quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Assista ao clipe do remix de James Murphy para "Lost Is Love", de David Bowie



Preparando para o lançamento da versão especial de três discos The Next Day, contendo ainda quatro músicas inéditas, David Bowie aproveitou a comemoração do Halloween para lançar o vídeo de “Lost Is Love”, faixa original de The Next Day, que agora ganha uma versão remixada por James Murphy, que produziu Reflektor, de Arcade Fire, com dez minutos de duração. O vídeo, em versão reduzida, criado com o assistente de Bowie, Jimmy King, e seu amigo Coco Schwab, contém vários bonecos da coleção do próprio Bowie e utiliza o mesmo efeito de reprodução clipe de “Where Are We Now?”. Confira:



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Resenha de Arcade Fire - Reflektor



O acontecimento de 2013 pode ter sido o retorno ao estúdio de David Bowie, mas o grande evento do ano certamente foi o modo pelo qual foi lançado o tão esperado disco da banda canadense Arcade Fire, Reflektor. Foram meses de expectativa e de jogadas de marketing inesperadas, com pouquíssimas informações, apenas com a certeza de que o Arcade Fire estava em estúdio com o produtor James Murphy, que de quando em quando concedia alguma entrevista relatando enigmaticamente como estava indo o processo de gravação. Até que o tempo foi passando e começou a surgir em várias cidades anúncios em arte de rua ou outdoors com um símbolo onde se lia “Reflektor”, ao mesmo tempo em que uma conta era aberta no instagram com mesmo nome. Não sei quem o fez primeiro, mas logo ligaram esses anúncios a um possível nome do novo trabalho do Arcade Fire, que se manteve em silêncio. Através do twitter, a banda confirmou lançamento do novo disco para outubro, em uma resposta a um fã que havia mandado uma mensagem aleatória para o twitter da banda. Por fim, a confirmação do título de Reflektor e o lançamento de dois clipes para o primeiro single, um deles interativo.



Mas como foi possível toda essa euforia acerca do quarto álbum de Arcade Fire? Ano que vem a banda completa dez anos do álbum de estreia, um dos grandes clássicos da década passada, Funeral, que marcou o início de uma trajetória espetacular, de uma banda que tem no sangue a vontade de arriscar, de criar algo novo para transmitir uma mensagem maior, em temas sérios e às vezes até filosóficos, que muitas vezes retratam o mundo fragmentado da pós-modernidade no qual vivemos. Essa qualidade, além da aclamação de imensa parte da crítica, veio acompanhada com o sucesso comercial, sobretudo no último disco, o ótimo The Suburbs, de 2010, ganhador do grammy de melhor álbum em 2011. Pode até demorar para Arcade Fire lançar um disco inédito, mas quando o faz, é com a certeza que durante esse tempo eles desenvolveram algo interessante para transmitir. Dessa vez não foi diferente.

Poucas bandas sabem separar o pessoal do profissional no mundo da música como Arcade Fire e, principalmente, o casal e centro criativo da banda, Win Butler e Régine Chassagne, que, durante esse período de três anos, foram pais. Entre a novidade de assimilar a nova situação, a dupla passou a absorver toda a influência e o impacto que a extensa turnê de The Suburbs, que passou por países como Haiti e Jamaica, a fim de transformar e criar um novo valor estético para a banda. Para facilitar essa transição, foi convocado James Murphy, ex-LCD Soundsystem, para produzir o novo disco. E o resultado pode ser sentido claramente em Reflektor, um álbum duplo de art-rock que pode ser visto como um divisor de águas na carreira de Arcade Fire, abraçando o status de aventureiros do rock, como David Bowie, Brian Eno, dentre outros.




Os dois discos de Reflektor são bem divididos e o planejamento de escolha para a posição e a ordem das músicas demandou tempo e é por isso que cada uma está ali por alguma razão. Os dois discos são bem distintos entre si. O disco I é mais agitado e muitas das músicas, apesar de ter um ritmo sempre recordando um pouco esse batuque caribenho do Haiti, também remetem muito ao Arcade Fire de sempre. Já o disco dois é mais lento, um pouco mais eletrônico, criando um ambiente específico antagônico, como o outro lado.

