quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Father John Misty toca "Bored In The USA" no Letterman


O ano de 2015 começou com algumas novidades bem interessantes. A primeira delas é Father John Misty, projeto de Josh Tillman, conhecido por seu trabalho na banda Fleet Foxes, que lançou seu segundo trabalho, chamado I Love You, Honeybear. Tillman apresentou-se no David Letterman para promover seu novo álbum, com a música “Bored In The USA”, que mostra seu humor cínico, numa clara referência ao clássico de Springsteen, “Born In The USA”.  



terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Melhores Álbuns de 2014



Esse ano de 2014 foi bastante corrido para o Filho do Blues, o que acabou fazendo com que tivesse menos tempo disponível para me dedicar ao blog, com atualizações, notícias, vídeos e resenhas. No entanto, isso não quer dizer que eu parei de acompanhar as novidades do mundo da música. Muito pelo contrário: ainda que sem tempo, consegui manter o top 40 do ano e consegui expandir meus horizontes musicais e mergulhei ainda mais, sobretudo, no blues. Fato que é traduzido pela maior ocorrência de álbuns do gênero em relação ao ano passado. Em 2013, tivemos 8 destaques do blues nos melhores álbuns do ano (o maior deles, Corey Harris, com Fulton Blues). Já em 2014, esse número subiu para 12, com o destaque para Sugar Ray & The Bluetones, pelo álbum  Living Tear to Tear, que alcançou a segunda colocação no ranking. O top 10 conta com 4 ábuns de blues, o que é um feito significativo. (Além de Sugar Ray & The Bluetones, Billy Boy Arnold, ainda teve Johnny Winter, que faleceu ainda neste ano, antes do álbum ser lançado, e Joe Bonamassa).

Também chamo atenção para alguns lançamentos nacionais bastante interessantes em 2014, como o retorno da Nação Zumbi (5º), o gênio Tom Zé (7º), a parceria de Marcelo Camelo e Mallu Magalhães na Banda do Mar (13º), Erasmo Carlos (23º) e China (27º).

Em primeiro lugar ficou Jack White, com seu segundo disco solo, Lazaretto. No topo a disputa ficou menos acirrada do que em relação a 2013, que teve ao menos 4 grandiosos álbuns (Arcade Fire, David Bowie, QOTSA e Vampire Weekend). Mesmo assim, ainda podemos falar dos não menos notáveis novos lançamentos de Beck (Morning Phase, 3º), Damon Albarn, do Blur, (Everybody Robots, 18º), o mestre Leonard Cohen (Popular Problemas, 09º) e Foo Fighters (Sonic Highways, 10º).

O ano de 2014 teve de tudo. Contou com a volta de figuras carimbadas como Weezer, com um bom álbum (Everything Will Be Alright In The End, 16º), Stephen Malkmus (Wig Out at Jagbags, 40º) e Manic Street Preachers (Futurology, 24º), ao mesmo tempo em que reforçou ou apresentou novidades muito boas, como Perfume Genius (Too Bright, 14º), Sun Kil Moon (Benji, 19º) e Christopher Owens (A New Testment, 17º). E o que falar da maior novidade do ano, a maior revelação do ano, que lançou o seu primeiro disco no início desse ano aos 82 anos? Estou falando do bluesman Leo "Bud" Welch, com o maravilhoso álbum de blues-gospel Sabougla Voices (12º).

Enfim, nos despedimos de 2014 com essa lista de nomes que fizeram com que o ano ficasse melhor e mais gostoso. No mais, Feliz Natal e Feliz Ano Novo para os leitores do Filho do Blues e que 2015 seja repleto  de belíssimos lançamentos para que no próximo dezembro esta lista esteja ainda mais extensa!

Um grande abraço!

