Falta pouco mais de uma semana
para mais uma edição do festival Lollapalooza no Brasil, que acontecerá nos
dias 5 e 6 de abril e contará com a participação dos grandes nomes da música de
2013, tais como Arcade Fire, Vampire Weekend, Muse, Nação Zumbi,Nine Inch
Nails, Pixies, Apanhador Só, dentre muitos outros. Então, tiraremos alguns dias
para fazer um aquecimento para o Lollapalooza 2014.
Ainda recebendo os louros por
Modern Vampires of The City, Vampire Weekend foi o convidado musical da noite
no programa The Tonight Show Starring Jimmy Fallon, e tocou a música “Unbelievers”,
com uma cortina atrás da banda projetando imagens.
Vampire Weekend está escalado
para tocar no domingo, dia 6 de abril.
Karen O, da banda Yeah Yeah Yeahs certamente é a personagem
musical dessa semana, sendo uma das figuras centrais de dois dos duetos mais
lindos dos últimos anos. O primeiro, objeto do post anterior, foi com o ex
integrante da banda The Walkmen, Walter Martin, que fez o dueto “Sing To Me”
com ela. Dessa vez, saiu uma versão de arrasar corações com a faixa da trilha
sonora do belíssimo filme Her, de Spike Jonze, "The Moon Song", dessa vez tendo como parceiro
musical Ezra Koenig, vocalista de Vampire Weekend. Confira e se emocione:
Começo a escrever
esta postagem com uma solenidade quase religiosa. Desde que, por pura paixão,
comecei com o Filho do Blues, havia uma satisfação imensurável a cada resenha
que escrevia. Mas, da mesma forma, havia sempre tristeza proporcional. Toda vez
que conseguia pescar uma preciosidade, ao mesmo tempo que eu comemorava,
vibrava e me arrepiava, vinha uma consciência severa que lamentava
profundamente: “mas você nunca escreverá uma resenha para um álbum inédito de
David Bowie”. E assim eu seguia em frente. Desde que The Next Day foi
anunciado, ele guarda a sua posição em primeiro lugar na lista e hoje é
finalmente coroado com tal posto, fazendo de Bowie também a personalidade do
ano, já que toda promoção do disco foi feita sem entrevista, sem show, sem
aparição em programas de TV.
The Next Day tem
recebido fantásticas resenhas, dizendo inclusive que era o melhor álbum de
retorno da história do rock. Pessoalmente, mesmo com todo entusiasmo que eu
estava por ouvir o álbum, eu não esperava que ele seria assim. Bowie escolheu
se resumir artisticamente no decorrer de quatorze faixas – sem contar com as
três músicas bônus que ainda não saíram – o que, naturalmente, produz um álbum
cuja riqueza é sem igual. Ninguém mais, só David Bowie seria capaz de compor um
trabalho dessa magnitude.
Reflektor é mais uma
obra prima de Arcade Fire e os coloca de vez como a melhor banda da última década.
Mesmo ganhando o prémio máximo da música no trabalho anterior, não hesitaram em
dar uma mudança de direção forte, mas mesmo assim sem uma ruptura total, o que
foi mais ou menos sugerido que seria com algumas entrevistas que a banda
concedeu. Enfim, tudo em Reflektor é grandioso, bem pensado e articulado, mais
vasto do que os demais, tanto na riqueza musical – que já era imensa – quanto
na temática. É um álbum ambicioso e muito bem sucedido, confeccionado por uma
banda excepcional. Um novo clássico.
É o melhor trabalho
de Queens of The Stone Age? Não, mas também é muito difícil igualar o nível de
álbuns como Songs for The Deaf e Rated R. No entanto, em Like Clockworks mostra
exatamente o quão grande e competente a banda é, mesclando momentos de sucesso
certo, para ampliar o status de banda de festival, e outros nos quais arrisca novos
sons e estilos sem se sentir ameaçada.
Lightning Bolt é, por
fim, mais um grande registro de uma ótima banda que já superou essa polêmica de
tentar fazer um novo Ten ou Vs. É notório que eles estão preocupados apenas em
se divertir uns com os outros e criar novos sons para comunicar sentimentos. E
esse é o espírito da coisa. Ao não tentar mudar e abalar as estruturas do mundo
mais uma vez, eles contentam-se em fazer parte dele. Uma parte importante inclusive.