“Reflektor”, com a magnífica participação nos backing vocals de David Bowie, abre o disco deixando instantaneamente clara a influência de James Murphy no novo som de Arcade Fire, com alguns os efeitos eletrônicos, com uma letra mostrando a era reflexiva, que irá permear o restante das músicas, acrescido dos ritmos do Caribe. “We Exist” fala do nosso mundo contemporâneo onde fazemos nossas atividades automaticamente, sem perceber as pessoas ao nosso redor, como se elas nem ao menos existissem. Em Reflektor há um pouco desse existencialismo, de sentir a experiência de estar vivo e presente no mundo exterior e interior.





"Flashbulb Eye” é a única do primeiro disco totalmente descartável. Começa com um ritmo parecido com “Here Comes The Night Time”, mas fica muito confusa, cheio de arranjos eletrônicos sobrepostos. Destoa completamente do restante do álbum. “Here Comes The Night Time”, por sua vez, é uma das melhores do disco e, inclusive, da carreira de Arcade Fire. Ela pode entrar certamente entre aquelas que comprovam o nível de genialidade nas composições dessa banda tão peculiar e especial. O ritmo intenso inicial é reduzido e vai entrando em diversas variações de tempo e ritmo, além dos arranjos, especialmente o do piano, que é lindo, logo após a parte do refrão. Sim, não poderia também me esquecer de uma das melhores imagens criadas da carreira da banda, “a thousand horses running wild in a city on fire”. Lindo e apocalíptico. Genial. “and if you can feel it, then the rules are dead”. Exato. A quebra rítmica no final da canção também dá outra direção, com um ótimo trabalho de guitarra.





“Normal Person” começa com um questionamento cético, “Do you like rock and roll music? Cause i don’t know if i do”. Curiosamente e intencionalmente, é uma das músicas mais pesadas da carreira da banda, com um refrão pesadíssimo e solos de guitarra. A letra, como não poderia ser diferente, é um show à parte. Em cada verso, Win Butler é capaz de questionar várias situações de nossas vidas e, nesse caso, em relação à normalidade, diante de um mundo onde todos acabam sendo iguais aos outros, sonhando em inglês, e em inglês correto. Mais uma música incrível e no nível das melhores da banda. “You Already Know” lembra o Arcade Fire clássico, digamos assim, em alguns momentos a batida de The Suburbs, mais rítmica. “Joan of Arc” finaliza o primeiro disco com uma linha de baixo sensacional, seguida por uma guitarra firme e constante, e é mais uma que mistura o inglês com o francês através de mais um vocal épico de Régine, soando mesmo como Joana d’Arc. Apesar de não ter tido uma música só para ela cantar, a presença de Régine pode ser sentida e apreciada muito mais em Reflektor, com várias participações no decorrer de músicas que ficaram perfeitas, como também em “Reflektor”.





Como foi dito, a mudança para o segundo disco é sentida diretamente na forma da primeira música, na verdade, uma continuação, porém em um formato bem diferente. “Here Comes The Night Time II” revela a entrada no outro lado e é acompanhado, praticamente na íntegra, por um som mais contemplativo e cheio de efeitos sonoros para criar um ambiente lúdico, talvez do pós-vida, na jornada de Orfeu para resgatar sua Eurídice. No entanto, a mudança de estilo não prejudica a qualidade apresentada nas demais faixas do trabalho, como o prova “Awful Sound (Oh Eurydice)”, sendo sentida novamente a influencia dos ritmos caribenhos na batida, junto com alguns arranjos eletrônicos, enquanto que nessa história o amor de Orfeu é renegado por Eurídice. No refrão há uma quebra súbita, num som mais tradicional, quase como os Beatles. 

“It’s Never Over (Oh Orpheus)”, dominada mais por Régine, segue o exemplo de “Flashbulb Eye” e destoa das demais, apesar de ser um pouco melhor do que esta última, num ritmo mais dançante e eletrônico, o qual funciona melhor quando ajuda a criar um ambiente mais reflexivo e contemplativo, como em vários momentos nesse segundo disco, por exemplo, em “Porno”, com uma melodia bastante bonita e na faixa final, “Supersymetry”.

Reflektor é mais uma obra prima de Arcade Fire e os coloca de vez como a melhor banda da última década. Mesmo ganhando o prémio máximo da música no trabalho anterior, não hesitaram em dar uma mudança de direção forte, mas mesmo assim sem uma ruptura total, o que foi mais ou menos sugerido que seria com algumas entrevistas que a banda concedeu. Enfim, tudo em Reflektor é grandioso, bem pensado e articulado, mais vasto do que os demais, tanto na riqueza musical – que já era imensa – quanto na temática. É um álbum ambicioso e muito bem sucedido, confeccionado por uma banda excepcional. Um novo clássico.