MELHORES ÁLBUNS DE 2014

01. Jack White - Lazaretto
02. Sugar Ray & The Bluetones - Living Tear to Tear
03. Beck - Morning Phase
04. Johnny Winter - Step Back
05. Nação Zumbi - Nação Zumbi
06. Billy Boy Arnold - The Blues Soul Of Billy Boy Arnold
07. Tom Zé - Vira Lata Na Via Lactea
08. Joe Bonamassa - Different Shades Of Blue
09. Leonard Cohen - Popular Problems
10. Foo Fighters - Sonic Highways
11. Gruff Rhys - American Interior
12. Leo Welch - Sabougla Voices
13. Banda do Mar - Banda do Mar
14. Perfume Genius - Too Bright
15. Dave Specter - Message In Blue
16. Weezer - Everything Will Be Alright In The End
17. Christopher Owens - A New Testament
18. Damon Albarn - Everyday Robots
19. Sun Kil Moon - Benji
20. TV On The Radio - Seeds
21. Damien Rice - My Favourite Faded Fantasy
22. John Mayall - A Special Life
23. Erasmo Carlos - Gigante Gentil
24. Manic Street Preachers - Futurology
25. Damien Jurado - Brothers And Sisters of the Eternal Son
26. Walter Trout - The Blues Came Callin'
27. China - Telemática
28. Lucky Peterson - The Son Of A Bluesman
29. The Robert Cray Band - In My Soul
30. Bruce Springsteen - High Hopes
31. Johnny Cash - Out Among The Stars
32. Cloud Nothings - Here And Nowhere Else
33. C.W. Stoneking - Gon Boogaloo
34. Mud Morganfield & Kim Wilson - For Pops Tribute To Muddy Waters
35. Tibério Azul - Bandarra
36. Hamilton Leithauser - Black Hours
37. The Black Keys - Turn Blue
38. Thiago Pethit - Rock'n'Roll Sugar Darling
39. Black Lips - Underneath the Rainbow
40. Stephen Malkmus & The Jicks - Wig Out at Jagbags
41. Eric Bibb - Blues People

Álbuns que não foram completamente inéditos, mas que de alguma forma merecem ser menciona

David Bowie - Nothing Has Changed
Wilco - What's Your 20 Essential Tracks 1994-2014
Caetano Veloso - Multishow Ao Vivo Abraçaço
Leonard Cohen - Live in Dublin
Nat King Cole - The Extraordinary
Gary Clark Jr. - Gary Clark Jr. Live







sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

As Melhores Músicas de 2014

O Filho do Blues está sumido mas não está morto! E para preparar vocês para a já tradicional lista de Melhores álbuns do ano - que sairá em breve - deixarei vocês curtindo por uns dias as dez melhores faixas do ano. Divirtam-se!

Jack White - Would You Fight for My Love?

Jack White dá a sequência a sua carreira solo com o disco Lazaretto. "Would You Fight For My Love?" reune tudo de melhor da sua carreira em uma única faixa.


 

David Bowie - Sue (Or in a Season of Crime)

A única faixa inédita da magnífica coletânea Nothing Has Changed é incrível e aponta para uma nova direção musical de Bowie em relação aos três últimos discos. Pena que só tem uma. 


 

Nação Zumbi - Foi de Amor

"Foi de Amor" traz todo o peso tradicional que conhecemos de Nação Zumbi, em meio a um álbum sonoramente bem mais acessível ao grande público, sem, no entanto, perder a identidade que faz de Nação a melhor banda nacional.

 

Perfume Genius - Queen

Qualquer música da banda Perfume Genius tem todos os ingredientes para sensibilizar o ouvinte. "Queen" apresenta tudo isso de forma potencializada, muito emotiva, tensa, que faz com que cada verso seja uma cicatriz sendo aberta e curada ao mesmo tempo. Perfeito.


 

Leo "Bud" Welch - Take Care of Me Lord

O estreante do ano, a revelação que tem 82 anos despejando agora para todo mundo ouvir a energia e o vigor do seu Blues-Gospel. Para lavar a alma e dançar. Desse jeito até eu iria para a Igreja.


 

Tom Zé - Esquerda, Grana e Direita

Tom Zé destila toda sua sagacidade e gênio nessa faixa que traduz o momento que a sociedade brasileira atravessa, sempre com a irreverência e brilho típico das obras desse genial artista brasileiro.


 

Damien Rice - It Takes A Lot To Know A Man

Melhor música de seu novo álbum, a épica "It Takes a Lot To Know A Man" faz uma viagem bastante sensível, com uma melodia cativante e uma viagem sonora para fazer você fechar os olhos e acompanhar. Lindo.