Modern Vampires of
The City é praticamente perfeito. É um álbum irretocável, a começar pela capa,
uma imagem aérea, tirada pelo fotógrafo do New York Times, Neal Boenzi, olhando
para o sul do Empire State Building, em preto e branco de Nova Iorque quase pós-apocalíptica,
poética e sombria. Inspiradora. Modern
Vampires of The City apresenta uma banda totalmente regulada em seu pico
criativo, embora atuando em um espaço sonoro talvez mais limitado que os dois
trabalhos anteriores, o que, de forma alguma, tira a genialidade, apenas
modifica sua forma, produzindo músicas mais concisas.
AM pode dividir
opiniões entre aqueles que foi um fracasso e a morte de uma banda enérgica do
rock’n roll, e outros irão celebrá-los como uma obra de uma banda que livrou-se
de um rótulo para entrar no território indefinido, onde está com segurança e à
vontade de arriscar o que for. Condição que poucos tem no mundo da música, que
vive de rótulos. Eu estou com o segundo grupo.
O melhor álbum de blues do ano vai para Corey Harris. Fulton Blues é um maravilhoso álbum de um artista genioso e sincero para
com as suas raízes, que usa uma trágica história como plano de fundo para dar
margem à sua música se desenvolver. Corey Harris é, definitivamente, um dos
nomes mais fortes na cena blues, tendo construído uma carreira sólida e
versátil, a qual é enriquecida por mais este lançamento.
O melhor álbum nacional do ano fica com os pernambucanos do Mundo Livre S.A e Nação Zumbi na concepção e realização dessa ideia genial. Esta série de “Embate
do Século” ganha não somente mais um capítulo, mas também contribuiu para
produzir um dos registros mais interessantes da música brasileira recente.
Mesmo que sejam regravações de clássicas músicas, o nível de ineditismo aqui é
de surpreender e de agradar. E muito.
Nobody Knows é,
finalmente, um trunfo para Willis Earl Beal, que conseguiu perceber as
fragilidades do seu som, intencionais ou não, e melhorá-lo para um formato mais
acessível, porém, não menos interessante. Enquanto que Acosumatic Sorcery
obteve resenhas misturadas, Nobody Knows a crítica está bem mais unânime quanto
a sua genialidade. A cada novo passo, Willis Earl Beal se encaminha para ser –
se ainda não for – um dos nomes mais originais da música.
Rhythm &
Blues é um álbum de um grande artista, guitarrista e músico do blues. Acontece
algo curioso; para Buddy Guy, um dos últimos sobreviventes da era de ouro do
blues, que teve seus grandes momentos na década de 60 e 70 (Hoodoo Man Blues
[1965], I Left My Blues in San Francisco [1967], A Man and The Blues [1968] e I
Was Walking Through The Woods [1974] são ótimos exemplos dessa fase), quanto
mais velho melhor. As últimas duas décadas de sua carreira contou com
lançamentos incríveis, sobretudo a partir de Damn Right, I’ve Got The Blues, de
1991, passando por ótimos álbuns, como Sweet Tea, de 2001 e Living Proof, de
2010. Lista que recebe mais um título agora, Rhythm & Blues.
O melhor festival de música do
Brasil nos últimos anos, o Lollapalooza, divulgou sua programação para a edição
de 2014, que ocorrerá nos dias 5 e 6 de abril. O Lollapalooza Brasil 2014 ficou
ameaçado por falta de acordo com a produtora que organizou os dois primeiros
eventos, a Geo Eventos, que acabou abandonando o projeto. A Time For Fun ficará
responsável pelo evento nos próximos cinco anos, que também mudou de lugar,
sendo agora no Autódromo de Interlagos.
Quanto à programação, o grande
destaque é para a melhor banda da atualidade, finalmente vindo tocar no Brasil,
Arcade Fire, que acabou de lançar Reflektor, mais uma de suas obras primas.
Outras bandas de destaque serão o Muse, que já fechou a noite do Rock In Rio
nesse ano, Nine Inch Nails, Soundgarden, Pixies, Apanhador Só, Vampire Weekend
e inúmeras outras. Os ingressos começam a ser comercializados ainda em novembro.