Abença Pai: Resenha de Miles Davis - Birth of The Cool




Miles Davis
The Birth of the Cool
(Capitol – imp.)

E absolutamente impossível saber o que seria do jazz se Miles Davis não tivesse se dignado a elaborar esse disco.

Olhar para a carreira de Miles Davis e visualizar a própria historia do jazz. Ele esteve por trás de cada inovação estilística e musical, e sua capacidade de arregimentar músicos notáveis para seus grupos tornou-se lendária. Todos que tocaram com Miles foram profundamente afetados por tal experiência. Ele tocava seu instrumento com um lirismo e uma introspecção que transformava radicalmente qualquer composição, tomando seu tom absurdamente inigualável.

Mas se a maneira como abordava seu instrumento não sofreu modificações, o modo como via e ouvia jazz não tem parâmetros na historia do estilo. Miles constantemente chutava a bunda do jazz para que este se desenvolvesse como linguagem musical.

Um projeto evidente – começou a excursionar com bandas logo aos 16 anos; aos 18, já fazia parte do grupo de Billy Eckstine, ao lado de Dizzy Gillespie e Charlie Parker, ambos considerados como os arquitetos do bebop -, Miles cedo percebeu que a rapidez do bebop não servia para seu estilo, mais lento. Em 1948, ele organizou um estranho – para a época – noneto, com a presença, alem de seu trompete, de sax-alto (Lee Konitz), sax-barítono (Gerry Mulligan), trombone (Kai Winding), french horn e tuba. Um contrato com a Capitol Records levou as gravações daquilo que seria mais tarde como The Birth of the Cool.

A banda entrou em estúdio em janeiro de 49 e, em três sessões (duas naquele mesmo ano, e a terceira em março do ano seguinte), gravou 12 faixas, com arranjos de Gil Evans. Na época, elas não chamaram a atenção, mas o som relaxado afetou a todos que participaram daquelas gravações e foi catalisador daquilo que se tornou mais tarde o jazz West Coast.




A elasticidade do bebop se harmonizava com a sonoridade típica de uma big band, só que com uma atmosfera muito mais relaxante, algo impensável para a época. Os temas jamais descambavam para o histrionismo, mesmo em termos rítmicos. A concisão dos arranjos de Evans levava o grupo a soar como se estivesse um número menor de integrantes.

O resultado foi mágico. A química musical exibida logo na abertura com “Move” já fornecia pistas do que viria a seguir, pois o tema – originalmente composto como um bebop – recebeu o tratamento mais suingado (ou, se preferir, cool). O mesmo acontecia em “Jeru”, composta por Mulligan, com um brilhante solo de Miles.

Mas foi na belíssima e plácida “Moon Dreams” que a coisa começou a se definir. Esta balada foi tocada em um andamento arrastado para a época, alem da seriedade quase erudita com que o grupo a executou. Outra composição de Mulligan, “Venus De Milo”, fez o grupo voltar a suingar compassadamente. Fornecendo um belo encadeamento com a faixa seguinte, “Budo”, um clássico tema do pianista Bud Powell reduzido a pouco mais de dois minutos de energia pura.





“Deception” e “Godchild” apresentavam uma tensão pouco frenética, antecipando a cadencia sutil – e elaborada ao mesmo tempo – de “Boplicity”, estranhamente creditada à mãe do próprio Miles. O espaçamento melódico de “Rocker” e “Israel” acabaram por influenciar toda a estrutura jazzística posterior, ao passo que a divertida “Rouge” e a romântica “Darn That Dream”, a única faixa com vocais – a cargo de Kenny Hagood – encerravam a pioneira experiência com chave de ouro. A coisa era tão inofensiva que todas as gerações de jazzistas subseqüentes acabaram influenciadas de modo irrefutável.

No final de sua vida, Miles acabou caindo em contradição ao embarcar em uma trip egocêntrica, em que roupas acetinadas eram parceiras de uma postura estranha para os fãs, já que Miles passou a tocar com um pé em pedais wah-wah e as mãos em teclados. Mas foi esse mesmo cara que ampliou as fronteiras do jazz sem perder a qualidade. O cool jazz de Miles foi o momento definitivo de uma gigantesca transformação.

A importância histórica de The Birth of the Cool adquire uma relevância ainda maior por ser um daqueles discos que, se bem entendidos, são capazes de abrir a cabeça – e a mente – de qualquer pessoa.