 


Johnny Winter - Death Letter

A lenda do blues Johnny Winter faleceu em 2014 um pouco antes de lançar seu novo disco, Step Back. Nada melhor do que homenageá-lo aqui com esse vídeo de "Death Letter", clássico de Son House, presente no disco. 


 

Christopher Owens - It Comes Back To You

Christopher Owens dá continuidade a sua carreira solo sem parar para respirar por muito tempo. E "It Comes Back To You" apresenta uma sonoridade mais próxima de seu trabalho com a banda Girls, que ainda é o auge de sua carreira. 


 

Joe Bonamassa - Living On The Moon

Muita energia e pegada marcam "Living On The Moon", do novo trabalho de Joe Bonamassa, com tudo o que você pode esperar desse grande guitarrista do blues rock.

sábado, 15 de novembro de 2014

Resenha de David Bowie - Nothing Has Changed


Depois de ter voltado ao cenário musical com o lançamento de The Next Day, em 2013, primeiro álbum inédito em dez anos, David Bowie se mantém ativo durante o ano de 2014 e acaba de lançar mais uma coletânea, Nothing Has Changed, que vem com uma música inédita, “Sue (Or In A Season of Crime)”(duas, se contar com a que acompanha o primeiro single, “Tis a Pity She Was a Whore”).

A coletânea difere das outras que tem o mesmo objetivo, ou seja, revisitar a carreira de um artista. Nesse sentido, Nothing Has Changed possui algumas peculiaridades que fazem com que seja recebido sem a indiferença que normalmente acompanha lançamentos desse tipo. Primeiro, claro, é por causa da faixa inédita, uma instigante faixa de sete minutos que evidencia que Bowie ainda continua se reinventando e vagando por entre estilos. Outra coisa curiosa é o nome Nothing Has Changed para um artista que nunca ficou por muito tempo em um único campo de atuação, que é conhecido mundialmente pela inovação, pela mudança, possuindo o apelido de camaleão. 

Pois bem, a própria estratégia e as escolhas das faixas mostram também a intenção de tornar a coletânea em algo mais. Normalmente, álbuns desse tipo seguem uma ordem cronológica, do início até o mais recentemente produzido. Bowie escolhe o caminho contrário. A faixa inicial é a inédita “Sue (Or In a Season of Crime)” e a última é exatamente o seu primeiro single lançado, “Liza Jane”. Entre esse percurso, estão as músicas que mais marcaram a trajetória desse gigante da música, sempre numa ordem do mais recente ao mais antigo. As escolhas também buscam mostrar o lado mais diferente, no caso de frequentes faixas remixadas ou editadas, bem como algumas faixas menos ortodoxas, ou seja, menos conhecidas, como sobras de estúdio da regravação de “Shadow Man”, “Let Me Sleep Beside You” e “You Turn To Drive”, para o álbum nunca lançado Toy, de 2001, o que mostra que, para Bowie, Toy ganha status de álbum, embora não conste formalmente na sua discografia. Como toda coletânea de um grande artista, ótimas músicas ficaram de fora e não seria diferente principalmente se tratando de Bowie.

Enfim, Nothing Has Changed não é, de forma alguma, uma coletânea definitiva de um artista que já produziu tudo o que tinha. Muito pelo contrário, Nothing Has Changed dá indícios de que Bowie está bastante ativo e atento a seus próximos passos.


domingo, 12 de outubro de 2014

David Bowie divulga nova música, "Sue (Or in a Session of Crime)"



David Bowie retorna com uma música nova, que irá sair no novo álbum que revisita sua carreira, Nothing Has Changed. “Sue (or in a session of crime)”, com mais de sete minutos e começa quase como um improviso de jazz, cheio de metais e assim vai no decorrer da música, enquanto Bowie canta cada vez mais intensamente e os metais gritando por trás. Uma miríade de sons, caos, totalmente diferente de qualquer música de Bowie das últimas décadas. Simplesmente incrível. Pena que só tem uma música inédita na compilação, que será lançada no dia 18. O tracklist segue abaixo:

