um festival desse porte não é muito legal fazer isso, mas mesmo assim eles se saíram muito bem, as músicas mantiveram o clima pra cima como “This isn’t Everything you Are” e “Fallen Empires”. Teve também os grandes sucessos, como “You’re All I Have”, “Take Back the City” “Run”, “Make This go on Forever” “Chasing Cars” além de, claro, “Open You Eyes” única que levou o público ao delírio. Teve um ótimo dueto com a cantora brasileira Mariana Aydar na bela “Set the Fire to the Third Bar”. Tem muita gente falando mal do show do Snow Patrol, mas é porque não conhecem a banda e não conseguiu fazer levantar o público de festival, mas musicalmente o show foi ótimo, o melhor pra mim. Pode baixar o show completo de Snow Patrol no Rock in Rio 2011 abaixo:
E para fechar a noite veio a tão esperada banda Red Hot Chilli Peppers. Confesso que morguei deles já há alguns anos, quando a adolescência partiu e aquele som irreverente perdeu a graça. Pro público e pros fãs certamente foi um grande show, mas não conseguiu me cativar. Achei Anthony Kiedis muito paradão, frio, como se não tivesse botando muita fé nessa nova fase sem John Frusciante, muito diferente do Antony Kiedis de dez anos atrás. Flea ainda tentou empolgar como sempre, mas tá ficando sem fôlego e o novo guitarrista tentou, pelo menos nisso ele tem crédito. Também teve faixas do novo álbum, que achei bem fraquinho. Mas ainda teve bons momentos o show, como em “Other Side”, “By The Way”, “Californication”, “Give it Away” e a homenagem aos 20 anos de Blood, Sugar, Sex, Magic. Falando em homenagem, sei que pra muitos deve ter chegado lágrimas aos olhos, mas achei totalmente desnecessário isso de todo mundo vestir a camisa com a foto do filho de Cissa Guimarães. Mas enfim, talvez a intenção tenha sido realmente boa. Para a maior atração da noite, em termos de conquistar o público que passou o festival inteiro somente esperando por eles, podia ter sido bem melhor. Pode baixar o show completo do Red Hot Chilli Peppers no Rock in Rio 2011 abaixo. Para baixar pode ser no www.keep-tube.com ou pelo programa aTube Catcher