(Daniel Rodrigue)*

*Estudante de Historia da UEPB, apaixonado por música e quadrinhos (como Robert Crumb) que desde os 15 anos ouve e lê compulsoriamente tudo a respeito.


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Confira os diversos artistas que pagaram tributo a Lou Reed nos últimos dias



Com certeza não seria apenas o Filho do Blues a prestar homenagens a uma lenda como Lou Reed. As inúmeras bandas que estão em turnê pelo mundo não poderiam deixar de reagir a uma perda desse tamanho e, naturalmente, vão tocando uma ou outra canção de Lou Reed nos seus shows. É o caso de Arctic Monkeys, que tocou uma das músicas mais famosas de Lou, “Walk On The Wild Side” no seu show em Liverpool, no dia 28, um dia após a morte de Lou Reed.

 

Pearl Jam foi outra banda que prestou homenagens a Lou Reed tocando uma cover de Velvet Underground, “I’m Waiting For The Man”, no show em Baltimore, no domingo.





No festival anual do Bridge School Benefit, que ocorreu no último fim de semana, My Morning Jacket recebeu o acompanhamento de Neil Young, Elvis Costello, Jenny Lewis, dentre outros, para tocar “Oh! Sweet Nuthin’”

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Outra banda que pagou tributo a Lou Reed foi Arcade Fire, que fez ontem uma sessão ao vivo para NPR, no Capitol Studios, em Los Angeles, e tocou trechos de duas músicas de Lou Reed do álbum Transformer, “Perfect Day”, que utilizou como introdução para “Supersymetry”, música do novo disco deles, e “Satellite Of Love”, que, por sua vez, concluiu a música. ("Perfect Day" em torno de 17 minutos e "Satellite of Love" mais ou menos no minuto 22).




Também vale a pena conferir algumas versões das músicas de Lou Reed por outros companheiros. Quem conhecer alguma versão especial de alguma das músicas de Lou Reed, pode se sentir a vontade de postar nos comentários.




segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Panteão dos Deuses: The Velvet Underground



Para começar a mostrar a importância e influência de Lou Reed no mundo da música é obrigatório mencionar o trabalho de vanguarda e revolucionário desenvolvido pela banda The Velvet Underground, formada em conjunto com seu amigo de colégio, John Cale. Reza a lenda que o primeiro disco da banda, de 1967, The Velvet Underground & Nico, ou simplesmente o disco “da capa da banana”, como ficou conhecida a clássica capa criada por Andy Warhol, padrinho que acompanhou de perto a carreira do grupo, vendeu cem – dez mil ou trinta mil – cópias na época. Seja qual tenha sido a vendagem, o seu impacto pode ser traduzido pelo depoimento de Brian Eno, que disse que cada um dessas pessoas que compraram o disco acabaram formando uma banda.




The Velvet Underground certamente pode ser colocada no hall das bandas mais influentes de todos os tempos, juntamente com Beatles e Bob Dylan. A banda explorou novos territórios tanto esteticamente, liricamente quanto musicalmente. Tendo Lou Reed como líder criativo intelectual, a banda desenvolveu um som característico que iria ser a fundação de todo o rock alternativo posterior. Criou o chamado noise rock, cheio de sons e barulhos repetitivos até o extremo, que, combinadas com a carga das letras, criou um conjunto totalmente inédito até então. Lou Reed foi o grande explorador do submundo dos grandes centros urbanos, principalmente o de Nova York, levantando temas com abordagens antes inexploradas, em relação às drogas e ao sexo. Traficantes de drogas, viciados decaídos, assassinos e prostitutas tornaram-se personagens marcantes e recorrentes na poesia de Lou Reed.





No decorrer de quatro anos, a banda lançou quatro álbuns totalmente clássicos, como White Light/White Heat, de 1968, o mais experimental para o som do noise rock progressivo, o álbum homônimo de 1969, com composições bem pessoais e românticas de Lou Reed, “Pale Blue Eyes” e “Candy Says”, mas também contendo mais rock como “What Goes On”  e Loaded, de 1970, voltando-se mais para um rock mais clássico e acessível, que rendeu ao grupo clássicos como “Sweet Jane” e “Rock & Roll”. A mudança para um som mais direto é atribuída a saída de John Cale da banda, que era o mais radical no experimentalismo, em 1968.  