DAVID BOWIE ‘NOTHING HAS CHANGED’ TRACKLIST

3CD DELUXE EDITION/DIGITAL DOWNLOAD

CD 1:
Sue (or In A Season Of Crime) (7.40)
Where Are We Now? (4.09)
Love Is Lost (Hello Steve Reich Mix by James Murphy for the DFA Edit) (4.07)
The Stars (Are Out Tonight) (3.57)
New Killer Star (radio edit) (3.42)
Everyone Says ‘Hi’ (edit) (3.29)
Slow Burn (radio edit) (3.55)
Let Me Sleep Beside You (3.14)
Your Turn To Drive (4.44)
Shadow Man (4.48)
Seven (Marius De Vries mix) (4.12)
Survive (Marius De Vries mix) (4.18)
Thursday’s Child (radio edit) (4.25)
I’m Afraid Of Americans (V1) (clean edit) (4.30)
Little Wonder (edit) (3.40)
Hallo Spaceboy (PSB Remix) (with The Pet Shop Boys) (4.23)
Heart’s Filthy Lesson (radio edit) (3.32)
Strangers When We Meet (single version) (4.21)

CD 2:
Buddha Of Suburbia (4.24)
Jump They Say (radio edit) (3.53)
Time Will Crawl (MM remix) (4.18)
Absolute Beginners (single version) (5.35)
Dancing In The Street (with Mick Jagger) (3.20)
Loving The Alien (single remix) (4.45)
This Is Not America (with The Pat Metheny Group) (3.51)
Blue Jean (3.11)
Modern Love (single version) (3.56)
China Girl (single version) (4.15)
Let's Dance (single version) (4.08)
Fashion (single version) (3.25)
Scary Monsters (And Super Creeps) (single version) (3.32)
Ashes To Ashes (single version) (3.35)
Under Pressure (with Queen) (3.56)
Boys Keep Swinging (3.17)
‘Heroes’ (single version) (3.35)
Sound And Vision (3.03)
Golden Years (single version) (3.27)
Wild Is The Wind (2010 Harry Maslin Mix) (5.58)

CD 3:
Fame (4.14)
Young Americans (2007 Tony Visconti mix single edit)  (3.13)
Diamond Dogs (5.56)
Rebel Rebel (4.28)
Sorrow (2.53)
Drive-In Saturday (4.29)
All The Young Dudes (3.08)
The Jean Genie (original single mix) (4.05)
Moonage Daydream (4.40)
Ziggy Stardust (3.12)
Starman (original single mix) (4.10)
Life On Mars? (2003 Ken Scott Mix) (3.49)
Oh! You Pretty Things (3.11)
Changes (3.33)
The Man Who Sold The World (3.56)
Space Oddity (5.12)
In The Heat Of The Morning (3.00)
Silly Boy Blue (3.54)
Can’t Help Thinking About Me (2.46)
You’ve Got A Habit Of Leaving (2.32)
Liza Jane (2.18)


quarta-feira, 16 de julho de 2014

"More Music Soon", diz David Bowie



O blog está ultimamente bastante parado, infelizmente, mas não é por falta de vontade, mas simplesmente por uma série de atribuições que tomam grande parte do tempo no dia a dia, o que vem deixando bem pouco para escrever para o blog. Durante esse tempo, voltarei para os grandes momentos, para registrá-los devidamente, dando o crédito que merecem.

Nada melhor do que falar que talvez não tenhamos de esperar quase uma década para ouvir algum álbum inédito de David Bowie. Segundo mensagens do próprio Bowie, enviadas a um evento beneficente em Londres, homenageando sua carreira, ouviremos coisa nova “em breve”.

“This city is even better than the one you were in last year, so remember to dance, dance, dance. And then sit down for a minute, knit something, then get up and run all over the place. Do it. Love on ya. More music soon. David”


Somente esse “More Music Soon” já é de arrepiar. Estaremos esperando!


sábado, 10 de maio de 2014

Resenha: Nação Zumbi - Nação Zumbi




Os críticos normalmente chegam ao consenso de que o ciclo do Manguebeat, movimento iniciado há 20 anos por Chico Science & Nação Zumbi, com o lançamento de Da Lama Ao Caos, em 1994, acabou. No entanto, nos últimos anos podemos perceber que seus principais expoentes ainda estão produzindo música de qualidade a cada ano. Nesse período, sobretudo de uns cinco anos para cá, a cena musical de Pernambuco sempre serviu para reafirmar a posição de originalidade frente a produção artística nacional, como comprova Otto (Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos, 2009, ou The Moon 1111, de 2012), ou Lirinha (que depois do fim do Cordel do Fogo Encantado lançou Lira, em 2011) e também Siba, com Avante, em 2012, e até mesmo os principais nomes do mangue, como Mundo Livre S\A, com Nova Lenda da Etnia Babaa, em 2011, ou até mesmo a colaboração com a Nação Zumbi, em 2013, que ficou genial. 