Além do Queens of The Stone Age, outra banda que está disputando palmo a palmo pelo topo no ano de 2013 é a banda Vampire Weekend, que também foi uma das grandes atrações de Domingo do festival Lollapalooza Chicago 2013, que aconteceu no fim de semana passado. Os nova-iorquinos do Vampire Weekend lançaram esse ano seu terceiro disco, o maravilhoso Modern Vampires of The City, que dá continuidade a uma carreira que já possuía dois fortes discos, o homônimo, de 2008 e Contra, de 2010. E o show no Lollapalooza foi exatamente mesclando esses três álbuns em um belo show, como “Diane Young”, “Step”, “Unbelievers” dentre outras, do trabalho mais recente, os clássicos “Holiday”, Cousins”, “Horchata” de Contra e “A-Punk”, “Campus”, “Oxford Comma” e “Walcott”, de do álbum de estréia Vampire Weekend. Vejam a setlist e o vídeo abaixo:
Vampire Weekend continua desfrutando o sucesso de mais um álbum, Modern Vampires of The City. A banda foi convidada para o programa especial American Express Unstaged e tocou ao vivo no Roseland Ballroom, em Nova Iorque, no dia 28 de abril. O show foi transmitido ao vivo para a internet e dirigido por Steve Buscemi. O filme começa com uma brincadeira, na qual o ator e diretor Steve Buscemi está descansando tranquilamente com o seu pai, enquanto chega a banda perguntando da transmissão, já que o show vai começar agora. Enquanto Steve se apressa para começar, a banda sobe ao palco e começa a tocar. O repertório visita os três trabalhos de Vampire Weekend, com uma apresentação diferente do formato atual de banda de rock. Interessante perceber como eles utilizam pouco a guitarra, e preenchem mais os espaços com arranjos diversificados. Mas mesmo assim, algumas ausências se fizeram sentidas, como “Mansard Roof”, do disco de estréia, e “Don’t Lie”, “Hannah Hunt” e algumas outras do novo Modern Vampires of The City. Mesmo assim, um baita show. Destaque especialmente para “Cousins”, “Step”, “Horchata”, “Ya Hey”, “Diane Young” e “Walcott”.
Confira:
Cousins White Sky Cape Cod Kwassa Kwassa I Stand Corrected Step Diane Young Holiday Unbelievers Horchata Everlasting Arms A-Punk Ya Hey Campus Oxford Comma Giving Up the Gun
Encore: Obvious Bicycle
(Premiere: First time ever) Diplomat's Son One (Blake's Got a New Face) Walcott
Vampire Weekend está firme divulgando o maravilhoso novo álbum, Modern Vampires of The City. Após algumas aparições em programas de televisão, como Saturday Night Live e Late Night With Jimmy Fallon, a banda lança hoje o primeiro clipe oficial para acompanhar o novo disco, da ótima “Diane Young”. O vídeo, dirigido por Primo Khan, é um jantar que lembra a Santa Ceia, mas sem santidade alguma. Cheio dos típicos personagens da sociedade contemporânea, o jantar passa para uma grande e caótica festa, com as ilustres presenças de Sky Ferreira, Dave Longstreth, de Dirty Projectors, Chromeo, Santigold e Hamilton Leithauser, de The Walkmen curtindo no vídeo. Confira.
Vampire Weekend é uma bandas com
o som dos mais peculiares que existe. O grupo, de Nova Iorque, liderado por
Ezra Koenig, absorve toda a sociedade cosmopolita nova-iorquina e traduz em um
som único e, às vezes, até difícil de digerir. O disco de estréia, homônimo de
2008, surpreendeu o mundo e, ao contrário de todas as expectativas, explodiu. Não só colecionou aclamadas críticas de
revistas especializadas, como também produziu grandes clássicos comerciais,
como “Oxford Comma”, “Walcott” e “Mansard Roof”, só para citar alguns. No som
de Vampire Weekend havia de tudo. Guardadas as devidas proporções, parecia o
manguebeat que absorveu toda a cultura pernambucana em um único som. Sob a
batuta do gênio de Koenig, diversos setores culturais de Nova Iorque estava
representada em algum ponto do álbum. Desde
intelectuais-universitários-hipsters, passando pelo rock, pop, música africana,
o afropop, como ficou chamado, o reage e até mesmo referências de música
clássica. Era, literalmente, uma orgia de sons antagônicos que, como passe de
mágica, apareciam nessas canções, de alguma forma, harmonizadas. Diferente de
bandas como The Strokes, que ainda não conseguiu igualar o disco de estréia,
Vampire Weekend seguiu sua carreira com o também bem sucedido Contra, que deram
ainda um passo a mais nessa mistura louca, por vezes até de forma exagerada.
Mas é com Modern Vampires of The City, terceiro álbum da imaginária trilogia na
mente de Ezra Koenig, lançado ontem, que Vampire Weekend alcança a perfeição.