Apesar de parecer que seria promissor, o ano de 1970 acabou por revelar os problemas pessoais no relacionamento dentro da banda, com a saída de alguns membros, até que no final do verão do mesmo ano Lou Reed anuncia que estava deixando a banda, voltando para a casa de seus pais em Long Island antes de entrar na carreira solo, ainda antes de Loaded ser lançado.





Embora sem sucesso comercial na época, Velvet Underground foi ganhando notoriedade cada vez maior enquanto que os artistas que foram inspirados por eles revelavam e pagavam seu tributo, como David Bowie, Iggy Pop, Brian Eno, Patti Smith e muitos outros no decorrer das décadas seguintes. The Velvet Underground foi introduzido no Rock and Roll Hall of Fame em 1995. 


domingo, 27 de outubro de 2013

Lou Reed morre aos 71 anos


O dia 27 de outubro de 2013 ficará guardado como o dia em que o mundo perdeu mais um dos seus gênios. O artista vanguardista Lou Reed, membro fundador da clássica banda dos anos sessenta, The Velvet Underground, que simplesmente delineou a base para o rock alternativo e o psicodélico, e dono de uma respeitável carreira solo, sobretudo no decorrer da década de setenta, morreu hoje devido a uma complicação de uma cirurgia de transplante de fígado, pela qual ele passou ainda em maio, mas que estava se recuperando bem. Reed tinha 71 anos. No decorrer de sua vida ele exagerou bastante nas questões de drogas e bebidas, mas nos últimos anos ele vinha tentando se recuperar, inclusive com bastante otimismo, tendo falado que ele era um trunfo da medicina, física e química modernas. 

Grandes nomes da música já se pronunciaram sobre a morte do ícone Lou Reed, como o próprio David Bowie, cria direta de Velvet Underground, e com o qual Lou Reed trabalhou em alguns dos seus trabalhos, como o melhor disco de sua carreira solo, Transformer, de 1972. O facebook oficial de Bowie relata a frase que ele falou sobre seu velho amigo: “he was a master”. Já o twitter oficial de Iggy Pop, mais uma cria direta de Velvet, twitou “devastating News”. Falando das mídias sociais, o próprio perfil do facebook de Reed colocou uma imagem com a legenda “The Door”. Para exemplificar o tamanho da influência de Lou Reed e mais especificadamente de Velvet Underground, mais um de seus discípulos, Brian Eno, uma vez falou que o primeiro álbum do Velvet Underground vendeu trinta mil cópias nos seus primeiros cinco anos e que cada um desses que comprou o álbum acabou formando uma banda. 

 No decorrer da semana, o Filho do Blues irá prestar as devidas homenagens a Lou Reed, resgatando os momentos mais marcantes de sua rica e extensa carreira.


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Pearl Jam alcança topo da Billboard pela quinta vez



Há controvérsias para a afirmação de que Pearl Jam tornou-se uma banda anticomercial. Isso porque a banda acaba de alcançar, pela quinta vez, o primeiro lugar nas paradas americanas da Billboard com Lightning Bolt, seu décimo disco de estúdio, vendendo 166 mil cópias na semana de lançamento e deixando para trás ninguém menos que Paul McCartney (vale ressaltar que a Billboard é tão somente do mercado norte-americano). Pearl Jam atingiu o topo em outras quatro oportunidades, com Vs, de 1993, Vitalogy, de 1994, No Code, de 1996 e também com o até bem recentemente último trabalho da banda, Backspacer, de 2009, que vendeu na ocasião 189 mil unidades. O clássico Ten, de 1991, ficou com o segundo lugar, juntamente com Yield, de 1998, Binaural, de 2000 e Pearl Jam, de 2006. Apesar do primeiro lugar, Lightning Bolt é a menor quantia vendida na primeira semana da carreira de Pearl Jam, reflexo ainda da crise do mercado fonográfico. Ainda assim, é a maior desde novembro para um artista de rock, quando Phillip Phillip vendeu 169 mil cópias de The World From the Side of The Moon.

Esses recentes resultados refletem diretamente de uma mudança de postura da banda, que, sobretudo nos dois últimos trabalhos de estúdio, focaram mais abertamente em participar de programas, conceder entrevistas e, inclusive, lançar mais vídeo clipes. Sem dúvidas, a segurança, a naturalidade e a autoconfiança que a banda deixa transparecer em Lightning Bolt não se limitam a seu som. Pearl Jam, enquanto banda, encontra-se tão segura quanto jamais esteve.