quarta-feira, 16 de julho de 2014

"More Music Soon", diz David Bowie



O blog está ultimamente bastante parado, infelizmente, mas não é por falta de vontade, mas simplesmente por uma série de atribuições que tomam grande parte do tempo no dia a dia, o que vem deixando bem pouco para escrever para o blog. Durante esse tempo, voltarei para os grandes momentos, para registrá-los devidamente, dando o crédito que merecem.

Nada melhor do que falar que talvez não tenhamos de esperar quase uma década para ouvir algum álbum inédito de David Bowie. Segundo mensagens do próprio Bowie, enviadas a um evento beneficente em Londres, homenageando sua carreira, ouviremos coisa nova “em breve”.

“This city is even better than the one you were in last year, so remember to dance, dance, dance. And then sit down for a minute, knit something, then get up and run all over the place. Do it. Love on ya. More music soon. David”


Somente esse “More Music Soon” já é de arrepiar. Estaremos esperando!


sábado, 10 de maio de 2014

Resenha: Nação Zumbi - Nação Zumbi




Os críticos normalmente chegam ao consenso de que o ciclo do Manguebeat, movimento iniciado há 20 anos por Chico Science & Nação Zumbi, com o lançamento de Da Lama Ao Caos, em 1994, acabou. No entanto, nos últimos anos podemos perceber que seus principais expoentes ainda estão produzindo música de qualidade a cada ano. Nesse período, sobretudo de uns cinco anos para cá, a cena musical de Pernambuco sempre serviu para reafirmar a posição de originalidade frente a produção artística nacional, como comprova Otto (Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos, 2009, ou The Moon 1111, de 2012), ou Lirinha (que depois do fim do Cordel do Fogo Encantado lançou Lira, em 2011) e também Siba, com Avante, em 2012, e até mesmo os principais nomes do mangue, como Mundo Livre S\A, com Nova Lenda da Etnia Babaa, em 2011, ou até mesmo a colaboração com a Nação Zumbi, em 2013, que ficou genial. 

A empolgação definitiva veio quando foi anunciado que Nação Zumbi voltaria a lançar um álbum próprio, depois de tantos anos (o último havia sido em 2007, Fome de Tudo). Desde então, passou-se a imaginar como seria o som desse novo álbum, a partir do momento que liberaram "Cicatriz", primeira música e primeiro single do trabalho. Foi possível perceber, então, um trabalho peculiar de promoção, liberando primeiramente no Itunes e depois, naturalmente, dirigindo-se a outros tipos de mídias. Durante o processo, desde a sua concepção, foi percebido um lobby para a Nação voltar ao estúdio, uma pressão tanto dos fãs quanto da crítica. Havia, assim, certa ansiedade quanto ao novo trabalho. Então, consciente de sua posição, decidiu lançar novo álbum, por uma grande gravadora. O álbum foi chamado simplesmente como Nação Zumbi, um álbum homônimo (o segundo da carreira), que realmente pode ser caracterizado como um renascimento da banda.





Nação Zumbi é feito de extremos. É impossível julgá-lo e analisá-lo sem diferenciá-lo dessa forma. As primeiras faixas, "Cicatriz" e "Bala Perdida" tentam fazer um link ao passo da Nação ao mesmo tempo que mostra o caminho para o futuro. Um som mais limpo, enquanto também busca um aprofundamento sonoro, incorporando arranjos novos e detalhados. E é esse caminho que será trilhado em algumas das faixas seguintes. Nação Zumbi nunca foi pop, apesar do grande sucesso, sempre pareceu sisudo demais, sério demais. Jorge du Peixe tenta, assim, alcançar novos públicos com uma música mais acessível. Essa tentativa de som é perceptível quando é incorporado vários tipos de arranjos, que acabam prejudicando os tambores, grande ponto forte da banda. Na tentativa de alcançar um público mais universal, a banda acaba apostando em algo menos poderoso, mas que, ao mesmo tempo, serve aos seus intuitos, já que são músicas bastante interessantes. "A Melhor Hora da Praia", com a participação deliciosa de Marisa Monte, por exemplo, é uma das que seria inimaginável ser apresentada por uma banda como a Nação Zumbi. No entanto, é um dos tesouros mais claros do álbum. Também é perceptível o uso de backing vocals femininos, como em "O Que te Faz Rir".





Essa guinada para um som mais universal também é sentida liricamente. As letras da Nação Zumbi sempre foram um tanto mais difícil, seja por jogos rápidos de palavras, ou por referências bem específicas, normalmente utilizados para falar de temas sérios e gerais. No álbum há claramente uma tentativa de tornar o tema mais acessível a todos, algo meio que descompromissado, despretensioso. É o trabalho que mais fala de amor, como "Um Sonho", "Nunca Ti Vi". A própria capa do álbum demonstra uma abordagem mais intimista, com partes do corpo humano e o coração numa posição central.