É um álbum irretocável, a começar
pela capa, uma imagem aérea, tirada pelo fotógrafo do New York Times, Neal
Boenzi, olhando para o sul do Empire State Building, em preto e branco de Nova
Iorque quase pós-apocalíptica, poética e sombria. Inspiradora. Modern Vampires of The City apresenta uma
banda totalmente regulada em seu pico criativo, embora atuando em um espaço
sonoro talvez mais limitado que os dois trabalhos anteriores, o que, de forma
alguma, tira a genialidade, apenas modifica sua forma, produzindo músicas mais
concisas.
Ao mesmo tempo que ,em Modern
Vampires, diminuiu-se a abrangência sonora, ampliou-se a melódica. Na faixa de
abertura, “Obvious Bicycle”, dá para notar que a principal matéria prima para o
resultado final é a melodia, assim como na belíssima “Hannah Hunt”, escrita
para uma garota que sentou ao lado de Koanig em uma aula de budismo na
universidade, com a instrumentação praticamente minimalista, explodindo apenas
nos segundos finais, com um refrão de arrepiar. “Don’t Lie” também possui uma
melodia incrível e com arranjos sensacionais. Outra matéria prima, se é que se
pode chamar assim, é o trabalho profissional feito nos efeitos, tanto dos
instrumentos quanto no vocal de Koenig. Esse traço pode começar a ser notado no
verso final de “Step”, meio hip-hop e que é, por sinal, uma música incrível e
com uma melodia tocante, sobretudo no emocionado e doloroso refrão. No verso
final, nota-se um efeito deixando o vocal quase gutural. Continua-se a
brincadeira com efeitos vocais em “Diana Young”, ao invés de Dying Young, juntamente
com “Finger Black”, uma das mais intensas do álbum e que lembra em alguns
momentos “Wolf Like Me”, de TV On The Radio. Entre algumas paradas e retornos
poderosos, dá para imaginar no refrão uma pessoa controlando a mesa de som e
mexendo nos efeitos vocais do “baby, baby, baby, ride on time”. Mas a mais
marcante em termos de efeitos sonoros é “Ya Hey”, que é Hey Ya ao contrário e,
além disso, também é uma referência subconsciente ao judaísmo e cristianismo, “Yahweh”.
A religião também está presente na maravilhosa “Unbelievers”, uma reflexão da
imagem que se tem dos “ateus” e o que está reservado a eles nas tradições
religiosas “we know the fire awaits unbelievers all of the sinners the same”.
Uma das que tem o som mais
peculiar é “Worship You”, totalmente diferente de todo álbum. Com uma bateria
tipo de cavalaria e a velocidade maior que radialista narrando jogo de futebol
em hip-hop, parece que você está cavalgando feito loco pelas planícies. Mais
uma coisa que evidencia essa riqueza de melodias e arranjos sonoros, é que, na
maioria das faixas, não existe a mesmice do refrão cantado por dez vezes da
mesma forma. Ao contrário. Koanig pode até repetir várias vezes o refrão, mas
cada vez em um ritmo diferente, acompanhado por uma mudança rítmica ou melódica,
são diversos os exemplos e, só para citar os mais notáveis são em “Everlasting
Arms”, “Step”, “Ya Hey”. Por fim, "Hudson" se despede com uma inédita faixa sepulcral e sombria.
Modern Vampires of The City é
praticamente perfeito. E se não tivesse saído no mesmo ano que The Next Day, de
David Bowie, certamente já teria reservado o lugar de melhor álbum do ano. Além de melhor álbum até hoje de Vampire Weekend.
Vampire Weekend é uma banda que provoca nas mesmas pessoas reações mistas. É uma daquelas que é complicado bater um martelo: “Eu adoro essa banda!”, muito embora ela tenha diversas músicas muito boas, característica de artistas sempre bem peculiares. É assim que chega “Ya Hey” para acrescentar à lista de ótimas música de Vampire Weekend. A faixa é do novo disco Modern Vampires of The City, que será lançado na próxima semana e tem essa bela e sombria capa. Eles divulgaram a faixa juntamente com um vídeo com a letra, bem interessante. Nela eles fazem um trabalho sonoro muito interessante no refrão, daí o título ser “Ya Hey”, que é esse efeito estranho que eles conseguiram reproduzir. Confira e se prepare para muita espuma de champanhes sendo estourados.