A empolgação definitiva veio quando foi anunciado que Nação Zumbi voltaria a lançar um álbum próprio, depois de tantos anos (o último havia sido em 2007, Fome de Tudo). Desde então, passou-se a imaginar como seria o som desse novo álbum, a partir do momento que liberaram "Cicatriz", primeira música e primeiro single do trabalho. Foi possível perceber, então, um trabalho peculiar de promoção, liberando primeiramente no Itunes e depois, naturalmente, dirigindo-se a outros tipos de mídias. Durante o processo, desde a sua concepção, foi percebido um lobby para a Nação voltar ao estúdio, uma pressão tanto dos fãs quanto da crítica. Havia, assim, certa ansiedade quanto ao novo trabalho. Então, consciente de sua posição, decidiu lançar novo álbum, por uma grande gravadora. O álbum foi chamado simplesmente como Nação Zumbi, um álbum homônimo (o segundo da carreira), que realmente pode ser caracterizado como um renascimento da banda.





Nação Zumbi é feito de extremos. É impossível julgá-lo e analisá-lo sem diferenciá-lo dessa forma. As primeiras faixas, "Cicatriz" e "Bala Perdida" tentam fazer um link ao passo da Nação ao mesmo tempo que mostra o caminho para o futuro. Um som mais limpo, enquanto também busca um aprofundamento sonoro, incorporando arranjos novos e detalhados. E é esse caminho que será trilhado em algumas das faixas seguintes. Nação Zumbi nunca foi pop, apesar do grande sucesso, sempre pareceu sisudo demais, sério demais. Jorge du Peixe tenta, assim, alcançar novos públicos com uma música mais acessível. Essa tentativa de som é perceptível quando é incorporado vários tipos de arranjos, que acabam prejudicando os tambores, grande ponto forte da banda. Na tentativa de alcançar um público mais universal, a banda acaba apostando em algo menos poderoso, mas que, ao mesmo tempo, serve aos seus intuitos, já que são músicas bastante interessantes. "A Melhor Hora da Praia", com a participação deliciosa de Marisa Monte, por exemplo, é uma das que seria inimaginável ser apresentada por uma banda como a Nação Zumbi. No entanto, é um dos tesouros mais claros do álbum. Também é perceptível o uso de backing vocals femininos, como em "O Que te Faz Rir".





Essa guinada para um som mais universal também é sentida liricamente. As letras da Nação Zumbi sempre foram um tanto mais difícil, seja por jogos rápidos de palavras, ou por referências bem específicas, normalmente utilizados para falar de temas sérios e gerais. No álbum há claramente uma tentativa de tornar o tema mais acessível a todos, algo meio que descompromissado, despretensioso. É o trabalho que mais fala de amor, como "Um Sonho", "Nunca Ti Vi". A própria capa do álbum demonstra uma abordagem mais intimista, com partes do corpo humano e o coração numa posição central.





O outro extremo é apresentado principalmente no final, quando nos é reservado as melhores faixas. "Foi de Amor" é uma das melhores faixas da Nação Zumbi, não apenas no álbum, mas da sua carreira. É exatamente o que havia faltado no restante do trabalho, peso, os tambores ressoando, guitarra, muita guitarra, enfim, muita energia e emoção na faixa. Sensacional. Será presença massiva no repertório dos shows, com certeza. Aqui a gente sente realmente a falta que fez uma percussão forte e alta, o que faltou em boa parte do álbum, em detrimento de um som mais compacto, valorizando a tradicional bateria clássica. "Cuidado", com sons de sirene, mantém essa energia, sobretudo no refrão. E finaliza o disco com o riff poderoso de "Pegando Fogo".

Nação Zumbi é o reflexo mais claro de uma banda que ainda tem muito a dar e que, consciente de sua colocação na música brasileira, e de sua história, parece agora querer ir mais além, transpor suas próprias fronteiras sonoras, mantendo sua identidade forte e sempre original.