O outro extremo é apresentado principalmente no final, quando nos é reservado as melhores faixas. "Foi de Amor" é uma das melhores faixas da Nação Zumbi, não apenas no álbum, mas da sua carreira. É exatamente o que havia faltado no restante do trabalho, peso, os tambores ressoando, guitarra, muita guitarra, enfim, muita energia e emoção na faixa. Sensacional. Será presença massiva no repertório dos shows, com certeza. Aqui a gente sente realmente a falta que fez uma percussão forte e alta, o que faltou em boa parte do álbum, em detrimento de um som mais compacto, valorizando a tradicional bateria clássica. "Cuidado", com sons de sirene, mantém essa energia, sobretudo no refrão. E finaliza o disco com o riff poderoso de "Pegando Fogo".

Nação Zumbi é o reflexo mais claro de uma banda que ainda tem muito a dar e que, consciente de sua colocação na música brasileira, e de sua história, parece agora querer ir mais além, transpor suas próprias fronteiras sonoras, mantendo sua identidade forte e sempre original.



segunda-feira, 28 de abril de 2014

Gruff Rhys, do Super Furry Animals, anuncia American Interior álbum sobre John Evans, explorador do século XVIII



O que acontece quando um relato histórico de viagens de exploração de território se une a um universo de sons psicodélicos? É isso que Gruff Rhys, do Super Furry Animals, pretende nos mostrar ao dedicar um álbum inteiro, chamado American Interior, que vai ser lançado no dia 5 de maio, a John Evans, um explorador do século XVIII, que viajou para a América em 1792 em uma missão de achar tribos nativas de língua galesa. Para completar essa figura, Rhys também vai lançar, em acompanhamento ao álbum, um documentário e um aplicativo para celular. A faixa título, “American Interior”, já tem um vídeo oficial, dirigido por Dylan Goch. Estava esperando algo novo do Super Furry Animals esse ano, mas parece que não. Tudo bem, não é a mesma coisa, mas Gruff Rhys com certeza dará conta do trabalho.



sábado, 12 de abril de 2014

Walter Trout anuncia novo álbum, The Blues Came Callin'


A agenda do blues para 2014 está ganhando contornos cada vez mais interessantes. Após o anúncio do retorno de John Mayall, o guitarrista de blues-rock Walter Trout, cria do próprio Mayall, resolveu que mesmo passando por um drama na sua vida pessoal, irá lançar um álbum novo para celebrar os 25 anos de sua carreira solo; The Blues Came Callin’, nome do novo trabalho, será lançando em 10 de junho e conta com doze faixas, celebrando a vida na luta contra a mortalidade, das quais dez são originais do próprio Trout, uma é cover de J.B. Lenoir e a outra é assinada pelo guitarrista britânico John Mayall, feita especialmente para o álbum.


Para Walter Trout, tudo agora parece ser uma luta contra o tempo, já que sofre de uma séria doença e precisa desesperadamente de um transplante de fígado, o que o fez perder bastante peso durante esse período. No vídeo divulgado sobre a gravação do disco, com depoimentos dos companheiros de banda e de John Mayall, dá para ver que Trout está bastante debilitado e abatido, mas não o suficiente para expulsar o blues de suas veias. Então, ele continua a sequência de álbuns lançados nos últimos anos, com os ótimos Blues For The Modern Daze, de 2012, e Luther’s Blues, de 2013. The Blues Came Callin’ foi gravado no decorrer de 2013 e promete ser um dos álbuns mais emocionantes do ano. A conferir. 


terça-feira, 1 de abril de 2014

Jack White anuncia novo álbum, Lazaretto, e divulga nova faixa "High Ball Steeper"



Já estava em tempo. Jack White irá lançar um novo álbum solo em 9/10 de junho, chamado Lazaretto, pela sua própria gravadora, Third Man Records. Lazaretto dá sequência à carreira solo de Jack White, depois do sucesso da estreia em 2012 com Blunderbuss. O anúncio, feito pelo site oficial, veio junto, como um aperitivo, o vídeo da faixa instrumental – e sensacional – “High Ball Stepper”, reforçando a alcunha de “guitar hero” carregada por White desde os tempos de White Stripes.  O primeiro single de fato só será lançado no final do mês, e leva o mesmo nome do disco, “Lazaretto”. Também será lançada uma edição especial e limitada, contendo um livro de 40 páginas com as letras das músicas, arte, um pôster e um disco com duas versões demo de faixas do álbum, como “Alone In My Home” e "Entitlement”.


Pelo visto abril será embalado pelas guitarras de Jack White. E depois... só ele sabe. Confira o vídeo de “High Ball Stepper”: 


Aquecimento Lollapalooza 2014: Arcade Fire, "The Suburbs", no Lollapalooza Chile




Nenhuma banda chega a essa edição do Lollapalooza no Brasil tão falada e atraindo tanta atenção quanto Arcade Fire, que desde 2010, com o álbum vencedor de Grammy, The Suburbs, vem cada vez mais angariando novos públicos em torno do mainstream, mas em momento algum perdendo a qualidade. A grande prova foi Reflektor, lançado no ano passado, que levou a banda a outro patamar no cenário pop, inclusive inovando nas campanhas de lançamento, cheias de mistérios e surpresas. O álbum foi um sucesso de crítica e público. E é nesse momento que Arcade Fire, headline do festival, desembarca no Brasil pela segunda vez (fizeram três datas em 2005) preparados para dominar o público no domingo, dia 6 de abril. 

Enquanto isso assista a uma pitada do show na edição chilena do Lollapalooza, com a faixa “The Suburbs”:



segunda-feira, 31 de março de 2014

Resenha: Johnny Cash - Out Among The Stars



Johnny Cash é um mito. A essa altura do campeonato, o que quer que for se falar de Cash há de se levar em consideração isso: o cara é um mito. Inclusive, a áurea lendária dele parece receber contornos sobrenaturais, já que continuam surgindo discos inéditos do cantor mesmo mais de dez anos após a sua morte, em 12 de setembro de 2003. Nesse mês de março, Johnny Cash lança seu terceiro álbum póstumo de inéditas, chamado Out Among The Stars, resgatado pelo filho do cantor, John Carter Cash (que garantiu que ainda há mais discos inéditos a ser lançados futuramente), gravado originalmente no período entre 1981 e 1984 (enquanto lutava contra a dependência de drogas), na década em que, digamos, não foi exatamente a década de ouro para Cash. Out Among The Stars foi recusado pela gravadora, que o arquivou. Uma pena; porque o disco tem ótimas canções, entre alguns baixos momentos, os quais encaramos com certa condescendência. 





Começamos com a faixa de abertura homônima “Out Among The Stars”, com Cash sendo o Cash de sempre, com um belo e cativante refrão, entrecortada por momentos de conversação, mostrando uma preocupação social com desemprego e violência. He can't find a job but Lord he's found a gun”. Em alguns trechos parece que Johnny Cash levantou-se do seu túmulo e veio falar sobre esse assunto tão atual, sobretudo na sociedade brasileira, onde a classe média com um ódio sedento dos “vagabundos de plantão”, em campanhas de violência gratuita. “He knows that when they're shooting at this loser They'll be aiming at the demons in their lives”.

“Baby Ride Easy”, um country bem veloz, é um dos dois duetos com a sua esposa June Carter (“Don’t You Think Our Time Will Come” é a outra). “She Used To Love Me a Lot”, de David Allen Coe, ganha nova vida aqui, coisa que o clipe representa muito bem através da síntese do sombrio e belo, a resistência nostálgica a deixar um amor ir embora, com a firmeza clássica do vocal de Cash, um dos pontos altos, sem dúvida. E a crueza da verdade: "Yes I'm in need of something But it's something you ain't got But I used to love you a lot”





“After All” é uma quieta balada, acompanhada no piano, com uma bonita melodia, mas não chega a ser marcante. “I’m Movin’ On” tem a participação de Waylon Jennings e parece ter sido gravada no estúdio ao vivo, entre conversas e risadas, dueto bem interessante e animado. “If I Told You Who It Was” leva um cômico Cash contando uma história para depois entrar num refrão bem rápido, uma mudança bem bolada e divertida, no melhor estilo contador de histórias, um encontro casual com alguma personalidade famosa. “Call Your Mother” é, por sua vez, uma tocante balada também com uma pontinha de humor, numa roupagem mais séria e trágica. “Gently break the news that you don't love me And give my best regards to your good old dad”

“I Drove Her Out Of My Mind” tem uma variação de ritmo bem interessante, aumentando e diminuindo a velocidade de acordo com a história narrada. A partir daí o disco vai perdendo força; “Tennessee” é suave e gostosa de se ouvir, mas passa longe de ser memorável, bem como “Rock And Roll Shoes”. “I Came To Believe”, apesar de muito boa, perde um pouco do ineditismo, já que saiu no álbum V: A Hundred Highways, de 2006.

Out Among The Stars é mais um álbum póstumo de Johnny Cash que nos ajuda a recolher os vestígios de sua arte pelo mundo. É um crime um disco como esse ter permanecido incógnito por tanto. Johnny Cash é um dos que merecem um registro completo de sua obra, entre erros e acertos. Out Among The Stars não chega a marcar a carreira dele, mas o seu valor histórico e artístico é inegável, tanto pelas músicas que aqui se encontram como pelo apelo por ser um álbum perdido de Johnny Cash. É muito mais um acerto do que um erro. Um erro – e este bem grave – foi terem-lhe engavetado.